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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Lixo espacial chinês assusta os EUA

Por Salvador Nogueira

Lixo espacial chinês assustou os americanos na última quinta-feira. Qual a chance de um desses nos atingir?

PÁSSARO? AVIÃO? ET?
Na noite da última quinta-feira, um objeto brilhante atravessou lentamente o céu dos Estados Unidos, causando apreensão na população de diversos estados americanos, do Colorado à Califórnia. O que era aquela misteriosa bola de fogo?

CHUVA DE LIXO
Os especialistas não tardaram a resolver o mistério: era o segundo estágio de um foguete Longa Marcha 7, lançado apenas um mês antes. Ou, trocando em miúdos, era um senhor pedaço de lixo espacial chinês. Não exatamente algo que alguém gostaria de ver cair sobre sua cabeça. E o que mais assusta é que esses episódios estão se tornando cada vez mais comuns. Vira e mexe pessoas testemunham algum detrito espacial ganhar a atmosfera.

MEGA-SENA
Qual a probabilidade de um troço desses atingir você em cheio? Aqui vai a boa notícia: menor do que a de ganhar na Mega-Sena. Afinal, a Terra tem três quartos da superfície coberta por água. Só isso já dá uma chance de 75% de que um detrito desgovernado vá cair no mar. Além do quê, mesmo em solo, a maior parte da superfície é desabitada. E poucos objetos têm porte suficiente para resistir ao atrito na reentrada.

PROBLEMA CRESCENTE
Claro, chance pequena não é igual a zero. E a essa altura, quase 60 anos após o lançamento do primeiro satélite artificial, já deu tempo de juntar bastante lixo lá em cima. Aliás, é por lá, em órbita, que o lixo espacial é mais perigoso. A Nasa estima que existam cerca de 500 mil pedaços de lixo em volta da Terra neste momento.

Concepção artística dos detritos espaciais monitorados constantemente pelas agências espaciais para evitar colisões (Crédito: ESA)
Concepção artística dos detritos espaciais monitorados constantemente pelas agências espaciais para evitar colisões (Crédito: ESA)

LIMPEZA
Para evitar futuras colisões no espaço, as agências espaciais trabalham para fazer lançamentos cada vez mais “limpos”, com menor geração de detritos, e criar meios de derrubar os satélites de forma controlada depois que eles esgotam sua vida útil. Além disso, pensa-se em estratégias para tirar o lixo que já está lá. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer para resolver a questão.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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