Mensageiro Sideral

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Schiaparelli no solo marciano; TGO em órbita

Por Salvador Nogueira

Depois de seis minutos de atrito furioso com a atmosfera marciana, o módulo de pouso russo-europeu Schiaparelli chegou ao chão por volta das 12h47. Mas, sejamos francos, ainda não sabemos em quantos pedaços. Os dados de telemetria da descida foram recebidos na Terra, onde estão sendo neste momento analisados pelos cientistas.

Na transmissão direta, o sinal foi perdido pouco antes de o veículo tocar o solo. A bordo do orbitador Mars Express, que recebeu os mesmos dados nas cercanias de Marte e os retransmitiu para cá, houve a mesma interrupção da telemetria, poucos momentos antes do pouso. Isso já descarta a possibilidade de que a perda de sinal tenha sido uma simples falha de comunicação. A boa notícia é que, com certeza, o módulo resistiu à entrada violenta com a atmosfera e chegou perto de operar até o chão. A má é que ele pode muito bem ter pifado antes de concluir a travessia.

“Para saber isso, precisamos de mais informações”, disse Paolo Ferri, chefe de operações de missões do centro da Agência Espacial Europeia (ESA) em Darmstadt, na Alemanha. “É óbvio que o que temos não é um bom sinal, mas recebemos mais de 20 MB de dados. Vamos analisá-los.”

Caso tudo tenha corrido bem, esse terá sido o primeiro pouso bem-sucedido de europeus e russos em Marte. Mas não está muito com cara de sucesso, no momento. De acordo com Ferri, é certo que a transmissão do módulo foi interrompida antes do toque com o solo.

Para saber se ele permaneceu operacional após a descida e está colhendo novos dados, será preciso restabelecer contato. Tentativas serão feitas pela sonda americana Mars Reconnaissance Orbiter na tarde desta quarta-feira (19). Então, cruze os dedos. Mas eu não prenderia minha respiração. A ESA promete uma atualização, com a análise da telemetria e de tentativas de comunicação, para a manhã de quinta.

E o tom do discurso, claro, é que o Schiaparelli era um teste tecnológico — a cereja no bolo, por assim dizer. Mais importante do que pousar (ou não), no caso dele, é ter os dados do voo para saber exatamente o que se passou e aprender as lições para a próxima tentativa. Agridoce, mas é assim que a exploração espacial funciona. E a possível perda do módulo de pouso não ofusca o sucesso científico da missão.

O SUCESSO
A nave-mãe do Schiaparelli, o Trace Gas Orbiter, realizou com sucesso sua manobra de inserção orbital e se tornou a segunda espaçonave da ESA a entrar em órbita de Marte. A primeira, o Mars Express, está lá desde 2003, e segue em operação.

Orbitador e módulo de pouso, juntos, compõem a missão ExoMars 2016, que deve fazer a primeira tentativa em quatro décadas de detectar evidências concretas de vida — passada ou presente — no planeta vermelho.

Confira abaixo a transmissão do pouso ao vivo feita pelo Mensageiro Sideral, com os comentários do engenheiro Lucas Fonseca e o astrônomo Cássio Barbosa.

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