Mensageiro Sideral

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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AO VIVO: Pouso da Rosetta no cometa

Por Salvador Nogueira

A missão europeia Rosetta, que nos últimos dois anos revolucionou a nossa compreensão dos cometas e da formação do Sistema Solar, está caminhando para o seu final. O controle da missão em Darmstadt, na Alemanha, já comandou a sonda a descer suavemente sobre a superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Acompanhe ao vivo, a partir das 7h, a transmissão do Mensageiro Sideral, com imagens da Agência Espacial Europeia e comentários do engenheiro aeroespacial Lucas Fonseca, que participou do projeto, e do astrônomo Cássio Leandro Barbosa.

A manobra final, que colocou a sonda em queda livre na direção do núcleo do cometa, foi realizada às 17h48 de quinta-feira (29), pelo horário de Brasília — uma queima do propulsor de 208 segundos, concluída com sucesso.

Será uma descida frenética, de uma altitude de 19 km até zero, com a Rosetta tirando fotos, colhendo medidas e transmitindo os resultados em tempo real, durante toda a descida. Uma vez que ela toque o chão, o contato com a Terra será interrompido e a missão estará terminada.

A sonda já começou a enviar imagens de sua descida, a primeira delas a uma altitude de 16 km. Com elas, foi possível estimar com precisão maior o momento exato esperado do pouso: 7h38, com margem de erro de mais ou menos dois minutos. Mas lembre-se: o cometa Churyumov-Gerasimenko, a essa altura, está a 40 minutos-luz de distância da Terra, o que significa que o sinal confirmando o fim da missão só deve chegar a nós por volta de 8h18.

A superfície do cometa vista pela câmera OSIRIS, da Rosetta, durante a descida, a 16 km de altitude. (Crédito: ESA)
A superfície do cometa vista pela câmera OSIRIS, da Rosetta, durante a descida, a 16 km de altitude. (Crédito: ESA)

A trajetória de descida a levará ao contato com o solo do cometa na região batizada pelos cientistas de Ma’at.

O maior interesse nessa área, localizada no lobo menor do cometa, são imensos buracos em sua superfície, com diâmetros que chegam a ultrapassar uma centena de metros. Idealmente, a sonda não descerá dentro de um deles (embora seja impossível descartar, uma vez que há incertezas no local exato de descida), mas conseguirá tirar fotos de alta resolução de suas paredes laterais.

Os buracos têm dois atrativos científicos principais: primeiro, estudar a relação que eles têm com a atividade que ocorre no interior do cometa. E, segundo, mas talvez mais interessante, investigar a estranha textura granulada de suas pareces internas, visível até mesmo em imagens orbitais. Nessas paredes estão inscritos, de forma bastante literal, os blocos formadores do próprio cometa e, por consequência, do Sistema Solar.

Imagem colhida pela câmera OSIRIS a 11,7 km do cometa e recebida às 2h25 (Crédito: ESA)
Imagem colhida pela câmera OSIRIS a 11,7 km do cometa e recebida às 2h25 (Crédito: ESA)

Embora vá ser efetivamente um pouso — com um contato bastante suave sobre o solo do cometa –, a Rosetta foi projetada para ser um orbitador, e sua estrutura não é resistente o suficiente para sobreviver ao procedimento. Ele marcará, com chave de ouro, o fim da missão.

Durante a descida, 4 dos 11 instrumentos não estarão operacionais, a fim de maximizar o desempenho dos demais. No total, os cientistas esperam colher quase 200 MB de novos dados, entre imagens, medições e telemetria.

Ao realizar a manobra, a missão Rosetta protagonizará seu segundo pouso num cometa. O primeiro foi feito pelo módulo Philae, em novembro de 2014. Ele foi levado até o cometa Churyumov-Gerasimenko acoplado à Rosetta, sua nave-mãe, que agora se junta a ele na superfície do astro.

O cometa a 8,9 km, em imagem da OSIRIS recebida às 3h53 (Crédito: ESA)
O cometa a 8,9 km, em imagem da OSIRIS recebida às 3h53 (Crédito: ESA)
Imagem a 5,8 km, recebida às 5h18 (Crédito: ESA)
Imagem a 5,8 km, recebida às 5h18 (Crédito: ESA)

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