Acharam o Philae!

Salvador Nogueira

Faltando apenas um mês para o término da missão, a sonda Rosetta finalmente conseguiu localizar e fotografar o módulo Philae, que fez um pouso espetacular no cometa Churyumov-Gerasimenko em 12 de novembro de 2014.

O pequeno robô está inativo e, como já era esperado, ficou preso a uma reentrância no cometa, posicionado de lado, o que limitava muito a quantidade de luz solar que seus painéis podiam receber. Não fosse isso, a missão quase certamente teria durado mais que as pouco mais de 60 horas de bateria que o módulo tinha à disposição para acionar seus instrumentos.

Detalhes do Philae, afixado de lado a um rochedo na superfície do cometa Churyumov-Gerasimenko (Crédito: ESA)
Detalhes do Philae, afixado de lado a um rochedo na superfície do cometa Churyumov-Gerasimenko (Crédito: ESA)

“Com apenas um mês restando para a missão Rosetta, estamos tão felizes de ter finalmente fotografado o Philae e vê-lo em detalhes incríveis”, disse Cecilia Turbiana, da equipe da câmera Osiris, instalada no satélite, em nota da ESA (Agência Espacial Europeia). Ela foi a primeira a ver o pequeno robô, do tamanho de um frigobar, nas imagens que chegaram do espaço ontem.

O registro foi feito quando a Rosetta fazia um sobrevoo a apenas 2,7 km da superfície do cometa, o que lhe permitiu registrar imagens com uma resolução de 5 cm/pixel — mais do que suficiente para visualizar o Philae, com cerca de 1 metro.

A missão está em seus estágios finais e deve realizar seu próprio pouso no cometa no dia 30.

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Comentários

  1. Prezado Salvador,

    Primeiramente parabéns pelo blog! Sou leitor novo e adorei o blog. Espero que continue sempre escrevendo bons textos.

    Sabe por que motivo enviaram um módulo alimentado por painéis solares ao invés de baterias com maior duração? Lógico que é fácil falar agora, após o acontecimento, mas parece que havia um risco nesta opção. Já que gastamos dinheiro e investimos bastante no projeto, não seria melhor garantir a energia para operar o Philae?

    Obrigado!

    1. Thiago, a única alternativa seria uma bateria atômica, o que não seria grande vantagem, além de ser muito cara. As baterias elétricas do Philae representavam o estado da arte na época em que foram montadas, mas lembre-se de que a missão partiu em 2004.

  2. Esta prática de letra minúscula para réplicas e tréplicas, dá um um trabalho lascado para ler. Eu que sou velhinho, fui obrigado a comprar uma senhora lupa made em China, para amplificar a letra e pode entender o que se escreveu. Começo a ler num dia e só termino no outro dia a tarde devido a minha dificuldades. Não sei o que o UOL ganha de espaço em armazenamento com HDs para exigir isso. Poderia por exemplo, voltar ao tamanho antigo e classificar o grau de importância por cores e não por tamanho. Não digam que eu não dei essa boa ideia. Assim,uma resposta boa, como muitas que vejo aqui seria destacada em vermelho, uma mais ou menos azul e a bestialidade que infelizmente assola este blog de vez em quando, deveria ser destacada com um amarelinho bem claro ,ou ainda este cinza claro, cor do fundo do monitor. Aproveito para pedir desculpas àqueles que possuem monitor preto e branco. Depois dessa, deixo meus elogios ao Salva e demais participantes que levam o blog a sério, que tanto engrandece nosso conhecimento. Parabéns a todos.

    1. Uma sugestão é o senhor segurar o botão Crtl e usar a rodinha do mouse para amplificar ou diminuir a tela do seu navegador. Assim fica mais fácil ler as letrinhas pequenas. Um abraço, Guilherme.

      1. Salvador, viu na Globonews de hoje 11:30hs, uma matéria grande sobre os 50 anos da série StarTrek?
        Parece que continuará a matéria amanhã. Abs.

  3. Já que vão mergulhar o Rosetta no final da missão, poderiam tentar dar um empurrãozinho no Fila pra ele pegar sol novamente e poder carregar as baterias…

  4. Salvador, o período orbital desse cometa é bem curto (cerca de 78 meses), não haveria possibilidade da sonda que está hibernando voltar a operar no próximo periélio?

    1. Nah, já pifou de vez. O frio estragou os circuitos. Nem a Rosetta tem esperança de funcionar durante o afélio. Por isso estão encerrando a missão.

    1. talvez daqui a um ou 2 séculos astroarqueólogos se interessem em voltar ao cometa para recuperar a relíquia histórica! 😀

      1. Se ele estiver lá ou não estiver soterrado.
        Mas é uma baita ideia prum conto de ficção científica! 🙂

        1. Me perdoe se a pergunta for muito óbvia, mas eu não tenho esse certeza porque não sou fanático por Star Trek. Mas tem um episódio em que a tripulação da Enterprise recupera a Voyager, não tem?

          1. Tem um filme em que a Enterprise encontra a fictícia “Voyager 6”, gêmea das Voyagers 1 e 2. 😉

          1. Davi,
            Você podia aproveitar e fazer um “Merchan” dos seus trabalhos aqui no blog, postando algum link, assim poderíamos conhecê-lo melhor, acredito que o Salvador não se importará.

          2. Afrânio, infelizmente ainda não existe, está só dentro da minha cabeça mesmo… 🙁
            Trabalho em TI, e a pouco mais de um ano também retornei aos estudos, e estou cursando física no período noturno. Como vc deve imaginar, assim fica bem difícil eu continuar escrevendo no ritmo que escrevia alguns anos atrás. Mas certamente pretendo concluir este e outros contos que ficaram incompletos, não gosto de deixar coisas inacabadas… 🙂

          3. Legal saber que gostou!! Dá uma olhada lá, tem bastante material pronto (acho que uns 180 textos publicados). Dá para se divertir bastante até eu começar a publicar de novo, o que pretendo fazer nas minhas próximas férias de dezembro. 🙂

          4. Afrânio, meu livro “Fórmula do Caos” pode ser encontrado aqui.

            http://editoramultifoco.com.br/loja/product/formula-do-caos/

            Mas pode demorar um pouco para o pedido chegar: a editora Multifoco imprime por demanda, de acordo com os pedidos sendo solicitados.

            Se quiser, ainda tenho 2 ou 3 exemplares aqui comigo, em bom estado ainda. Se quiser pode entrar em contato comigo para combinarmos como eu faço pra te enviar: david.filho@usp.br

            A história é bem interessante, se passa num futuro bem próximo (daqui a alguns ano) e conta a história de um matemático que descobre, inicialmente, como prever a sequência dos números primos, mas depois consegue generalizar para a previsão de qualquer evento caótico e discute as consequências surpreendentes da descoberta.

            Não é muito extenso, tem 100 páginas. Dá para ler num fim de semana… 🙂

    1. Tornou mais épica a missão. O retorno de ciência foi menor, mas não consigo ver símbolo melhor da ousadia humana. A bichinha se prendeu de lado num pedaço de rocha num cometa no vaziozão do Sistema Solar. Isso é SENSACIONAL! 🙂

  5. O curioso é que na foto, uma das partes do módulo Philae está tomando um solzinho… 😀
    Seria interessante se tentassem pousar a Rosetta nas proximidades da Philae 😀

  6. O interessante Salvador, é que em todas essas experiências havidas ao longo desses últimos anos, nada evidenciou haver vida extra terrestre neste Universo de meu Deus. Obviamente, a não ser os relatos testemunhados e já conhecidos aqui na Terra.
    Qual o seu conceito sobre a expectativa dessa existência?

    1. Meu conceito é que procuramos muito pouco. Sabemos que dos 4,5 bilhões de anos desta Terra de seu Deus, durante 3 bilhões de anos só havia bactérias por aqui, e durante meio bilhão de anos, nem isso. Se um ET quisesse encontrar vida na Terra há 1 bilhão de anos, precisaria descer e estar equipado com microscópio. Não descemos em lugar algum com microscópio até agora. Só trouxemos rochas da Lua, e olhe lá. Talvez não tenhamos encontrado vida em outra parte do Sistema Solar só porque não procuramos direito, e não por que ela não exista. Vai saber.

      1. Caro Salvador. Voce nem eu sabemos em que dimensao um ET poderia existir. Nao ha referencia entre o micro e o macro cosmo, nao sabes tu em que dimensao os ETs poderiam estar ou existir. Se um ET fosse um atomo em seu tamanho, uma bacteria poderia ser sua Galaxia a ser explorada. Infeliz esse seu comentario.

        1. Nem sei que comentário foi infeliz (não vejo o contexto), mas imagino que você se refira a escala. E não é totalmente verdade o que você diz. A gente conhece limites máximos e mínimos para vida — ao menos na forma que a conhecemos — e uma das revoluções da mecânica quântica foi mostrar que há tamanhos mínimos, além dos quais não dá para ficar menor. Da mesma forma, uma forma de vida grande demais corre o risco de colapsar sob seu próprio peso. Então, de novo, não sei qual foi meu comentário anterior, mas não acho que possa ter sido tão infeliz assim.

        2. comentário não é infeliz, apenas nos faz pensar que não há regras para o t.ipo de possível vida fora da Terra. Levando em conta que o homem atual, surgiu a cerca de apenas 500 mil anos, originário de um processo que durou poucos milhões de anos. Sabemos que o Universo possui algo em torno de 13,5 bilhões de anos. Diante disso podemos pensar que o tipo de vida que se busca, pode ser tanto mais evoluída quanto mais atrasada, com relação à nossa espécie. Suponhamos que uma espécie encontrada tenha surgido, evolutivamente ou não, há 1 bilhåo de anos, por exemplo, já pensou o quanto atrasados seríamos? Ou ao contrário, poderíamos nos gabar por sermos os mais evoluídos do cosmos. Claro que é só um comparativo, existem muitos fatores que podem acelerar ou retardar um processo, pelo qual o tempo é um dos grandes responsáveis.

        3. Andre, não faz sentido seu comentário. Existe sim uma referência entre a vida micro e o macro. Aqui na Terra temos exemplos de vida minúscula como um vírus, que se mede com escalas atomicas, e vidas imensas como uma baleia-azul. E se um ET fosse do tamanho de um átomo, ele seria um atomo e não um ser vivo. E isso vale para qualquer lugar no universo.

        4. André sei bem de onde vem essa linha de pensamento. Tia Blavatsky não aprova seu comentário! kkkkkkkkkkkkkk

      2. um ET do tamanho de um átomo precisaria ser formado de coisas menores que átomos… não vejo como isto poderia ser possível. seria um ET com células feitas de quarks? um monte de quarks ocupando o volume de um átomo seria algo muito instável, o ET duraria frações de nanosegundos, no máximo…

  7. Salvador, a sonda e o módulo correm o risco de serem ejetados do cometa numa próxima passagem pelo Sol, não é? Então não haveria a possibilidade da sonda pelo menos começar a transmitir novamente quando isto acontecesse caso seus sistemas não fossem danificados nem pela colisão e nem pelo frio, mantendo seu aquecimento interno?

    1. Geraldo,

      A força de atração é diretamente proporcional as massas dos corpos, e inversamente proporcional ao quadrado da distância, portanto, os dois artefatos pousados no cometa só serão ejetados dele, se houver alguma colisão ou algum outro evento catastrófico no cometa, as ejeções comuns são apenas de partículas de poeira e água, com pouquíssima massa em cada uma das partículas! Por favor me corrija se eu estiver errado.

      1. Sim, mas a gravidade do cometa é muito fraca, qualquer forcinha causada por ejeção de material mandaria tudo para o espaço mais cedo ou mais tarde. É por este motivo que os cometas deixam seu rastro de partículas pelo caminho. Penso que se a sonda tivesse condições de transmitir se os seus sistemas não estivessem danificados o suficiente talvez ela pudesse enviar um sinal. É claro que uma colisão pode ferrar tudo, mas se os painéis solares tivessem em condições no caso de uma ejeção futura, algum sinal poderia ser transmitido. É claro que a antena teria que estar pouco danificada e apontada para a Terra, o que seria uma grande sorte, mas se isto tudo desse certo ela ainda teria alguma utilidade. Não sei se o pessoal da ESA não pensou nesta possibilidade, transformar a sonda num segundo módulo de pouso capaz de transmissão do solo ou depois de uma possível ejeção.

  8. Então o pequeno robô e a sonda permanecerão definitivamente pousados no cometa? A trajetória dele ( cometa) é longa o suficiente para alcançar pontos mais distantes da nossa galaxia? Se eles estivessem pintados com uma cor neon bem cheguei, haveria a pequena possibilidade serem avistados por, vamos dizer, vizinhos distantes? Perdoa ai se eu tiver falado muita besteira…

  9. Boa tarde Salvador!

    Fazendo apenas um exercício de imaginação: qual seria a reação de um ser inteligente não terrestre encontrar este minúsculo equipamento Made in Earth pousado num cantinho do cometa? Em uma das diversas luas do nos sistema solar ainda haveriam umas boas relações de tamanho, mas encontrar algo na agulha perdida no palheiro do universo seria fantástico.

    1. É. Por outro lado, num cometa ativo, a chance de ele ficar aí pelos bilhões de anos exigidos para ser encontrado é pequena. Ou será soterrado pela poeira, ou ejetado pelo cometa. 😛

  10. Boa tarde à todos!

    Notícia interessante essa Salvador. Após o pouso, a Rosetta fará transmissão de dados ou não há previsão disto acontever???

  11. Salvador, primeiramente parabéns pelo blog! Sou leitor ativo, mas confesso que é a primeira vez que te escrevo algo por aqui.

    Uma pergunta, por este pouso ter sido inédito, e algo tão grandioso e difícil de se fazer, não valeria a pena a Nasa tentar fazer algo para reposicionar o Philae e assim conseguir a luz solar necessária e prosseguir com a missão?!

    Fazer outra missão futura como essa, não seria mais caro do que tentar algo que possa reposicionar o Philae?

    Uma missão tão trabalhosa como essa, com todos os empecilhos tecnológicos da nossa época, e com o pouso tendo sido, digamos, um sucesso, mesmo o Philae não estando no lugar desejado, está pousado, pois ele poderia não ter conseguido, só isso já não é o suficiente para tentar algo? Invés de simplesmente deixar ele lá?

    Obrigado e Abraços.

    1. Julio, legal sua iniciativa de comentar! Bem-vindo! O pouso foi da ESA, não da Nasa. E a ESA bem que tentou fazer isso, chacoalhando o robô e mexendo os paineis para tentar pegar sol, mas, como agora todos podemos ver, a posição em que ele caiu foi bem ingrata. A essa altura, a sonda não responde mais aos comandos, o cometa já está longe demais do Sol, e os componentes eletrônicos já foram danificados irremediavelmente pelo frio intenso. Foi bom enquanto durou, o Philae produziu grande ciência em suas 60 horas de operação, mas a missão acabou.

      1. A missão acabou, infelizmente né?! Foi uma pena não ter dado tão certo assim. Agora minha expectativa é estar vivo para ver alguém mandar um robozinho à Titã, explorar aquele incrível mundo e seus mares.

        Agradeço a resposta Salvador, bem esclarecedora.

        Abraços!

  12. Caro Dr. Salva, Rosseta pousara ou cairá como Philae? Existe algum tipo de propulsão para controle do pouso?

      1. Vocês dois estão uma gracinha nesse xaveco mútuo, mas já deu, né? Vamos baixar a bola todo mundo e nos comportar como adultos, shall we?

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