O sistema planetário mais bizarro já visto

É o sistema planetário mais estranho já encontrado. No centro, uma estrela um pouco maior do que o Sol. Na periferia, duas estrelas menores, orbitando uma em torno da outra, enquanto também avançam juntas numa dança com a estrela maior. E, entre a estrela central e a binária, um mundo similar a Júpiter — onde, aliás, os astrônomos sempre pensaram que, pela teoria, não deveria haver planeta algum.

É tudo tão esquisito que os cientistas precisaram ver para crer — e isso resultou na primeira descoberta de um exoplaneta feita pelo instrumento Sphere, uma nova câmera especialmente projetada para fotografar diretamente o brilho sutil desses astros sem luz própria, em meio ao clarão de suas estrelas-mãe. A pesquisa, que tem como primeiro autor Kevin Wagner, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, foi publicada online nesta quinta-feira (7) na revista “Science”.

O Sphere está instalado no VLT (Very Large Telescope) do ESO (Observatório Europeu do Sul), no Chile. E a descoberta foi feita em torno do trio de estrelas conhecido pela sigla HD 131399, localizadas a 320 anos-luz da Terra, na constelação do Centauro.

Imagem do Sphere mostra o planeta HD 131399Ab, o mais tênue dos objetos. Acima, a estrela principal e mais brilhante; abaixo, o par de estrelas menores. (Crédito: ESO)
Imagem do Sphere mostra o planeta HD 131399Ab, o mais tênue dos objetos. Acima, a estrela principal e mais brilhante; abaixo, o par de estrelas menores. (Crédito: ESO)

CONFIGURAÇÃO BIZARRA
A rigor, os astrônomos não esperavam encontrar nada parecido com isso, pois elas parecem contrariar o esquema padrão de formação planetária. A variação gravitacional do sistema é tão grande, com uma estrela maior no centro e outras menores na periferia, que havia a convicção de que o ambiente seria instável para planetas na posição em que esse gigante gasoso foi encontrado.

E, no entanto, ele está lá. Cálculos realizados pelos astrônomos sugerem que existe, sim, a possibilidade de ele ser estável onde ele está _mas a essa altura não dá para dizer com certeza que esse seja mesmo o caso. Até porque o sistema é bastante jovem, com “apenas” 16 milhões de anos. Pode parecer muito, mas é um piscar de olhos em termos do tempo de vida das estrelas, usualmente medido na escala dos bilhões de anos. O Sol e seus planetas (Terra inclusa) têm 4,6 bilhões de anos, por exemplo.

O segredo da descoberta consiste exatamente na juventude do sistema: embora ele já esteja totalmente formado (não há sinais de disco de poeira em torno de nenhuma das estrelas), o calor de formação do planeta gigante ainda é grande o suficiente para que ele possa ser detectado pelo Sphere. Estima-se que sua temperatura superficial esteja em torno dos 577 graus Celsius e ele tenha aproximadamente quatro vezes a massa de Júpiter.

De acordo com os pesquisadores, a detecção desse sistema bizarro mostra que a natureza é de fato muito mais criativa na confecção de sistemas planetários do que julgávamos possível. A essa altura, existe uma boa chance de que o planeta HD 131399Ab esteja numa órbita estável. Mas a variação de gravidade no sistema é tão grande que ele não obedeceria às leis de Kepler, que descrevem com exatidão movimentos planetários como os do Sistema Solar, que envolvem uma única estrela.

Gráfico mostra os movimentos das estrelas e do planeta; uma dança gravitacional complexa, que tornaria muito difícil o planeta existir de maneira estável por longos períodos (Crédito: ESO)
Gráfico mostra os movimentos das estrelas e do planeta; uma dança gravitacional complexa, que tornaria muito difícil o planeta existir de maneira estável por longos períodos (Crédito: ESO)

PERGUNTAS E RESPOSTAS
Diante do mistério, não está claro também qual é a origem desse planeta. Ele provavelmente não se formou onde está hoje. Uma das alternativas é que ele tenha se formado mais perto da estrela principal, mas também não se descarta que ele tenha se originado ao redor do par binário e depois tenha sido “roubado” pela estrela maior.

Os astrônomos estimam que ele leve cerca de 550 anos para completar uma volta inteira em torno de seu sol principal, mas ainda há bastante incerteza nisso — é improvável, mas pode até ser que ele esteja sendo neste momento ejetado do sistema!

De toda forma, sua posição parece estranha, 16 vezes mais afastada da estrela principal do que o nosso Júpiter está do Sol.

Se por um lado a observação direta dificulta estimar coisas como o período orbital, por outro lado a captação de luz emanada do planeta permite a análise de sua composição. Os cientistas conseguiram detectar tanto metano quanto vapor d’água na atmosfera desse “superjúpiter”.

Futuras observações devem ajudar a determinar se ele está mesmo numa órbita estável e onde exatamente ele pode ter nascido.

Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comentários

  1. Otimo o Space Engine.Imagens impressionantes de mundos feitos pelo acaso.Dizem que se vc lançar um corpo no espaço ele viajará eternamente.Se tudo saiu do big bang ,então toda a materia do universo tem a mesma idade.No entanto temos galaxias de diversas idades,e materia lançada no espaço em altissimas velocidades que se reunem e formam sistemas complicadissimos.Alem disto,dizem que as galaxias estão acelerando em vez de perderem velocidade.Alem disto tem a materia invisivel e mais algumas coisinhas pelo universo.Se me disserem que da explosão de uma grafica saiu uma biblioteca eu acredito piamente.Ah, se o universo saiu de um big bang , de onde saiu a materia do big bang?Karakas!!!

  2. Salvador, vc conhece um aplicativo/simulador/jogo chamado Space Engine? É um simulador do Universo, catalogada com toda informação atual disponível, e que tb, através de programação procedural, permite que vc explore bilhões de estrelas e planetas em um ambiente 3D, na nossa ou em qualquer outra galaxia. Baixei recentemente e tenho passado horas explorando o universo… extremamente viciante…

  3. Olá salvador,
    Com os avanços tecnológicos quando se refere a observação espacial , em sua opinião o James w. Que sera lançado em 2018 teria poder suficiente para observar um planeta de outro sistema estelar do mesmo modo que observamos os nossos vizinhos do sistema solar? E se não tiver esse poder , existe em curso algum projeto para assim faze lo num futuro proximo??

    Sou super fã de suas publicações.
    Abraço!

    1. Não, ainda estamos longe de poder ver um exoplaneta como vemos hoje um planeta solar. Mas em coisa de duas décadas podemos chegar perto disso. Abraço!

    1. Não sei se há uma “campeã”, mas em geral as maiores galáxias são as elípticas — normalmente o resultado da fusão de galáxias espirais — e podem conter trilhões de estrelas (enquanto a Via Láctea tem entre 100 bilhões e 200 bilhões de estrelas, nas estimativas mais comuns).

  4. Na Nasa eu projetaria um tipo de holograma no espaço, que nem precisaria de sondas para reconhecer planetas, tipo um canhão lazer, funcionaria como uma luneta!! os Ciborgues fazem isso de la de onde estão para terra e outros planetas! analogia, como uma fibra ótica feita de luz(plasma).

    1. Faz tempo que não eclodem olhos nos seus comentários. Estou achando até estranho… 😛

  5. Uma coisa que não entendo é: como conseguem detectar metano e vapor d’água nesse planeta tão distante, e em nosso próprio sistema solar, não conseguem saber detalhadamente o que ocorre com os “nossos” planetas?

    1. Vanderlei, eles têm informação muito mais sofisticada que essa dos planetas do nosso Sistema Solar. Por aqui, nós sabemos todos os principais componentes atmosféricos de todos os planetas. Não é como dizer “ah, tem água lá”, o que foi feito agora para esse exoplaneta. Mas é importante dizer que essa técnica, espectroscopia, é usada de forma igual para planetas e exoplanetas cuja luz é detectada diretamente. Para o conhecimento mais profundo que temos do Sistema Solar, tivemos de nos apoiar também em observações in loco, feitas por sondas como a Juno, que agora chegou a Júpiter.

  6. Dileto Salvador!

    Senti que o tema proposto sobre “A Mãe de Todas as Ciências” deu pano-pra manga, cada qual, tentando defender suas crenças e pontos de vista. Até a filosofia entrou de gaiata-no- navio.

    Porém, todavia, no entretanto e contudo, essa nova “mega ciência” sequer está em gestação.
    Assim sendo, teremos que ter paciência, pois serão necessários pré-requisitos fundamentais da mais alta complexidade, tipo: super-computadores quânticos, uma rede mundial de computadores quânticos, só para citar entre tantos outros, para poder, finalmente, chegar ao desenvolvimento pleno de inteligências artificiais autônomas, cujos “cérebros” serão milhões e, até mesmo bilhões de vezes mais rápidos e lógicos que o cérebro humano. Vejam que, não estou falando de robôs deambulantes. Estou falando de inteligências artificiais com “livre arbítrio” em seus devidos terminais.

    Aliás, isso já foi vaticinado em 1969 by Arthur Clarke, gênio!

    Já imaginaram um Fórum de Debates Científicos entre essas Super-Máquinas?

    Eu sou um cara otimista e, na minha singela visão, lá por volta do ano de 2250, “acharemos” a “Mãe de Todas as Ciências”, aquela que conterá todas as ciências até então conhecidas como se fossem uma pequena fração.. Digo; “acharemos”, porque as ciências sempre existiram. Coube a nós tomarmos conhecimento, assimilando-as, compreendendo-as e desenvolvendo-as até nossos limites atuais. abs …..

    1. Nyco(lau),

      atualmente estou lendo/relendo uma séria de “fricção” científica que começou a ser escrita em 1.961 (muitos anos antes do projeto Apolo). É a série “Perry Rhodan” e que ainda está sendo escrita, na Alemanha (já passaram do número 4.000). Já tinha lido vários números na juventude.

      É hilário ver a evolução que eles “vaticinavam” (palavras suas) para o futuro: Armas e propulsão nucleares, sapatos e roupas de plástico, telas de fósforo verde abauluadas e do tamanho de uma sala. E por ai vai.

      O que eu quero dizer???

      Que a “Ficção Científica” e a “Evolução lógica” é uma péssima ferramenta de predição do “futuro”.

      Afinal, TODAS as grandes evoluções da raça humana NÃO SÃO evoluções, mas sim “novidades novas”.

      A geladeira NÃO é evolução do gelo; o motor a vapor NÃO é uma evolução do cavalo; A iluminação elétrica NÃO é a evolução da vela; etc; etc; “bicicreta”.

      Me diga qual é o ancestral do computador??? E dos robôs???

      Agora, aceite uma coisa bem básica e lógica:

      “A MATEMÁTICA É A MÃE DE TODAS AS CIÊNCIAS”

      Chers

      1. Na verdade Perry Rhodan foi lançado em 1.961. Logo, já estava em gestação e produção pelo menos 2 anos antes (desenvolvimento, produção, prelo, tradução, etc)

        1. Xangô, os caras te ofenderam e você desceu tanto para se defender (o que considero justo) que não sabia o que fazer do seu comentário e da situação toda. Decidi não publicá-lo — acho que ele não refletiria bem sobre você, que sempre foi um cara bacana aqui no espaço dos comentários — e, para ser justo, apaguei os comentários deles — ofensivos, mas ofensa nível 2, contra o seu que foi uma bomba atômica.

          Tanto Nyco como Menon quanto você são leitores frequentes, pelo que agradeço muito a todos. Espero que vocês possam continuar a trocar ideias aqui, civilizadamente, sem agredir uns aos outros. Vamos dar bom exemplo aos trogloditas que vira e mexe aparecem aqui. Pode ser?

          1. Grande Salvador,

            No próprio post eu já havia me desculpado com vc, pelo furdunço.

            É que fica hilário alguém citar um escritor de ficção científica (Arthur Clark) e “ridicularizar” alguém que lê “outro” tipo de ficção…. Se não me engano, no dicionário existe uma palavra que acho que se adequaria à situação: “Hipocrisia”. O que vc acha.

            Eu escrevi um texto sensato e expondo alguns pontos de vista que eu tenho. EU TENHO, mas sei aceitar a opinião divergente a aprendo com isto. Só não aceito que me ofendam, como foi o caso.

            Já uns e outros, falam aquelas idiotices que a gente vê tanto por ai, e que só servem para tentar disfarçar o analfabetismo funcional “parei de ler no…”. Ou seja, a pessoa vê um texto maior que ela consiga ler e se sai com esta.

            Agora, digo e repito reiteradas vezes:

            – o Computador NÃO é a evolução do ábaco (até por que o computador usa lógica binária ou booleana em núcleos de silício e o ábaco é “Base de 10”);

            – Os robôs NÃO são a evolução da “Galinha à Vapor” que eram usadas nas peças de teatro gregas (que NÃO se tem real certeza que elas tenha existido) Se existiram, nada mais eram do que “marionetes”, e uma marionete NÃO é o ancestral dos robôs…

            Quanto a uma catapulta ser um ancestral de um robô, quando eu parar de gargalhar, eu volto para responder….

          2. Enquanto estiver discutindo ideias, beleza. Quando partirem para ofensa pessoal, aí fica ruim. Eu errei de aprovar os comentários que te ofenderam, pelo que peço desculpas. Tento manter as regras frouxas e tolero alguns abusos. Mas sinceramente não consegui aprovar o seu comentário de resposta. Muito pesado mesmo. Desculpaê. Mas tenho confiança de que manteremos a civilidade daqui pra frente.

        2. – Ancestral do computador é o ábaco que data de +- 5.000 anos AC.

          – Ancestral do robô data do século 1 d.C., segundo o cientista da computação britânico Noel Sharkey.
          Os gregos desenvolveram a engenhoca que era controlado por cordas.

        3. Outro exemplo de ancestral do robô é o tribuchét ou catapulta, muito usada na idade média para arremessar pedras para destruir muralhas, arremessar óleo fervente e até mesmo usado em guerra química/bacteriológica, arremessando carcaças de animais mortos em estado de putrefação no interior dos castelos. Isso sem falar no lendário cavalo de tróia.

  7. Salvador, tenho uma pergunta meio maluca… Você citou que o planeta pode ter sido “sequestrado” pela estrela maior… Imagino que isso ocorra via uma aceleração na velocidade do planeta para ele se libertar da gravidade do sistema binário. Se algo parecido ocorresse com a Terra, os humanos conseguiriam “sentir” esse “sequestro”? Os maiores subiriam por oscilação na gravidade?

    1. Os humanos não sentiriam porque seriam gravitacionalmente atraídos do mesmo modo que o planeta. Mas, claro, isso ia zoar completamente o ambiente planetário em pouco tempo. Sobre os maiores, pouco efeito sentiriam, porque a massa da Terra é desprezível. Só que, para a Terra ser ejetada, algum astro tinha de passar de raspão por ela. No Sistema Solar, não tem quem faça. Teria de ser um “invasor”. rs

      1. Pô, Salvador, fica fazendo estes passes em profundidade e deixando os “nibirutas” na cara do gol.

        Maior perigo, bró.

        hahahaha

        1. Cara, trato a hipótese nibiruta de forma estrita — um planeta com órbita elíptica excêntrica em torno do Sol que vez por outra avança para dentro do Sistema Solar. Esse não existe. Mas não posso impedir os nibirutas de abraçarem a possibilidade de um planeta errante adentrar nosso sistema, que definitivamente existe — embora seja absolutamente improvável.

          1. Concordo. O problema dos “nibirutas” é eles acreditarem que o planeta/estrela realmente existe e passa ha cada não sei quantos mil anos de raspão na terra. E sempre a terra está no mesmo lugar, “esperando Godot”.

            Outra coisa deste “nibirutas” é fato deles não “respeitarem” a velocidade da luz, pois o planeta X ou a estrela Nibiru se movem muito, mas muito rápido segundo os cálculos deles.

            Agora, quanto a sermos “atropelados” por uma estrela??? Mais fácil um cometa ou um meteorito.

            Abraços

  8. Salvador. Quando essas estrelas menores apagarem (daqui alguns milhares de milhões de anos) elas viram exo planetas? Se isso ocorrer quando o sistema estiver Velinho com uns 4bi anos ele vai ser normal e seguir as regras do Kepler?
    Se for isso, então me parece ser apenas um caso de uma travessura de adolescente não?

    1. Raphael, estrelas menores que se apagam viram anãs brancas — não são planetas, nem estrelas ativas. São astros extremamente densos que vão se resfriando lentamente ao longo de bilhões de anos, como as cinzas de um churrasco que eu gostaria de estar fazendo, mas não estou. rs
      Sobre esse sistema, com essas estrelas aí, está condenado a não ser kepleriano para sempre. 😛

      1. Até por que, como elas não vão explodir, mas só “apagar”, elas não vão perder massa, certo?

        1. Até perdem a massa das camadas superiores, que não é desprezível. E isso, claro, dá uma zoada no sistema.

    2. Rafael, na verdade vai ser um pouco diferente… A estrela maior vai apagar primeiro.
      Já q a maior é um pouco maior q o Sol então deve durar menos de 10bi anos, vai virar uma gigante vermelha e depois encolher para uma anã branca.
      As estrelas menores, dependendo da massa, podem ir além dos 100bi anos.
      Mas para apagarem de fato, o número de anos vai além dos trilhões.
      Mas como já disse o Salva, o sistema deve se desmantelar antes disso.

  9. Uma pena esse paywall, agora até adblock parou de funcionar com ele, acredito que Muita gente tá ficando de fora por isso…

    1. Paywall é chato. Mas a Folha acha que vale a pena. Quem sou eu para discordar? 😛

    2. Oxênte????

      Clicar no botãozinho “Continuar navegando mesmo com o adblock ativo” você não clica.

      Agora, perder tempo para reclamar, isto sim faz de você um “bom brasileiro”.

      Se liga, bebezão, e aprende a só reclamar de coisas justas (vc já foi às ruas hoje, exigir a prisão do CÚnha???)

  10. Hummm, quer dizer que discordar do autor nesse blog significa comentário não publicado? Bonito hein….

    1. Não, quer dizer que o leitor acha que eu tenho de ficar de plantão 24h por dia para aprovar o comentário. Bonito, né? 🙂

      1. Mesmo com a desculpa bonitinha, continuou não publicando comentário que apenas discordou de um de seus leitores, sem nenhum tipo de ofensa. Legal…

  11. A interação gravitacional entre 3 ou mais corpos depende de equações diferenciais introduzidas por Karl Sundman, no início do século 20 e nada tem a ver com as equações relativísticas de Einstein, que se referem à curvatura do espaço gerada pelos corpos de grande massa

    1. Em tempo: nem eu disse que tinham. O que eu disse é que os problemas de 3 ou mais corpos não têm solução exata no contexto da gravitação newtoniana.

      1. O velho tersiog tentando dar carteirada na porta, como sempre, e levando uma “portada” na cara, como nunca.

        Poiiing!!!

        hahaha

      2. Por isso apelamos para a constante de Jacobi… Que resolve o probleminha apresentado pelo colega. Encontrarás sobre ela no Problema Restrito de 3 Corpos no livro Solar Systems Dynamics de Carl Murray… Um abraço!

  12. Salvador, como eles podem ter certeza que a órbita é estável? Imagino que seja possível que o planeta esteja viajando entre o local em que surgiu em torno da estrela binária e sendo inexoravelmente atraído pela estrela maior… Em mais algum tempo, cairá, mesmo que leve alguns milhares de anos…

    1. Eles não têm certeza de que a órbita estável. Só supõem que ela seja por dois motivos. (1) nas simulações, encontraram soluções de órbita estável para a posição atual do planeta, e (2) um planeta instável seria ejetado para fora do sistema num curto espaço de tempo (digamos, menos de 1 milhão de anos). Como o sistema tem 16 milhões de anos e o planeta está lá, é improvável que o tenhamos encontrado justamente no momento em que ele começa a escapulir (embora não impossível).

  13. Karaka, e a pensar que todo este universo saiu do nada.O diabo é se resolver voltar ao nada.

    1. Bem, pense pelo lado positivo. Se começamos com nada e terminamos com nada, não perdemos nada no final. 😛

  14. Salvador, sobre as forças naturais, o campo elétrico e magnético já são bem compreendidos e a partícula responsável bem conhecida, o elétron. Mas e a gravidade? Já existe alguma partícula que explique os campos gravitacionais? A matéria é a sua origem, mas já temos a compreensão do seu funcionamento físico? O porquê da deformação espacial? Será que dominarem os esse princípio em breve?

    1. Temos uma compreensão da gravidade como distorção do espaço-tempo ocasionada pela presença de matéria-energia. Nesse sentido, ela está tão explicada quanto o eletromagnetismo (que tem como partícula portadora o fóton, não o elétron). O problema todo é que é estranho a gravidade ter comportamento clássico e o resto da física ter comportamento quântico. Busca-se, portanto, uma teoria quântica da gravidade, que pode envolver uma partícula portadora de força, o gráviton. Contudo, nenhum dos esforços para detectar o gráviton teve sucesso até hoje. Quanto a dominarmos a gravidade, a rigor, já dominamos. Sabemos que, diferentemente do eletromagnetismo, ela é sempre aditiva. Para gerarmos um grande campo gravitacional, tudo que precisamos fazer é reunir bastante massa num mesmo lugar. Não é muito útil, mas é assim que a gravidade funciona. Não há razão no momento para achar que exista algo mais a se fazer com ela. 😛

      1. Podemos, e devemos descobrir do que é feita a gravidade. Podemos descobrir por exemplo, que se ela for composta de algo; esse algo pode ser simplesmente o Mar no qual navegamos.
        Gráviton. A partícula do Éter.

        1. Cara, quando eu era moleque (há mais de 30 anos) eu cheirava muito éter.

          Mas, pelo seu post, dá pra ver que já está afetando sua cabecinha em formação, hauhauahuauha

      2. A ideia de dominar a gravidade não estaria no fato de poder criar anti-gravidade? (Se é que não falei besteira)

  15. Salva, boa tarde. Li em outra matéria que a estrela principal é 80% maior que o Sol, isso é em massa (não em diâmetro), correto?

  16. Isso só nos prova que exite um arquiteto perfeito e muito além de nossa compreensão. Isso prova que existe um Deus que pode tudo, até algo estranho e bizarro aos nossos olhos.

    1. Não, isso não prova que Deus existe. Se fosse possível provar que Deus existe, não haveria necessidade de fé. 😉

    2. Obrigado, Sérgio, por acreditar tanto em mim, o único e verdadeiro Deus Xangô.

      Os outros são todos falsos profetas!!!!

      hahahaha

      Não acredito em Deus porque nunca o vi.
      Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
      Sem dúvida que viria falar comigo
      E entraria pela minha porta dentro,
      Dizendo-me Aqui estou!

      (…)

      Mas se Deus é as flores e as árvores
      E os montes e sol e o luar,
      Então acredito nele,
      Acredito nele a toda a hora,
      E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
      E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

      Mas se Deus é as árvores e as flores
      E os montes e o luar e o sol,
      Para que lhe chamo eu Deus?
      Chamo-lhe flores e árvores e montes,
      Se ele me aparece como sendo ávores e montes
      E luar e sol e flores,
      É que ele quer que eu o conheça
      Como ávores e montes e flores e luar e sol.

      Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

  17. Salvador,
    Parece que por muito pouco esse sistema nao acabou sendo de 4 estrelas nao?
    Muitas vezes se comenta aqui que com mais massa, Jupiter acenderia.
    Sera que o sistema gerou 3 gigantes gasosos e que dois deles acabaram crescendo demais e gerando as estrelas? E que o 3o quase teve o mesmo destino, mas ficou no quase??
    Abs

  18. Salve Salva…..
    Vc já ouviu sobre a teoria de que o universo seria um gigante organismo vivo ?
    O primeiro a pensar assim foi o filósofo grego Anaxágoras e depois por Platão e outros a seguir…..
    Se assim fosse imagino que as estrelas seriam os átomos deste organismo e os planetas seriam os elétrons orbitando-as, e quanto a nós talvez seríamos algum tipo de vírus….rsrs. Estaríamos destruindo o nosso elétron casa, para depois destruirmos a molécula toda e assim nos alastrarmos pelo corpo inteiro…..
    Viajei hein ??? Mas será que tem alguma verdade nisso tudo ???? O que vc acha ???? Parabéns pela matéria sempre bem explicativa…..

    1. Henrique, não gosto muito dessa ideia. A definição de vida passaria a um “vale tudo” que acabaria por lhe tirar o valor. Só definimos coisas para poder contrapô-las a outras coisas que são diferentes. Se o Universo está vivo, então tudo é vida, de modo que a definição de vida não serve para nada. 😛

      1. Salvador foi profundo.
        Mas por outro lado, se tudo for vida não teremos mais a necessidade de explicar o que somos. Pois nada mais fazemos que, como vida, cumprimos nosso destino. Simples.

  19. Então vamos lá, 2×2=4 3×2=6 5×5=25 é isso mesmo, o sistema criado por Deus é bizarro, nossa cada uma viu?

    1. Você ainda crê que tenhamos cido criados.
      Assim, somos especiais. Não é mesmo?
      Sim, somos especiais porque eclipsamos nossas experiências ao observar, das infinitas possibilidades, a realidade que queremos experimentar.
      Não por termos cido criados. Coisa que não fomos.

  20. Eita mundo bom o nosso né, perfeito, no lugar certo, na distancia certa, com clima certo temperatura e toda sorte de vida desde a menor

      1. Quem vive em outro mundo? Já descobriram seres em outros planetas? E só uma obs: A ciência não exclui a existência de Deus, muito pelo contrário, nos ajuda a entender como tudo aconteceu. A ciência é muito importante e acho lamentável comentários nesse blog desdenhando quem crê em Deus. Creio em Deus e admiro a ciência.

        1. Sim, a ciência não exclui a existência de Deus. Digo e repito isso aqui: Deus não é uma hipótese testável, logo a ciência nada pode dizer sobre ele, contra ou a favor. Já sobre vida alienígena, a ciência pode dizer muito — e está trabalhando para isso. Por ora, fora algumas evidências controversas relativas a Marte, não temos nada concreto sobre vida fora da Terra. E como afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinários, ainda é perigoso ser categórico — para um lado ou para o outro.

    1. Caceta, viu. É cada idiotisse que os crentes cagam…

      A terra oscila mais de 4 MILHÕES de quilômetros, todo ano, entre 147 milhões (o periélio) e 152 milhões de quilômetros ( o Afélio).

      Os seres vivos do planeta vivem desde o gelo do Ártico/Antartida, em temperaturas de menos de 40 graus Celsius (inclusive humanos, não só seres autôctones) até as temperaturas desérticas de mais 50ºC (inclusive humanos, não só seres autôctones).

      Vivem ao nível do mar, com uma 1 atm ou 1kg/cm2, até perto de 5 mil metros de altura (Potosí 0,4 atm). Existem serem humanos e outros seres em todos estes lugares.

      Isso sem contar os seres que vivem nas fumarolas de vapor, no fundo dos oceânos, com altíssimas pressões, sem luz do sol e respirando ENXOFRE!!!!

      Então, bananinha de pijamas, me diga ONDE existe o tal “mundo perfeito”??? Qual seria a distância certa????

      Sinto dizer, mas este seu “fundamentalismo religioso” só demostra sua perfeita, no lugar e na distância certa da sua ignorância, hauhauahua

Comments are closed.