Mensageiro Sideral

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: O oceano de Dione

Por Salvador Nogueira

Surgem evidências de que a lua Dione, de Saturno, também tem um oceano, quiçá habitado.

O MAIS NOVO MEMBRO
A ideia de que a água em estado líquido era uma condição rara no Sistema Solar está indo, literalmente, por água abaixo. Um novo estudo fornece evidências de que Dione, uma das luas de Saturno, também tem um oceano sob sua superfície de gelo.

O CLUBE DA ÁGUA
A essa altura ela se junta a um grupo bastante numeroso de astros: suas vizinhas Encélado e Titã também têm oceanos sob a superfície, e duas luas de Júpiter estão na mesma condição: Europa e Ganimedes. Isso sem falar no especulol que rola sobre outras luas e até alguns planetas anões, como Plutão. Parece, a essa altura, que há oceanos de água por todo lado.

TEORIA E PRÁTICA
No caso de Dione, a constatação foi feita por astrônomos do Observatório Real da Bélgica, lançando mão de dados da trajetória da sonda Cassini, conforme ela sobrevoava a lua de 1.100 km de diâmetro, e um modelo da estrutura interna do astro. Ao encaixarem as duas coisas, os cientistas sugerem a existência de um oceano global de cerca de 60 km de profundidade sob uma camada de 100 km de gelo superficial.

ONDE A VIDA COMEÇA
E o mais importante, no caso de Dione, é que esse oceano oculto deve estar em contato direto com um leito rochoso. A maioria dos pesquisadores vê razões para acreditar que a vida tenha surgido na Terra, uns 4 bilhões de anos atrás, em torno de fontes hidrotermais, nas profundezas dos oceanos, onde existem nutrientes e energia necessários às reações químicas capazes de dar o pontapé inicial à biologia.

CAMINHOS DA EVOLUÇÃO
Pode ter acontecido em Dione ou em outros mundos similares a ela? Provavelmente sim, mas o certo é que, nessas condições, a vida evoluiria numa direção muito diferente da que aconteceu na Terra. Estamos falando de uma biosfera escura e aprisionada, sem acesso ao principal impulsionador da complexidade biológica em nosso planeta: a luz do Sol. O que a seleção natural poderia produzir com esse tipo de restrição? A resposta pode muito bem estar lá, escondida de nós sob 100 km de gelo.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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