Mensageiro Sideral

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Vida na lua saturnina Titã?

Por Salvador Nogueira

Químicos investigam possibilidade de vida ‘como não a conhecemos’ em Titã, lua de Saturno.

ESTRANHAMENTE FAMILIAR
A lua Titã, de Saturno, é um dos cartões postais do Sistema Solar. Com tamanho para ser planeta, ela tem atmosfera relativamente densa e um ciclo de chuvas, mares, lagos e rios — a exemplo de um certo mundo que conhecemos tão bem.

PARAÍSO DO CARBONO
A exploração realizada pela sonda Cassini e pelo módulo Huygens, que pousou lá em 2005, permitiu que víssemos o que há sob a névoa que recobre a lua, e o cenário não desapontou. Titã é um lugar complexo e rico em compostos orgânicos — a base fundamental da vida.

PODE ALGO VIVER LÁ?
Foi o que decidiram investigar Martin Rahm e seus colegas da Universidade Cornell, nos EUA. Mas eles precisaram, para tanto, partir de um pressuposto bastante delicado: se houver vida em Titã, será diferente de tudo que vemos por aqui — vida “como não a conhecemos”.

FRIO DE LASCAR
As razões para isso são óbvias: dez vezes mais distante do Sol que a Terra, Titã é um mundo gélido: -180 graus Celsius. Seus mares são feitos de metano, e água se comporta ali como rocha. Sem água líquida, nada de vida como a conhecemos.

OCEANO TÓXICO
É verdade que há evidências de um oceano global de água e amônia no subsolo de Titã, mas deve ser tão salgado que também não seria bom para vida de tipo terrestre. Nem tudo está perdido, contudo. Em seu estudo, o grupo de Rahm investigou o potencial de uma molécula que deve ser comum na superfície: a poli-imina.

SABOR: DESCONHECIDO
Segundo a análise, esse polímero poderia ser precursor de reações essenciais à vida mesmo sem água, impulsionado pela fraca luz solar no frio de Titã. Certo. Que tipo de vida ele poderia gerar? Sei lá. Que formas ela assumiria? Idem. Como detectá-la? Boa pergunta. Eis aí a razão pela qual os cientistas se esforçam em buscar “vida como a conhecemos” — é duro detectar algo que nem sabemos se pode existir mesmo, que dirá o que possa ser. Mas a ideia não deixa de ser fascinante.

BÔNUS: O QUE VER NO CÉU EM JULHO
Confira as dicas de observação celeste do Mensageiro Sideral para este mês, com uma bonita conjunção entre Mercúrio e Vênus no dia 16 e uma das chuvas de meteoros mais prestigiadas no hemisfério Sul na virada do dia 28 para o 29.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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