Uma explosão solar com “paradinha”

A flotilha de espaçonaves da Nasa que está encarregada de fazer o monitoramento do Sol flagrou um estranho fenômeno: uma erupção solar com “paradinha”. É isso aí. À la Romário. Ao longo de três longos dias, a contar de 17 de janeiro do ano passado, as sondas Soho, Stereo e SDO (Solar Dynamics Observatory) detectaram uma série de pequenos “sopros”, quase ameaças de uma explosão solar, que finalmente culminaram com uma erupção de grandes proporções. Goleiro prum lado, bola pro outro, como diria o narrador.

Imagem do satélite SDO revela em detalhes a atividade da coroa solar na erupção com "paradinha".
Imagem do satélite SDO revela em detalhes a atividade da coroa solar na erupção com “paradinha”.

A descrição do fenômeno, acompanhada por imagens espetaculares de nossa estrela-mãe em ação, está sendo apresentada à comunidade científica por Nathalia Alzate, da Universidade de Aberystwyth (bom exercício de dicção!), no País de Gales, nesta segunda-feira. Ela participa da Reunião Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society, que está rolando esta semana em Portsmouth, na Inglaterra.

“A grande e lenta estrutura parece relutante em entrar em erupção, e não começa a se propagar suavemente para fora até que vários jatos tenham ocorrido”, explicou a pesquisadora em nota à imprensa.

EM 3D

Graças aos dados colhidos pelas diversas espaçonaves, os cientistas foram capazes de criar uma modelagem em 3D do fenômeno, o que ajuda a compreender as forças envolvidas na erupção lenta e a discutir os possíveis mecanismos que distinguem fenômenos lentos e rápidos.

De forma geral, sabemos que as erupções são resultado dos poderosos campos magnéticos produzidos pelo Sol em suas camadas superficiais. Mas muitos dos mecanismos mais sutis do funcionamento de nossa estrela ainda nos escapam. E trata-se de um estudo da maior importância prática. Erupções solares podem afetar nossos satélites e as redes de transmissão elétrica em solo. Entender como elas acontecem é fundamental para podermos prevê-las e nos prevenirmos contra potenciais danos.

Agora, confesso: não é isso que mais me encanta no estudo do Sol. O fascínio maior deriva da reflexão de que a existência da vida — a nossa própria existência — está intrinsecamente ligada a essa magnífica esfera brilhante e ultraquente, no coração do Sistema Solar. É dela que emana a força vital que nos anima, de forma direta ou indireta. Parece apenas natural que queiramos entender como ela funciona e descobrir em que medida seu comportamento é típico de outros astros similares espalhados pelo cosmos.

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Comentários

  1. Vários segmentos estão se organizando para minimizar os danos solares que causaria uma interrupção de nossos sistemas. Alguns americanos mais afobados estão comprando bunks anti um monte de coisas enquanto eu ainda nem estoquei o diesel para conseguir chegar até na roça.

  2. A GRANDE COLISÃO E O SURGIMENTO DA LUA

    Os sumérios contaram num poema, como se fora uma grande batalha no céu, o surgimento do sistema solar e falam que isto aconteceu há 4 bilhões de anos.

    Enuma Elish la nabu shamamu
    Quando nas alturas o Céu não fora nomeado
    Shaplitu ammatun shuma la zakrat.
    E em baixo, solo firme(Terra) não fora chamada
    Foi nesta altura, diz-nos a epopéia, que dois primitivos corpos celestiais deram à luz uma série de “deuses” celestiais.
    Na grande superfície do espaço, os “deuses” – os planetas – estão ainda por aparecer, por nomear, por ter seus “destinos” – as suas órbitas – estabelecidas.

    Sugiro a leitura do poema completo no livro do homem que “descobriu” a Suméria, Zecharia Sitchin – O décimo segundo planeta. Não é um livro para se ler uma vez só. Adeus, adoradores de Iahweh!

  3. Sensacional, Salvador! E, para mim, o Sol é o deus mais lógico a ser adorado, os outros, inventados pelos vaidosos humanos, não são nada perto dele, que permitiu a vida na Terra, mesmo sem nem poder pensar nisso, por lhe faltar cérebro…

  4. Essa foto parece uma obra de Van Gogh, sensacional.

    Mas o que imagem mostra exatamente? A movimentação dos campos magnéticos? E como foi tirada essa foto? Não é luz visível, certo?

  5. Legal! A velha caldeira nuclear e seus truques para liberar energia…

    Mas uma dúvida Salvador, se a via láctea gira entorno do centro de massa do grupo local e este por suas vez entorno de outro, o universo então teria um centro de massa comum a todos os astros?

    1. Não, porque nas maiores escalas a energia escura tem força superior à da gravidade.

  6. – “Essa notícia mudou minha vida”

    – “Tanta gente passando fome na África e os governantes gastando dinheiro filmando o Sol”

    – “Tinha que mandar a Dilma/PT/Molusco pra lá”

    – “Tudo mentira, o Sol não existe”

    Pronto. Plantei a sementinha da discórdia.

    Let the games begin!

    Ps.: Ótimo post, Salva.

    😉

    1. Vai ver o jogo do São Paulo sua Bicha enrustida. Mente vazia, escoria Humana. Pronto Falei,kkkkkk

  7. E VIVA o nosso SOL!!!! Fonte soberana de toda a vida na terra! Em tempo: esta imagem que emoldura hoje o post é de longe a mais bonita que já vi de uma erupção solar!

  8. Bom dia, Salvador!

    Muito obrigado pelas matérias e fotos emocionantes.

    Magnífica imagem do Sol! Gostei muito do seu último parágrafo afinal, sem a luz vital poucas coisas na Terra teriam as belezas que apresentam, por exemplo, o broto de feijão, os aspargos em conserva não apresentam a coloração verde porque são cultivadas no escuro, ou ainda “as minas“ (era assim que falávamos) com seus bronzes. As tecnologias cada vez mais desenvolvidas nos permitem contemplar detalhes que num passado “recente” seriam inimagináveis.

    Em relação ao Nano Satélite, não achei nada interessante porque 110% dos insumos usados na montagem não são fabricados no nosso país e o lançamento via agencia espacial russa não cria “era espacial brasileira”. Como não foi detalhado o quê era o “alvo da coleta de dados” então, sem demérito ao pessoal do INPE, foi apenas um Sputnik modernizado para dizer que a “aventura espacial brasileira” ainda vive, mesmo que via respirador.

  9. Aprendemos algo observando, sempre foi assim. Para descobrirmos uma nova fonte de energia nada mais sensato que observar logo a maior disponível por perto (em termos estelares).
    O campo da magnetohidrodinâmica é muito promissor, tem efeitos pouco conhecidos, por exemplo as ondas Alfven, que podem levar a novas formas de propulsão e ao desenvolvimento de Tokamaks.

    1. É justamente ai que erram aqueles que consideram as observações astronômicas como perda de tempo e dinheiro. O Universo é um laboratório pronto que permite a observação e descoberta de novos fenômenos, que um dia se convertem em novas tecnologias.

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