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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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De volta ao trabalho, Philae!

Por Salvador Nogueira

Após a confirmação da espetacular ressurreição do módulo Philae, anunciada neste domingo (14), os cientistas envolvidos com a missão já estão ansiosos para colocá-lo para trabalhar na superfície do cometa Churyumov-Gerasimenko.

Imagem obtida pela sonda Rosetta no último dia 5 mostra atividade intensa no cometa Churyumov-Gerasimenko. Como será que estão as coisas lá no chão? É o que o Philae irá responder. (Crédito: ESA)
Imagem obtida pela sonda Rosetta no último dia 5 mostra atividade intensa no cometa Churyumov-Gerasimenko. Como será que estão as coisas lá no chão? É o que o Philae irá responder. (Crédito: ESA)

“O principal agora é entender a dinâmica do núcleo do cometa”, afirma Lucas Fonseca, engenheiro brasileiro que trabalhou na missão enquanto esteve no DLR (Centro Aeroespacial Alemão). “Comparar com os dados iniciais e ver o que mudou, qual a transformação do cometa perto do periélio [ponto de máxima proximidade do Sol].”

Essa sempre foi uma das maiores ambições do projeto. Sabemos que cometas são basicamente imensos agregados de gelo e rocha. Quando eles avançam em suas órbitas e se aproximam mais do Sol, o gelo começa a sublimar, o gera a famosa cauda do cometa. Em resumo, a cada passagem, o astro se transfigura, conforme partes de si se convertem em vapor e ficam para trás.

Uma das coisas que os cientistas não sabem, por exemplo, é como o solo ao redor do Philae se transformou desde que o módulo se desativou, por falta de energia, em 15 de novembro do ano passado. Espera-se que novas imagens possam revelar isso.

Outra coisa que a simples retomada de comunicação poderá permitir é a identificação precisa da localização do módulo. Até agora, apesar de meses de análise de imagens colhidas pela sonda orbitadora Rosetta, ainda não foi possível identificar o pequeno lander, que tem o tamanho de uma máquina de lavar roupa.

Imagens de antes e depois do pouso revelam um ponto brilhante que pode ser o módulo Philae. Ou não. O futuro dirá. (Crédito: ESA)
Imagens de antes e depois do pouso revelam um ponto brilhante que pode ser o Philae. Ou não. O futuro dirá. (Crédito: ESA)

Há um candidato promissor, visto apenas como alguns pixels brilhantes na superfície (confira a imagem acima), mas somente com a retomada das comunicações entre a Rosetta e o Philae e a triangulação resultante será possível confirmar que é ele mesmo. E um aspecto curioso é que no momento é impossível para a Rosetta fazer um voo rasante sobre o núcleo para obter imagens mais próximas — o nível de atividade em razão da aproximação com o Sol impede a navegação segura.

Ainda não está claro o quanto do Philae está funcionando, e os cientistas serão bastante parcimoniosos com relação ao consumo de energia do robô — o que talvez restrinja medições que exijam movimento mecânico –, mas a expectativa é levar a missão à sua fase mais emocionante. O periélio acontece em 13 de agosto.

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