Imagens do polo Norte de Júpiter feitas pela Juno surpreendem cientistas da missão

Salvador Nogueira

As primeiras imagens já obtidas do polo Norte de Júpiter causaram espanto aos cientistas envolvidos com a sonda Juno, da Nasa, que realizou sua primeira coleta de dados num voo rasante do planeta gigante no último dia 27.

“É o primeiro vislumbre do polo Norte de Júpiter, e ele não se parece com nada que já tenhamos visto ou imaginado antes”, disse Scott Bolton, cientista-chefe da missão, em nota divulgada nesta sexta-feira (2) pela Nasa. “É mais azulado lá em cima do que em outras partes do planeta, e há muitas tempestades. Não há sinais das faixas latitudinais ou zonas e cinturões com que estamos acostumados — essa imagem mal é reconhecível como Júpiter. Estamos vendo sinais de que as nuvens têm sombras, possivelmente indicando que as nuvens estão a uma altitude maior do que outros traços.”

Além de divulgar imagens processadas do polo Norte joviano, capturadas a 95 mil km de distância (acima) e a 78 mil km (abaixo), a Nasa apresentou dados colhidos pelo instrumento JIRAM (Mapeador Infravermelho de Auroras de Júpiter, na sigla em inglês), que revelou as poderosas auroras austrais (do polo Sul) joviano.

Detalhes do polo Norte joviano a 78 mil km de distância, fotografados pela Juno (Crédito: Nasa)
Detalhes do polo Norte joviano a 78 mil km de distância, fotografados pela Juno (Crédito: Nasa)

As visões dos polos são as que mais encantam os cientistas porque eles nunca foram vistos antes — da Terra é impossível vê-los, e nenhuma das sondas que já visitaram Júpiter se estabeleceram numa órbita polar (que sobrevoo regularmente essas regiões do planeta).

As auroras do polo Sul de Júpiter, fotografadas pela JIRAM, em infravermelho (Crédito: Nasa)
As auroras do polo Sul de Júpiter, fotografadas pela JIRAM, em infravermelho (Crédito: Nasa)

A antena da Juno também foi usada durante o sobrevoo para capturar as emissões de rádio do planeta gigante. Naturalmente, não são ETs tentando se comunicar — são emissões naturais emanada da atmosfera do planeta, associadas a atividades como as auroras. Convertidas em sons, elas nos permitem ouvir “o canto das auroras jovianas”. Ouça aí.

Por fim, o Mensageiro Sideral ficou fuçando por aí e encontrou no Photojournal do JPL a imagem mais próxima de Júpiter até agora divulgada: ela foi feita pela JunoCam (a câmera de “luz visível” da Juno) a uma distância de 38 mil km, e revela detalhes do polo Sul. Contudo, ela é em preto-e-branco e reflete apenas o filtro vermelho da câmera — ou seja, o que tem de vermelho na imagem. (Lembre-se de que a aproximação máxima ocorreu a apenas 4.200 km, então, o melhor ainda está por vir!)

Imagem colhida pela JunoCam do polo Sul de Júpiter, a uma distância de 38 mil km. (Crédito: Nasa)
Imagem colhida pela JunoCam do polo Sul de Júpiter, a uma distância de 38 mil km. (Crédito: Nasa)

A JunoCam capta imagens coloridas do mesmo modo que a maioria das nossas câmeras digitais — ela faz na realidade três fotos sequenciais, uma captando os azuis, outra, os verdes, e uma terceira, os vermelhos, e depois junta tudo para compor uma imagem colorida. O problema é que, viajando depressa pelo alvo como está a JunoCam, talvez não seja tão simples alinhar as três fotos para criar uma versão em cores das imagens de aproximação máxima.

Ainda não sabemos se será possível fazer esse processamento, mas não custa preparar o espírito e esperar que as imagens da aproximação máxima, embora incríveis, sejam apenas em PB. A missão da Juno inclui outros 35 voos rasantes como este e deve terminar em fevereiro de 2018, com um mergulho da nave na atmosfera do planeta.

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Comentários

  1. É sempre um prazer ler seu blog, Salvador.
    E em especial as respostas aos maníacos por “Arquivo-X” (a verdade está lá fora).
    Isso mostra que ainda temos muito da “idade das trevas” conosco.
    Muito misticismo, crendice, teorias conspiratórias, devaneios loucos de gente neurótica que transfere para a vida os traumas e limitações pessoais.
    Considerando que há 120 anos nem conseguíamos voar com controle, e hoje já podemos manter sondas interplanetárias por décadas, se dedicássemos todo o nosso esforço e inteligência à ciência, à cultura e menos a crendices, religiões e mitos, a qualidade de vida dos seres humanos seria tamanha, que nem precisaríamos criar deuses e acreditar em paraísos para termos forças para continuar vivendo.
    Um forte abraço.

  2. Salvador, me arrisco a falar, e estar mais uma vez pelo esteriótipo como, “pareido-louco”; mas se aquilo que estou vendo, estiver um depressão, possa talvez explicar tudo. mas explicar o que?, explicar que, júpiter tem forma de “Pera”, e o polo norte esta uma grande montanha, e que circunstancias ambientais, como pressão, temperatura, condições “hídricas”,como outras , estão diferenciadas no polo norte, das demais partes do planeta.
    eu já havia percebido algo anômalo antes, como agora também, vamos ver o que dizem eles , os donos da missão.

  3. Salvador,
    Sou advogado em São Paulo e apaixonado por astronomia e astrofísica. Muito embora eu tenha formação anterior em matemática, sua coluna me esclarece e instrui. Parabéns pelo seu trabalho. Sigo acompanhando, sempre. Abs.

    1. Advogado é foda…. não perde a chance de encher a boca pra dizer que pertence à classe.

      A propósito, também sou advogado.

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      1. e pensar que se ela tivesse pousado 1 metro pro lado teria sol suficiente… Me apeguei tanto a ambas que quando vi a publicação da Rosetta senti um aperto no peito… de alívio de finalmente encontrarem a Philae, e as vésperas do fim da missão. No meu coração, adoraria que a Rosetta conseguisse pousar ao lado dela…:)

        1. Vai pousar em outra região do cometa, mas pelo menos poderão ficar no mesmo mundo por um tempo. 😉

    1. Ele é mais denso! Bem mais denso! A questão é se ele é diferenciado, ou as correntes de material sob a alta pressão já espalharam seu conteúdo mais rico em ferro pelos arredores.

  5. Sensacional. E são as primeiras fotos divulgadas.
    O azul do Polo Norte é muito estranho, mesmo. Tem chance de ser Água?
    Na foto feita pelo JIRAM, em Infravermelho, parece que existe uma camada no perfil do planeta que sugere Atmosfera?
    Estou vendo mais do que existe?

    1. Não, zero chance de ser água. E não é azul, é “mais azulado”, ou seja, as frequências de luz mais puxadas para o azul são mais intensas ali que no resto do planeta.
      E, Raf, tudo que Júpiter tem é atmosfera. Uma atmosfera IMENSA.

  6. Salvador (exímio professor aquele que descomplica tudo da cosmologia). Pergunta boba mas farei: por que Jupiter? O escolhido?

    P.S. : se tivéssemos um professor assim nunca teríamos dificuldades em física!

    1. Essa pergunta não faz muito sentido. Temos uma sonda em Saturno agorinha. É que ela está lá desde 2004, aí todo mundo se acostumou e se esqueceu dela. 😛
      (E outra: a Juno é o segundo orbitador de Júpiter. O primeiro foi a Galileo, nos anos 1990. E por que Júpiter teve dois e Saturno um só? Por que o caminho até Júpiter é metade do caminho até Saturno. Pelo mesmo motivo, Urano e Netuno ainda não tiveram orbitadores — muito longe!)

  7. Como disse o Pallando “que semana!”. E ainda tivemos atualizações das notícias sobre Plutão e Ceres. Agora é só esperar as fotos de Júpiter tiradas a 4.200Km. Bom fds!

  8. Show Salva! Fechando essa semana com chave de ouro! E q semana hein?

    O mais legal q a realidade é sempre mais estranha do que imaginamos. Sempre pensei q os polos de Jupiter eram como o resto do planeta, com círculos gasosos “bem comportados” e não esse caos todo q as fotos mostram. Fabuloso!
    Mas quando conseguirem mapear bem os polos e compor um cenário completo, quem sabe se irá aparecer um padrão, algo grandiodo e diferente.

    Mais uma vez, me diverti muito essa semana com o blog. É gratificante quando venho aqui e deparo com um novo post. Parabéns 🙂

  9. Salva, teorizando, não seria isso causado por um núcleo de hidrogênio metálico girando absurdamente rápido, causando um efeito “liquidificador” , as laterais giram mais devagar, enquanto a parte de cima é tudo misturada e desce em vórtice? E tb esse núcleo girando que nem doido forneceria toda a radiação… Será?

    1. Bem, rotação diferencial é esperada mesmo em Júpiter. Mas não sei se isso explica, justamente porque já era esperada. 😉

  10. Salvador..boa noite,fotos fora de serie mesmo…mas me lembrei que faz “tempim” que não te faço perguntas.Se o planeta é gasoso e não tem nucleo solido,como pode ter essa atração gravitacional tão grande ?Existe alguma forma de ter massa mas não ter solidez ?Parece que nas fotos aparecem marcas de impacto,é impressão minha ??Rapa passa o nome do remedio que vc toma para ter essa paciencia toda..pq tem gente aqui que é phoda viu !!??Não entendem que esse blog é nossa salvação !!(sem trocadilho) para podermos entender o lugar onde “nossa casa ) fica.Abraços.

    1. Jmingo, a gravidade não depende da densidade, mas da quantidade total de massa. Então você pode ter uma imensa bola de gás e no entanto produzir um campo gravitacional bem poderoso — vide o Sol. Não há marcas de impacto aí. Já vimos marcas de impacto em Júpiter, e elas são bem mais escuras que tudo que vemos aí. 😉

      1. Permita-me discordar Salvador.
        A gravidade depende da quantidade de massa e da distância.
        A distância depende da densidade.

        Imagine a mesma massa de Jupiter condensada no espaço de um nêutron. Teríamos um buraco-negro,mesmo que minúsculo, tamanha a gravidade.

        Nesse caso, a gravidade na superfície do JN(Júpiter=Nêutron), seria astronômica. Mas a gravidade que a sonda perceberia, se estivesse no mesmo local que está agora, seria exatamente a mesma. No Júpiter em tamanho real, não existe nenhum ponto onde a gravidade seja absurdamente grande. Ela está mais distribuída no espaço ocupado.
        Então podemos concluir que a densidade indiretamente influencia na gravidade.

        O que precisamos levar em conta quando falamos sobre gases, líquidos e sólidos é a pressão.
        Para lugares com pressões elevadíssimas como o núcleo de planetas gigantes e estrelas, não faz sentido pensarmos em nada como os 3 estados que conhecemos em nosso dia a dia. Nesses locais a matéria tem um comportamento muito diferente, e se pudéssemos chegar lá para ver e tocar, encontraríamos talvez, um núcleo com dureza muito maior que qualquer sólido aqui na terra.

        1. Estou presumindo que a distância é igual em todos os casos e é sempre maior que o raio do objeto com massa — que é o que acontece em praticamente todas as situações de voo espacial. Aí a densidade não faz diferença.

        2. densidade = (massa)/(volume)

          então a densidade é diretamente proporcional à massa e inversamente ao volume. Se aumentar o volume, temos menor densidade.

          a equação da gravidade newtoniana
          https://pt.wikipedia.org/wiki/Gravidade

          trabalhe nas duas equações isolando a massa e terá a resposta para
          gravidade = [(constante gravitacional)x(massa de Júpiter)/(distância²)]

          Colapsando Júpiter o buraco negro miniatura seria temporário e desapareceria. Isso porque esse tipo de buraco negro não consegue se alimentar o suficiente devido a superfície menor, então, ele perde muita energia ao sistema e evapora. Deformar o tecido espaço-tempo não é tarefa para qualquer um.

    2. Deixa eu pegar uma carona no seu comentario. Salvador, quando do impacto de um cometa, espetacular por sinal, contra a superficie de jupiter, pudemos ver os sinais de impacto. Desculpe meu desconhecimento, mas num planeta gasoso, não deveriam existir estes sinais!!!!

      1. Deveriam sim! Afinal de contas, você tem uma onda de choque absurda, produzindo um literal buraco na atmosfera! Mas, claro, como bom gasoso que é, Júpiter em pouco tempo apaga qualquer sinal do impacto, enquanto a Terra ainda guarda a cratera gerada pelo impacto que matou os dinossauros, 65 milhões de anos atrás. 😉

  11. Boa noite Salvador!!! Gostei do áudio, parece um colibri. Queria tirar uma dúvida. Será que dentro de toda essa camada de nuvens não ocorre algum tipo de efeito estufa?

    1. Certamente que sim. Sem falar que gases, sob pressão, esquentam. O interior de Júpiter é bem quente. (Não por acaso, o planeta emite mais radiação infravermelha do que recebe!)

    1. Teríamos, porque o MST não é resultado da falta de terras, mas da má distribuição delas, aliada à necessidade de uma instituição de fachada para realizar ativismo político de extrema esquerda.

  12. Olá Salvador,

    Como sempre, sua coluna é fascinante, traz vislumbres da realidade a um mundo tomado pelas ilusões humanas – países, crises, governos etc.

    Considerando que os pólos são geralmente as regiões mais frias de qualquer planeta – com a possível exceção de Urano – perguntaria a você Salvador, será que a cor azulada e até uma maior densidade não poderia ser provocada por temperaturas mais frias que provocariam alterações nas características físico-químicas da atmosfera joviana?

    Grande abraço e obrigado por nos trazer uma visão desse Universo tão maravilhoso.

    1. Não sei se pode ter a ver com a temperatura, ou simplesmente com a dinâmica atmosférica dos polos, que é provavelmente diferente da de outras latitudes. Abraço!

  13. Quando a Juno mergulhar na atmosfera será possível ainda enviar dados pelo menos por algum tempo (minutos ou segundos)? Abs

    1. Talvez. Vai ser difícil manter a antena apontada para transmitir. Teremos de esperar para ver. 😉

  14. Vi algo sensacional agora 19:00 horas a 10 minutos atrás , no oeste estava olhando o brilho de Vênus e vi algo um risco em forma de um sorriso ao fundo de algo redondo mas a poluição estava forte então aparecia na cor laranja esfumaçado , ate agora não sei o que vi mas a lua tenho certeza que não era . Será que mais alguém viu ? O que era ?

  15. Incrível esse som, quem viu o filme “2001 uma odisseia no espaço” vai reconhecê-lo quando a nave do Dave chega em Júpiter para o sobrevoo. Como é que Stanley soube lá em 1963 desse som heim. Grande cineasta, grande filme e grande Juno e suas acrobacias. Estamos aguardando novas imagens, agora em cores… TÁDÁÁ…

    1. A Terra também tem campo magnético. Os satélites terrestres também captam o “som” dele e fazem a mesma conversão que a Juno fez. Na verdade os sons não existem, mas como está explicado no vídeo, foi feita uma conversão para que pudéssemos ouvir a interação do campo com os sensores da nave tal como acontece com um microfone perto de uma caixa de som e que gera microfonia.

  16. Boa tarde Salvador!

    Muito obrigado por nos manter “up dated” com as maravilhosas novidades do espaço.

  17. Oi, Salvador, como se define a fronteira entre atmosfera e … (como se chamaria a parte solo ou água?) num planeta como Júpiter?

    1. Criam-se definições arbitrárias com base no nível de pressão atmosférica em um dado ponto do planeta.

  18. Salvador, eu amo a astronomia, mas sou bem leigo quando o assunto cai no campo da física e da química. Por isso, desculpa se a pergunta for tola: já que Júpiter tem estrondosa gravidade a ponto até mesmo de nos proteger das pedras perdidas no espaço, como a sonda não já foi engolida por essa força? Abraço e acho fantástico sua interação com os leitores da sua coluna.

    1. Edwardo, Júpiter tem uma gravidade considerável, mas nada que não se “cure” com velocidade. Se a sonda passar por ele com velocidade suficientemente alta, ela “erra” o planeta mais depressa que ele consegue puxá-la para dentro. Agora, claro, se você ficar parado, estacionado, sobre Júpiter, vai cair chapado no planeta. Aliás, para isso, não precisa ser Júpiter. A Terra basta. Solte qualquer coisa no ar — parada com relação à própria Terra — e ela cairá em dois tempos. Agora, arremesse essa coisa numa direção paralela ao chão e ela demora mais para cair. Agora, arremesse com tanta velocidade que o ritmo de queda dela acompanhe a curvatura da Terra. Pronto! Você colocou uma coisa em órbita. Uma nave em órbita é uma nave caindo o tempo todo, mas “errando” a curvatura da Terra por conta da velocidade lateral! 🙂

      1. Explicação cientificamente exata, com linguagem acessível e de fácil visualização para o leigo. Muito bom.

      2. Didaticamente perfeita essa sua explicação. Só reclamo da expressão “demora mais para cair”, pois parece que, ao ser jogada paralelamente à Terra, o tempo de queda aumenta. Na verdade, ela vai cair mais adiante, mas o tempo da queda será o mesmo. A força gravitacional, para baixo, garante isso. De qualquer forma, isso já é preciosismo da Física, vale o conceito. 🙂

          1. Se o arremesso for feito paralelo à tangente da terra, o tempo de queda varia de acordo com a velocidade de lançamento.
            Com velocidade ZERO. Queda imediata. Solte uma bala de fuzil a uma altura de 5cm do chão. Depois atire com o fuzil paralelo ao chão e meça os tempos. Serão bem diferentes.
            Ou melhor, imagine que a estação espacial internacional seja travada por uma mão muito forte de um ser místico como Hércules, mas com o braço tão comprido que ele pudesse alcançá-la e segurá-la.
            Em seguida ele iria simplesmente soltá-la sem arremessá-la para lugar nenhum(velocidade horizontal = 0).
            Ela levaria poucos minutos para cair, concorda ?
            Imagine que ele refaça a experiência, mas dessa vez o lançamento seria com uma velocidade muito próxima à velocidade necessária para ela se manter em órbita, algo como 99,999% dessa velocidade.
            Nesse caso ela daria várias voltas ao redor da terra antes de cair. Cada volta levaria uns 90 minutos. Levaria talvez, dias ou meses…
            Entre um extremo e outro desse exemplo estão vários valores diferentes.

          2. Anibal, você tem razão — e volto ao meu pensamento original, que estava certo.
            Tentando esclarecer de uma vez por todas: a força gravitacional é sempre a mesma, quer a bola esteja em movimento, quer esteja parada, em termos de movimento horizontal. O tempo de queda é tanto maior quanto maior é a velocidade horizontal da bola. E, se a velocidade for tal que a taxa de queda acompanhar a curvatura da Terra, o objeto está em órbita. Pronto. Ufa!

          3. Mesmo a Estacão espacial, tem que ser corrigido de tempos em tempos a trajetória, para não cair na terra. Correto Salva?

          4. Anibinho, o tempo de queda do tiro de fuzil é maior por causa do atrito com o ar. Lembre da quinta série: cada movimento se processa como se o outro não existisse.

            Claro que a curvatura da terra pode permitir uma órbita, mas pra um tiro de fuzil esse componente é insignificante.

      3. Cara. Como me fascinam estas explicações. Algo tão simples como arremessar uma pedra e nunca notar o tempo de queda e que, se realmente imprimirmos cada vez mais velocidade, temos uma orbita. Obrigado meu amigo. Continue este trabalho fastastico

  19. Olá!

    Um dos grandes problemas para a Juno parece ser o campo magnético de Júpiter. Parece que todas os movimentos dela acabam sendo bem mais complexos e trabalhosos em razão dele. Não daria para projetá-la com alguma proteção que a protegesse disso?

    1. Os movimentos não são complexos. Mas são do tipo “hit and run”. Passa bem pertinho rapidinho, colhe os dados, e vai pra longe de novo. Fora isso, foram tomadas iniciativas para proteger a eletrônica da radiação nos cinturões — como uma caixa de titânio que protege os sistemas mais críticos –, mas para permitir que ela tomasse ainda mais radiação essa caixa teria de ser muito densa. Titânio é caro e pesado, duas coisas que você não quer ter em excesso numa missão. Daí a escolha dessas órbitas, que permitem o melhor ganho científico (não adianta fazer a nave numa armadura anti-radiação e depois não conseguir lançar, porque é pesada demais) e não exigem uma sonda superrresistente.

      1. “Mas são do tipo “hit and run”. Passa bem pertinho rapidinho, colhe os dados, e vai pra longe de novo.”

        Então agora ela ira se afastar novamente, com a mesma distância dessa ultima vez, ou seja, demorará mais cerca de um mês para termos mais novidades alem dessas que chegou e as que faltam divulgar ainda dessa passagem?

        1. Isso, mais uma órbita assim. Depois vai manobrar pra encurtar e teremos sobrevoos a cada 13 dias, até o fim da missão.

  20. Salva,
    Agora falando sério.
    Se não sabemos se Júpiter tem um centro rochoso, não sabemos se tem mar, não sabemos nem se existe uma repartição entre céu e mar…Onde estão batendo essa sombra?
    Espero que tenha entendido minha pergunta.

    1. A atmosfera tem camadas, e cores de nuvens diferentes, dependendo da composição. Você vê algum problema de uma nuvem mais alta projetar uma sombra sobre uma nuvem mais baixa? 🙂

      1. Tem Algum motivo especifico ou imaginado , para que no Polo seja muito mais Azul do que imaginado?

    2. Realmente acho que não faz muito sentido falar em rochas mares e/ou ambientes similares à Terra.
      Acho que vamos ver uma dinâmica, algum tipo de sistema gás/plasma devido ao tamanho e às enormes pressões.

  21. Maravilha!!!!
    Coisa linda!!
    Havia te escrito na outra perguntando sobre isso. Já estava demorando demais, estava achando que a NASA estava escondendo algo “como sempre”… Será que a demora toda foi para usar photoshop e apagar o que não poderiam mostrar???…rs….

    1. Essa cultura de “Nasa esconde” é meio infantil, não acha?
      Muito mais provável é: será que os cientistas que trabalharam décadas pela missão não preferem dar uma olhada nas imagens antes de todo mundo e assim fazer as descobertas eles mesmos, em vez de soltar todos os dados por aí e deixar outros cientistas — que nunca tiveram participação no projeto — fazer as descobertas e escrever os artigos científicos com os dados que eles colheram? 😛

      1. Pô Salva, eu to brincando…Imitando aqueles que sempre vem aqui com essas afirmações de teoria da conspiração..r.s…Po, num precisa comer meu rabo não…rs…rs

        1. Não foi em tom de bronca. Foi mais por que achei que seria legal explicar — não para você, mas para todo mundo que lê — que existem razões perfeitamente mundanas para não sair por aí divulgando as fotos assim que elas chegam. 😉

      2. Salvador, deixe-me ver se eu entendi: a sonda Juno teria chegado a 4.200km da superfície de Júpiter. Isso equivale a apenas sete vezes a altura do satélite Landsat 8 da NASA, utilizado para as fotografias do Google Earth. Daria para identificar as ruas, as construções e os veículos nas cidades de Júpiter, como nós identificamos na Terra! O amigo pondera, acertadamente, que os responsáveis pelo projeto não vão liberar as imagens facilmente. Eu iria mais longe, meu caro Salvador: a nossa geração não terá acesso às imagens nítidas. Isso será segredo inviolável de estado. No máximo teremos imagens propositadamente desfocadas, como as amostras pífias que já tivemos aí acima, ao longo da reportagem do competente jornalista. Estou errado?

        1. Está completamente errado. Eles nem PODEM reter essas imagens para sempre. A regra da Nasa é que tudo que é produzido de ciência com o dinheiro do contribuinte tem de ser entregue ao contribuinte. Então as imagens serão divulgadas. A praxe — que varia de projeto para projeto e de agência espacial para agência espacial — é deixar um grupo de cientistas ter acesso exclusivo aos dados por seis meses ou um ano NO MÁXIMO. Claro, como há muito interesse nas imagens da Juno, eu duvido que demore seis meses para eles liberarem. Aposto que em mais um mês, no máximo, teremos imagens feitas a 4.200 km de distância do topo das nuvens.

          Agora, não sei por que você acha que haveria algo que essas imagens possam revelar que a Nasa possa não ter enorme prazer em divulgar. Ainda se ela visse formas de vida em Júpiter — o que é improvável, pelo fato de ele ser uma bola de gás inóspita para a vida como a conhecemos –, e pudesse confirmar isso, ela teria enorme interesse em divulgar. A Nasa declaradamente está em busca de vida extraterrestre. Aliás, está tanto em busca que às vezes anuncia e depois precisa “desanunciar”, como aconteceu com o caso do meteorito marciano ALH 84001, nos anos 90. O que era “evidência de vida marciana” passou a ser “evidência bem controversa de alguma coisa que talvez fosse vida marciana”, uma vez que outros cientistas (de fora da Nasa) puderam analisar os resultados.

          Essa lenda de que a Nasa é um poço de segredos de alienígenas é coisa de History Channel… rs

          1. Salvador, eu sei que o satélite Landsat 8 da NASA está a 700km da superfície da Terra e que a sonda Juno chegou a estar a apenas 4.200km da superficie de Júpiter. Apenas seis vezes portanto a distância do primeiro. O que poderia ensejar fotografias reveladoras de vida em Júpiter, como o Landsat mostra em relação à Terra. Na verdade, não sei se há condições técnicas para que a sonda produza fotografias convencionais. Eu acredito que não há. E reitero a minha percepção que, se as fotografias forem exequíveis e revelarem vida no planeta, a NASA jamais as compartilhará conosco, pobres mortais, a despeito da veemência com que o amigo assegura que as agências espaciais não nos restringem as informações que detêm.

          2. A Nasa adoraria ter provas de vida extraterrestre. Viria um caminhão de dinheiro junto para estudá-la.
            Eu não sei se o Landsat teria visto muitas evidências de vida na Terra se estivesse por aqui na maior parte da história terrestre. Durante três quartos da história da Terra, só havia bactérias por aqui, e satélite nenhum enxerga bactérias do espaço. Vida complexa, multicelular, parece depender da presença de oxigênio molecular atmosférico em grande quantidade, algo que Júpiter não tem. Então, eu não teria muita esperança de encontrar vida em Júpiter. Ademais, a atmosfera joviana é toda recoberta de nuvens. Duvido que o Landsat conseguisse fotografar sinais de vida na Terra se o tempo permanecesse para sempre nublado… 😛

  22. *-* … Quem iria imaginar. Agora é só esperar a ciência dizer que Sagan e Clarke supuseram a verdade. Hahaha.

      1. Ou aquela ideia do Clarke de que Jupiter tem um nucleo de diamante do tamanho da Terra, citado no 2010.

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