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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Índia testa sua cápsula espacial

Por Salvador Nogueira

E você que achou que a Índia ia sossegar depois de ter colocado com sucesso em setembro uma sonda em órbita de Marte. Na madrugada desta quinta-feira (18), os indianos lançaram com sucesso o protótipo de um foguete de alta capacidade. A bordo, uma cápsula que no futuro servirá para levar astronautas ao espaço.

Protótipo do GSLV Mark III voa com sucesso na Índia (Crédito: Isro)
Protótipo do GSLV Mark III voa com sucesso na Índia (Crédito: Isro)

Ainda há um longo caminho pela frente. Mas o sucesso do voo do foguete GSLV Mk-III já abre caminho para que a Índia desenvolva sua própria tecnologia para lançamento de pesados satélites de telecomunicações, com até quatro toneladas.

A versão final do foguete ainda pende pelo desenvolvimento de um motor criogênico, mas os elementos testados no voo de hoje funcionaram perfeitamente — inclusive o veículo destinado a carregar humanos ao espaço, algo considerado como um bônus para o teste.

“O módulo de tripulação pousou como esperado na baía de Bengala”, informou K. Radhakrishnan, diretor da Isro (agência espacial indiana), antes de receber uma salva de palmas dos presentes no centro de controle.

SUBORBITAL
Nesse modelo de teste, o foguete não atingiu a velocidade necessária para instalar a cápsula em órbita. O objetivo era realizar um voo suborbital a uma altitude de 126 km, para observar o desempenho do lançador e a reentrada bem-sucedida da cápsula, trazida à água por para-quedas.

A cápsula indiana para voo tripulado, com capacidade para dois astronautas.
A cápsula indiana para voo tripulado, com capacidade para dois astronautas. (Crédito: Isro)

A essa altura, está claro que a Índia tem mais um lançador bem encaminhado, o maior já desenvolvido pelo país, e está no caminho para se tornar o quarto país do mundo capaz de transportar humanos à órbita terrestre por seus próprios meios, embora isso ainda possa levar uma década para chegar a termo. Até agora, só Rússia (1961), Estados Unidos (1962) e China (2003) chegaram lá.

Aí sempre tem um que diz: “com tanta fome, tanta miséria, tantos problemas, é uma vergonha a Índia investir em tecnologia espacial”. A esses, não custa lembrar que os indianos não perdem dinheiro com isso. Eles ganham dinheiro. Só para 2015, os indianos já comercializaram serviços de lançamento para cinco satélites, três do Reino Unido e dois da Indonésia.

É esse tipo de visão que as pessoas não costumam ter aqui no Brasil. Noves fora aspectos de soberania, elas se esquecem de que a civilização moderna é 100% dependente de satélites artificiais. E, se o seu país não é capaz de lançá-los, seu governo há de pagar a outro para fazer isso. Alternativamente, se sua nação está no rol dos que detêm a tecnologia, você poderá ganhar dinheiro lançando satélites de outras nações e aí reinvesti-lo em suas prioridades locais: educação, saúde, programas sociais de moradia, distribuição de renda e por aí vai.

O Brasil tem no Centro de Lançamento de Alcântara (MA), por sua proximidade da linha do Equador, o melhor sítio do mundo para o envio de satélites de telecomunicações. Pergunte quanta grana até agora isso nos rendeu. Enquanto isso, os indianos já desenvolveram vários foguetes lançadores e realizaram missões não-tripuladas à Lua e a Marte. Quando eles começaram seu programa? 1962. E nós? 1961. Fica a dica.

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