O sopro da morte de um buraco negro

Salvador Nogueira

No coração da maioria das galáxias, reside um buraco negro gigantesco, com massa equivalente à de milhões de sóis. E agora um trabalho publicado na revista “Science” confirmou uma antiga suspeita dos astrônomos — quando esses objetos são suficientemente ativos, os ventos poderosíssimos emitidos a partir do centro galáctico são mesmo capazes de, com o tempo, dissipar todo o gás circundante. Isso, por sua vez, interrompe a produção de novas estrelas. Em outras palavras, a galáxia envelhece e, no fim das contas, morre.

Concepção artística dos ventos emanados do buraco negro no centro de uma galáxia (Crédito: Nasa)
Concepção artística dos ventos emanados do buraco negro no centro de uma galáxia (Crédito: Nasa)

Galáxias são como Hollywood: basicamente cidades habitadas por estrelas. Nós vivemos em uma que, além de abrigar o Sol e seus planetas (dentre eles a pequenina Terra), também serve de lar para outros 200 bilhões de estrelas distribuídos por seu bojo e seus longos braços espirais. Nós a chamamos de Via Láctea e a vemos no céu como uma faixa mais densa, uma vez que estamos observando-a do lado de dentro. Na direção da constelação de Sagitário, a cerca de 26 mil anos-luz de distância, fica o centro da galáxia, e lá reside um buraco negro imenso, com massa aproximada de 4 milhões de sóis.

Buracos negros são objetos previstos pela relatividade geral, e a ideia por trás deles é simples: qualquer massa comprimida num espaço suficientemente pequeno acabará por gerar um campo gravitacional tão intenso que nem a luz conseguiria escapar de sua superfície. De início, quando o físico alemão Karl Schwarzschild usou a teoria de Einstein para calcular o quanto era preciso esmagar a matéria para chegar a esse extremo, em 1915, as contas não passavam de uma curiosidade — ninguém imaginava que algum mecanismo existente na natureza fosse capaz de produzir tamanha compressão. Mas acontece que ele existe: quando uma estrela de alta massa esgota seu combustível e explode violentamente, seu núcleo é esmagado por seu próprio peso, e nada parece conter o colapso até as últimas consequências. Ao que tudo indica, o que resta do astro se torna um buraco negro.

Mas os objetos criados assim têm a massa comparável a de estrelas grandes, não de milhões de estrelas combinadas. Então, como nascem os buracos negros gigantescos, no centro das galáxias? Ninguém sabe ao certo. É possível que eles comecem como um buraco negro comum e vão engolindo mais matéria ao longo do tempo, até se tornarem gigantes. Alternativamente, eles podem ter nascido antes mesmo que as primeiras estrelas se formassem e, com isso, serviram como uma “âncora gravitacional” para as galáxias surgidas em torno deles. Há astrônomos que favorecem cada uma das hipóteses, e essa controvérsia ainda não está resolvida. Em compensação, todos concordam que todos os buracos negros supermassivos acabam crescendo com o tempo, e isso influencia seu comportamento.

VIZINHANÇA PACATA
Nossa galáxia está cheia de berçários estelares — nuvens de gás onde são gestadas novas estrelas –, e o nosso superburaco negro é relativamente bem comportado, discreto e difícil até de detectar.

Imagem do NuSTAR revela um raro aumento de brilho em Sagittarius A*, o buraco negro do centro da nossa galáxia (Crédito: Nasa)
Imagem do satélite NuSTAR revela um raro pico de brilho de raios X em Sagittarius A*, onde reside o superburaco negro do centro da nossa galáxia. Provavelmente ele estava fazendo um lanchinho nesta hora. (Crédito: Nasa)

Contudo, ao observarem as profundezas do espaço, os astrônomos encontraram algumas galáxias cujo buraco negro central emite doses brutais de radiação — são os quasares. O nome é esquisito, mas não se assuste: um quasar não passa de um buraco negro gigante que está ativo e visível. Só isso. Sua luminosidade é enorme, o que facilita sua descoberta, mesmo a distâncias de bilhões de anos-luz. E, ao que parece, esses núcleos ativos galácticos foram mais comuns no passado cósmico que no presente.

Você pode se perguntar como um buraco negro — objeto que, por definição, não permite que nada escape dele — emite copiosas doses de radiação e se torna luminoso. Afinal, ele não é negro? Sim, ele é. Mas seu entorno, quando cheio de matéria prestes a ser engolida, não é. Um buraco negro supermassivo é um que está no meio de uma suntuosa refeição. Essa matéria no entorno do buraco negro, prestes a cair, conforme é acelerada, emite luz, nas mais variadas frequências. E é essa luz que confere luminosidade ao objeto.

Também é essa radiação que literalmente sopra o gás circundante da galáxia que abriga o buraco negro, cortando efetivamente a produção de novas estrelas. É uma política radical, draconiana, implacável, de controle populacional de uma cidade galáctica — observada agora sendo implementada num quasar chamado PDS 456, a cerca de 2 bilhões de anos-luz de distância.

(ATUALIZAÇÃO, 14h27: Acabo de descobrir que o PDS 456 foi descoberto por um grupo brasileiro! PDS é sigla para Pico dos Dias Survey, e um dos autores da descoberta é o astrofísico Carlos Alberto Torres, que costuma comentar aqui no blog. “Fiquei bastante emocionado com a notícia! É como um filho da gente fazendo sucesso”, disse Beto, via Facebook na página do Mensageiro Sideral!)

MEDIDAS PRECISAS
A equipe internacional encabeçada por Emanuele Nardini, da Universidade de Keele, no Reino Unido, usou os satélites NuSTAR (da Nasa) e XMM-Newton (da ESA) para observar o PDS 456 e pela primeira vez conseguir medir a velocidade, a forma e o tamanho desses ventos emanados de um centro galáctico. E é um negócio impressionante: basicamente um sopro esférico em todas as direções que carrega mais energia a cada segundo do que a emitida por mais de 1 trilhão de sóis combinados. O vento chega a atingir um terço da velocidade da luz. “Agora sabemos que os ventos do quasar contribuem significativamente para a perda de massa numa galáxia, eliminando seu suprimento de gás, que é o combustível para a formação estelar”, disse Nardini, em nota.

Note que o buraco negro supermassivo residente em PDS 456 é cerca de 250 vezes mais massivo que o da nossa Via Láctea, com 1 bilhão de massas solares. Ao que parece, conforme o buraco negro vai crescendo, e engolindo matéria, ele influencia a evolução da galáxia circundante, reduzindo sua produção de novas estrelas. Assim, o objeto central basicamente regula o destino das galáxias. Os pesquisadores acreditam ter flagrado PDS 456 num momento em que ele começou a promover o controle populacional estelar. É o começo do fim para aquela galáxia.

Quanto à nossa, folgue em saber que a morte dela ainda está muito distante. Nosso buraco negro supermassivo ainda é relativamente modesto e não parece estar com fome. Os astrônomos suspeitam que em alguns bilhões de anos, quando a Via Láctea se chocar com a galáxia de Andrômeda, a eventual colisão do superburaco negro de lá com o de cá pode criar um quasar capaz de impor a Lactômeda (a galáxia resultante dessa gloriosa fusão) o temido controle populacional.

Série de imagens mostra como seria a colisão de Andrômeda com a Via Láctea, vista da Terra. Claro, tome essa perspectiva com um grão de sal, porque a última imagem representa o estado da galáxia em 7 bilhões de anos -- quando a Terra provavelmente já não existirá. (Crédito: Nasa)
Série de imagens mostra como será a colisão de Andrômeda com a Via Láctea, vista da Terra. Claro, tome essa perspectiva com uma pitada de sal, porque a última imagem representa o estado da nossa galáxia daqui a 7 bilhões de anos — época em que a Terra muito possivelmente já não existirá e o Sol será apenas um cadáver estelar. (Crédito: Nasa)

O resultado será uma cidade cósmica onde só vivem estrelas velhas. É como se Hollywood se transformasse em Orlando. Mas, àquela altura, nem o Sol, nem a Terra deverão estar por aqui para contar a história.

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Comentários

  1. eu acho que Deus cria e faz com que algumas criações chega ao fim Ele é, o Ser Incriado que faz o que é bom e o que misericordiamente útil para todos, não só os terráqueos existem outros humanos que nós nem supomos e que os mundos os planetas os sóis existem desde que Deus só Ele sabe, e não se preocupem com buracos negros se é necessário é, senão…

  2. Oi Salvador, porque um dia a produção de novas estrelas irá cessar e o universo estará cheio apenas de “cadáveres” de estrelas?

    1. Porque o gás disponível para a formação de novas estrelas é limitado. Uma hora vai acabar. Inclusive o pico de formação estelar já passou. Nascem menos estrelas hoje no Universo do que nasciam alguns bilhões de anos atrás.

      1. Salvador me tira uma duvida. Como pode acabar o nascimento de estrelas, se quando uma morre, seu conteudo jogado pela galaxia com sua explosão, se torna materia para criação de novas estrelas? O nosso Sol mesmo não é resultado disso? Fiquei sem saber agora

  3. Oi Salvador, a nossa Via Láctea órbita alguma coisa? Ou ela apenas interage gravitacionalmente com nossas galaxias do grupo local?

    Existem galáxias solitarias que não interagem gravitacionalmente com nenhuma e que nem pertencem a um grupo local?

    E no meio ‘intergalatico’, existem estrelas que não pertencem a nenhuma galaxia e tambem buracos negros?

    Grande abraço.

    1. Ela interage gravitacionalmente com o Grupo Local e com a turma do superaglomerado de Virgem e do superaglomerado Laniakea, que inclui o superaglomerado de Virgem. E com certeza há estrelas desgarradas no meio intergaláctico.

  4. Salvador, boa tarde! Mais um excelente post, parabéns! Gostaria de entender melhor a natureza desses ventos que o buraco negro emite. A luz que os quasares emitem é devida à alta temperatura em que a matéria se encontra logo antes de ser sugada pelo buraco negro, correto? Então, além da luz, ele também emite partículas? Seria exatamente o que, íons, semelhante aos ventos solares mesmo?

    1. Ele emite partículas de luz, que com sua pressão de radiação geram um vento no gás do meio interestelar.

  5. Uma coisa que não entendi, se no centro da maioria das galáxias existe um buraco negro, como esse primeiro buraco nego surgiu?
    Da fusão das primeiras estrelas que morreram?
    Ou de um Super-Sol, o primeiro e gigante super sol que nasceu na galáxia?
    Ou uma galáxia nasce a partir de um buraco negro?

    Obs: Sou leigo no assunto.

  6. Vi há poucos dias no UOLO sobree um buraco negro 121 milhões de ve\zaes maios que o sol… mas quando fuii aceswsasr tinha sido d páGINA… FICQ

  7. BOM DIA!
    FICO DESLUMBRADO COM ESSES ASSUNTOS E VEJO AO MESMO TEMPO A GRANDEZA DE DEUS E O LIMITE DO HOMEM, MESMO ASSIM SOU FASCINADO, GOSTARIA MUITO DE UM DIA VER A TERRA DO ESPAÇO.
    E QUANTO AOS BURACOS NEGROS É IMPRESSIONANTE JÁ HAVIA ASSISTIDO ALGUNS DESENHOS ANIMADOS QUE FALAVAM NO ASSUNTO, MAS ALGO VAGO.
    GOSTEI MUITO DA MATERIA, PARABÉNS!!!

  8. Um BN poderia “nutrice” das matérias absorvidas e liberando seus “dejetos” não aproveitáveis? como a radiação?e toda essa dinâmica com a finalidade de manter se ativo? pois sem essa dinâmica ele (BN) morreria? (ciclo da matéria)

  9. E o que dizer sobre o feito de uma equipe de cientistas liderada por Xue-Bing Wu, da Universidade de Pequim, que descobriu um buraco negro que é 12 bilhões de vezes maior do que o Sol?????

    1. Saiu na Nature de hoje. Eu quase esperei para publicar esse post depois da queda do embargo e incluir essa outra pesquisa sobre quasar. É um achado bem interessante, porque mostra que os quasares evoluíram muito cedo na história do Universo. O que assusta aí não é o tamanho, mas o tamanho combinado à idade (12,7 bilhões de anos, se não me falha a memória).

      1. essa notícia é muito quente para deixar de lado e precisa de um conteúdo mais extenso porque vai além do mero fato de acharem algo raro, esse bh desmantela teorias (no plural).

        http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/02/cientistas-descobrem-buraco-negro-12-bilhoes-de-vezes-maior-que-o-sol.html

        http://www.if.ufrgs.br/~fatima/glossario.html

        http://astro.if.ufrgs.br/univ/

        o primeiro link mostra a questão do tamanho e enorme luminosidade do quasar com uma tabela gráfica que relaciona a massa e luminosidade do nosso sol com esse quasar encontrado.

        [fonte: G1[O astrônomo do Max Planck Institute for Astronomy Bram Venemans reagiu em artigo da “Nature” à descoberta e afirmou que “descobrir buracos negros pertencentes ao início dos tempos cósmicos é algo estranho”.] fonte: G1]

        os demais links ajudam a entender um pouco do que estamos falando.

        não vou me alongar sobre o tema porque já está fora do escopo.

          1. o mais importante não é ser o primeiro e sim ter o conteúdo mais completo e técnico.

            não temos aqui grandes portais de comunicação para divulgação de estudos e o público leigo não consegue compreender a aplicação prática no dia-a-dia dessas descobertas, se soubessem, cobrariam do governo uma postura pró-educação e não veríamos deputados aumentando seus gastos com explicações esdrúxulas.

            veja que é um estudo Chinês, logo onde a educação era tida como algo proibido no início do regime Ditatorial Militar deles, agora estão investido pesadamente na formação acadêmica e o resultado vem aparecendo.

            desvendar um bh é como se adiantar aos estudos feitos com dados do LHC sem ter um em mãos. Esse bh extrapolou a escala teórica!

          1. sim, eu quis dizer que se fosse tentar explicar mais alguma coisa precisaria aprofundar nas equações, melhor deixar um pouco do que se usa para compreender e depois fazer uma análise mais detalhada.

            é juntar material para tentar decifrar a charada.

            valeu!!!

  10. Belíssima matéria! Muito bem explicado, de forma simples e objetiva.

    E um assunto muito interessante (: Quasares me fascinam!

    E achei ótima as analogias com as estrelas de Hollywood haha.

  11. Salvador, só uma dúvida: Buracos Negros são teóricos, nunca foi comprovado na prática sua existência, certo?!

    1. Em certo sentido são teóricos. Nunca observamos um horizonte dos eventos para ver se ele é negro mesmo e se alguma coisa impede seu colapso completo. Mas em outro sentido são muito reais. Talvez não exista a produção de uma singularidade escondida sob um horizonte dos eventos, mas certamente há um objeto extremamente denso onde a própria luz pode ser capturada e que produz discos de acreção ao seu redor capazes de emitir doses cavalares de radiação. Há tempos cientistas trabalham em métodos e tecnologias para finalmente observar um horizonte dos eventos e confirmar que buracos negros são mesmo negros, mas ainda não chegaram lá.

  12. Salvador, me desculpe se você já respondeu essa pergunta, mas se os buracos negros conseguem “engolir” galáxias, num futuro muuuuito distante, pode ser que existam apenas buracos negros?

    Se me permite outra pergunta, o Big Bang era um buraco negro que “explodiu”?

    Obrigado! 🙂

    1. Sobre a primeira, o fim do Universo só vai ter cadáveres estelares e buracos negros. Não sei se todos os cadáveres serão eventualmente engolidos por buracos negros. Tendo a crer que não. Mas isso só pode ser dito se supusermos que a energia escura continuará seu trabalho de esgarçar o Universo. Se ela inverter o sinal, tudo termina num Big Crunch.

      Sobre a segunda pergunta, não temos ideia do que deu origem ao Universo.

      1. Você não aceita a teoria do Big Bang?
        Off: aproveitando… qual é a sua formação? Imagino que seja jornalista, mas é formado em física/astronomia tbm? A área de pesquisas científicas é boa aqui no Brasil?

        1. Minha formação é em jornalista. Sou astrônomo amador, mas não tenho formação científica acadêmica na área. Eu aceito a teoria do Big Bang, mas um engano comum é achar que ela explica a origem do Universo. Ela explica como o Universo partiu de um ponto muito denso e quente para o estado atual. Mas antes desse ponto muito denso, não sabemos se houve um ponto infinitamente denso (uma singularidade) ou mesmo um Universo anterior, nem o que pode ter levado ao início da expansão atual.

          Sobre a astronomia brasileira, é boa e está em evolução, mas ainda não está no topo da cadeia alimentar internacional, pela falta de recursos e pelo tamanho relativamente modesto da comunidade.

  13. Ótima matéria, Salvador, obrigado! Uma pena a astronomia não ser ensinada nas escolas. Uma pessoa com a ciência de toda esta infinidade não perderia seu tempo apenas consigo mesma ou tentando passar por cima do próximo (o que é redundante).

    Existe algum ramo da astronomia preocupado com essas questões sociais e humanitárias? Pois que o estudo do cosmos ainda será uma filosofia de respeito, assim como se rascunhou em tempo remotos, entretanto, com outras finalidades…

  14. E Lavoisier como fica?
    Para onde vai toda esta energia?
    Lavoisier disse:” Nada se perde, tudo se transforma” verdade já aceita e comprovada,
    Para onde vai toda a energia capturado por um BN?
    Como num ralo enorme, iria para uma outra dimensão ou outro Universo?

    1. Lauro, esse é um dos grandes enigmas do buraco negro. Ele engole a informação contida na matéria. Eventualmente a energia ele devolve, na forma de radiação Hawking, ao se dissipar. Mas a informação codificada nas partículas se perde. É o que os físicos chamam de “paradoxo da informação”.

  15. Salvador

    nesse ciclo de criação e destruição dos cosmos, você acha possível que os átomos que nos compõem hoje tenham já feito parte de outras formas de vida em algum outro sistema planetário já morto há muito tempo nesse nosso universo velho? 🙂

    1. Perfeitamente factível. Um planeta vivo devastado por uma supernova teria seus átomos espalhados pelo espaço, semeando novas nuvens formadoras de estrelas.

  16. Quanto maior o buraco negro, maior o portal para outras dimensões ou outros universos!

    Pena que essa viagem só vai chegar aqui daqui alguns bilhões de anos…

  17. Grande Salvador,

    Excelente texto, como sempre!

    Tem um fanático escrevendo besteiras que acredita que o “amigo imaginário” dele criou o Universo!

    Aqui se discute ciência!!! : )

  18. Parabéns, mais uma vez, Salvador, pela matéria e pela capacidade de transformar a complexidade do assunto em coisa simples de entender.
    O curioso é que a matéria fala essencialmente do gás cósmico, cujo aquecimento e resfriamento dão as formas de vida e morte não só de uma galáxia como do Universo inteiro.
    O aspecto científico da velha e enigmática Cosmogonia, nas suas mãos, se torna coisa fácil de entender. Um ovo original cósmico eclodiu e originou a Via Láctea. Outros ovos originais fizeram a mesma coisa, Universo afora, e originaram outras inumeráveis galáxias. Os ovos originais, no entanto, tiveram uma origem. Qual? Aí vem a teoria subentendida no texto: originaram-se dessa versão científica do Nada que é o buraco negro. O movimento é cíclico. O Nada – buraco negro fecundante do ovo cósmico original ou, se preferirmos, do Ser cósmico inicial – voltará um dia a ser Nada. Isto ocorrerá quando a galáxia toda entrar em colapso. O raciocínio vale também para todo o Universo. O Universo inteiro, um dia, será certamente, se a teoria estiver correta, tragado pelo maior de todos os buracos negros. É como se disséssemos que um dia o Ser será tragado pelo Nada. O Nada aqui referido, na verdade, do ponto de vista da teoria aqui subentendida, é alguma coisa, a saber, matéria supercompactada. Só na aparência é um Nada. Melhor dizendo, só aparenta ser nada para o Sujeito que o conhece ou o está tentado conhecer. Em si mesmo, é alguma coisa. Neste ponto é que a esfinge da velha e enigmática Cosmogonia volta a nos desafiar: mas essa matéria-prima de que se servem tanto o “nada” como o “ser” galático, em outras palavras, o gás cósmico presente em todo o Universo, de onde ele vem? Essa é a pergunta que continua sem resposta, apesar de todo o avanço tecnológico e científico de hoje. Justamente porque ela transcende a fronteira epistemológica do conhecimento científico e mergulha de cabeça no território da metafísica. Nesse campo (metafísico) as leis universais falham e as superstições individuais brotam facilmente. Resumindo: o conhecimento científico continua funcionando como sempre funcionou, ou seja, à base de leis universais; e a metafísica, aquela espécie de mar aberto onde o todo conhecimento científico deságua e onde as leis se desmancham.

  19. Matéria muito boa e fácil de ler. Seria um pouco mais precisa (e também potencialmente mais confusa) se fosse explicado que o raio de Schwarzschild implica enormes densidades (concentração de matéria, esmagamento) se a massa for de uma estrela, mil estrelas, ou mesmo um bilhão de estrelas. Contudo, se for uma massa ainda maior, pode o correr um fenômeno curioso, um buraco negro de baixa densidade.

  20. 2 BILHÕES de anos-luz? É isso mesmo?
    Bom, não dá para dizer que “agora” seja o momento em que aconteceu o que está sendo observado…

      1. Quando descobrimos esse quasar determinamos a distância em 4,5 bilhões de anos-luz, se a memória não me falha. Como ela vem do desvio para o vermelho, bem determinado, não acredito que possa ter mudado.

        1. Beto, é sensacional saber que o quasar é descoberta brasileira. Sobre a distância, em dois releases, dá como 2 bilhões de anos-luz. O z mencionado no paper é 0,184. É o que vocês mediram?

          1. Esse 0.184 é o que medimos no nosso artigo original: The Astrophysical Journal, Volume 488, Issue 1, pp. L19-L22. Que eu me lembre isso dá uma distância o dobro. Na época escrevi um texto para divulgação. Estou tentando achar…::))

          2. Resolvi fazer as contas (preguiça…) e deu 4,1 bilhões de anos-luz. Alguém fez um erro de fator 2.

          3. O pior Salvador, que acabo de repetir as contas e o erro foi meu! Grosso modo, em anos luz, D=3,26cz/H onde H=68 nas últimas medidas. Isso dá 2,6bilhões de anos luz. Mas essa formula é aproximada, valendo para distâncias menores, e tende a aumentar a distância, que deve ser 2,4bilhões de anos luz, usando a formula mais correta. Valores ainda menores de distância dependem do uso de um valor de H mais antigo.

          1. Obrigado! A gente fez um bom serviço na época. Embora o impacto tenha sido menor que o esperado (acho que agora aumenta) foi um dos trabalhos mais emocionantes que fiz e bem fora da minha área. Durante um mês, desde que um bolsista canadense que estava aqui me chamou a tenção para o que tínhamos em mãos (ele trabalhava em Galáxias Ativas e nós, bem longe do tema, em Estrelas Jovens), foram descobertas quase todos os dias até que o artigo ficou pronto. Um dos dias, Coziol, o astrônomo canadense, colocou na porta da minha sala um gráfico mostrando que era o quasar ” próximo” mais brilhante, como se fosse um daqueles do início do Universo. Não apenas tínhamos descoberto um quasar mas era um bem especial como o estudo atual demonstra. Acabamos recebendo copiosos elogios do referee.

          2. um excelente trabalho que nos faz imaginar quantos cientistas perdemos por ano com nossa cultura que desvaloriza o conhecimento.

            tem até deputado se dizendo “o cara” porque Ciência atrapalha a Educação, Saúde, Infraestrutura e a Segurança. E o melhor é ver gente achar lindo o tal #tamojuntodeputado, poderia ser #bandodejumento.

            mas parabéns pelo trabalho, só nossos políticos que não gostaram.

          3. Parabéns, Carlos Alberto! Acho admirável o trabalho de vocês, a determinação, a dedicação, anos de estudo procurando nos pequenos detalhes das medições, nos pequenos pontos dos km de gráficos obtidos nos instrumentos as respostas sobre o nosso mundo e universo. Maravilhoso!

            E vem os porcarias dos políticos cortar verbas do que não entendem e não têm capacidade para avaliar…

    1. Caro José, obrigado por trazer este interessante paper à discussão. Mas gostaria de lhe lembrar que a ciência não se faz com um estudo. Há que fazer, refazer, repensar, até que não se encontre contra-exemplo, só então a “Ciência” diz algo. Faço notar que no abstract se deixa claro que se trata de uma simulação numérica, ou seja, com milhares de motivos para dar errado. (Isto não quer dizer que o estudo seja desprovido de interesse, de forma alguma, apenas não pode ser tomado como certo apenas porque alguém conseguiu publicar… e logo onde!)

      1. por isso que o mencionei, para o debate, afinal, veja um pouco do link abaixo:

        http://pt.wikipedia.org/wiki/George_Darwin

        bh é tão misterioso que até Hawking chutou o balde. Mas o fascinante é que George Darwin, mesmo com uma ideia interessante, não conseguiu reforçar sua tese inicial, ao contrário, a repeliu matematicamente. Talvez seja um caso semelhante e vai ser interessante comprovar ou refutar porque o impacto seria positivo, como foi no caso de G. Darwin.

  21. Mais um artigo excelente, parabéns, Salvador! Mas tenho uma dúvida: se um sistema solar como o nosso estivesse mais próximo de um buraco negro desse porte, nosso planeta correria perigo com as imensas emanações de radiação gerada pelo objeto? Qual seria uma distância “segura”?
    Abraços!

      1. Infelizmente por não ser assinante da Folha, chega no final do mês e eu só posso acompanhar o seu trabalho, Savador fazendo “trambicagem”.

        1. Abra a página em uma aba anônima ou limpe os cookies da folha no navegador.

          E dependendo do navegador, há extensões que acabam com esse paywall maldito.

        2. Eu sou assinante do UOL e posso ler o jornal todo e blogs como o do Mensageiro Sideral.

          Parece-me que a assinatura pelo valor mínimo já é o suficiente. Experimente, vale a pena.

    1. Se fosse apenas tradução, já seria ótimo! O trabalho do Salvador é de Divulgação Científica, nada mais, nada menos. E ele não só traduz, ele procura entender, unir com outros trabalhos e conhecimentos e EXPLICAR.

      Nesse país de analfabetos científicos, esse trabalho dele é ESSENCIAL.

      É lamentável que pessoas com mente tão tacanha não compreendam o trabalho jornalístico educativo e venham menosprezar ! Que faça outro melhor, então, é o que o Brasil mais precisa!!!

  22. Excelente matéria Salvador, explicado de forma compreensível ate para leigos. De pensar que os Estados Unidos tem tecnologia alienígena guardada a sete chaves para viajar pelas galáxias mas não divulga por motivos religiosos e por defesa do pais.

  23. Lavoisier disse:” Nada se perde, tudo se transforma” verdade já aceita e comprovada,
    Para onde vai toda a energia capturado por um BN?
    Como num ralo enorme, iria para uma outra dimensão ou outro Universo?

  24. Salvador,

    No futuro distante quando nossa galaxia se tornar “Lactômeda”, o nosso Sol, por estar, na periferia da galáxia pode ser ejetada para fora dela? Se sim, supondo que nada mude no nosso sistema solar, no sentido que o Sol continue como ele é, o próprio sistema permanecerá coeso ou planetas podem sair de orbita num “caos orbital” Ou ainda a coisa “seria lenta” para os padrões da vida, ou que os seres vivos na época verão “cataclismos” como se um grande asteroide colidisse com a terra.

    Abraços!

    1. Noutro post, de igual sucesso, o Salvador escreveu que Andrômeda é muito maior que a Via Láctea, numa futura fusão geraria a Androláctea.

      Jogou um balde de água fria nos que pensavam que pelo menos a galáxia em que vivemos fosse maior que a vizinha, nos tornando assim, a referência da ponta de um braço do espiral.

      Acredito que as dimensões permanecem as mesmas então: Androláctea.

      Salvador, tentei sem êxito encontrar seu post para colocar o link.

      Ruy Ney

      1. Verdade, eu me lembrei da brincadeira, mas não me recordei do nome que dei na ocasião, por isso fui com a mais tradicional Lactômeda. rs

  25. Realmente fantástico. Imagine viver numa gigante elíptica. Seria algo bastante lúgubre 🙁

    Mas Salvador, talvez a massa de gás expelida da galáxia possa ser incorporada a outras, não acha? Pelo menos em grupos galáticos compactos.

      1. Aha!

        Isso quer dizer que o universo pode finalmente chegar a um dia não ter mais galáxias, depois de zilhões de anos terminando tudo?

  26. Alguns de nossos gênios se dedicam a nobre tarefe de decifrar os mistérios do universo. São chamados genericamente de cientistas, mas podem ter nomes mais específicos com astrofísicos por exemplo. Bem, estes seres tem nos feito raciocinar em termos de probabilidades com relação a existência de um planeta com as mesmas características da terra vagando em algum canto do universo. Dizem-nos que existem bilhões de estrelas e estas fazem-se acompanhar de alguns planetas cada uma, logo é praticamente certo que um destes planetas seja igual ou muito parecido com a terra, logo ainda há vida lá fora. Este raciocínio simples deixa a todos nós com água na boca a espera do encontro que se dará mais dia menos dia. Não nos dizem estes exóticos senhores qual o número de possibilidades que existem destes planetas serem totalmente diferentes a terra. Eles não dizem, mas suspeito que existam trilhões de possibilidades, tantas que todos os planetas podem muito bem serem totalmente diferentes entre si e com a terra e é o que se tem visto até agora. O que se pretende é algo como encontrar um outro ser humano que tenha pais diferentes com o mesmo DNA que você. Não existe, pois é não existe outra terra. Vamos cair na real e parar de criar romances, somos só nós e já é muita gente. Não vai acontecer de se descobrir um novo mundo cheio de ouro e pessoas inteligentes que nos ajudariam a aplacar nossa solidão cósmica. Parem de construir caravelas inúteis, de investir bilhões em algo que só conseguiu até agora um punhado de pedras secas e que fez a comunidade científica ficar olhando para elas com aborígenes frente a um espelho. Foco gente, vamos manter os pés no chão, temos muitos problemas científicos aqui para ocupar nossas mentes privilegiadas com grandes questões sem ter que passar noites em claro olhando para o céu com um apaixonado

    1. Sinto muito, amigo, mas você não entende o que é a ciência, seus propósitos e o grande desenvolvimento que ela trouxe para a humanidade.

      Sem essas pesquisas “tolas”, “desfocadas”, você não estaria hoje lendo e escrevendo num computador.

      Imagine, ficar estudando a física, a química, a biologia, perder tempo com átomos e suas interações… Foco, gente!

  27. Salvador, bom dia, como sempre as suas matérias sã excelentes, fáceis de ler, com uma didática que qualquer leigo em astronomia pode entender, desta vez estou escrevendo apenas para parabenizá-lo, um abraço,
    do seu colega,
    Paulo

    1. É provavelmente o buraco em que esta banania vai se transformar, graças ao PT. Nisso o amigo acima está certo!

    1. Galera, parem de empurrar bêbado na descida, oriente-o sem deboche.
      Tudo bem, o cara não se preocupou em pesquisar antes de abrir a boca, porém, um safanão basta.
      Salvo se reincidência.

      Ruy Ney

    2. Drucila, Órion é uma constelação, mas estou certo que você está se referindo à Nebulosa de Órion, que dá para ver até a olho nu.

      Esta nebulosa é uma nuvem de gás, não de estrelas. É um berçário de estrelas, que se formam com a compactação do gás por gravidade.

      Você pode ler mais aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nebulosa_de_%C3%93rion

      Grande abraço e parabéns pela curiosidade!

          1. Para você também, parabéns! Penso como você, não sabemos a idade de quem escreveu a pergunta ou comentário e qualquer pessoa tem o direito de não entender de um assunto e querer aprender mais. Então vamos ajudá-las!

            Cretinice é não perguntar, de medo dos comentários dos outros. Sem perguntar, não aprendemos!

  28. Esqueceram de dizer que, uma galáxia normal ou padrão não tem um só um buraco negro base ou central, mas que há outros de sustentação, seja p/ seus braços ou setores. Não disseram também que tudo indica que estes, da mesma forma farão o controle populacional p/ não surgimento de novos, e os menores serão tragados pelos maiores de acordo com as forças do quadrante… e etc… até restar um só.

  29. Tenho pouco conhecimento de Física e Astronomia, por isso não consigo compreender como, se a um buraco negro não escapa nem a luz, pode escapar vento para soprar gazes ao redor? Desculpe a ignorância do macaco: eu só queria entender!

    1. O texto explica: o vento não emana do buraco negro, mas da matéria preste a cair nele na borda externa do buraco!

      1. Olá, Salvador! Ótimo texto e também agradeço pela explicação que deu a Antonio Carlos Rocco. Mas restou uma dúvida: se o vento emana da matéria prestes a ser engolida, afastando a matéria circundante, a tendência é que esse controle populacional ocorresse nas “proximidades” do buraco negro e que depois se estabilizasse (visto que não haveria mais matéria para gerar vento ao ser engolida), não?

        Além disso, a matéria “soprada” para distante iria parar nas bordas da galáxia, transformando-as em áreas mais “férteis”, não?

        Isso não mudaria o formato dessas galáxias para algo como anéis ou “donuts”?

        P.S.: Desculpe-me pelo excesso de aspas…

        1. José, parte do impacto da pesquisa foi medir esses ventos e mostrar que eles são suficientemente fortes para dissipar o gás na galáxia inteira!

        2. Está completamente correto.

          1 – Nas proximidades, a gravidade do buraco ganha, continuando a atrair e engolir;

          2 – Mai distante o Vento (como vc chamou) afastaria o gás (e possívelmente teria energia para afastar/dissipar estrelas);

          3 – Está comprovado por modelos astronômicos que, durante a formação/esplosão de estrelas (com muito Vento), comprime-se o gás em redor e formam-se novas estrelas; por isto elas tendem a se formar em formato de colar ao redor de uma supernova;

          4 – as Galáxias mais bem comportadas, que são em formato de disco de vinil, seriam afastadas para Donuts (ou rosquina), mas, os cientistas não têm certeza de se poderia ocorrer algo parecido com a gênese de um sistema solar, ou seja, seriam geradas várias galáxias menores ou nuvens de matéria isolada (como foram gerados os cinturôes de Cuiper e os planetas); Leia isso na parte que diz “…serviram como uma “âncora gravitacional” para as galáxias surgidas…” isso pode realmente já ter acontecido, um cientista uma vez falou que seria uma resposta viável para explicar a Matéria Escura, mas eu não avaliei as simulações dele, estou só copiando as especulações.

          5 – Infelizmente, as simulações numéricas (que evoluiram muito) não tem possibilidade de resolver o problema com a certeza que sua pergunta merecia pois não se sabe a respeito do comportamento de mais longo prazo da Matéria Escura/Energia Escura (não sabemos o que é), então, como diz no texto, e se, depois de bilhões de anos, a gravidade ficar negativa ??? não sabemos, precisamos resolver primeiro esta dúvida para poder especular; Leia isto no comentário que diz “Se ela inverter o sinal, tudo termina num Big Crunch.”

          Creio que tudo terminará num Big Church;
          Paz do Senhor.

    2. é como se a fome do cara fosse capaz de engolir um elefante, mas a boca mal dá para morder meia maçã. Sim, esses ventos são trombada do excesso de matéria que está caindo em altíssima velocidade e onde boa parte acaba saindo ao invés de cair no black hole.

      curiosamente temos o quasar que é um black hole detonando alguma estrela, o curioso é que a taxa de energia expulsa é estrondosamente elevada. Tive professor que falava em buraco branco, seria o outro lado do buraco que perde matéria, mas essa teoria não vem se comprovando e é até absurda.

      a matéria que escapa é o que atingiu uma certa velocidade de escape ANTES de cair no horizonte de eventos, se passar desse ponto não volta.

      seria interessante detectar a quantidade de matéria que está prestes a cair no black hole para verificar quanta energia sai, se é mais ou menos do que a matéria devorada proporcionaria.

  30. Oi Salvador, ao longo da minha vida admirei a Lua como fator emocional. Entretanto, há tempos li um texto dedicado à grandeza do universo, que comparo á quantidade de neurônios existentes no cérebro humano. Distraído olhando para o universo descobri duas situações – o universo finito ao alcance do meu olhar e, conjecturando, o universo infinito e expandido. Nesse momento estava preparado para ir além e passei a ler os seus textos, escritos em uma linguagem própria para os novatos encorajados pela descoberta da astronomia. Assim, companheiro Salvador com a sua sabedoria continue pescando os curiosos. Afinal, o mundo, não é apenas onde estamos e visualizamos ou conjecturamos e, sim, muito além da nossa capacidade de interpretar mesmo, com o uso de modelos matemáticos.

    1. Realmente o Salvador escreve Bons textos. Nesse ele até exagerou um pouco na “leiguisse”. 🙂
      O proximo passo para voce Francisco talvez fosse comprar um telescópio. Dependendo do modelo voce veria o quanto estamos cercados de galáxias e outros objetos fascinantes

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