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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Crônicas de Gelo e Sais

Por Salvador Nogueira

Ceres, o planeta anão mais perto da Terra, tem misteriosos pontos brilhantes na superfície. O que seriam?

Mapa com os marcos já batizados na superfície de Ceres. As cores indicam altitude (azul é mais baixo, marrom é mais alto). Os pontos brilhantes estão na cratera Occator. (Crédito: Nasa)
Mapa com os marcos já batizados na superfície de Ceres. As cores indicam altitude (azul é mais baixo, marrom é mais alto). Os pontos brilhantes estão na cratera Occator. (Crédito: Nasa)

O OUTRO ANÃO
A história de Plutão é a mais conhecida do público: descoberto em 1930, foi aclamado como planeta. Décadas depois, encontraram vários companheiros na mesma região — o chamado cinturão de Kuiper — e o coitado foi rebaixado a planeta anão. O que pouca gente sabe é que a mesma coisa aconteceu um século antes, com outro objeto.

ENTRE MARTE E JÚPITER
Em 1801, Giuseppe Piazzi descobriu um novo objeto no Sistema Solar: Ceres. Apesar de pequeno, ele foi aclamado como planeta e assim considerado por cerca de 50 anos. Mais tarde, descobriram que Ceres fazia parte de um cinturão de objetos e o reclassificaram como asteroide. Hoje, a exemplo de Plutão, é definido como planeta anão.

DE LONGE
De fato, chamar Ceres apenas de asteroide, mesmo quando observado à distância pelo Telescópio Espacial Hubble, é meio injusto. Ele é aproximadamente esférico, tem 950 km de diâmetro e uma rica história geológica. É, com efeito, um mundo.

UMA VISITA
Não íamos deixar um lugar interessante desses, só um pouco além de Marte, sem receber um emissário da Terra, não é mesmo? A sonda orbitadora Dawn, da Nasa, chegou lá em março deste ano e descobriu uma coisa incrível.

PONTOS BRILHANTES
No interior de uma cratera com 90 km de largura, recém-batizada Occator, há superfícies que refletem muito mais luz do que o terreno circundante. O que seria aquilo?

CRÔNICAS DE GELO E SAIS
A Dawn está investigando. Por ora, há dois principais candidatos, gelo de água (sabemos que existe muito dele no subsolo de Ceres) ou sais. E o mais chocante: há uma névoa sobre a cratera, como se os pontos brilhantes estivessem gerando uma miniatmosfera local. Espera-se que o mistério possa ser resolvido conforme a sonda descer para órbitas mais baixas, a partir de agosto.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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