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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: O mistério dos sistemas solares que dão errado

Por Salvador Nogueira

Descoberta de planetas jovens ajuda a explicar o que leva sistemas solares a darem errado.

O CASO DOS HOT JUPITERS
Um dos mais intrigantes mistérios é o dos sistemas planetários que deram errado. Eles têm um mundo gigante gasoso muito próximo de sua estrela-mãe e chance quase zero de abrigar um planeta como a Terra, amigável à vida.

PODE ISSO, ARNALDO?
Problema: por tudo que sabemos, esses planetas gigantes jamais poderiam ter surgido onde estão. Só haveria gás suficiente para formá-los longe de suas estrelas. Por isso, os cientistas apostam que eles nascem afastados, à la Júpiter, e depois migram para dentro — destruindo tudo no caminho. A questão é: por quê?

MOVIMENTO MIGRATÓRIO
Os astrônomos trabalham com duas hipóteses: ou os gigantes interagem com o disco de poeira da formação planetária e isso faz com que mergulhem, ou seu deslocamento acontece quando eles passam de raspão por estrelas ou planetas vizinhos. No caso, a gravidade agiria como estilingue, atirando-os para dentro.

NOVOS REBENTOS
Agora, duas descobertas parecem favorecer uma das opções. Usando o satélite Kepler, astrônomos encontraram um planeta maior que Netuno com 11 milhões de anos, a completar uma órbita a cada 5,4 dias. E, num achado ainda mais incrível, uma equipe usou dados de três telescópios para achar um mundo do porte de Júpiter com só 2 milhões de anos. Ele orbita seu sol a cada 4,9 dias.

JÁ VAI?
São praticamente recém-nascidos (lembre que o Sistema Solar já é um senhor de 4,6 bilhões de anos) e indicam que esses planetas se colocam muito cedo em suas órbitas finais, o que aponta interação com o disco de poeira como principal mecanismo. Mas calma lá.

PARA EMBARALHAR TUDO
Outro estudo acaba de mostrar que a frequência desses sistemas zoados é cinco vezes maior no aglomerado M67 do que em estrelas solitárias (5% contra 1%), o que também sugere um papel para estilingues gravitacionais. Isso se não houver um terceiro mecanismo, ainda não aventado. Moral da história: no fim das contas, a natureza é sempre mais criativa do que sequer conseguimos imaginar.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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