Astronomia: O que é um buraco negro?

Salvador Nogueira

Você sabe o que é um buraco negro? Como ele nasce? Bem, chegou a hora de descobrir.

A GRAVIDADE DA QUESTÃO
A chave para entender os buracos negros é a gravidade, essa força tão difícil de explicar e fácil de sentir — basta um tropeço para você descobrir que está sendo atraído constantemente para o centro da Terra. É a gravidade que mantém o planeta coeso e também é ela que faz com que o Sol seja uma bola de gás, em vez de uma nuvem difusa. Quanto mais matéria reunida num lugar só, mais gravidade.

EQUILÍBRIO DE FORÇAS
O Sol é bem maior que a Terra, e por isso sua gravidade é mais intensa. Seu interior é tão comprimido que faz com que os átomos grudem uns nos outros — gerando energia no processo. É o que o faz brilhar. E é também o que mantém sua estabilidade. Enquanto a gravidade tenta esmagá-lo, a energia gerada em seu núcleo faz o esforço inverso, “inflando-o”.

FIM DE JOGO
Só que uma hora o combustível acaba, e a gravidade passa a agir desimpedida. No caso do Sol, depois que ele “morrer”, em mais uns 5 ou 6 bilhões de anos, o que restar dele será comprimido radicalmente, contido apenas por um limite de compactação que a própria matéria impõe. Nossa estrela terminará seus dias como um cadáver que os astrônomos chamam de anã branca.

VELOZES E FURIOSAS
Contudo, há no Universo estrelas bem maiores que o Sol. Elas terminam suas vidas em enormes explosões: as supernovas. E o que resta da detonação é comprimido de tal forma pela gravidade que supera o limite de compactação da matéria. Aí os elétrons caem nos prótons e temos um imenso átomo gigante só feito de nêutrons — uma estrela de nêutrons.

SEM LIMITE
Só que existem estrelas ainda maiores. E, nesses casos extremos, não há força conhecida que impeça a gravidade de ir às últimas consequências, comprimindo a matéria num espaço infinitamente pequeno. Eis aí um buraco negro. A despeito da pompa, ele é só uma estrela que foi esmagada até caber num espaço menor que a cabeça de um alfinete.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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Comentários

  1. Boa tarde, desculpe minha ignorância, mais quando fala que “Seu interior é tão comprimido que faz com que os átomos grudem uns nos outros — gerando energia no processo” existe varios outros Sol ?
    A gravidade também não tende a comprimir a terra? isso também não gera energia?

    1. Existem outros sóis. Cada estrela no céu é um sol, só que muito distante para que o vejamos com o mesmo tamanho e brilho do nosso sol. E, sim a gravidade tende a comprimir a Terra, e por isso ela é aproximadamente esférica. Mas ela não tem massa suficiente (ou seja, gravidade suficiente) para levar a fusão nuclear e gerar energia em seu interior.

  2. Desculpe, mas… Nunca fui um estudioso sobre essas coisas mas sempre achei interessante. E se os buracos negros fossem algum tipo de ligação entre dimensões diferentes e, a matéria negra seja o resultado de algum produto gerado pela absorção do buraco negro de uma dimensão e a expelição em outra?
    Ex: Matéria sugada na dimensão A, por um buraco negro X, seja “processada” dentro dele, e expelida na forma de matéria escura na dimensão B pelo mesmo buraco negro X?

    1. Bem, a rigor, um buraco negro pode mesmo levar a outro espaço-tempo, separado do nosso. Mas é um caminho sem volta. O que cai pra dimensão B nunca mais volta pra A. rs

      1. Então… Mas e se não voltasse? Ele entrou por A como matéria e saiu na B como energia escura. Como se o buraco negro fizesse uma ligação, embora sem volta, entre as 2 dimensões.

        1. O único jeito era a dimensão B ser dentro do buraco negro, porque a massa que cai no buraco negro continua fazendo efeito gravitacional…

          1. Engraçado… Eu sempre que achei que buracos negros, devido a grande quantidade de massa e energia necessária para sua criação, fosse capaz de “romper” a gravidade do ponto em que ele estivesse e com isso interligar 2 dimensões.

          2. Ele cria um buraco no espaço-tempo, mas não sabemos se esse buraco leva a outro lugar. A rigor, só conhecemos três dimensões espaciais. Qualquer conversa de dimensões adicionais é especulativa no momento.

      1. incrível !Esse planeta sempre surpreende, esperando ansiosamente pelas fotos da Juno como essa manobra demora haha 😀

  3. Imagino um Buraco Negro pairando no centro da minha sala. Seu horizonte de eventos é do tamanho de uma bola de basquete. Eu não posso enxerga lo pelos olhos da minha face, mas posso vê lo com os olhos da mente.
    Ele paira e gira no centro da sala e se move pelo espaço vazio à sua volta.
    Esse buraco, não só move o espaço, como faz o próprio espaço se mover para dentro dele, se esticando de maneira espetacular dentro do que é capaz na sua elasticidade infinita.
    Aquilo que cai dentro dele, cai porque está ocupando um espaço, que foi esticado para o seu interior.
    O que cai no buraco negro não é só matéria, é também espaço. Portanto nem a matéria, e tão pouco o espaço, são cabazes de voltar do seu interior.
    Nesse sentido nos é permitido imaginar que o espaço em expansão está sendo sugado por incontáveis Buracos negros, que por sua vez o sugaráo por completo, se reunindo, todos, no mesmo lugar. No único lugar que poderiam, pois já não há mais lugares. Todos viraram um só.
    E esse um que sobrou foi feito de quê? Não foi feito de matéria é espaço?
    Então ele é matéria é espaço! E deve se comportar como tal, criando corpos celestes que por suas vezes, criam outros buracos negros que dão continuidade infinitamente

    1. Acrescentando uma informação que eu acho genial.
      O Astrofísico Neil Degrasse Tyson incita nossa mente com uma pergunta e uma meia resposta. Ele diz: Você quer saber como é o interior de um buraco negro? Olhe em sua volta. Pois temos motivos para acreditar que estamos vivendo dentro de um.
      Intrigante não?

      1. Intrigante, mas não sei se dá para ir muito longe nessa analogia. É interessante que o Universo tenha um horizonte dos eventos “do avesso”, com a fronteira do Universo observável, e é ainda mais intrigante o fato de o Universo ter começado num estado muito quente e denso, como deve ser uma singularidade. Mas claramente não vemos a matéria ao nosso redor cair em velocidade relativística em direção a um centro muito denso. Adoraria ler o texto do Tyson para ver até onde ele vai com isso. 😉

        1. Oi Salvador. Não sei se há um texto dele nesse sentido – acredito que sim, mas não conheço – essa passagem do Tison está no Netflix. Em um dos vários documentários que ele protagoniza.
          Atualmente estou a pensar que o centro denso não existe mais em nosso universo, apenas seu efeito se faz presente – a expansão do espaço –
          Se levarmos em conta que a singularidade estica o tecido espacial, a própria “matéria” deve se expandir junto com ele. (O tecido)
          Sendo assim, toda matéria que um dia criou o espaço e o tempo, hoje está extremamente diluída em tanto espaço.
          Na verdade o que precisamos é de um novo gênio da física para desvendar esse mistério.
          Mas estou com o Neil. É uma das melhores formas de explicar as evidências científicas que estão sendo trazidas à luz nesses tempos de revelações.
          Abs.

  4. salvador você esta especulando uma tese, quando eu especulo a minha tese, você me modera , menos Censura ai!! ou então não especula também!! Não se esquece que o escritor de livros aqui esta você, o lado formal precisa vir de você , não de mim!!

    1. Eu só barro você quando você não faz sentido e escreve mais linhas do que meus olhos conseguem absorver. Quando eu consigo pelo menos entender e você modera o tamanho do comentário, mesmo sendo uma asneira absurda, eu aprovo.

      1. Salvador você tem razão, más como disse um assunto bastante complexo, ainda mais, que a ciência(comunidade cientifica da física) já deveria ter introduzido o conceito da teoria de Louis Broglie, a Seculos, e como proposto a evoluído. dai você esta me punindo , porque certos conceitos não estão divulgados na mídia, e você não questiona o porque disto?(Corrida tecnológica), dai eu Fazer uma introdução e desenvolvimento, sobre um assinto tão complexo, abrangendo conceitos físicos matemáticos etc..em 5 linhas , fica bastante complicado e dificultado. dai você já me moderou varias vezes, quando eu tentei introduzir estes conceitos, para conseguir estar num patamar hoje de , escrever pouco e explicar muito. porque se já tivesse conseguido , eu teria escrito algo resumido como você imagina. dai vou então , vou usar uma nova estrategia de fatiar em capítulos. quem sabe assim, chegar la na frente, você não me moderar. to me sentindo um jônico da vida, rrsrsrsr

          1. Salvador, ele de repente mudou a maneira de escrever?? Não acha estranho?
            E depois, em um post recente volta a escrever fazendo tipo. rsrs
            Fake

        1. Salvador, Bom, antes de tentar introduzir algum conceito novo da física(dês-paradigmar),no sentido da ONDULATÓRIA-ÓPTICA, eu falo mais o sentido da física ondulatória, e depois da óptica, digamos que a ondulatória produza vários fenômenos diversificados com o impacto e entrelaçamento das ondas. como um sorteio de loteria. o a formação de quasares(explosão) esta um destes fenômenos. já o BURACO NEGRO, o fenômeno se processa ao inverso. por um introdução de analogia ao fenômeno ondulatório, que ao meu ver, esta responsável pela formação quasar, estar a implosão síncrona da matéria.

          Já a explicação de entrelaçamento de fenômenos harmônicos ressonantes vem posteriormente em outros capítulos.

        2. Salvador, depois vou tentar falar um pouco sobre; O Acelerador de partículas do CNPEM, em Campinas.

        3. Salvador, se eu estive escrito esta reportagem, você tinha me moderado, por isso que falo que precisamos , desfazer paradigmas, dai o que falo e escrevo , não esta tanto sem sentido assim como você imagina! depois vamos continuar , os próximos capítulos da serie a seria dedique uma atenção aos BURACOS NEGROS!

          neste link ai, a reportagem confirmao que eu havia escrito >>, http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/estado/2016/08/16/buracos-negros-nao-sao-totalmente-escuros-aponta-estudo.htm

          1. Isso aí, como já disse lá no Facebook, é notícia velha, não entendi por que resolveram dar destaque agora. Já fiz reportagem com experimento do William Unruh que demonstra um análogo da radiação Hawking. Não muda nada o que já sabíamos.

          2. Salvador,Depois quando começar a postar os capítulos da “tese” , você vai ver onde quero chegar, a analogia quando você fala em ondas gravitacionais, elas estão captadas , porque o buraco emite luz, mas esta luz esta bem distante do núcleo, dai , como havia mencionado, um fenômeno resultante por analogia ao inverso , do cinturão de prótons ocorridos nas camadas terrestres, como também “O buraco negro” a nível harmônico esta o> inverso< de uma explosão síncrona harmônica como estão os quasares; O BURACO NEGRO, uma implosão que forma vácuo harmônico síncrono-assíncrono ressonante ao mesmo tempo engolindo núcleos e prótons e liberando elétrons(fótons), causando uma assíncronicidade e sincronicidade mutua do fenômeno, ao qual conoto como (intertravamento harmônico ressonante), dai desta ação e reação por intertravamento harmônico ressonante, por reação , como o inverso do fenômeno do cinturão de prótons, veremos uma onda de luz(ondas gravitacionais, só que neste caso de elétrons, dai se capita esta fonte de luz, mas bem distantes do núcleo(ondas gravitacionais) ,o que estaria impossível devido ao altíssimo nível de gravidade vinda do BURACO NEGRO, depois chego la! fica para as próximas!!

    2. Gilberto, crie um blog (no seu caso, bem malucão, cheio de olhos eclodindo) e torça para que o Salvador comente nele. A partir de então vc poderá, quem sabe, até modera-lo. Enquanto isso, chorumelas não resolverão seu problema…

  5. Salvador muito interessante a postagem. Creio que seja um dos tópicos que mais fascina em toda astronomia.

    Algumas dúvidas que tenho e gostaria de saber se é possível esclarecer:

    1- Uma mesma massa, não importa o quanto está comprimida, gera a mesma força gravitacional em algum corpo distante, ou quanto mais comprimida maior essa força? Por exemplo um planeta orbitando uma estrela de 20 massas solares a 10 au sofre o mesmo efeito gravitacional que se estivesse orbitando um buraco negro com 20 massas solares a 10 au? Como então a estrela original não produz um horizonte de eventos e o buraco negro sim?

    2 – O buraco negro continua se movendo no espaço? Ou ele fica literalmente “pregado” após a formação da singularidade? Se ele se move, é possível imaginar que exista algum efeito duradouro no “tecido” do espaço tempo após sua passagem ou ele se “regenera” da passagem dessa “agulha” de forma instantânea? Existe ainda alguma teoria que encare o espaço como um mar de partículas? Como funcionária essa passagem num mar de partículas?

    3- Acreditando nos teóricos que dizem que a matéria escura é várias vezes mais abundante que a matéria clássica no universo, podemos extrapolar essa ideia e pensar em “buracos negros escuros”? Me pareceria natural a formação de tais corpos celestes.

    4-Quebrando mais um pouco os limites, não seria interessante pensar que toda essa energia escura não foi um dia um grande buraco negro ao contrário? Sabendo o quanto de energia escura existe poderiamos por exemplo calcular qual a força da explosão do big bang para chegarmos ao universo que temos hoje.

    5- A fusão através da qual as estrelas geram a sua energia é uma forma de colapso da matéria. Para outras formas de degeneração após o esgotamento desse combustível inicial também é previsto uma liberação de energia durante o processo? Não sei como se dá o processo mas se isso acontecesse poderíamos ser capazes de ver o exato momento do nascimento desses corpos (estrela de neutros, de quarks, buracos negros) certo?

    6- se fosse possível encontrar ou produzir antimateria o suficiente para que fosse criada uma singularidade, ela seria de alguma forma diferente de um buraco negro feito de matéria ordinária?

    7- Pensando na conservação do momento, as estrelas em colapso passariam a girar cada vez mais rápido conforme são espremidas. Tendo uma rotação inicial já bastante elevada podemos imaginar essa matéria atingindo velocidades relativisticas nesse momento? O suficiente imagino para arremessar coisas para fora do alcance do ainda a se formar horizonte de eventos.

    Ufa… Deixa eu voltar pra minha realidade aqui depois dessa… Abs

    1. 1- A mesma força. Para a gravidade, tanto faz a densidade. O que conta é a massa total e a distância ao centro de gravidade.
      2- Ele se move. Tanto que temos buracos negros binários. As detecções de ondas gravitacionais já feitas são de colisões de buracos negros. E isso sugere o efeito que eles podem ter no espaço-tempo circundante conforme espiralam e aceleram para a colisão. 😉
      3- Bem, buracos negros são “escuros”, por definição. Mas eles não são suficientes para contabilizar pelo total de matéria escura existente. Tem de ter algo mais, que não é buraco negro, mas é “escuro”.
      4- Não consigo entender o que você quer dizer aqui.
      5- Não chamaria a fusão de colapso da matéria, porque apenas uma minúscula parte da matéria total é convertida em energia. Mas você está certo — os colapsos devem ter efeitos observáveis. No colapso de uma supernova, por exemplo, é a fuga de neutrinos que indica o colapso.
      6- Ainda estão fazendo testes em laboratório para confirmar que antimatéria tem gravidade igual a matéria. Mas tudo indica que sim.
      7- Você tem razão sobre velocidade de rotação altíssima. Mas isso é compensado pela redução do tamanho. Então o momento é conservado, como você diz. Não por acaso pulsares giram bem depressa, completando uma volta em menos de 1 segundo. Mas eles têm diâmetro de alguns km, por isso, até onde sei, não chegam a atingir uma fração significativa da velocidade da luz no movimento giratório.

      Abraço!

      1. Muito obrigado pelas respostas Salvador!

        Se tiver tempo de tirar duas dúvidas que ficaram agradeço muito. Primeiro, se a gravidade depende apenas de distância e massa porque uma estrela não forma um horizonte de eventos e um buraco negro sim?

        E segundo, a matéria escura não poderia ser justamente uma forma de “deformação plástica” no tecido do espaço-tempo tendo em vista seu efeito apenas gravitacional sobre o restante da materia, mesmo sobre si mesma?

        Grande abraço

        1. Porque a matéria está suficientemente espalhada de modo que a distância entre o centro e a superfície do objeto é maior do que seria um horizonte de eventos caso a matéria estivesse toda concentrada num único ponto. Note que, para quem está fora do objeto, tanto faz qual a densidade, a força gravitacional será a mesma. Mas para quem está dentro faz diferença, porque conforme vai se reduzindo a distância para o centro (já dentro do objeto), também reduz a massa a exercer força gravitacional (porque parte dela está ficando “para trás”).

          A ideia para a matéria escura é interessante, mas não sabemos como deformações no espaço-tempo podem ser mantidas sem energia ou… matéria! 😛

    2. Parabéns pelas perguntas e pelas respostas. Ganhei um upgrade enorme em meu conhecimento nesta tarde.

  6. Salvador, explique de uma vez por todas aos seus leitores que tudo são conjecturas, que não sabemos nada de nada. Presumimos o que possa acontecer ou tenha acontecido. Que não temos tempo e nem disponibilidade de provarmos nada do que imaginamos. Que nessa corrida, fica valendo o que consegue colocar a teoria dentro do provado na esfera terrestre, das leis que funcionam no nosso mundo.

  7. Salvador,
    Por que existem tantos buracos negros nos centros da galáxias (ou pelo menos essa é a minha percepção)?
    1 – eles se formam e migram para o centro?
    2 – eles são tão poderosos que as galáxias giram em torno dele?
    Sempre tive curiosidade para saber isso!
    Bem mais legal perguntar para você do que dar google! 😉

    1. Ainda não sabemos a relação exata entre os buracos negros centrais e as próprias galáxias. A evolução de ambos, ao que tudo indica, é paralela. Agora, é a galáxia que faz o buraco negro ou o buraco negro é que faz a galáxia? Provavelmente há uma relação simbiótica entre os dois…

  8. Caro Salvador, boa noite!

    Acredito que o horizonte de eventos ocorra quando a velocidade de escape é igual à velocidade da luz, certo?
    Simplificando bastante, isso dependeria “só” da massa do objeto e da distância até o centro de massa do mesmo… mas acredito que os valores mínimos de densidade para que isto ocorra sejam gigantescos, qualquer que seja o raio considerado.
    Mas minha dúvida é: algo com a estrutura física semelhante à de uma estrela de nêutrons poderia atingir esta densidade? Ou, para caracterizar o horizonte de eventos, o colapso gravitacional tem necessariamente que ultrapassar este estágio?

    1. Acho que a velocidade de giro do Buraco Negro também tem a ver.
      Se ele estiver girando à Velocidade da Luz, como sugere algumas observações, basta passar o horizonte de eventos para que a luz emitida ali dentro não seja mais visível aqui do lado de fora.
      Isso sem contar o Tempo, que dentro de um Buraco Negro parece parar – ou quase – ou seja: a Velocidade da Luz em seu interior, vista aqui de fora, é zero, uma vez que o tempo lá dentro também é zero (Ou quase).
      Sendo assim: – sempre a partir do nosso ponto de vista – qualquer luz emitida em seu interior, se é que há alguma, não pode nos alcançar nunca.

    2. estrela de nêutron é um buraco negro fracassado porque emite feixes de energia e perde velocidade de rotação ao longo do tempo. Mas se duas estrelas de neutron colidem elas podem se tornar um buraco negro, este pode ser um tipo de buraco negro temporário.

      a grande questão também é o que um buraco negro precisa para se manter como é. A força que um buraco negro exerce é tremenda e ele deveria desmoronar com o tempo, por perder energia, acabaria evaporando.

      http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/stephen-hawking-publica-nova-teoria-sobre-buracos-negros

      http://seuhistory.com/noticias/stephen-hawking-nega-propria-teoria-e-afirma-que-buracos-negros-nao-existem

      se uma partícula virtual pode ser capturada pelo buraco negro enquanto a outra escapa, isto denota que a força gravitacional é imensa. Quando um corpo vai caindo para o buraco negro, a luz vai se distorcendo e quem olha de fora tem a impressão de que o corpo em queda está sendo esticado. Em um certo ponto a luz (que é a informação da matéria, assim como outras radiações eletromagnéticas) podem ficar presas em um aspecto que pode lembrar uma neblina ou até uma gelatina, mas uma vez cruzado esse espaço do horizonte de eventos até mesmo esse tipo de informação se perde. O corpo que entra no horizonte de eventos vai sendo despedaçado, pois, a medida que entra a diferença de influência da gravidade entre pontos distintos é cada vez menor e tudo se arrasta ao mesmo tempo. Enquanto a matéria está fora do horizonte de eventos ela vai se acelerando podendo colidir com outros objetos, isto já ajuda a despedaçar bastante e a queimar a matéria que emite radiação (raios x) formando o disco de acresção.

      http://www.if.ufrgs.br/~thaisa/bn/05_como_encontrar.htm

      o horizonte de eventos é uma área variável e do tipo flutuante, não uma bolha fixa e de tamanho definido.

      possivelmente os buracos negros se alimentam de muito mais matéria do que imaginamos, incluindo matéria escura. Isto explicaria porque algo que parece tão potente ainda deixa escapar alguma coisa para ser detectado.

      agora abordando a questão de interestelar, o filme, planetas até podem se formar ao redor de buracos negros, estrelas também. Mas precisam estar em pontos específicos onde não caiam alinhado no ponto de visão do buraco negro. Se observar no ponto de vista onde está o buraco negro, os planetas devem estar na perpendicular para que caiam junto com a estrela e possam manter a órbita.

  9. Salvador, que tal compilar as principais perguntas e respostas já dadas aqui no Mensageiro Sideral, com perguntas e respostas inteligentes e as furadas (viagem na maionese) para manter o humor. hehe

    1. Acho que daria vídeos engraçados e interessantes, não?
      Eu penso em fazer também alguma coisa “ao vivo”, no YouTube ou no Facebook, com uma cara de “pergunte ao Mensageiro Sideral”.
      Mas se eu fizer tudo que eu penso em fazer, vou precisar de 72h por dia. rs

  10. Boa tarde, Salvador,
    Desculpe a minha ignorância. É por isso que tudo é puxado para o buraco negro? Tudo vai ser comprimido junto com o resto da estrela por causa da força da gravidade dela? Um abraço.

    1. A própria estrela é puxada para dentro e vira um buraco negro. Agora, se houver algo em órbita da estrela, mas suficientemente distante, esse algo continuará em órbita quando ela virar um buraco negro. Ele não é um ralo cósmico. Ele é um objeto muito, muito, muito denso e compacto.

  11. Faltou a menção honrosa a estrela de quarks, que existe em tese, mas que traduz o máximo de degeneração que a matéria pode sofrer sem antes vir a se tornar um buraco negro. Em tese os próprios nêutrons de uma estrela de nêutrons poderiam se degenerar por ação da gravidade e estes acabam se decaindo em quarks, dando origem a uma estrela de quarks. Mais compacto do que isto, temos um buraco negro, a compressão da matéria ultrapassaria o limite de Plank.

    Salvador, aí começa as coisas que eu não sei. (É aqui que começam as minhas perguntas também hehe)

    01- É corretro retratar um buraco negro contendo dimensões semelhantes a uma esfera, tal como vimos no filme intraestrelar?

    Sempre achei que num buraco negro a dimensão espaço-tempo desapareceria, em razão da compreensão. Acho essa ideia interessante, porque, a matéria dentro de um buraco negro deixaria de existir em três dimensões. Há que diga que o nosso universo é uma projeção holográfica de uma realidade bidimensional, o princípio da holografia inclusive é empregado pelo físico Stephen Hawkings em seus modelos de buraco negro.

    02- Minha última maluquice, se eu pensar que a compactação não é infinita e que ela deve, enfim, parar em algum ponto, depois que último quark se degenera, a matéria é comprimida em um nível subatômico menor ainda.

    Considerando que num buraco negro, o que parece sobrar é apenas gravidade da matéria que o formou, poderiamos considerar que a matéria se degenerou para além do nível de partículas fundamentais como o bóson de higgs? Restariam apenas os hipotéticos grávitons? Assim, o buraco negro uma estrelá de grávitons?

    1. 1- O que vemos no Interestelar é o horizonte dos eventos — a fronteira a partir da qual nada pode escapar da gravidade do buraco negro, nem a luz. Mas não vemos a singularidade em si, ou seja, a massa toda comprimida na cabeça de um alfinete. Até porque a luz não consegue escapar de lá para que pudéssemos ver.

      2- É um problema de gravidade quântica. A relatividade geral sugere que a massa se comprime ao infinito. Mas físicos tendem tratar um resultado infinito como um resultado “ih, deu errado”. Espera-se que uma teoria quântica de gravidade possa dar um resultado diferente de infinito — até porque a física quântica foi criada justamente para se livrar de infinitos. O duro é descobrir a danada. rs

  12. Olá!

    Buracos Negros então emitem calor ? É possível encontrar planetas habitáveis orbitando um deles, tal como no Interstellar ? E como é o fim deles?

    1. A pergunta é mais complicada que isso. Um buraco negro convencional, de massa estelar, não emitiria calor suficiente. Mas o buraco negro de Interestelar é um supermassivo. Aí é uma outra história… (Mas, de todo modo, seria uma péssima ideia morar lá. Sorry, Nolan.)

  13. Boa tarde Salvador.
    Sou seu seguidor e sempre acompanho suas matérias, a respeito do destino das estrelas gostaria de saber qual a diferença entre uma estrela de nêutrons e um magnetar…………

    1. Há variações de estrelas de nêutrons. Um magnetar é uma estrela de nêutrons com um campo magnético particularmente poderoso.

  14. Salvador, pergunta de leigo.
    Se o que gera gravidade é a massa, na hora que a estrela explode essa massa não se perder? Ai de onde vem tanta gravidade pra comprimir a estrela?

  15. Olá!

    Há algum tempo atrás, li em algum lugar que se a Terra distasse de um buraco negro o mesmo espaço da sua distância do Sol, não haveria nenhum risco dela ser “engolida” por ele. Então aquele imaginário de um buraco negro sugando tudo a sua volta (até mesmo a luz!) é balela?

    Fugindo do assunto, também li em outro lugar que Jupiter é tão, mas tão fodão, que ele não gira ao redor do Sol, tal como todos os outros planetas, mas sim, em torno do mesmo centro a que o Sol está ligado? É isso mesmo ?

    1. É, é balela. Você pode orbitar um buraco negro numa boa.
      Então, Júpiter gira ao redor do Sol. Mas o Sol é deslocado por Júpiter também, fazendo um bamboleio. Gravidade age pros dois lados, proporcional à massa de ambos e inversamente proporcional ao quadrado da distância. O efeito de Júpiter sobre o Sol é pequeno se comparado ao de Jupíteres Quentes, planetas como Júpiter que orbitam bem mais perto de suas estrelas.

      1. Nosso Sol orbita um buraco negro, que está a apenas 26 mil anos luz daqui. Uma distância ínfima, em termos astronômicos. 🙂

  16. Salvador, parabéns pela rápida (e fácil) explicação.
    Em Uma Breve História do Tempo, Stephen nos diz que o buraco negro distorce tanto a “manta” do universo que pode ser possível criar um buraco de minhoca para outra dimensão ou universo se considerarmos a teoria do multi-verso. Claro que ninguém comprovaria sem virar um espaguete antes. Ele também cita que há grandes espaços no universo “vazios” onde não há formação de estrelas, nem gás nem galaxias, ou seja um grande espaço negro. Você acredita que há alguma possibilidade de nestes espaços serem deformidades da luz causadas por buracos negros supermassivos? Obrigado um abraço

  17. Olá Salvador, gosto muito do Mensageiro Sideral, excelente para divulgar a ciência em nosso país.
    Existe uma relação para comparação referente a massa do Sol e a massa de uma estrela que se transformará num buraco negro?

    1. Uma estrela precisa ter umas 30 vezes a massa do Sol para, depois de explodir como supernova, ainda ter massa suficiente para virar um buraco negro.

      1. Provavelmente porque a informação é de difícil assimilação, no geral. Trinta massas do Sol comprimidas em um ponto menor do que a cabeça de um alfinete, eventos previstos para ocorrerem daqui a 5 “mil milhões” de anos (como diriam os portugueses), etc.. A Astrofísica lida com escalas e grandezas nada mundanas… Um abraço.

    1. É mesmo muito difícil de imaginar os dados astronômicos, muito grandes diante da nossa realidade imediata. Nesse caso, não devemos esquecer que uma bola de gude de plástico é bem mais leve que uma de vidro menor que ela, e uma de metal é mais pesada ainda… então, se imaginarmos uma bolinha do tamanho de um ponto gráfico com o peso do Sol, algo imaginável, estaremos perto do “peso” de um buraco negro, “apenas” umas 20 vezes maior. 🙂

  18. Salve Salva…
    Me explique por favor essa teoria que o Buraco Negro na verdade não passa de um Holograma…me explique o querem dizer com holograma nesse caso…pois holograma pra mim é na verdade apenas uma imagem de computador, uma imagem que está ali e não existe realmente…Me explique direitinho essa teoria.
    Obrigado.

    1. Oswaldo, holograma é uma imagem que codifica três dimensões em duas, certo? Quando você olha aquela figurinha holográfica no cartão de crédito, ela é plana, mas você enxerga como se ela fosse tridimensional, não? A ideia do buraco negro é a mesma coisa. É como se a informação do interior do buraco negro estivesse toda codificada só na superfície dele. Mas é só nesse sentido que ele é um holograma.

      1. A ok…Agora acho que entendi, pois até então eu estava achando que estavam afirmando que talvez os buracos negros não existissem…alias não só eu, pois vi em vários sites falando exatamente isso..rs

        Valeu Salva.

  19. Olá Salvador e demais,

    Esse, sem duvidas, é o assunto que mais me intriga.
    É esse o destino da canis majoris? Essa é a maior estrela conhecida certo?

    1. Ela é a maior, mas não a mais massiva. Ela pode virar estrela de nêutrons ou buraco negro. Faça suas apostas. rs

      1. Eu andei vendo que a canis majoris tem cerca de 30 vezes a massa do sol. É isso mesmo? E por ela ser tão grande, a vida dela deverá ser breve também?

        1. Sim, e já está no fim, pois já está na fase gigante, que antecede a supernova. 😉

          1. Uau, vai ser um show! Tomara que aconteça nos próximos 20 anos, para dar tempo de deu assistir!

  20. Buracos Negros:
    Uma estrela que ocupa espaço menor que a cabeça de alfinete, outros milhões de vezes o tamanho do nosso Sol???
    Acredito que valha uma explicação?

    1. Raf, a massa ocupa um espaço menor que a cabeça de um alfinete, sempre. Você se refere ao horizonte dos eventos… 😉
      Quero fazer uma série “buracos negros”. Uma seria das variedades (estelar, intermediário, supermassivo) e outra seria da física (explicando horizonte dos eventos etc.). Vamos ver se rola. rs

    1. Ele é chamado de pressão de degeneração do elétron e é baseado no princípio da exclusão de Pauli, em que dois elétrons não podem ter o mesmo estado quântico num átomo. Isso gera uma pressão que impede o colapso e pode ser calculada. Mas, se a massa for grande demais, a gravidade supera essa pressão e o colapso rola do mesmo jeito.

  21. Salvador,
    Parabéns pela explicação simples e direta.
    Acredito que ajudará muitos a entenderem a origem de um buraco negro, e também as outras variações do fim de uma estrela. Valeria também dizer o porque o buraco negro é negro, para aqueles que estão aqui pela primeira vez.
    Existe alguma maneira viável ou que esteja sendo pensada para o estudo completo e sistemático de um buraco negro?
    Abs

    1. Então, quero fazer uma série buracos negros, porque na coluna estou limitado a 1.800 toques de cada vez. A gente chega lá. rs
      As ondas gravitacionais são uma forma nova de estudar os buracos negros.

      1. Ahhhh. Uma série sobre buracos negros seria brilhante. Tem todo o meu apoio 🙂 e tem a limitação de caracteres, é verdade.
        As ondas gravitacionais tem esse potencial, mas é um item para alguns anos não? dada ainda a incapacidade de medir em grande escala. Mas deve ser realmente o mais próximo que temos neste instante.

  22. Poxa.. sempre imaginei o buraco negro como uma grande massa de grandes dimensões… a cabeça de um alfinete é algo forte, é para se pensar rsrs. Daria dois doces pra saber o que é que acontece lá dentro… Claro não só eu.. e o raio de influencia deles? eles tem um tamanho único, um ponto, ou são como as estrelas de variados tamanhos?

    1. O raio de influência é o da gravidade (que diminui proporcionalmente ao quadrado da distância). Quanto mais massivo o buraco negro, mais longe sua atração gravitacional pode ser detectada.

      De fato, toda a matéria no espaço sofre a influência gravitacional do resto do universo inteiro. As distâncias é que interferem nessa atração, pela relação matemática acima. E, pondo fogo no circo, temos a interferência da matéria e da energia escuras, a atrapalhar essa atração gravitacional.

  23. Muito bem seu blog, Salvador! Você poderia indicar algum bom livro de introdução à astronomia? Me interesso bastante pelo assunto. Obrigado!

  24. De fácil entendimento. Até minha mulher gostou. Parabéns Salvador.
    Tenho curiosidade em saber o que deve estar acontecendo com o espaço em volta desse ponto tão pequeno e ao mesmo tempo tão denso.
    Será que alí o espaço se dilatou como acontece aqui fora perto de corpos com massa?
    Se ali dentro a mecânica é a mesma, então qual será o tamanho do espaço dentro de um buraco negro super massivo?
    Caso – como eu acredito – o espaço dentro de um buraco negro tenha se expandindo incrivelmente, o que terá acontecido com a matéria que o formou?
    Terá se expandido junto com o espaço?
    Se sim! Ela deve ter se diluído e deixado, talvez, imperceptíveis traços de sua existência! O que talvez poderíamos dar um nome… Quem sabe!
    Boson de Higgs seria uma boa sugestão?

  25. a definição ainda carece de adesão completa da população (imaginária) da terra. segundo a personagem prostituta negra do filme do woody allen, ‘é com isso que eu ganho a vida’.

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