Mensageiro Sideral

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos

 -

Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

Perfil completo

Publicidade
Publicidade

I’m sexy and I know it

Por Salvador Nogueira

Perdoem-me pelo título em inglês, mas a música da dupla americana LMFAO me veio à mente de imediato ao ver as primeiras imagens produzidas pelo novo instrumento instalado no Observatório Gemini.

Parte da Nebulosa do Cisne, localizada a 5.200 anos-luz da Terra

O que mais se pode dizer da astronomia depois de ver uma imagem dessas?

Trata-se de uma visão parcial da Nebulosa do Cisne, um berçário estelar a cerca de 5.200 anos-luz de distância, na constelação do Sagitário. Trata-se de uma das regiões mais ativas e luminosas da Via Láctea, a galáxia que abriga o Sistema Solar. Mas, diante de tão magnífica vista, quem realmente se importa com tudo isso?

A astronomia encontra uma porta de acesso ao público porque, apesar do linguajar por vezes complicado e da complexidade técnica do tema, a estética do cosmos é imediatamente acessível a qualquer um. Em outras palavras, ela é sexy. E, a julgar pela divulgação de imagens desse tipo como forma de demonstrar o poder de um novo instrumento, ela sabe disso.

Gemini Sul, telescópio no Chile que gerou as imagens

Convenhamos, isso só é possível porque o Observatório Gemini é, por si só, fantástico. Composto por dois telescópios gêmeos com espelho de 8,1 metros de diâmetro (daí o nome), um instalado no Hemisfério Sul (Cerro Pachon, Chile) e outro no Hemisfério Norte (Mauna Kea, Havaí), ele tem acesso a todas as partes do céu. (Detalhe: o Brasil tem uma participação nele, de modo que nossos astrônomos podem usá-lo para pesquisas.)

Claro que não adianta nada ter o espelhão lá, bonito, lustroso, se não há instrumentos que transformem a luz que ele capta em informação útil para os astrônomos. Aí é que entra o Flamingos-2, uma câmera e espectrógrafo que trabalha captando luz infravermelha no Gemini Sul.

Após passar por uma série de percalços, o instrumento está instalado e comissionado — ou seja, já passou pela fase de “teste” do dispositivo. A partir de agora, em setembro, começa a fase científica. Ou seja, é quando tudo está calibradinho e os astrônomos podem começar a transformar as belas imagens em conhecimento.

Bacana. Mas ainda bem que eles não nos privaram de uma olhadinha nessas primeiras imagens. São de encher os olhos e se admirar com a beleza do Universo. Confira abaixo as outras três fotos divulgadas pelo observatório.

A galáxia espiral NGC 6300
Galáxia espiral NGC 253

Galáxia espiral NGC 7582

 

Blogs da Folha

Publicidade
Publicidade
Publicidade