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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Depois da morte, a ressurreição do Ison!

Por Salvador Nogueira

Sabe aqueles filmes de super-herói que, depois da trama resolvida e mais dez minutos de créditos, têm aquela cena final que coloca tudo de ponta-cabeça? Pois bem, meus amigos, a saga do cometa Ison ainda não acabou.

Depois que todo mundo viu o cometa reduzir paulatinamente de brilho e sumir por trás do Sol, parecia que o destino estava selado. Redução rápida de magnitude significava fragmentação, e um cometa aos pedaços não resistiria aos 2.700 graus Celsius que envolvem passar a 1,2 milhão de km de uma estrela. A essa temperatura, aos pedaços, todo o gelo derreteria. Até mesmo ferro vaporizaria.

Mas então uma pequena trilha, aparentemente de detritos, começou a emergir nas imagens, na trajetória que pertenceria ao Ison. E aí, uma surpresa adicional: o brilho começou a aumentar. O suspense durou até 00h49, quando Karl Battams, um dos coordenadores da campanha de observação organizada pela Nasa, anunciou pelo twitter: “Certo, estamos cravando, e você ouviu primeiro aqui: acreditamos que uma pequena parte do núcleo do Ison SOBREVIVEU ao periélio.

Imagem obtida pelo satélite Soho sugere que parte do Ison sobreviveu ao periélio

Então aí está, o gancho para a continuação da mais emocionante observação cometária de que se tem notícia.

Karl Battams diz que já observou mais de 2.000 cometas que passam raspando pelo Sol, e este não se compara a nenhum deles. Pode não ser o espetáculo visual que todos esperavam, mas em termos de ciência estamos diante de uma grande novidade. Que outras surpresas o Ison nos reserva, além de uma ressurreição?

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