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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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A Índia chegou a Marte!

Por Salvador Nogueira

A Índia acaba de se tornar o primeiro país asiático a colocar um satélite em órbita de Marte. E o primeiro país do mundo a conseguir isso na primeira tentativa. Num evento eletrizante transmitido ao vivo pela internet, o mundo acompanhou a inserção orbital bem-sucedida da sonda MOM (sigla para Mars Orbiter Mission) no fim da noite desta terça-feira (23).

Concepção artística da MOM, primeira missão indiana a Marte.
Concepção artística da MOM, primeira missão indiana a Marte.

Com isso, os indianos conseguiram bater seus rivais locais, China e Japão, no estabelecimento de um artefato em órbita do planeta vermelho. Ambos já haviam lançado espaçonaves com esse objetivo, mas a japonesa Nozomi falhou na inserção em sua rota interplanetária, em 1998, e a chinesa Yinghuo-1 sofreu com a falha de um foguete russo que a levaria a Marte, junto com a sonda russa Fobos-Grunt, em 2011.

A MOM, também chamada informalmente de Mangalyaan (algo como “nave marciana”, em sânscrito), é sem dúvida o maior sucesso do pujante programa espacial indiano, que já enviou uma espaçonave em órbita da Lua com sucesso, tem seus próprios lançadores e centros de lançamento, assim como a capacidade técnica para produzir satélites científicos de alto nível e a ambição de desenvolver um programa tripulado.

A missão marciana foi orçada em cerca de US$ 74 milhões — uma ninharia, em termos de projetos de exploração interplanetários. Sem dúvida é algo que nós, brasileiros, poderíamos estar fazendo, se houvesse determinação e visão em nosso próprio programa espacial. E o entusiasmo que um projeto desses produz certamente trará resultados importantes para a Índia, estimulando mais pessoas a buscar carreiras na ciência e na indústria aeroespacial. Sem falar no prestígio internacional.

“Inovação envolve risco. Somente se aceitarmos o risco, teremos sucesso”, disse o primeiro-ministro Narendra Modi, logo após a confirmação do sucesso, direto do controle da missão. “Nós assumimos esse risco.”

Mas, claro, nada disso aliviou a tensão momentos antes da confirmação da inserção orbital.

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MEIA HORA NERVOSA
Uma primeira salva de palmas efusiva aconteceu exatamente às 23h. O disparo dos motores foi confirmado. E então a pequena MOM se escondeu atrás de Marte, com o planeta vermelho bloqueando o sinal da sonda captado na Terra. O “blecaute” durou por 24 minutos. Longos 24 minutos de tensão. Se tudo corresse bem, o fim do voo propulsado, com a consequente inserção orbital, aconteceria coisa de três minutos antes do fim do silêncio de rádio. Os engenheiros da ISRO (Organização de Pesquisa Espacial Indiana, a Nasa da Índia) esperaram. Esperaram e esperaram.

Então, às 23h30, a mais entusiástica salva de palmas confirmou o retorno do sinal. Manobra bem-sucedida. A MOM estava capturada numa órbita em torno de Marte!

A sonda indiana se junta a outras quatro espaçonaves atualmente operando em torno do planeta vermelho — as antigas Mars Odyssey (EUA), Mars Express (Europa) e Mars Reconnaissance Orbiter (EUA), e a recém-chegada Maven (EUA).

Com cinco instrumentos, os indianos farão imagens da superfície marciana e analisarão a composição da atmosfera, procurando nela sinais de metano — gás possivelmente ligado a atividade biológica. Para os íntimos, vida. A exploração de Marte fica mais entusiasmante a cada dia!

Parabéns à Índia pelo incrível sucesso!

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