Nasa fará anúncio de ‘atividade surpreendente’ em Europa, a lua-oceano de Júpiter

Salvador Nogueira

A Nasa se prepara para anunciar evidências de, nas palavras da própria agência, “atividade surpreendente” em Europa, a mais intrigante das luas de Júpiter. Ela é conhecida por ter um oceano de água líquida potencialmente habitável sob sua crosta de gelo.

Uma teleconferência foi marcada para a próxima segunda-feira (26), a partir das 15h (de Brasília), para apresentar os resultados, obtidos a partir de imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble.

De acordo com o comunicado sumário, astrônomos apresentarão resultados de uma “campanha singular de observação de Europa que resultou em evidências surpreendentes de atividades que podem estar relacionadas à presença de um oceano subsuperficial em Europa”.

Se o Mensageiro Sideral fosse bidu, diria que provavelmente é a tão esperada confirmação de que ocasionalmente Europa emite plumas de água para o espaço, a exemplo do que faz a lua saturnina Encélado.

O Hubble já havia feito uma detecção nessa direção em 2013 (e claro que você leu sobre ela aqui), mas a falta de corroboração em anos subsequentes, assim como em registros de observações feitas em anos anteriores, inclusive por sondas, deixou uma dúvida no ar — poderia esse ser um fenômeno recorrente ou seria apenas um episódio raríssimo? Pior ainda, poderia ser um falso positivo?

Agora, ao que tudo indica, os astrônomos devem ter conseguido a confirmação de que isso acontece mesmo. Ou, alternativamente, como o Mensageiro Sideral não é bidu, pode ser outra coisa. Só saberemos na segunda-feira que vem.

De toda forma, a ansiedade é grande. Caso as plumas realmente sejam recorrentes, é boa a chance de que a próxima missão a Europa, que deve decolar no começo da década de 2020, possa estudar o conteúdo da água mesmo sem realizar um pouso — e, quem sabe, encontrar evidências de vida em seu oceano subsuperficial.

Confira abaixo um vídeo que conta mais sobre a missão vindoura, a lua Europa e seus segredos.

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Comentários

  1. Salvador…Arthur Clarke ha 50 anos ja previra essas características em Europa…e deixava a imaginação livre com a vida sub aquatica…

  2. Salvador, pesquisando entrei em contato com as idéias de um tal Paul Davies. Ele postula basicamente que existe uma probabilidade estatística não-desprezível de que, em algum momento do passado longínquo, alguma civilização ET possa ter ‘plantado’ uma sonda na Lua para nos observar – bem ao estilo do monolito do 2001.

    Isso merece credibilidade?

    abraço.

    1. Paul Davies é um cara muito interessante, mas tem várias ideias não-ortodoxas. A ideia do monolito na Lua é absolutamente científica já desde 2001. Aliás, o próprio 2001 tinha um prólogo sobre máquinas de Von Neumann que acabou cortado, mas que ajudava a entender a ideia do monolito em termos científicos.

  3. Apenas conjecturando…..

    1. Caso nós encontrássemos vida mais evoluída do que bacteriana em outros corpos celestes…. o que seria preciso para que NÓS a considerássemos ‘inteligente’? Se encontrássemos animais equivalentes a cachorros e gatos? E se achássemos animais equivalentes a nossos ancestrais próximos, como o Cro-Magnon? Ou mesmo ao Homo sapiens sapiens de 20-30 mil anos atrás, ou seja, a nós mesmos sem o desenvolvimento cultural (mesmo sabendo que a chance é pequeníssima, dado o pequeno ínterim que essa civilização assim existiu frente ao tempo de existência do planeta)?

    2. E se civilizações extra-sistema solar tiverem aprendido a viajar a velocidades mais próximas da luz? E se transferiram suas próprias vidas para veículos construídos para permanecerem em constante movimento a uma super-velocidade? Neste caso, a noção de tempo deles é muito diferente da nossa (relatividade). Assim, talvez mandar uma mensagem de rádio pra nós e esperar 100 ou 1000 anos-terrestres por uma resposta não seja uma espera assim tão longa!

    1. 1- Acho que inteligente trataríamos com tecnologicamente avançado. Se tiver pelo menos uns arcos e flechas e umas lanças, tá valendo. Menos que isso, nhé.
      2- Duro é nós acertarmos o alvo com um transmissor em movimento relativístico… rs

  4. Salvador, façamos o raciocínio inverso um pouquinho?

    Caso exista vida inteligente em algum local próximo (digamos tão inteligente quanto a nossa ou pouca coisa a mais), quão perto de nós eles (ou uma sonda) precisaria chegar da Terra para concluírem que estamos aqui?

    1. Bastaria eles terem um sofisticado sistema de radiotelescópios e estarem dentro da bolha das nossas transmissões. Então, eu diria, uns 70 anos-luz. Sendo pessimista e imaginando que ninguém constrói redes de radiotelescópios supermegamaster gigantes pra assistir a transmissões de TV alienígenas, eles poderiam investir em técnicas espectroscópicas sofisticadas para detectar composição atmosférica e nos detectar pela nossa poluição. Aí a distância varia com a sensibilidade. Há cientistas propondo que, com a tecnologia atual, poderíamos detectar “porcões” em planetas ao redor de anãs brancas próximas…
      http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2014/07/24/em-busca-dos-porcoes-do-espaco/

  5. “Atividade surpreendente na Europa” vocês vão ver quando esse monte de refugiado começar a tocar o horror….

  6. Só gostaria de imaginar o momento de uma sonda chegar e perfurar aquela camada espessa de gelo e começar a bisbilhotar as entranhas daquele aquário gigante cheio de vida.

  7. Salvador, você sabe dizer , se o encerramento da missão Cassini , estava previsto para esta data atual, ou a partir de quando se estabeleceu esta data, porque li uma matéria, dizendo que eles não estavam conseguindo regular e manter a orbita dela(sonda Cassini), porque a orbita dela estava sofrendo constantes alterações gravitacionais , por motivos “desconhecidos, e este estaria o motivo de um possível encerramento precoce.

    1. Uau! Uma pergunta! 🙂
      A Cassini sofreu várias extensões de missão ao longo do tempo — procedimento comum para espaçonaves que duram mais que sua vida útil mínima estimada (o jipe Opportunity tinha missão nominal de 3 meses e está funcionando em Marte há 12 anos! Já o irmão dele, o Spirit, pifou faz tempo!). Houve um esforço para mantê-la em operação até o início do verão no Norte de Saturno — para que a Cassini pudesse comparar dados do planeta no inverno e no verão.
      O fim da missão é algo esperado — chega um ponto em que você não tem como fazer novas descobertas com os mesmos instrumentos e as mesmas perspectivas. (O caso do Opportunity é incomum porque, perambulando pelo solo de Marte, ele sempre pode topar com olhos eclodindo amanhã! Ainda assim, é improvável que ele produza manchetes além das que já produziu.)
      As discrepâncias na órbita da Cassini — se é que havia mesmo, astrônomos franceses sugeriram que sim, o JPL, que opera a sonda, descarta — seriam pequenas demais para causar qualquer impacto ao planejamento da missão. Aliás, se houvesse qualquer discrepância, o Grand Finale seria o mais ameaçado, porque as manobras exigirão precisão incrível para evitar chocar a Casaini contra os anéis e danificá-la irreparavelmente.
      Resumo da ópera: a Cassini está encerrando a missão porque chegou o verão em Saturno. E vale lembrar que o combustível da sonda é limitado; uma hora iria acabar, deixando-a à deriva e correndo o risco de contaminar ambientes habitáveis por lá. Melhor encerrar a missão de forma controlada do que ficar sem combustível e ter de encerrar sem controle, deixando-a por lá como lixo espacial…

      1. Vlw!! entendi se tua resposta, esta querendo dizer que no momento do lançamento, ano tal(xxxx), ela estava prevista par encerrar no verão do polo norte de 2016. sua resposta satisfaz minha pergunta; mas se no momento do lançamento, a previsão estaria tipo alem de 2018 tipo , e resolveram limitar ate o verão do polo norte de 2016, me deixa duvidas, que estaria onde um continuaria uma linha de pesquisa que pretenderia incluir , como incidência de que, existe “algo” acontecendo por ai “entende”. e que a matéria que li insinuava por um possível motivo, como estando aquele, que você não gosta de dizer( que digam), se sabe qual!. Bom e eu concordo com você, sobre este comportamento, quero deixar claro isto aqui, afinal você esta um escritor e cientista, pesquisador renomado, não vá colocar em risco o teu conselho acadêmico, por causa de especulações. deixa esta parte informal para os “pareidoilicos” informais e amadores como eus do blogs.rsrsrsr “se o cliente colocar pimenta demais no prato, o master chefe não tem nada haver com isto! ele já cumpriu a parte dele. vai ao gosto de cada um”.

        1. Não, acho que você não entendeu minha resposta.
          A missão primária da Cassini era de quatro anos. Os cientistas planejaram de início esses quatro anos, do mesmo modo que a missão do Opportunity de início era de três meses.
          Finda a missão primária (e isso vale para qualquer missão, a New Horizons passou por esse processo recentemente, a Dawn, os jipes marcianos etc.), a Nasa faz uma revisão em que os cientistas têm a chance de dizer se querem ou não estender a missão e o que pretendem fazer e descobrir na missão estendida. A Cassini passou por duas revisões dessa e duas missões estendidas. A primeira, compreendida entre 2008 e 2010, se chamou Equinox — referente ao equinócio em Saturno, primavera ou outono, dependendo do hemisfério. A segunda, compreendida entre 2010 e 2017, se chamou Solstice — solstício de verão no hemisfério Norte saturnino. Então, o que posso dizer a você é que em 2010 eles tiveram o plano aprovado para conduzir a missão até 2017. Faz sete anos que eles sabiam que a missão ia acabar em 2017. Não desde o lançamento, em 1997. Mas veja: estamos falando de uma espaçonave que está há 20 anos no espaço! Ela fez sua parte com louvor! Os componentes estão gastos, o combustível está acabando… é hora do apagar das luzes.

          1. Ok entendido vlw!! não vou colocar este fato especulado que li em outro artigo, como incidência na minha linha de pesquisa. sua parada no caso,o como narrou, demonstra estar alem do normal.(normalíssimo).
            provável que haja ate alguma avaria, que acarreta estas instabilidades etc..vlw!!

  8. Enqto o homem não chega “lá” (distâncias espaciais e suas implicações continuarão sendo o grande problema), contamos com as sondas espaciais, o que é ótimo! Quanto mais próximas elas consigam chegar de diferentes corpos celestes, e estabeleçam observações diretas, mais e mais realistas tendem a ser as conclusões. E muitas delas vão, uma a uma, contradizendo teorias formuladas (e até então acalentadas como verdadeiras). O q dizer então das ilações científicas –tidas até como “sagradas”– a respeito de anos recuados no tempo e de distâncias medidas em anos-luz, tudo na casa dos milhões/ bilhões? Não ficam entre a pretensão e a fantasia?

  9. Salvador amei o vídeo. Milhares de ideia sugiram! Indo das técnicas de como amostrar o solo como analisar, qto tempo terá a missão, indo até as mais filosoficas curiosidade significa sobrevivência perpetuação da espécie, manutenção da vida? Quero viver p sempre

  10. Não sou nenhum teórico da conspiração. Mas não acredito em nada que a NASA diz. Esses cientistas ateus vivem buscando alternativas para a vida fora da TERRA que não existe. Acredito sim nas palavras do evangelho que diz que os CÉUS e a TERRA que agora existe se reserva para o “fogo”. 2 a Pedro 3-7. É nisso que eu acredito. E tudo está se cumprindo, e esses cientistas ateus e os magnatas que acham que vão viver nesta TERRA pra sempre inventam tais coisas para enganar os incautos.

    1. A Nasa está cheia de cristão. Buzz Aldrin fez comunhão na Lua, e os astronautas da Apollo 8 leram trechos do Gênesis em órbita da Lua. A beleza da ciência é que ela é a mesma independentemente da sua fé. Cristãos, muçulmanos e ateus podem trabalhar juntos na Nasa, porque ela é norteada pela ciência, não em algum hocus pocus particular de alguém. 😉

  11. Impressionante que a dança da gravidade entre essas luas e jupiter cria marés tão intensas que causa vulcanismo em suas luas!! Lembro que na época da missão galileu pensava-se ser uma lua congelada e estéril. Io, de uma pequena luazinha sem graça passou a ser um dos piores infernos do sistema solar, com tanta atividade que chega a expelir para o espaço particulas que formam um toro de plasma em volta de jupiter, com direito a descargas eletricas! Lembro ter ficado fascinado sobre as descobertas. Os mundos mudam!! É uma pena que a comunidade científica se empolga que talvez possa animar o governo a financiar um projeto por ficar mais barato, não necessitando de um pouso. é claro que se fosse possível um pouso a possibilidade de descobrir o que nem se esperava cai consideravelmente. Quando se estuda sobre as várias gerações de missões com sondas, era sempre necessário equipar com algum equipamento voltado a estudar mais sobre algo suspeito observado na sonda anterior, que não tinha o detetor adequado por que a equipe simplesmente não esperava o fenômeno.

    1. Desculpem, acho que fica melhor assim; “Quando se estuda sobre as várias gerações de missões com sondas, se percebe que é sempre necessário equipar…” é claro que novos equipamentos também entram em uso ou são refinados por ter-se a disposição uma tecnologia que simplesmente não existia em missões anteriores, mas é fato que certos detectores são adotados ou calibrados visando descobertas feitas em visitas de outras sondas.

  12. Na real, Europa é apenas uma bola de gelo, extremamente distante de uma fonte de calor, temperaturas extremas (~ -160 – 220ºC) e sem uma atmosfera protetora. Nem mesmo a “Deinococcus radiodurans” sobreviveria num ambiente tão inóspito, já que ela precisa, além de O², + uma gama de outros compostos orgânicos para sobreviver.
    Na minha singela opinião, a vida como conhecemos, é inviável nessa condições.

    1. Nyco, tem muita forma de vida que não precisa de O2. E não tem radiação sob 10 km de gelo. Lá embaixo é quente, tem compostos orgânicos. Não tem luz. Mas no fundo do oceano terrestre, onde a vida surgiu, também não tinha. Até aí…

      1. Caro Salvador, respeito a sua opinião, mas, lembre-se de que suas afirmações são apenas teoria. Somente com o envio de uma sonda orbital, que leve um módulo de aterrissagem para análise do alto e da superfície, in loco, tal qual foi feito em Titã, é que essas afirmações poderão ser comprovadas ou não. Por sinal, foi por tais meios que os lagos líquidos de Titã, antes previstos em teoria, foram confirmados.

        1. A essa altura há muitas medições que corroboram o oceano de água líquida. Não há como explicar os traços tectônicos no solo sem ele, e não há como imaginar a estrutura interna da lua sob o efeito de maré de Júpiter sem ele. As plumas também seriam impossíveis sem ele. Ou seja, múltiplas linhas de evidência apontam nessa direção. Claro que, quanto mais, melhor. Mas a essa altura é um fato consumado.

      2. Há controvérsias!
        Segundo a hipótese de Oparin, os coacervados foram os “precursores” das primeiras formas de vida a surgirem nos oceanos primitivos do nosso planeta e, um dos pré-requisitos fundamentais era a luz, muita luz, raios ultra violeta, calor. Assim sendo, precisava, necessitava, estar na superfície das águas.

          1. Fora de moda? Esta foi feia, Salvador. Além de ser a hipótese mais aceita, ainda é uma hipótese como tantas outras, inclusive anteriores a ele.

  13. no filme 2010: Odyssey Two…. Ao alunissar em Europa ..para reabastecer .. a <strike<Petrobras nave interplanetária Chinesa Tsien foi destruída por uma “lula” alienígena….. rsrsrs

    1. no filme 2010: Odyssey Two…. Ao alunissar em Europa ..para reabastecer .. a Petrobras nave interplanetária Chinesa Tsien foi destruída por uma “lula” alienígena….. rsrsrs

  14. Fico imaginando o cidadão europeu médio do séc XVI dizendo em uma taberna:”agora deram de querer navegar para além de nossas terras,como se houvesse vida no outro lado do mundo!Absurdo!Todos cairão em um imenso precipício,se não forem devorados por alguma fera do mar.
    Tanta coisa a se resolver aqui e estes lunáticos querendo “descobrir” novas terras…”

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