Mensageiro Sideral

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Você acredita na Terra plana? Duvida da ciência? Veja a resposta de Neil deGrasse Tyson

Por Salvador Nogueira

Diante de um movimento cada vez mais intenso de rejeição à ciência e permeado por “teorias da conspiração”, empurrado sobretudo pelas redes sociais, o astrofísico americano Neil deGrasse Tyson diz não se incomodar com as pessoas que dizem professar crenças bizarras como a de que a Terra é plana — contanto que esses indivíduos não estejam em posição de impor sua visão míope e retrógrada aos demais.

O cientista e diretor do Planetário Hayden, em Nova York, se tornou famoso no mundo todo após protagonizar a nova versão da série “Cosmos”, originada por Carl Sagan, e agora está lançando um novo livro no Brasil. “Morte no Buraco Negro” (Editora Planeta, 432 págs., R$ 49,90) é uma coleção de ensaios que abordam os mais variados temas, entre eles a percepção pública da ciência. Por conta disso, Neil gentilmente concedeu cerca de 50 minutos de seu tempo para conversar com o Mensageiro Sideral.

“Eu não ligo realmente para o que as pessoas acreditam ou pensam — isso é mais ou menos o que significa viver num país livre”, disse Tyson. O perigo, afirma ele, é quando temos uma população cientificamente iletrada, que pode ser manipulada com facilidade.

“Se a alfabetização científica permeia a sociedade, não há chance de alguém votar em alguém que pense que a Terra é plana. Eles serão vistos como, ‘bem, esse é o mundo pessoal deles, mas eles são incapazes de liderar o resto de nós, que temos âncoras em conhecimento objetivo e verdadeiro sobre o mundo’.”

Estamos longe de chegar a esse nível ideal de disseminação do conhecimento, é verdade, mas o astrofísico americano rechaça que seja papel exclusivo dos cientistas tentar reverter esse quadro. “É o trabalho de todos nós ganhar algum nível mínimo de alfabetização científica, de forma que todo mundo possa participar e todo mundo possa julgar o que é científico lá fora e o que não é. E então levar a vida pessoal que quiser, mas sabendo que não deve impô-la a outros.”

O astrofísico Neil deGrasse Tyson (Crédito: National Geographic Channels/Scott Gries)
O astrofísico Neil deGrasse Tyson (Crédito: National Geographic Channels/Scott Gries)

Ao longo da conversa, Tyson fala sobre temas como a experiência de conceber e filmar a nova versão de “Cosmos”, as perspectivas de uma nova temporada do programa, sua relação de amor e ódio com Hollywood e, pasme!, “Star Trek” versus “Star Wars”.

Retornando à seara científica, ele especula sobre quais serão as próximas grandes revelações que a astronomia deve propiciar num espaço de duas décadas e oferece sua visão sobre o que espera do futuro da humanidade.

E termina debatendo uma ideia controversa: pode a ciência testar a hipótese de Deus? Confira abaixo a íntegra do bate-papo (e no vídeo acima um clipe com os melhores momentos, legendado).

***

portada_morte-no-buraco-negro_neil-degrasse-tyson_201607062240Mensageiro Sideral – O sr. está lançando um novo livro no Brasil, chamado “Morte no Buraco Negro”, que foi publicado originalmente em 2007 nos EUA. E uma das coisas que impressionam no livro é a vasta gama de assuntos abordados, que vão desde como a astronomia produz conhecimento até o modo como o público percebe a ciência – muitas vezes de maneira equivocada. E esse é um tema especialmente quente atualmente, com um movimento crescente anticiência. Vinte anos atrás, era impossível, por exemplo, imaginar que um movimento em favor da ideia de que a Terra é plana pudesse ganhar algum tipo de atenção. E agora… O que está acontecendo?

Neil deGrasse Tyson – Isso apenas significa que eu sou um fracasso. (Risos) Significa que somos todos uns fracassados. (Risos) Não, talvez signifique que tudo seria muito, muito pior se não fosse pelas pessoas sempre travando a luta. Então, num país livre, eu não ligo realmente para o que as pessoas acreditam ou pensam – isso é mais ou menos o que significa viver num país livre. O que importa – e aí que distinções importantes precisam ser feitas – é que há vários tipos de verdades lá fora. Uma delas, vamos chamá-las de verdades objetivas. Verdades objetivas são coisas que podem ser estabelecidas a despeito de quem faça o experimento. Então, são a natureza da realidade. Então há coisas que uma pessoa pode chamar de verdades pessoais. E isso é, se você acredita que Jesus é seu salvador, ou que Maomé poderia mover uma montanha. Suas verdades pessoais são coisas que você preza muito, talvez, e você sabe que são verdade em sua alma, mas, para fazer com que alguém concorde com você, você tem ou de fazer lavagem cerebral nelas ou convertê-las à força. E verdades pessoais nem sempre estão de acordo umas com as outras, conforme você viaja pelo mundo. Então, de novo, eu não tenho problemas com a crença pessoal de cada um. Mas, se você ascender ao poder, e você quiser criar leis, e legislação, e se você agora as basear em suas verdades pessoais, em uma sociedade pluralista, como o Brasil, multicultural, pluralista, este é o começo do fim da sociedade livre. É o começo de uma teocracia, ou de qualquer governo que é estabelecido dogmaticamente. Então, não teria de ser uma teocracia. Há certos exemplos de estados com ditaduras totalitárias, até alguns dos primeiros estados comunistas, em que o governo estabelece a verdade, e você tinha de aceitá-las. Portanto, liberdade de expressão não era permitida. E isso impedia debate, impedia que novas ideias chegassem. Então, se você quer pensar que tem uma Terra plana, tudo bem, mas se então você se torna um líder e começa a promulgar leis, esse é um tipo diferente de país.

Mensageiro Sideral – O sr. acha então que essa é a coisa mais problemática com o fato de as pessoas não entenderem a ciência, o fato de elas então tentarem impor esses tipos de visão pessoal sobre as demais.

Tyson – E esse é o fim de uma sociedade livre. Isso está certo. Porque E=mc2 é verdade, quer você acredite ou não, certo? Eu sou citado por dizer isso, que “a ciência é verdadeira, quer você acredite ou não”. E o que eu quis dizer é, claro, uma vez que a ciência estabelece uma verdade objetiva, ela não está sujeita à opinião de ninguém. E o livro “Morte no Buraco Negro”, a despeito do título, é basicamente sobre como a ciência funciona, como e por que a ciência funciona. E eu fiquei feliz de você ter notado a gama de assuntos lá, porque é uma celebração da curiosidade e da descoberta.

Mensageiro Sideral – Meio em tom de brincadeira, o sr. brincou que era um fracasso, que cientistas estavam fracassando em divulgar a ciência para o público. E eu queria falar sobre isso. O sr. sente que isso, em parte, é culpa dos cientistas, que talvez eles não estejam se esforçando o suficiente ou talvez não haja um número suficiente deles fazendo divulgação?

Tyson – Não, acho que é mais profundo que isso. Acho que, se você olhar para qual papel a alfabetização científica tem na sociedade, quando as pessoas são cientificamente alfabetizadas, primeiro, elas podem fazer uma decisão informada sobre se elas querem ser cientistas ou não, porque sabem o que é a ciência. Mas, se você escolhe não ser cientista, e ainda assim é alfabetizado cientificamente, você pode se tornar um artista cientificamente alfabetizado, por exemplo, e talvez você se torne o artista que produz a próxima onda de filmes de ficção científica. Artista com A maiúsculo. Então você pode ser um escultor, um pintor, escritor, produtor de cinema, esse tipo de coisa. Talvez sua arte possa ser tocada pela fronteira móvel da ciência. Se você quiser ser advogado, talvez você seja o primeiro a decidir, ou pensar nas leis de mineração que terão de ser escritas, sobre a extração de recursos naturais de asteroides – essa é uma fronteira que poderia se beneficiar de pensamento legal. Então, se a alfabetização científica permeia a sociedade, não há chance de alguém votar em alguém que pense que a Terra é plana. Eles serão vistos como, “bem, esse é o mundo pessoal deles, mas eles são incapazes de liderar o resto de nós, que temos âncoras em conhecimento objetivo e verdadeiro sobre o mundo”. Então, eu não vejo que seja o trabalho dos cientistas livrar o mundo de sentimentos anticientíficos. É o trabalho de todos nós ganhar algum nível mínimo de alfabetização científica, de forma que todo mundo possa participar e todo mundo possa julgar o que é científico lá fora e o que não é. E então levar a vida pessoal que quiser, mas sabendo que não deve impô-la a outros.

Mensageiro Sideral – Uma das coisas mais divertidas do livro é quando o sr. lista todas as maneiras pelas quais o Universo pode – e no fim das contas vai acabar por – nos matar.

Tyson – (Risos) É. O universo é um lugar perigoso.

Mensageiro Sideral – Bem, mas, agora, neste momento, qual é o maior risco existencial à humanidade: um asteroide, uma supernova ou Donald Trump?

Tyson – (Risos) Não. Então, um elemento interessante do sistema americano, como descrito na Constituição – e pode ter saído assim só por resistência a reis, porque havia um rei da Inglaterra que também era o chefe da Igreja [Anglicana], e os fundadores [dos EUA] escaparam disso. Eles não iam criar outro país que tivesse reis e teocracias, então criaram uma sociedade onde o poder – sim, o presidente tem mais poder que qualquer outra instância, mas ele não tem poder definitivo, ele tem mais poder, mas não o poder definitivo. Então, se um presidente começa a fazer coisas que ninguém gosta, as pessoas que você elegeu para o Congresso podem resistir a isso, e as Cortes podem julgar que talvez o que você tenha dito é inconstitucional. Se um presidente sai dos trilhos, tem um limite de quão longe ele pode sair, como líder do país. Então, para mim, a problema não é o que as políticas de cada candidato são, o problema é o eleitorado. O eleitorado é suficientemente informado para votar em favor de seus próprios interesses, de entender causas e efeitos das decisões que a pessoa que eles elegeram terão? Como educador, minha meta é educar o público, em vez de perseguir políticos pelo que quer que tenham dito.

Mensageiro Sideral – A pergunta foi quase uma piada, mas a ideia era se referir a algo que o sr. não aborda no livro, que é a noção de que talvez o maior risco aos humanos agora sejam os próprios humanos, com tecnologias tão poderosas e devastadoras como as que já temos.

Tyson – Uma parte implícita daquele capítulo era de que, sim, nós somos realmente bons, particularmente com tecnologia moderna, a civilização moderna está particularmente bem equipada para nos extinguir. Então, toda a lista de perigos que vêm do espaço que explorei, eles presumem que seremos sábios o suficiente para não nos matarmos. (Risos) Que usaremos nosso poder cerebral para nos proteger de ameaças cósmicas em vez de ameaças que traremos para nós mesmos.

Mensageiro Sideral – E o sr. é otimista? Acha que podemos superar isso?

Tyson – Nossos próprios desafios?

Mensageiro Sideral – Sim.

Tyson – Bem, eu estou na fronteira entre um pessimista e um realista. Eu gosto dos dados recentes que mostram que somos mais gentis uns com os outros, a despeito do que a mídia reporta, somos mais gentis uns com os outros na média do que jamais fomos como civilização. Um exemplo: considere as 80 e poucas mortes que aconteceram no sul da França quando um ônibus passou por cima de uma multidão – um ato terrorista. Aquilo fez manchetes ao redor do mundo por vários dias. Mas 70 anos atrás, 70 e poucos anos atrás, estávamos lutando a Segunda Guerra Mundial. Se você olhar os números disso, o que você verá é que, de 1939 a 1945, mil humanos morriam por hora, de todas as horas daquela guerra. E isso por si só não fazia manchetes. Havia só aquela coisa maior: “Estamos lutando uma guerra, e é a luta nobre do bem contra o mal.” Nosso modo de pensar era todo diferente. “Precisamos fazer isso por um mundo melhor.” Mil pessoas por hora. Então, agora vivemos num mundo em que 80 pessoas morrem em um incidente, e é manchete no mundo inteiro. Essa é a melhor evidência que você jamais encontrará de que vivemos num mundo mais pacífico. Podemos ter a impressão de que vivemos num mundo particularmente violento, mas comparado ao mundo em que nossos avós viviam, esse não é o caso. Então, tenho algum otimismo nisso, de que essa tendência continue. Talvez manchetes do futuro sejam “Um gato ficou preso numa árvore”. E isso vira notícia mundial, porque não costuma acontecer. Então, a natureza e a escala das mortes que reportamos fica mais e mais obscura, e essa é a evidência contínua de que nós estamos, de modo geral, na média, mais gentis uns com os outros do que jamais fomos.

Mensageiro Sideral – Mas, por outro lado, nossa tecnologia está se tornando tão poderosa que até mesmo por acidente poderíamos acabar com uma catástrofe global.

Tyson – Sim, isso é verdade. E eu não sei se estamos num risco maior hoje de um erro levar a uma catástrofe do que estávamos durante a Guerra Fria, quando havia armas especificamente concebidas para esse propósito, enquanto agora há menos armas do que antes, e ninguém está pensando, “nós vamos aniquilar o mundo”. Isso não é nem um pensamento. Então, acho que ainda pode acontecer por acidente, mas meu medo do que poderia acontecer por acidente era muito mais alto durante a Guerra Fria do que qualquer coisa que acontece hoje. Então, acho que nisso eu sou um otimista, mas não um otimista desvairado. Acho que estamos indo melhor, a despeito de relatos da mídia, nós temos experiências de países que decidiram criar leis baseadas em dogma. Temos apenas de lembrar as pessoas que querem criar leis baseadas em o que quer que seja seu livro sagrado, e fazer com que isso afete todo mundo… Bem, você pode criar um país, suponho, que seja apenas a sua religião, apenas a sua visão de mundo dogmática, e convidar apenas as pessoas que tenham essa visão para ir ao seu país. Claro que você pode fazer isso, mas você não estará em posição de inventar novas ideias e inovar, porque inovação flui da liberdade de pensamento, não da contenção do pensamento que acontece quando você precisa aderir a doutrinas prescritas.

Mensageiro Sideral – Em certo ponto do livro, o sr. menciona que os astrofísicos estão sempre atônitos com alguma coisa, e toda vez que eles declaram isso, a mídia de algum modo acha que isso é incomum, sendo que é o estado usual dos cientistas diante de fenômenos físicos. E um desses casos mais recentes que ganhou a atenção da imprensa foi a da chamada Estrela de Tabby, um astro descoberto pelo satélite Kepler que está piscando de uma forma incomum, e alguns defendem que isso seja fruto de uma megaconstrução alienígena, algo como uma esfera de Dyson, sendo feita lá. É algo como uma repetição da “síndrome de Lowell” [em referência a Percival Lowell, que no começo do século 20 acreditava ter visto obras de engenharia marcianas ao telescópio]?

Tyson – Não, Lowell realmente acreditava ter visto. Essa ideias são hipóteses, hipóteses não testadas, para explicar os dados. Então, acho que o que o público precisa reconhecer é que a maior parte de tudo em que pesquisadores trabalham é desconhecida. Há coisas desconhecidas por todo lado. E apenas alguns desconhecidos fazem manchetes, e quando acontece, as pessoas dizem, “nem mesmo os cientistas sabem o que é!”. E então o que acontece é que há esse impulso, para as pessoas, de bolar uma explicação extraordinária para isso. Não sabemos o que é, logo são alienígenas construindo! É Deus! É uma energia espiritual! Bem, vamos olhar para a história das coisas que não entendíamos no passado. A explicação acabou sendo Deus, ou alienígenas ou energia espiritual, ou o que quer que seja? Não! Então, a história desse exercício é uma em que a explicação mais extraordinária para responder pelo que não sabemos tende a ser a menos provável. É divertido especular. Talvez sejam alienígenas. Mas se eu fosse um apostador, não seria aí que eu colocaria meu dinheiro. Eu colocaria meu dinheiro em algum fenômeno cósmico que ainda temos que descobrir, que logo será revelado como uma nova coisa que acontece no Universo.

Mensageiro Sideral – E isso é empolgante por si mesmo, certo?

Tyson – SIM! Sim! Estamos o tempo todo atônitos, como você disse.

Mensageiro Sideral – Eu vi sua ponta no filme “Batman vs. Superman”. A propósito, achei aquela a melhor parte do filme.

Tyson – (Risos) Outras pessoas já me disseram isso.

Mensageiro Sideral – Mas confesso que achei estranho, porque parece que o sr. tem essa relação de amor e ódio com Hollywood. O sr. vive apontando os erros científicos em filmes, e aí, surpreendentemente, lá está você, falando de um homem que pode voar, a despeito de tudo que sabemos sobre física. Como isso foi acontecer?

Tyson – Eu acho que eu sou incompreendido a respeito de minhas críticas a Hollywood. As pessoas me veem… acho que eu pareço rude, severo e um estraga-prazeres. “Você não o leva junto porque ele estraga a experiência para todo mundo.” Aparentemente, é assim que eu sou percebido por muitas pessoas. Mas não é essa a minha intenção. Minha intenção é destacar coisas que acontecem num filme que talvez pudessem ter sido melhores, se eles soubessem a ciência de verdade. E, deste modo, a experiência do espectador com o filme pode ser aprofundada. Você poderia dizer: “Uau, essa poderia ter sido uma cena melhor, mas vamos segui-la e ver onde eles a levam.” Mas estou sendo visto como alguém que estraga todos os filmes. E então, como essa não é a minha intenção, e eu não sei como passar a intenção correta, eu posso simplesmente parar de criticar filmes, porque as pessoas não estão recebendo isso do jeito que eu queria. Mas eu dei uma palestra inteira, chamada “Um astrofísico vai ao cinema”, e há filmes que eu destaco, filmes que eu critico, filmes que eu destaco porque são divertidos, eles destacaram algo legal de ciência, mas então eles entenderam tudo errado. Então eu os aplaudo por chegarem lá e os achincalho por não terem feito um par de ligações telefônicas para fazer direito. Então, eu vejo como uma espécie de playground de como contar uma história. E fico feliz em relatar que o autor do livro “Perdido em Marte”, que se tornou o filme com Matt Damon, “Perdido em Marte”, ele disse que, quando estava escrevendo o livro, imaginava que eu estava olhando sobre o ombro dele. “O que Neil Tyson diria sobre esta cena? Não, melhor eu consertar e deixar ainda melhor.” Então, eu respeito profundamente o que os artistas fazem, sempre que eles buscam a ciência para tentar contar uma história.

Mensageiro Sideral – E dá para acreditar. Tem um vídeo de você elogiando a nave estelar Enterprise! Então percebe-se que sua pegação de pé é bem intencionada…

Tyson – E este é o meu ponto. O fato de você ficar surpreso de me ouvir dizer coisas boas sobre a Enterprise faz de você uma das pessoas que presume que eu fosse anti-Hollywood. Então você era uma das pessoas com quem eu não consegui comunicar corretamente minha intenção.

Mensageiro Sideral – E seu livro “Morte no Buraco Negro” dá pistas de por que você é entusiasmado com “Star Trek”, porque ela retrata humanos, nós, no futuro, usando ciência e tecnologia para resolver problemas e desvendar o desconhecido. Não é como um garoto que usa uma força mística e uma espada laser e sai pelo Universo, certo?

Tyson – Certo, certo.

Mensageiro Sideral – Então o sr. gosta de “Star Trek”?

Tyson – “Star Trek”, sim. Porque tem uma premissa com algumas âncoras em ciência e tecnologia reais, enquanto em “Star Wars” não há essa premissa. Eles simplesmente inventam tudo e aquele é o mundo.

Mensageiro Sideral – Não funciona para o sr. como um trabalho de ficção?

Tyson – É um trabalho de fantasia para mim. Eu não chamaria “Star Wars” de ficção científica. Talvez fantasia. Não usaria a palavra “ciência” aplicada a ela. Não há nenhuma. (Risos)

Mensageiro Sideral – Voltando à ciência, eu queria falar um pouco sobre a “questão Plutão”.

Tyson – Você é que começou!

Mensageiro Sideral – Sei do seu papel nisso, da sua decisão de tirar Plutão da lista de planetas no Planetário Hayden [em Nova York], antes de todo mundo. E na época havia a sensação de que “tinha algo estranho com Plutão”. Ele não parecia planeta, mas também não parecia cometa, talvez algo entre os dois. Desde então, a IAU criou uma definição estrita de planeta, e Plutão ficou de fora. Minha pergunta é: o sr. está satisfeito com a definição ou acha que acabaremos revisitando-a mais tarde para aprimorá-la?

Tyson – Eu acho que a decisão deles foi sensata, diante do que sabemos sobre objetos no Sistema Solar. Porque era uma lista de três pontos, é grande o suficiente para ser uma esfera, o objeto primário a orbitar o Sol – de forma que a lua [Caronte], embora fosse grande o suficiente para ser uma esfera, não seria um planeta, porque ela estaria girando em torno de Plutão, e Plutão estaria girando ao redor do Sol. E o terceiro critério era de que ele tinha de limpar sua órbita. Então, eu não tenho problemas com isso. Entretanto, eu penso que o que devia ter acontecido é que nós nos livramos da palavra “planeta” de uma vez por todas. Porque não é mais útil. Se eu disser que achei um planeta orbitando outra estrela, você tem de brincar de “Quem eu sou?”. É grande? É pequeno? É rochoso? É gasoso? Está na zona habitável? Pode ter vida? Quão quente é? É frio? Não tem luas? Fico a pensar que estamos com uma necessidade desesperada de um outro vocabulário para descrever a variedade real de objetos que orbitam uma estrela. O fato de que, na nossa nomenclatura atual, a palavra “planeta” pode descrever tanto a Terra como Júpiter me diz que o termo não é mais útil.

Mensageiro Sideral – Então a ideia seria abandonar a palavra planeta e ter alguma outra coisa totalmente diferente?

Tyson – Não seria ótimo se em uma única palavra nós soubéssemos se o planeta está na “zona verde”, na zona habitável de sua estrela? Não seria um ótimo identificador para um planeta no seu vocabulário? Pense nas palavras que temos só para descrever água. Temos uma palavra para descrever água vaporizada que flutua sobre a sua cabeça – é uma nuvem. Mas agora suponha que a água vaporizada esteja agora, não sobre a sua cabeça, mas no chão. Há uma palavra diferença: neblina. Agora, o que acontece se a umidade do ar condensa durante a noite e forma uma gota d’água em plantas? Temos uma palavra diferente para isso: orvalho! Mas é tudo água. Então, eu acho que o léxico para planetas é subdimensionado, dada a necessidade de que temos para que sirva à nossa exploração.

Mensageiro Sideral – Por falar em exploração, o século 21 está recheado de promessas de grandes descobertas, indo desde exoplanetas até ondas gravitacionais. Quais são suas grandes expectativas para os próximos anos? O que o empolga mais?

Tyson – Eu diria, não nos próximos anos, mas na próxima década ou duas, acho que saberemos com certeza se Marte já teve vida. Certamente não há vida na superfície agora, porque há raios ultravioleta muito danosos vindos do Sol, e não há proteção de uma camada de ozônio como temos aqui, não há oxigênio livre na atmosfera marciana que serviria a esse papel. Então, se houver vida lá hoje, estará no subsolo. Acho que nos próximos 20 anos nós saberemos se já houve vida em Marte e se houve – e mesmo se há ainda hoje – vida na lua Europa, de Júpiter. Então esse será um teste de vida proliferando em nosso Sistema Solar, no nosso quintal, fora da superfície da Terra. Eu também gostaria de resolver de uma vez por todas os mistérios da matéria escura e da energia escura. A matéria escura é o problema mais velho não solucionado da astrofísica, e a energia escura está por aí desde 1998 como um fenômeno medido que precisa de uma explicação. Então, eu gostaria de saber que nos próximos 20 anos teremos resolvido esses três pontos.

Mensageiro Sideral – O sr. acha que temos chance real de matar o mistério da energia escura em 20 anos? Porque no momento parece tão misterioso…

Tyson – Sim, e essa é a parte divertida, é o motivo pelo qual está atraindo tantos pesquisadores. Eles querem se afundar na ignorância que prevalece toda vez que você pensa e explora matéria escura e energia escura.

Mensageiro Sideral – O sr. virou um nome bem conhecido aqui no Brasil depois da exibição da série “Cosmos”.

Tyson – Oh, excelente. Ela foi exibida dublada ou legendada?

Mensageiro Sideral – Tivemos as duas opções. E depois a série entrou na Netflix, com dublagem e legendas, então cada um podia escolher. E admito que o primeiro episódio me deixou de olhos marejados, quando o sr. fala de Carl Sagan e de como foi seu primeiro contato com ele, e eu fiquei a imaginar como foi ter de, por assim dizer, calçar os sapatos dele na nova versão da série. O sr. se sentiu pressionado?

Tyson – Não, porque eu nunca cometi o erro de tentar calçar os sapatos dele. Porque eles eram os sapatos dele. Tudo que eu podia fazer era calçar os meus próprios sapatos. Se eu tentasse calçar os sapatos deles e falhasse, eu teria falhado tentando fazer o que ele fez. Enquanto, se eu calçasse os meus sapatos e falhasse, então eu só teria me atrapalhado. Porque eu poderia ser o que eu sou em meus próprios sapatos. Foi assim que eu encarei a coisa. Eu já tinha uma experiência de vida significativa falando com o público, escrevendo, sendo entrevistado, então, eu achei que tinha uma boa fundação de onde eu pudesse ascender ao manto que ele construiu para a série. Então, se eu fosse falhar, queria falhar em meus próprios sapatos, não tentando usar os de outra pessoa.

Mensageiro Sideral – E isso é perceptível. A linguagem do novo “Cosmos” é bem diferente em abordagem e estilo, e igualmente excelente.

Tyson – Obrigado. Mas eu queria dizer que eu teria concedido essa entrevista mesmo que você não tivesse gostado, só para você saber. (Risos)

Mensageiro Sideral – Mas eu realmente gostei. Eu sou meio que um “space geek”, então não havia nada lá que eu pudesse não gostar…

Tyson – Certo.

Mensageiro Sideral – E eu fico imaginando como se deu o processo de desenvolvimento da nova série. Nos créditos ao menos, os roteiros são atribuídos a Ann Druyan e Steven Soter. Ainda assim, eles têm a sua “voz”, por assim dizer, em toda parte, coisas que se relacionam a você pessoalmente. Como foi o processo criativo para desenvolver a série?

Tyson – No comecinho havia três de nós. Havia Ann Druyan e Steve Soter – dois dos três roteiristas do “Cosmos” original, a propósito, o terceiro era o Carl Sagan –, e nós três estávamos lá, pensando sobre roteiros, e eu comecei a perceber que Ann Druyan e Steve Soter são uma dupla de escrita, eles já escreveram juntos antes. De fato, aqui no Planetário Hayden, em Nova York, eles escreveram as duas novas apresentações espaciais de nossa nova instalação. Então eu comecei a perceber que eu era como a terceira roda de uma bicicleta – eu não era realmente necessário, e podia então focar em outras coisas, como conteúdo e tópicos científicos, esse tipo de coisa. Então eles se tornaram os roteiristas da série. Mas ainda tinha de soar como se estivesse vindo de mim. Então, eles fizeram muita lição de casa, vendo meus vídeos, lendo meus textos. Então é uma mistura do que eu teria dito, deixado por mim mesmo, mas profundamente injetado com o sentimento e a humanidade que Ann Druyan traz à mesa, assim como o papel histórico que cientistas famosos tiveram no passado. Steve Soter é um grande fã da história da ciência e do papel que ela pode ter no processo narrativo. E isso explica por que você tem tantos toques históricos, um por episódio.

Mensageiro Sideral – E para provar que eu gostei mesmo, queria saber se há chance de uma segunda temporada!

Tyson – Estamos em tratativas. Há muito no prato de todo mundo agora. Se eles quiserem arrumar outro apresentador, não tenho problema com isso. Então a tradição seria de que cada “Cosmos” teria um novo apresentador, como em “Doctor Who”, sabe, você reencarna. (Risos) A reencarnação de alguma meta-alma de um cientista cético. Então, há conversas. Mas nada aprovado.

Mensageiro Sideral – Estou torcendo para que aconteça e espero que o sr. esteja nele, porque foi incrível.

Tyson – Obrigado, eu aprecio isso.

Mensageiro Sideral – O sr. termina o livro “Morte no Buraco Negro” num tema controverso, que é o conflito entre ciência e religião. E você diz exatamente o seguinte: “Que não haja dúvida de que, na forma como são atualmente praticadas, não há concordância entre ciência e religião.”

Tyson – Não há questão sobre isso. Nada mais verdadeiro poderia ser dito que esta sentença.

Mensageiro Sideral – O que eu achei interessante é a parte “na forma como são atualmente praticadas”. Fico a me perguntar se, no futuro, esse conflito pode desaparecer, ou é algo fundamental, inevitável.

Tyson – Ei, espere, tem duas coisas diferentes juntas nessa pergunta. Você pode perguntar qual é a probabilidade, ou a receptividade, que a religião tem à ciência. E algumas religiões são mais receptivas à ciência que outras. Então, existe harmonia entre ciência e religião? Acho que sim. Mas o que significa é que a religião estará aquiescendo às descobertas da ciência. E se você quer chamar isso de harmonia, então, claro. O que eu estava me referindo a “na forma como são atualmente praticadas”… você pode ler a sentença de novo, para eu falar precisamente?

Mensageiro Sideral – “Que não haja dúvida de que, na forma como são atualmente praticadas, não há concordância entre ciência e religião.”

Tyson – Sim, concordância, confluência [“common ground” é o termo na versão em inglês do livro, em português saiu como “concordância”]. Confluência implica que a religião traz algo à mesa, ciência traz algo à mesa, e temos um novo entendimento do mundo dessa união. Isso é o que é confluência. Mas se você é a religião e está só absorvendo as descobertas científicas, isso não é confluência, é a religião aquiescendo ao que a ciência está descobrindo. E é isso. É só o que eu quis dizer. Se você é religioso e concorda com tudo que a ciência diz, isso é confluência? Não, isso é meio como “desistimos, a verdade vai ser a ciência, não o que diz o meu livro sagrado”. Depende de você e de sua religião decidir se você quer lutar contra isso. Muitas religiões lutam. Mas se você não luta e abraça e aceita, eu ainda seria hesitante de chamar isso de confluência. Porque é uma mão única. Ciência influenciando religião. Não religião influenciando ciência.

Mensageiro Sideral – Entendo. Mas também pode haver o sentido inverso, por que há alguns cientistas, não muitos, mas há alguns que usam o fato de que se pode explicar o mundo natural para dizer que não há Deus ou não há uma instância religiosa. E isso não é verdade, certo? Porque, em princípio, Deus não é uma hipótese que você possa testar. Então também tem o lado de a ciência aceitar que essa é uma questão que ela não pode esclarecer, certo?

Tyson – Isso não é verdade.

Mensageiro Sideral – O sr. acha que não é verdade?

Tyson – Ah sim, isso não é verdade.

Mensageiro Sideral – A ciência pode provar que não há Deus?

Tyson – A ciência pode testar se há um Deus, baseada nas afirmações que você faz sobre o seu Deus. Então, a ciência nunca prova nada sobre nada. Você geralmente não verá um cientista usando a palavra “prova”, não é o que fazemos. O que fazemos é: nós temos uma ideia, e nós a testamos. E se a ideia sobrevive ao teste e fazemos outros testes e fazemos outras pessoas verificarem, então estabelecemos uma nova verdade sobre o mundo, baseada na série de testes que fizemos. Então passamos à próxima questão, e se temos o suficiente dessas juntas, produzindo um entendimento maior e mais profundo, então temos uma teoria. Teoria da evolução, teoria da gravidade, teoria quântica. Uma teoria é um entendimento profundo do que sabemos que acontece no Universo e que oferece uma fundação para o que predizemos que será verdade no Universo. Então, aqui vai como isso iria funcionar. Você diz: “Eu acredito em Deus”. Eu digo: “Tudo bem. Se Deus existe, como ele se manifestaria nesse mundo?” E você diria: “Pessoas que rezam terão suas preces atendidas.” Ou “Pessoas que ficam doentes e que recebem orações têm mais chance de melhorar.” Você pensa em fenômenos testáveis que, segundo você, se seu Deus existe, deveriam ser testáveis.

Mensageiro Sideral – E se a minha premissa é: “Acredito em Deus e acredito que Ele se manifesta quando quiser e não podemos predizer quando isso vai acontecer.” Como o sr. testa isso?

Tyson – OK, eu perguntaria: quando Deus já se manifestou no passado? Eu só perguntaria isso. Se você não pode predizer o futuro, certamente você pode identificar Deus no passado.

Mensageiro Sideral – Mas eu não precisaria, porque é uma questão de fé para mim. Veja, não estou dizendo que eu seja religioso. Estou apenas fazendo o papel de advogado do diabo para ver até onde vai.

Tyson – Não, você está fazendo o papel de advogado de Deus. (Risos) Veja, essa não é a pergunta. Você está dizendo que Deus pode se manifestar a qualquer tempo e qualquer lugar, mas você não pode predizer. Mas isso significa que, em algum ponto do passado, Deus já se manifestou. Então eu pediria uma lista das vezes em que isso aconteceu. E se Deus só se manifestou para você, então é uma verdade pessoal, e não tenho nada que eu possa dizer sobre isso.

Mensageiro Sideral – Sim, isso é verdade. Mas…

Tyson – Mas veja, a maioria das pessoas que é monoteísta diria que Deus opera em todo lugar e pode ter impacto em todo mundo. E eles estão tirando Deus de dentro deles mesmos e fazendo afirmações por outros. E há aqueles que dizem que eles estão fazendo a vontade de Deus – o que quer que seja que estão fazendo a outras pessoas. No cristianismo, eles querem convertê-lo, porque aparentemente Deus não pode fazer isso sozinho. Então eles têm de fazer. Tudo que eu estou dizendo é, se você tem de ser o intermediário para Deus, então você não está em posição de dizer para mim o que Deus já fez. Tudo que estou dizendo é, se seu Deus tem certos poderes e você tem certeza de que esses poderes se manifestam neste mundo, tudo que você tem a fazer é mostrar isso para mim, e então podemos testar. É assim que eu posso explorar se seu Deus é real. É assim que você pode fazer. Agora, se você disser, “Deus está apenas dentro de mim e em nenhum outro lugar”, então não posso testar. Bem, posso meio que testar. Posso testar suas sinapses neurais no cérebro, ver quais partes delas disparam e descobrir que aquele pode ser o centro de “crenças”, o centro da “religião”, e lá ficam as coisas em que as pessoas acreditam sem evidência, e inclui as pessoas que têm certeza de que fadas existem, que têm certeza de que duendes existem, que têm certeza de que há mil outras coisas em que as pessoas já acreditaram, e tudo isso acontece no mesmo centro do seu cérebro, logo, você não pode alegar a singularidade do que você acredita e que vem desse centro do seu cérebro, relativamente a todo mundo que tem outras coisas em que acreditam sem evidência.

Mensageiro Sideral – Sim, mas você poderia em princípio usar esse “centro” para acreditar em coisas sem evidências que são reais também. Então não é de fato um teste.

Tyson – Nós não temos os dados ainda, que isso possa vir de uma parte específica do cérebro, mas você pode imaginar que haja uma parte do cérebro que é o centro de crenças. E poderia haver futuros experimentos que mostram que é assim que pessoas acreditam em coisas sem evidência, e então você passa pela história da civilização, e há mil coisas que as pessoas acreditavam que também vinham desse centro, o que dá uma evidência muito fraca de que seu Deus seja real, comparadado ao duende de outra pessoa.

Mensageiro Sideral – Então, de forma definitiva, o sr. acredita que a ciência pode testar ideias como Deus e outras que não tenham base na própria ciência.

Tyson – Se suas crenças têm consequências no universo físico, sim, podemos testá-las. É isso que a ciência é. É como ela foi inventada. É tudo que ela é. Então, se seu Deus não tem consequências testáveis no universo físico, então eu perguntaria qual é o papel de Deus para você. E você diria, “é profundamente espiritual e pessoal”. Então eu diria: “OK, beleza. Você não vai sair por aí e tentar descobrir como o Universo funciona.”

Mensageiro Sideral – Para terminar, queria abordar algo que você menciona no livro, que é o chamado princípio copernicano – a noção de que não ocupamos um lugar especial no Universo. Muita gente se incomoda com a ideia porque acha que isso mostra o quanto somos pequenos e irrelevantes. Mas existe também uma interpretação com sinal invertido. Não é incrível que uma espécie comum num planeta comum em torno de uma estrela comum numa galáxia comum seja capaz de compreender a incrível complexidade de um Universo gigantesco e maravilhoso?

Tyson – Não poderia concordar mais, A. B, as pessoas que ficam tristes ou incomodadas por essa revelação, acho, abordam essa questão com um ego injustificavelmente grande. Se você aborda sem ego, e você ouve essa informação, uma forma alternativa de ouvir isso é: “Oh, meu Deus, nós somos feitos de átomos que podemos encontrar no Universo inteiro. Nós temos moléculas proteicas e DNA que é encontrado em todas as formas de vida na Terra. Oh, meu Deus, estamos conectados com o cosmos. Nós somos um com o cosmos, de um modo que me dá um significado profundo sobre o Universo.” Esse é outro modo de abordar a mesma informação, mas não envolve o ataque ao seu ego. Você entra sem ego nenhum e sai iluminado, encantado.

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