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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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A câmera que fotografa exoplanetas

Por Salvador Nogueira
Planeta gigante é fotografado ao redor da estrela Beta Pictoris
Planeta gigante é fotografado ao redor da estrela Beta Pictoris

Uma câmera especial desenvolvida durante dez anos finalmente foi apontada para o céu em busca de planetas fora do Sistema Solar. É o instrumento mais avançado do mundo para fotografar diretamente esses objetos distantes.

Fotografar um planeta diretamente é muito difícil porque seu brilho pequeno acaba ofuscado pela luz de sua estrela-mãe. Por isso os métodos preferenciais na busca por mundos fora do Sistema Solar são indiretos: eles medem ou a mudança de posição da estrela causada pela interação gravitacional com seus planetas ou a diminuição momentânea de brilho quando os planetas passam à frente dela.

A principal vantagem de obter uma imagem direta do planeta é que se pode analisar sua luz e identificar, por exemplo, sua composição. Para isso foi construído o Gemini Planet Imager (GPI), isntrumento instalado no telescópio Gemini Sul, no Chile.

“Mesmo essas primeiras imagens são quase dez vezes melhores que a geração anterior de instrumentos. Em um minuto, estamos vendo planetas que costumavam nos levar uma hora para detectar”, diz Bruce Macintosh, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos,que liderou a equipe responsável por construir o instrumento.

Trabalhando na frequência do infravermelho, a câmera passou por seus primeiros testes em novembro, fotografando um planeta gigante já conhecido em torno da estrela Beta Pictoris e registrando um disco de cometas ou asteroides em torno da estrela HR4796A.

Imagens do disco de poeira (em versão luz normal e polarizada) em torno da estrela HR4796A
Imagens do disco de poeira (em versão luz normal e polarizada) em torno da estrela HR4796A

O primeiro projeto de pesquisa do GPI envolverá o estudo de 600 estrelas jovens para ver que planetas gigantes orbitam ao redor delas. A ideia é verificar a prevalência desses planetas e testar teorias de sua formação. Por incrível que pareça, hoje entendemos muito melhor como se formam planetas rochosos, como a Terra, do que gigantes gasosos, como Júpiter. Compreender esse processo é fundamental para explicar por que alguns mundos gigantes migram para perto de sua estrela depois de sua formação, destruindo tudo (inclusive possíveis Terras) pelo caminho.

O instrumento foi projetado para isso e consegue ver objetos até dez milhões de vezes menos brilhantes que suas estrelas, o que permitirá identificar planetas gigantes jovens (com até 1 bilhão de anos de idade) por meio de sua luz infravermelha.

Embora tenha sido projetado para observar objetos fora do Sistema Solar, o GPI também se presta a pesquisas astronômicas. Veja o que ele consegue ver da superfície de Europa, uma das luas de Júpiter, em contraste com um mapa feito com base imagens obtidas in loco pelas sondas Galileo, Voyager 1 e 2.

Imagem colorida de Europa, em comparação com mapa da lua feito por espaçonaves
Imagem colorida de Europa, em comparação com mapa da lua feito por espaçonaves

O Mensageiro Sideral aguarda ansiosamente as descobertas espetaculares que serão feitas nos próximos anos com o instrumento!

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