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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Sonda Dawn se aproxima de Ceres, mas o mistério brilhante continua

Por Salvador Nogueira

A sonda Dawn já se estabeleceu em sua segunda órbita científica, a cerca de 4,4 mil km de Ceres, e obteve mais imagens dos misteriosos pontos brilhantes na superfície do planeta anão. Mas o mistério continua.

Imagem obtida pela Dawn de Ceres no dia 6 de junho, a 1.440 km de distância
Imagem obtida pela Dawn de Ceres no dia 6 de junho, a 4.400 km de distância (Crédito: Nasa)

“Os pontos brilhantes nessa configuração fazem de Ceres um lugar singular, [diferente] de tudo que já vimos antes no Sistema Solar”, disse Chris Russell, cientista-chefe da missão, em nota divulgada pela Nasa. “A equipe científica está trabalhando para entender sua fonte. Reflexão por gelo é a principal candidata na minha cabeça, mas o grupo continua a considerar hipóteses alternativas, como sais. Com imagens mais próximas da nova órbita e múltiplos ângulos, logo teremos melhores condições para determinar a natureza desse fenômeno enigmático.”

As novas imagens têm resolução de 410 metros por pixel, o que significa que estamos vendo coisas com diversos quilômetros de extensão. Para que se tenha uma ideia, a cratera dentro da qual estão os pontos brilhantes tem 90 km de diâmetro.

A Dawn chegou à nova órbita no dia 2 e deve permanecer nela até o dia 28, mapeando completamente o planeta anão, localizado entre as órbitas de Marte e de Júpiter. A sonda completa uma volta inteira em torno dele a cada três dias terrestres.

Depois disso, os motores iônicos serão novamente ligados e a espaçonave baixará a altitude para 1.450 km e se estabelecerá nessa nova órbita no começo de agosto. E então teremos imagens com resolução ainda melhor dos misteriosos pontos brilhantes de Ceres.

A exemplo do que disse Chris Russell, o Mensageiro Sideral ainda acha cedo para dar palpites mais profundos, mas a região central parece lembrar um pouco a caldeira de um vulcão. Será que temos criovulcanismo em ação aí?

Também podemos reparar alguns tracejados sobre a superfície que lembram atividade tectônica. Será que há algo ainda em estado líquido sob a superfície de Ceres?

E essa, na real, é a graça de acompanhar essas missões ao vivo — exploração espacial não é feita de perguntas simples e conclusões idem, mas sim de mistérios e surpresas a cada esquina. Fique ligado!

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