Mensageiro Sideral

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Encontros e desencontros celestes

Por Salvador Nogueira
A Lua e Vênus, em reunião, ontem, em São Paulo

Todo mundo (que viu) se encantou com a proximidade entre o planeta Vênus e a Lua ontem à noite. Esses encontros celestes são relativamente raros, mas não tanto quanto se imagina.

Isso acontece porque a Lua e todos os planetas do Sistema Solar ficam mais ou menos numa mesma linha reta no céu — a chamada eclíptica.

Tecnicamente, essa linha imaginária de nome esquisito é definida como o caminho que o Sol percorre no céu, ditado pela rotação da Terra e sua translação ao redor dele. Como os planetas (inclusive o nosso) estão todos girando ao redor do Sol mais ou menos no mesmo plano, a impressão que dá é que Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno ficam só flutuando próximos a essa linha imaginária.

Quando eles estão numa direção parecida com relação à Terra, acontecem as conjunções, como a que reuniu Lua e Vênus ontem.

O papo pode estar todo meio complicado, mas talvez valha a pena fazer uso (didático apenas, é bom que se diga) da prima não-científica da astronomia, a astrologia. A eclíptica é justamente a linha que cruza as constelações do zodíaco.

Ao longo de um ano, o Sol passa por sobre as constelações de Peixes, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário… e Ofiúco!

Nunca conheceu ninguém do signo de Ofiúco? Ah, bem, é porque ele não existe. Os astrólogos convencionaram usar 12 signos, porque a eles mais ou menos correspondem os 12 meses do ano, de forma que Ofiúco acabou descartado. Mais uma arbitrariedade dessa brincadeira divertida e muito tradicional, mas pouco fundamentada, que é a astrologia. (Outra curiosidade é que, em tese, o Sol deveria estar sobre a constelação de mesmo nome no momento do nascimento do sujeito para que lhe fosse atribuído o signo. Contudo, com o passar de muitos anos, houve um pequeno descompasso entre a posição celeste do Sol e a convenção de data dos signos. Então, um ariano nascido hoje na verdade tem o Sol sobre a constelação de Peixes. Dá para botar uma fé?)

O fato de os planetas se deslocarem todos mais ou menos na faixa da eclíptica também explica por que os astrólogos podem fazer mapas astrais, em vez de precisar produzir maquetes astrais. Como todos os planetas, o Sol, a Lua e os signos do zodíaco estão no mesmo plano, bastam duas dimensões para representá-los. (A astrologia deve ser bem estranha em sistemas planetários com maior desalinhamento entre as órbitas dos mundos que lá existem! Ou não, já que Plutão fica meio longe da eclíptica e é usado na boa pelos astrólogos…)

Tudo isso para dizer que, independentemente da influência astral que o encontro de Vênus com a Lua pode ter tido na sua vida, decerto foi uma cena bonita de ver. Você curtiu?

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