Mensageiro Sideral

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Que venham as perseidas!

Por Salvador Nogueira

Na madrugada de hoje para amanhã (segunda para terça), chegamos ao pico da chuva de meteoros anual conhecida como perseidas. O nome se refere à constelação de Perseu, de onde costumam emanar as populares estrelas cadentes nessa época do ano. E tudo não passa de farelo da cometa, mais especificamente do Swift-Tuttle, astro que passa pelas redondezas do Sol a cada 133 anos. Embora ele não esteja por perto no momento, sobra um rastro de poeira de sua última passagem. Quando a Terra atravessa a órbita dele, esses grãozinhos encontram nossa atmosfera e queimam, produzindo o espetáculo visual.

Um meteoro das perseidas fotografado sobre o VLT, instalação astronômica nos Andes chilenos

O fenômeno vai ser mais visível no hemisfério Norte, mas pelas bandas do Sul também será possível vê-lo. No Brasil, quanto mais para cima no mapa, melhor. Assim, as regiões Norte e Nordeste têm melhores condições do que as do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Mas ninguém deve se desanimar, não. Com um pouco de paciência, todo mundo pode colecionar seu avistamento de estrelas cadentes.

A sugestão básica, dada pelo astrônomo Gabriel Rodrigues Hickel, da Unifei (Universidade Federal de Itajubá), é procurar um lugar com boa visibilidade do céu — quanto mais visão da abóbada celeste, melhor — e se deitar. O período entre 3h da manhã e o nascer do Sol é o ideal. “Não há região específica do céu a olhar”, diz Hickel. “O ideal é procurar um lugar escuro, longe da poluição luminosa das grandes cidades, com o horizonte livre (sem edificações, árvores ou morros próximos) e deitar-se em uma cadeira de praia, de modo a ver o máximo de céu possível.”

O astrônomo sugere pelo menos uma hora de observação para ver um bom número de meteoros. Para os locais próximos à linha do equador, espera-se uma incidência de 35 meteoros por hora. Para a região de São Paulo e Rio, será um pouco menos: 14 meteoros por hora. “Tenha paciência e não espere um show pirotécnico”, afirma Hickel. “Observe por pelo menos uma hora para ver um número razoável de meteoros.”

Ah, não custa avisar: diferentemente do que andaram dizendo por aí na televisão, ninguém vai ver nada em movimento circular no céu. As fotos divulgadas na TV são resultado da exposição do filme por horas e horas, de modo que as próprias estrelas no céu aparecem como riscos circulares, girando em torno do polo celeste. O que dá para ver são as tradicionais estrelas cadentes, risquinhos brilhantes no céu. Ninguém precisa ter medo de ficar com tontura.

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