Astrônomos acham planeta gigante com dois sóis na zona habitável de seu sistema

Salvador Nogueira

Já estamos fartos de saber que há planetas que orbitam em torno de duas estrelas simultaneamente. Também cansamos de ver planetas gigantes, e conhecemos um bocado de planetas na zona habitável. Mas agora encontramos tudo isso num único pacote: um planeta do tamanho de Júpiter girando em torno de uma estrela binária na região ideal para o surgimento da vida.

O planeta em si, como um inóspito gigante gasoso, não seria um propício ao surgimento de formas biológicas. Mas ele provavelmente tem luas, e esses satélites naturais, se fossem grandes o suficiente, poderiam ser capazes de abrigar vida. Agora sinta um frio na espinha ao pensar na visão do céu que teríamos numa lua-oceano orbitando um gigante gasoso que por sua vez gira em torno de dois sóis. Uau.

O anúncio da descoberta foi feito nesta segunda-feira (13), durante a 228a Reunião da AAS (Sociedade Astronômica Americana), que está rolando a todo vapor na cidade de San Diego, na Califórnia, e terá ainda outras novidades incríveis para os próximos dias (e o Mensageiro Sideral está de olho, pode apostar).

O planeta recebeu o nome de Kepler-1647b e está a cerca de 3.700 anos-luz de distância, localizado num sistema planetário na constelação do Cisne.

Como a nomenclatura sugere, esse mundo foi flagrado pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa, conforme passava à frente de suas duas estrelas-mãe, entre 2009 e 2013. Mas não foi fácil confirmar sua existência, pois ele só completa uma volta a cada 1.107 dias terrestres — pouco mais de três anos –, o que significa dizer que o satélite só conseguiu ver duas passagens do planeta por cada uma das estrelas. É muito pouco para descartar, só com isso, um alarme falso.

Por essa razão, foi necessário um esforço de observação adicional em terra, a fim de confirmar o achado, agora reportado simultaneamente na conferência da AAS e em um artigo aceito para publicação no “Astrophysical Journal”.

DENTRE OS GRANDES, ÉS O PRIMEIRO
O Kepler-1647b é o maior dos planetas circumbinários (ou seja, que orbitam duas estrelas) a ser detectado pelos astrônomos. Seu raio é apenas 6% maior que o de Júpiter (com margem de erro de 1% para baixo ou para cima). Sua massa, por sua vez, está em torno de uma a duas vezes a de Júpiter.

Ele também é o planeta circumbinário com a órbita mais larga já descoberto pelo Kepler. E, como seria de se esperar, as duas estrelas que compõem o sistema também produzem eclipses ao passar uma à frente da outra, conforme giram em torno de um centro de gravidade comum. Ambas similares ao Sol (uma um pouco maior, a outra um pouco menor) e muito próximas, elas produzem um eclipse a cada 11 dias.

Curiosamente, um dos trânsitos detectados do planeta aconteceu justamente num momento em que uma estrela eclipsava a outra, conforme a ilustração acima!

Órbitas de todos os planetas circumbinários conhecidos. A linha pontilhada delimita o limite interno para órbitas estáveis; a vermelha é a do Kepler-1647b (Crédito: B. Quarles, Univ. Oklahoma)
Órbitas de todos os planetas circumbinários conhecidos. A linha pontilhada delimita o limite interno para órbitas estáveis; a vermelha é a do Kepler-1647b (Crédito: B. Quarles, Univ. Oklahoma)

Estima-se que o sistema Kepler-1647 tenha cerca de 4,4 bilhões de anos — praticamente um contemporâneo do nosso Sistema Solar, com seus 4,6 bilhões de anos. Houve, portanto, tempo mais do que suficiente para que a vida possa ter emergido numa lua que existisse ao redor do gigante Kepler-1647b.

A importância maior da descoberta, contudo, é confirmar a predição teórica feita pelos cientistas de que deveria haver planetas circumbinários em órbitas mais alongadas. Até então, os pesquisadores só haviam descoberto mundos de dois sóis em órbitas mais compactas. Esse mundo está quase três vezes mais afastado de seus sóis do que a Terra com relação ao nosso (e só se encontra na zona habitável justamente porque há duas estrelas no sistema, produzindo muito mais energia do que o nosso Sol solitário).

“Apesar da importância que a nova descoberta de um planeta circumbinário tem ao aguçar nossa curiosidade humana básica sobre mundos distantes, sua principal significância é expandir nossa compreensão do funcionamento interno de sistemas planetários nos ambientes dinamicamente ricos de estrelas binárias próximas”, escreveram os pesquisadores.

Com efeito, mundos circumbinários são um tema fascinante e uma das grandes surpresas que o estudo dos exoplanetas trouxe aos astrônomos.

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Comentários

  1. Uma lua habitável maior do que a Terra orbitando um gigante gasoso com dois sóis lembra muito Pandora do filme Avatar.

  2. Um comentário nada a ver com o texto (que é ótimo!): muito obrigado pela (nem tão) discreta e singela homenagem no título do sétimo parágrafo. Saudações tricolores!

  3. desculpe uma critica construtiva; SE eu pudesse corrigir o enunciado, eu colocaria planeta que transita em um zona habitável composta por um sistema de dois sois[binário] ; algo similar a esta lógica ; e que o enunciado esta meio assim; a moda gilberto patropi pessagno!! rsrsrsrsrsr!!

    1. Se com enunciado você quer dizer o título, sim, não gostei muito dele mesmo. Mas não consegui achar nada melhor que coubesse nas duas linhas que eu tinha na hora, e agora Inês é morta. 😉

        1. Cachinhos dourados? 😛
          (O problema não é a tradução, é a referência cultural.)

  4. Boa tarde Salva!

    Cara uma dúvida, o Kepler-1647b é segundo planeta descoberto no sistema Kepler-1647? Porque se não me engano acho que vi aqui mesmo no blog há um tempo atrás que as letras (a,b,c,etc) após o nome do sistema quer dizer a ordem de descoberta dos planetas pertencentes ao sistema. Posso tá errado, mas como é uma dúvida, acuda! kkk

    Abração Salvador, super me divirto com a qualidade dos seus posts! Vlwww

  5. Salvador, com certeza está acompanhando a informação pela busca por recursos da equipe da Univ.Yale(USA) que descobriu a estrela KIC 8462852 TABBY’S STAR, para continuarem a pesquisa e explicação do Brilho Errático da Estrela e que até o momento não encontraram explicações plausíveis para o fenômeno. Todos os modelos conhecidos foram derrubados.
    Como o telescópio James Webb só será lançado em 2018, até lá querem desvendar este mistério.
    Você já publicou matéria a respeito, mas continua o mistério.
    Esfera de Dyson? Civilização avançada? 1ª prova de fenômeno não natural?
    Quais informações e novidades tem a respeito?

    1. Sem novidades. Fizeram um estudo com chapas antigas de Harvard, para indicar que a variação de brilho se estende para trás no tempo, mas já foi derrubado por outro estudo que analisou esse. Nada conclusivo, de todo modo.

  6. Talvez o método para viagens estelares nem seja algo físico. Talvez seja um processo inteiramente mental como no filme Contato. Talvez o desenvolvimento da Neurociência e melhor compreensão da Física Quântica possa nos levar até mesmo à outros Universos pela nossa consciência. Esperamos que um dia todos esses “talvezes” sejam respondidos.

    1. Para mim não ficou claro que o processo de viagem interestelar de contato fosse inteiramente mental; ela claramente atravessa um buraco de minhoca.

    2. No filme Contact (contato) a personagem cai em um buraco de minhoca e sofre seus efeitos, e no filme dá a entender que são duas máquinas: a primeira está no planeta alienígena e ninguém sabe quem a construiu, inclusive os aliens do contato; a segunda foi montada na Terra para levar algum astronauta.

      Há um contato por telepatia também, mas aproveitando o buraco de minhoca e parece que a astronauta não saiu da esfera.

      Mas veja que é um filme baseado em uma tentativa de extrapolar a imaginação. A telepatia até pode existir porque o cérebro gera campo elétrico, mas isso é muito complicado de se controlar. Certamente é algo que somente seria possível por processo de desenvolvimento em laboratório onde fariam modificações genéticas para ter essa capacidade ativa. Na natureza nossa capacidade normal de telepatia é nula e o resto ainda é ficção.

      1. Desconfio que o filme é aberto a interpretação de propósito, mas o fato de que a câmera de Arroway gravou horas de estática enquanto só teriam se passado frações de segundo entre ela entrar e sair da máquina faz sugerir que ela fez uma viagem física real, não apenas uma mental.

  7. Salve Salva…
    Com base em que vem a afirmação de que é um planeta gososo? Somente por causa de seu tamanho?

    1. Várias coisas. Primeiro, não sabemos fabricar planetas rochosos desse tamanho aí. Então, se for desse tamanho, já tende por default a gasoso. Mas tem mais. Os cientistas usaram velocidade radial para calcular a massa. Com o tamanho (volume) e a massa, você pode calcular densidade. Esse aí tem 1,65 massa de Júpiter (+ ou – 0,5), o que significa que tem densidade de planeta gasoso. Logo, é planeta gasoso. 😉

      1. O >>>Eu<<<< esta um cara curto e grosso; mas podem me chamar do que quiserem em nome do pensamento libertado de paradigmas;Eu vá esperando que a NASA diga olha daqui a um tempo vai acontecer algo , então todos vocês podem ir ao bancos e retirar todo o lastro de ouro deles!!!

        Ando pesquisando como estou amador, um que crê=criacionista, não precisa considerar o que posto se quiser!!só posto o que acredito e acredito que eles sempre souberam onde esta nêmesis, a estrela marrom ; só você procurar; latitude zero e azimute[longitude Zero]como sempre esteve óbvio; aquela zona da constelações peixes, que se assemelham a dois vetores perpendiculares, como um ponteiro de relógio; onde se conta a mitologia, que uma bela fêmea donzela(nemesis], esteve aprisionada em andrômeda!!! dia achamos que tudo acontecera instantâneo;em tempos previstos detectáveis divulgáveis, nas mídias; mas para mim , na medida que eles detectam "planetoides" com teus respectivos satélites, como Eris, Ceres, Juno e outros; por exemplo, depois mekemeke, com tua mini lua, e Agora um tal de V…..alguma coisa; o que a NASA, já deu até nome; como não existir; enquanto alguns ainda perguntam se ele existe, e refutam ;estando o mesmo bailando no nosso sistema solar a dentro, eles estão dizendo por analogia , que existe um outro sistema, a Cada dia, como um bale erótico!! penetrando no nosso sistema solar!!
        se você abrir worldwide telescope vai ver que ele esta la esperando para estar visualizado ao lado do planeta terra!!! amarronzado, avermelhado quase invisível, no obscuro do espaço sideral!!onde sempre esteve.
        Esta o que a incidência e evidencia quer dizer!!de forma implícita mas quer!! dai dia 11 de setembro haverá um coincidente alinhamento ate 24 de outubro; quando do mesmo ponto que ja esta lançando asteroides ao sol pelo cinturão de kepler, estará raspando a terra como esteve. dia 23 de setembro de 2015, mesmo com a incidência como a que teve em agosto de 2015; quando SOHO LAsco C3; captou a ponta de um objeto celestial considerável !!! vamos o que vai acontecer ; mesmo após dia 01 de abril de 2016 ;soho lasco C3; se alinhar com um conjunto de astros;que se assemelha a um [Y];mesmo após a data y/m/d=16.6.6 ter ocorrido um alinhamento preciso com vênus!! aguardando pra dar risada depois!!!

          1. Então; tipo cada um encontra o teu lendario(mitologico] nemesis, não adianta achar que a Nasa vai dar nas mãos ; por causa do Lastro de Ouro dos bancos!! eu já encontrei o meu ; posso ate passar fotos coordenadas ; mas tipo eles tao dizendo ai também, com outras palavras!!V…….xxxxxx. Quando acontecer um alinhamento com terra-ceres-urano; que já estará alinhado com meu nemêsis ; dia 11 de setembro 2016 em diante estando Ceres= rota de fuga maciana!!agente vai ver;o que vai acontecer quando a terra vai dar mais uma adiantada e parar naquele ponto de onde já um tempo[uns três anos pra mais ] se verifica el lasco C3 ; a evolução periódica de asteroides ao sol; que estão sempre ;não comentados pela Nase etc..se não acontecer só vou rir , melhor pra nós!!!nada de rios resfriamento e impactos!!

            depois conforme a “censura” passo link, foto e localização; pra conferir o bale lento-lento >lógico o que eles dizem; pra não estar detectado pelos sensores tem que estar lento-lento, que e o que esta!!logico!!

            dai cada hora se encontra um novo corpo celeste >>””planetoides” ;mesmo com o tempo que galileis-platãonicos afrissurados!!; vivem olhando por ai! e dizer que pertencem a “”nossa”” orbita;e só viram isso agora; eu penso assim>>>pertencem nosso sistema binário sim; mas nosso sol e sua orbita não!! ou >>também <de agora em diante!! num balé, lento-lento! isso vem pontuando incidências , coincidências"" que evidenciam um algo que só vendo!!quem sabe assim estará com mais sentido!!

        1. Gilberto, vc até já escutou de alguns de nós para ter calma , analisar, verificar etc..etc…mas o que queremos chamar sua atenção é que: – suas colocações, argumentos e orientações de pesquisa no Youtube ou até sites da NASA, SOHO LASCO C3…mostram que vc está “vendo” coisas que não existem. Não possuem origem crível de Institutos, Universidades, Centros de Pesquisa onde Cientistas trabalham sério para obterem respostas e descobertas que revolucionam a nossa humanidade. Não tem isso de Lastro de Ouro, não divulgar descobertas para fazerem suspense.

          1. E porque que eles só detectaram e confirmaram este planeta vxxxx agora!! e não antes ; alias ; ainda não esta bombando na internet! mas vai bombar!! ai ja vai ter dado tempo de se montar um Hálibe pra continuar mantendo tudo na normalidade!! Cara eu passei anos pensando que o gerado vandre havia estado arremessado aos tubarões[digamos assim] !! e dai ele surge do nada!! você subestima o poder da mídia de massificação!!! eu considero as incidências, Análogas a Ciência exata da física !Erro relativo e erro absoluto; por isso sempre soube que havia bola pesada na mega-sena ; só não ganhei porque não quis!etc. etc..

            para eu fazer uma colocação preciso , estar pontual , mas não da tempo, as vezes falta espaço ; e liberdade de expressão, deixa o tempo correr!!vamos ver e rir juntos disto tudo!!!

            quanto a marte por exemplo, tenho centenas de fotos, incidências, não pude liberar nem 1%, tudo que encontro eu mesmo procuro e acho. RLOC ,3D .TIFF . TIT , panoramica!!2D , comparo vários sites que existem!!

            exemplo:; localizei não só aquele dinossauro e espécimes que postei, como também uma espécime tipo um king-kong gigante enterrado lá em marte; só com a cabeça ; na verdade olhos e parte da face para fora!! estes cientistas ai que você fala; nem mesmo aqueles que postaram o panorama la, conseguiram ver isso; mas eu vi, esta la!! não tem como negar!! como tenho um imagens pelo google maps; que tem um disco voador e um annanuki camuflado num lugar do grão ph-arará[AMAZONIA]. não adianta eu dizer pra você que existe, e você dizer que ser ou não ser; que pesquisadores etc.. eu fui la e si que esta la!! mais ninguém entende!!! só coloquei uma amostra ai!! agora você me dizer que montaram aquela minuscula imagem no meio do nada da imensidão pra um dia alguém procurando agulha no palheiro achar ; esta descrer do que esta a existir , não vai ter como te convencer do que existe esta!! pra você não ser e proto!!

            Alguém vendeu o seguro do caus, acabou promovendo o caus sem querer, e teve que pagar, dai faliu um só banco, e o planeta simulou uma crise mundial; imagina ! se dizer que vai acontecer um não sei la de caus!! hája ouro nos bancos pra cobrir lastro de seguro!! , deixa quieto!!

          2. Chega, vai, Gilberto. Já entendemos que você acredita em todas as teorias conspiratórias da internet, de forma ampla e democrática. Já entendemos. Agora chega. E não se esqueça: eu sou o moderador. Quando eu digo chega, é chega. 😉

  8. Me desculpe a ignorância, mas esse planeta com 2 estrelas muito próximas não se fundiram uma na outra porquê?
    Pois a força gravitacional já teria sugado tudo inclusive o planetinha,considerando também o fator calor, energia dispersadas por elas 2 esse planeta seria mais quente que mercúrio. Bom minha opinião rasa sobre a matéria.

    1. Não é assim que funciona, Cleiton. As estrelas estão em órbita de um centro comum de gravidade (como acontece com Plutão e Caronte). Enquanto uma gira para lá, a outra gira para cá, num balé eterno em que nunca se tocam. O planeta, ainda mais distante, nem chega a “sentir” que são duas estrelas — orbita o centro de gravidade delas numa boa, do mesmo jeito que a Terra orbita o Sol sem cair nele…

  9. Simplesmente fantástico começar o dia lendo uma notícia dessas..
    Parabéns Salva..nota 10 o blog!!

  10. Salvador, pelo que aprendi na faculdade, um dos postulados da relatividade restrita é que a velocidade da luz c é constante em todos os sistemas de referência, portanto embora para quem ficou na terra tenham se passado muitos e muitos anos a mais que 3700 anos, no sistema de referência de quem está na nave teriam se passado 3700 anos porque a velocidade da luz c é constante. Se eu estiver errado, me aponte onde está o erro por favor.

    1. A velocidade da luz, c, é constante em todos os sistemas de referência. Isso você está certo. Mas para ela poder ser constante, é preciso fazer o tempo ser flexível. E ele passa tão mais devagar quanto mais próximos de c viajamos.

      Quanto tempo leva para um raio de luz partir daquele sistema distante e chegar a nós? 3.700 anos. Por isso dizemos que estamos vendo o sistema com um “atraso” de 3.700 anos nas imagens, certo?

      Agora, se em vez de um raio de luz, quem viesse fosse uma nave alienígena capaz de viajar a 99,99…% de c. Ela ia chegar em quanto tempo? Pouco mais de 3.700 anos, pelo tempo da Terra, certo? Mas e dentro dela? Aí o tempo percebido pelo ET seria bem menor do que isso, de acordo com a equação da relatividade restrita.

      1. Salvador,

        Ainda assim, viajando próximo a velocidade da luz, se os ETs fossem formas biológicas parecidas conosco, não sobreviveriam ao tempo.(contando que não usem algum tipo de tecnologia para hibernação). Nesse caso somente um buraco de minhoca?

        1. Sobreviveriam se viajassem rápido o suficiente. É possível atravessar a galáxia inteira em duas semanas (tempo da nave) se você viajar próximo o suficiente da velocidade da luz (mas, claro, 100 mil anos se passariam para quem fica para trás).

          1. Quase na velocidade da luz ainda existia o tempo, e se fosse exatamente na velocidade da luz? O tempo pararia?

    2. e vale destacar também que esta relação entre velocidade e dilatação do tempo não é linear, e sim da mesma espécie da função 1/x. isto significa que o tempo muda muito pouco com grandes variações de velocidades bem inferiores a c. Mas à medida que nos aproximamos mais desta velocidade, um incremento bem pequeno nesta velocidade faz o tempo se dilatar bastante!

  11. Salva, escute!

    Tens ideia de quantos anos levaría, HOJE, para enviar uma sonda espacial, tipo a Voyager para a Próxima Centauri, uma estrela considerada “quintal” da nossa casa (4,22 anos-luz)?

    – Dir-te-ei!

    – A sonda tipo Voyager, navegando a 543.320.000 km/ano, levaria míseros, 73 MIL ANOS.

    – É mole?

    – Claro que nossas carroças vão ter que passar por um longo período de evolução.

    – Temos que nos debruçar nos “atalhos” propostos na teoria da relatividade ou nada feito.

  12. O fato do planeta gasoso ser possivelmente mais denso que Júpiter dá o que pensar.
    Como ele está na zona habitável das estrelas, suponho que receba doas duas estrelas juntas a mesma irradiação de energia que recebemos do sol. Mas imagino que se Júpiter estivesse na mesma órbita da terra, depois de alguns bilhões de anos o hidrogênio dele teria se “evaporado” para o espaço por receber tanta radiação solar, e ele deveria ser bem menor do que é atualmente. Como o planeta recém descoberto tem dimensões semelhantes a Júpiter, mas até 2 vezes sua massa, podemos supor que originalmente ele deveria ser em maior, e depois que os sóis fizeram ele perder grande parte de seu hidrogênio só teriam sobrado nele gases mais pesados.

    Meu raciocínio está correto?

    1. Acho que com a gravidade de Júpiter a perda de massa não é tão signficativa assim. Haja visto a quantidade de Hot Jupiters por aí…

  13. Salvador, vc poderia indicar uma bibliografia sobre essa questão espaço/tempo? Pois por mais que leio a respeito mais confuso eu fico. Racionalmente, não consigo entender uma coisa como essa que vc citou, de que à velocidade da luz há uma dilatação do tempo. Como é possível isso?

  14. Imagine ver um eclipse de dois sois.
    Só de imaginar sinto meus olhos encherem de agua.
    Os ets que moram em uma destas luas são uns caras de sorte.

  15. Salvador, nesse sistema binário de estrelas e com um planeta gigante desses, uma possível lua habitada teria eclipse dos dois “sóis” ou só de um? É possível que uma das estrelas esteja sempre a iluminar a lua e por causa disso, não teria uma noite estrelada? Abs!

    1. Não. Os dois sóis estariam sempre perto um do outro do ponto de vista da lua (ou do planeta). Abs!

  16. Salvador,boa noite,um planeta deste tamanho não teria um campo magnético fortíssimo assim como o nosso Júpiter e não danificaria severamente qualquer estrutura de DNA existente em suas prováveis luas ?

      1. Como dizia o Carl Sagan ”Se não existir vida fora da Terra o universo é um grande desperdício de espaço.”

    1. acho que o mais provável é que se a lua tiver água, ela será perdida pela atração gravitacional do Planeta gigante. Se a lua tiver tamanho, esteja suficientemente afastada e seu próprio campo magnético tenha alguma força, talvez seja plenamente habitável.

      a situação pede que a Lua não perca atmosfera de forma contínua e se torne seca. A radiação pode até evitar que haja vida, mas tendo variabilidade ao menos nas águas, talvez o processo natural acabe selecionando criaturas mais resistentes.

      o grande fato é que se antes a gente nem sabia se havia algum planeta orbitando essas estrelas, agora o míope kepler nos mostrou que há aos montes. Percebam que kepler é um satélite bom mas não é capaz de visualizar 95% das situações onde os planetas não tenha a órbita alinhada bem na frente da estrela para o nosso ponto de vista. Não sei o que pode estar impedindo detectarmos um contato ou transmissão de fora e é certo que até mesmo nós não estamos empenhando transmissões contínuas para sermos detectados. Acho que as transmissões chegam aqui muito poluídas e fracas, porque não são feitas para longas distâncias, além disso, talvez quando chegou algo mais notável, nossos ancestrais estavam nas cavernas.

    1. É muito legal, mas também recomenda-se trabalhar fora do Brasil para melhores chances de evolução na carreira…

  17. Salvador, tenho algumas perguntas.
    O grande problema das luas em gigante gasosos é a radiação que elas recebem do próprio planeta. Mas isso é lei? Sempre vai ser assim?
    Se nem sempre for assim, há a possibilidade da vida crescer nessas luas assim como cresceram na Terra? Com florestas, rios e animais?
    Mudando um pouco de assunto: planetas rochosos podem chegar ao tamanho de um Jupiter e, assim, ter suas próprias luas gigantes? (imagine só imagem: um planeta rochoso gigante onde a vida floresceu, com sua lua gigante cheia de vida também. – Arrepiei aqui ahahahha)

    1. Gui, planetas gigantes tendem a ter campo magnético intenso, e isso, por sua vez, vai gerar cinturões de radiação mais intensos. Se a lua estiver lá, isso pode ser problema. (Pegando Júpiter como exemplo: Europa está bem na região ruim, cheia de radiação. Só falamos em vida lá porque é sob quilômetros de gelo, onde a radiação não penetra. Já Ganimedes é um lugar tranquilo e favorável, do ponto de vista da radiação.)

      Sobre a possibilidade de haver vida numa lua como na Terra, dependeria basicamente do tamanho da Lua e de sua composição original. Note que a Lua da Terra está na zona habitável e é completamente desértica. A falta de atmosfera é o principal motivo, e essa falta se explica pela baixa gravidade. Seria preciso uma lua mais massiva que a nossa para reter uma atmosfera apreciável. (Titã, em Saturno, é maior que Mercúrio e conseguiu, mas bem mais longe do Sol, o que facilita.)

      Sobre um planeta rochoso adquirir proporções gigantes, pelo visto, não é possível. Ele só atinge essas proporções ao juntar um grande invólucro gasoso.

      Abs!

  18. Salvador, fugindo um pouco do assunto, se me permite, como se daria o fim de um sistema de duas estrelas como este? Pelo que já li, salvo engano, uma delas poderia consumir o hidrogênio da outra, levando-a ao colapso, mas tal fato torna esse sistema de 2 “sois” mais instável ou menos longevo do que aqueles com apenas uma estrela? Abs., parabéns pelo trabalho.

    1. Reinaldo, um sistema assim é estável pela maior parte do tempo. Só ia bagunçar quando eles se tornassem gigantes vermelhas, ao fim de suas vidas. Abs!

  19. – 3.700 anos luz de distância?
    – Com nossas carroças espaciais?
    – Pode esquecer!
    – Pior que, mesmo navegando na velocidade da luz, se fosse possível, jamais chegaríamos lá.
    – Nossa esperança é o sistema Alfa C. Está a apenas 4,5 anos luz, o que já é um abismo.
    – Acertei?

    1. Nyco, você parte da premissa falsa de que estamos estudando esses astros todos para visitá-los. Estamos os estudando para aprender mais. Os astrônomos tentam ver galáxias nas profundezas do cosmos, e o objetivo não é visitar — é descobrir a história do cosmos.

      Agora, mesmo levando em conta a sua premissa, não há nada que o impeça de visitar esse astro, mesmo a 3.700 anos-luz. Se você for a 99,999% da velocidade da luz, pelo efeito de dilatação do tempo a velocidades relativísticas, apenas alguns dias teriam se passado para você, enquanto 3.700 anos teriam se passado na Terra. Ou seja, você pode chegar lá no seu tempo de vida, embora seus parentes que ficam já estariam todos mortos há muito tempo (foque na sogra para não ficar deprimido, rs).

      Por fim, Alfa Centauri é um candidato natural para a primeira exploração interestelar humana porque pode ser atingido no tempo de vida mesmo a velocidades relativamente baixas, como 10% da velocidade da luz.

      1. Cometeu erro Salvador. Reveja que estando a 99,99 % da velocidade da luz, a nave levaria 3700 anos para alcançar a distância de 3700anosluz. Aqui na terra ter-se-iam passados bem mais.

        1. Não, não cometi. E também não fiz as contas para saber quantos noves eu teria de incluir em 99,99…%, mas fato é que, quando você viaja perto da velocidade da luz, o tempo passa mais devagar para você. Então, uma viagem a 99,99…% da velocidade da luz levaria pouco mais de 3.700 anos pelo tempo da Terra, mas muito menos a bordo da espaçonave.

          1. Interessante esse assunto: Então se uma pessoa der uma volta na órbita terrestre próximo da velocidade da luz e após completar a volta, pousar. Esse pessoa teria feito uma viagem para o futuro? quanto tempo?rs

          2. Sim! Quanto tempo depende de qual a velocidade empregada! (Duro é permanecer em órbita viajando a uma velocidade muito superior à de escape… rs)

      2. e não vamos nos esquecer também da criogenia, ou de naves-habitats auto-sustentáveis capazes de abrigar centenas de gerações de viajantes. Talvez os aventureiros originais não possam chegar lá mesmo, mas seus tatatatatatatatatatataranetos poderiam…

  20. Salvador, levando em consideração que a suposta lua ficaria encoberta pelo gigante gasoso boa parte do tempo, isso impossibilitaria a existência de vida na lua ou mesmo assim seria possível?

    1. Isso não seria impedimento. O mais preocupante na verdade seria a quantidade de radiação a que ela estaria exposta, se numa órbita mais próxima do planeta, que a colocasse dentro do cinturão de radiação de sua magnetosfera.

  21. Salvador, por favor, haveria possibilidade de um par de estrelas mais afastadas (mas ainda assim orbitando um centro de gravidade comum) com planetas orbitando apenas uma delas? Tal sistema poderia ter uma zona habitável?

    1. Sim, poderia. Alfa Centauri, por sinal, seria um potencial candidato a abrigar um sistema assim, em que os planetas giram em torno de uma das estrelas, e não das outras.

    2. ajudaria pensar que um dos planetas mais externos teria acumulado tanta massa que começou a fundir hidrogênio em seu núcleo e se tornou estrela (a la Arthur Clarke, hehehe). Poderiamos pensar nela não como uma estrela central do sistema, mas um planeta-estrela da estrela central.

  22. Salvador, sera que exite uma variacao muito grande da radiacao que chega ao planeta?
    Cada vez que os sois estao “lado a lado” e um eclipsando o outro?

    1. só uma dúvida que ficou, exatamente sobre este assunto: quando dizem que este planeta está na zona habitável, estão levando em conta a soma das radiações recebidas das duas estrelas, não é mesmo? Como as duas estrelas são semelhantes ao sol, se o planeta estivesse à mesma distância do centro delas que a terra está do sol ele receberia o dobro da radiação que recebemos, pois cada estrela contribui com sua parte! Para estar na zona habitável, ele teria de estar a uma distância de +- 1,4 vezes a distância da terra ao sol, não é? (raiz quadrada de 2)

      1. David, ele está a três vezes a distância Terra-Sol, e as estrelas não são exatamente iguais ao Sol — uma é um pouco menor, a outra um pouco maior. Em sistemas circumbinários, a faixa da zona habitável é mais larga, e lembre-se que não é preciso receber a mesma quantidade de radiação da Terra para ser habitável. (Marte, por exemplo, está na zona habitável do Sistema Solar.)

        1. hehehe, é que eu fiz um cálculo “rápido” aqui: se uma é um pouco maior e a outra um pouco menor, em média então elas são iguais ao sol! KKKKK

          mas vendo por este lado, vejo que faz sentido: se o brilho das estrelas combinadas aumenta, a órbita da zona habitável aumenta com o inverso do quadrado do aumento de brilho, só que a largura desta faixa também deve aumentar.

          1. ops, pequeno deslize: a órbita aumenta com o inverso da RAIZ QUADRADA do aumento do brilho, hehehehe

            mas acho que ninguém notou! 🙂

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