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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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O último suspiro do Philae?

Por Salvador Nogueira

Mais um dia de trabalho no cometa Churyumov-Gerasimenko — e pode ser o último. A boa notícia é que o módulo Philae está bem afixado e ativou seu instrumento de perfuração, informou nesta sexta-feira (14) a ESA (Agência Espacial Europeia).

Imagem panorâmica da região de pouso do Philae, na beira de um penhasco. Ops!
Panorama da região de pouso, na beira de um penhasco. Repare as manchas brancas, acima e à dir.: são estrelas, fora de foco!

Os engenheiros não têm certeza se a altura da sonda com relação ao chão permitirá que o solo seja efetivamente escavado pela perfuratriz, chamada de SD2, e amostras sejam encaminhadas para o laboratório interno. Os resultados só virão com o próximo contato entre o Philae e a Rosetta — que pode ou não acontecer.

Depende basicamente de as baterias durarem até lá. Nas últimas simulações de carga, a conta está no limite para que o módulo de pouso permaneça operacional até a Rosetta voltar a sobrevoá-lo para restabelecer contato.

As tentativas de mover o módulo e melhorar a quantidade de radiação solar que chega a seus painéis solares não tiveram resultado. O Philae realmente parece bem preso ao chão e cercado por rochas. Imagens subsequentes das câmeras ÇIVA mostraram que o veículo não se moveu desde que pousou ali, confirmando que ele está bem preso ao solo.

Depois da noite de hoje, provavelmente o Philae irá dormir, sem baterias para permanecer em operação. Existe a possibilidade que ele volte a despertar conforme o cometa se aproxime mais do Sol e o nível de energia que chega ao painel solar aumente. Mas eu não prenderia minha respiração esperando por isso.

SEM CONTATO VISUAL
Em paralelo, a Rosetta segue procurando fazer contato visual com o Philae na superfície. Sua órbita foi alterada para obter as melhores imagens possíveis da região onde ele deve estar.

Esta missão já bateu baixas chances de sucesso antes, então ainda é cedo para dizer que é o fim. Mas, ao que parece, antes que o dia termine o Philae deve estar sem energia, encerrando suas transmissões.

A avaliação dos cientistas, contudo, é bastante positiva. Entre 80% e 90% dos dados que tinham de ser colhidos na missão primária do Philae foram efetivamente obtidos, segundo Stephan Ulamec, gerente do módulo de pouso na DLR (agência espacial alemã).

Uma missão estendida se tornou improvável diante da baixa quantidade de luz que chega aos painéis. Mas quem pode reclamar, quando a chance era grande de que o módulo quicasse e voltasse ao espaço, sem fazer medição nenhuma da superfície?

Não custa lembrar: estamos falando de um pouso num objeto ativo que tem apenas um centésimo de milésimo da gravidade da Terra. Um feito incrível.

A coleta de dados de solo pode acabar hoje, mas as análises darão trabalho aos cientistas por muitos anos. Isso sem falar na própria Rosetta, que continuará a estudar o cometa conforme ele se aproxima do Sol. Ainda tem muito gelo sublimado para rolar por baixo dessa ponte…

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