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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Chegou a hora de observar o cometa Ison

Por Salvador Nogueira

Depois de meses de expectativa, é chegado o momento de procurar o famoso (e por ora ainda discreto) cometa Ison nos céus brasileiros. Astrônomos amadores ao redor do mundo reportam que seu brilho começou a aumentar, conforme ele ruma na direção do Sol, e o objeto já pode ser visto com o auxílio de binóculos. Você provavelmente não encontrará momento melhor para procurá-lo do que durante este feriado prolongado, sem a pressão de acordar cedo no dia seguinte.

Antes, alguns aperitivos. Confira essa bela imagem capturada pela Nasa em 8 de novembro, com um telescópio de 14 polegadas, no Centro de Voo Espacial Marshall, em Huntsville, Alabama.

Cometa Ison é registrado por telescópio do Centro de Voo Espacial Marshall, da Nasa

Gostou? Mais legal ainda foi a imagem obtida pelo astrônomo amador austríaco Michael Jäger anteontem. Ela já mostra o cometa Ison com duas caudas.

O astrônomo amador Michael Jäger registrou o Ison com duas caudas em 12 de novembro

O padrão de duas caudas é bem comum e é mais um sintoma da aparente boa saúde do astro. Uma delas é composta por poeira, e vai ficando para trás ao longo da órbita do astro. A segunda é produzida pela sublimação de material volátil (principalmente gelo de água). Essa trilha gasosa é projetada na direção oposta ao Sol. Por isso o suave desalinhamento entre as duas.

A tendência é que o brilho continue aumentando durante os próximos dias, mas ele cresce na mesma proporção em que o cometa se aproxima de nossa estrela-mãe (e com isso começa a nascer cada vez mais tarde no céu, quase junto com o Sol). No dia 28 próximo, ele passará raspando a 1,2 milhão de km da superfície solar — menos de um centésimo da distância Terra-Sol. Nesse período, será praticamente impossível tentar vê-lo, e ficará a expectativa dos amantes do céu. O Ison sobreviverá à passagem e sairá do outro lado do Sol? Ou o calor e a tensão gravitacional serão demais para o objeto de 5 km de diâmetro, que será feito em pedaços e nunca mais voltará a ser avistado?

Nada se sabe a esse respeito. O que já dá para saber é que o cometa não deve ser observável do hemisfério Sul após o periélio. Isso porque, do nosso ponto de vista, o cometa irá se pôr antes do Sol e nascerá praticamente junto com o astro-rei. A não ser que as mais otimistas expectativas de brilho do Ison se concretizem, ele será completamente ofuscado pela luz solar e invisível durante o dia.

PARA OBSERVAR NO FERIADO

É preciso pelo menos um bom par de binóculos. Com um telescópio, a imagem pode ser melhor, mas é mais difícil de achar o Ison. A olho nu, não vai rolar. Ele está no momento com brilho de magnitude 8, e é preciso 6 ou menos para vê-lo a olho nu num céu limpo e longe da poluição luminosa (quanto menor a magnitude, mais brilhante é o objeto) .

O melhor horário para observá-lo é por volta das 5h30 da manhã, pouco antes de o Sol nascer. Olhe na direção leste, para a constelação de Virgem. O cometa Ison estará bem próximo à estrela Porrima (Gamma Virginis). Confira o mapa do céu na região em que o Ison pode ser encontrado (feito tendo como referência a cidade de São Paulo, dia 15, 5h30).

“As próximas noites podem ser as melhores para os observadores no Sul e Sudeste do Brasil, já que o tempo está bom e a Lua ainda não está cheia”, afirma Gustavo Rojas, astrônomo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). “Estar em um local escuro é essencial”, complementa.

O Mensageiro Sideral tem acompanhado de perto a saga do Ison, desde que ele foi clamado como potencial cometa do século até as controvérsias entre os astrônomos, que ora diziam que ele estava condenado a sumir, ora afirmavam que tudo estava caminhando conforme o esperado. Em breve, os capítulos finais desta emocionante novela celeste.

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