A ‘super-superlua’ de segunda-feira

Nada como um feriado para passar a madrugada de segunda-feira sem se preocupar com a hora de acordar no dia seguinte. E um bom programa está garantido, com a expectativa sobre a aparição da segunda e maior da três superluas deste ano de 2016.

Esse papo de “superlua” é recente, e os astrônomos em geral preferem chamá-la de “Lua cheia próxima ao perigeu”, que acontece toda vez que a fase cheia lunar chega mais ou menos no mesmo momento em que nosso satélite natural está mais próximo da superfície da Terra.

Neste mês, o perigeu acontece no dia 14, às 8h36 da manhã, quando a Lua estará do outro lado do mundo com relação ao Brasil, mas a apenas 356.636 km de distância da superfície terrestre (o afastamento médio costuma ser de cerca de 384 mil km). Algumas horas depois, ela atinge sua fase cheia e então “nasce” para nós por aqui no horizonte leste, de modo que a noite do dia 14 promete uma Lua com um tamanho aparente um pouco maior do que o de costume.

Tem gente até dizendo que é a “superlua do século”, mas há uma dose de exagero aí. De fato, dos 16 anos que tivemos até agora no século 21, essa é a maior superlua. Mas teremos outras do mesmo naipe ao longo das próximas décadas. A próxima virá em 2034. Olhando para trás, a última comparável aconteceu em 1948 — há 68 anos.

A despeito desses números, perigeu é perigeu, e é impossível distinguir um do outro no olho. Veja você, já é difícil perceber a diferença entre uma superlua e uma minilua (a diferença no tamanho aparente é de apenas 15%). Que dirá entre uma superlua e uma super-superlua? De toda forma, Lua cheia é sempre bonita e vale a pena ficar de olho. Aproveite e confira abaixo os demais eventos celestes esperados para este mês de novembro!

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Comentários

  1. Olá Salvador, tudo bem? Achei interessante um fato quanto a esta “super Lua” que tivemos. Não só a mídia, mas os próprios astrônomos fizeram essa chamada pela super Lua para o dia 14, e as pessoas observaram a Lua na noite de 14 para 15. Mas, como você mesmo comentou, o perigeu ocorreu cedo de manhã, de modo que a Lua estava mais próxima da sua fase cheia na noite anterior, de 13 para 14. Além disso, estive verificando em um software de planetário que, devido ao bojo da Terra, as cidades brasileiras estiveram “mais próximas da Lua” também na noite de 13 para 14. Em Curitiba, por exemplo, foi à 00:43 do início do dia 14 (horário de verão). Em Fortaleza, onde também verifiquei, foi às 22:59 do dia 13. De qualquer forma, a Lua é sempre bonita, em qualquer fase! Parabéns pelo seu texto, seus trabalhos são sempre excelentes!

    1. Sim, é exatamente isso. De toda maneira, faz pouca diferença entre a distância nos dois dias e também no percentual iluminado da Lua. De todo modo, tive de amargar duas noites nubladas aqui em SP. 😛

  2. Aqui sem chance, nubladaço. Qdo eu namorava a mina dizia: olha a nuvem, tá cobrindo a lua. Aí eu falava, é que a lua tá se escondendo com vergonha do nosso amor. Agora a muié fala: olha! a nuvem tá cobrindo a lua. Eu falo, não tá vendo que vai chover, sua mula!

  3. Hoje na globo no Jornal Hoje falaram sobre a Super Lua! Entrevistaram um astronomo e a pergunta foi que efeitos a Super Lua poderia gerar. O astronomo disse que “nada muito significante…apenas uma polegada a mais na maré”.

    Será isso mesmo pouco? Afinal seria um aumento de uma polegada em todo o nivel do mar e uma polegada a menos do outro lado do planeta!

    Imagino o volume de água envolvido toda vez q a lua se aproxima no perigeu!

    Coincidencia ou não a terra tremeu legal na Nova Zelândia…

    1. Coincidência. A gente fala da Superlua como se fosse um evento gravitacional extraordinário. Não é. A Lua chega perto assim da Terra todo santo mês. Só não é todo santo mês que coincide com a Lua cheia. 😉

  4. BH quase não tem chovido, agora que vai ter a super Lua está chovendo a três dias. Lei de Murphy mesmo.

  5. Curitiba não nos dá esta oportunidade, utilizei poucas vezes meu telescópio. Já perdi a lua de “sangue” e agora perderei a grande lua. Esse lugar tem menos sol que Londres…

  6. Terremoto na Nova Zelândia. A maior aproximação da lua pode ter provocado a tensão que faltava para iniciar o terremoto?

    1. Improvável. Historicamente, não se vê correlação entre perigeus lunares e terremotos. Vale lembrar que a Lua passa perto assim da Terra todo mês. Só não é todo mês que isso coincide com a Lua cheia.

  7. Excelente matéria salvador, aproveitando a ocasião, gostaria muito que você fosse entrevistado novamente pelo Jô Soares, inclusive fiz a sugestão no site da do programa…

    1. Valeu, Diogo. Agradeço! Ele agora está na última temporada na Globo, acho improvável que eu tenha chance. Mas se ele for mesmo para o SBT, como corre o rumor, quem sabe? 🙂

    1. As órbitas são elipses, portanto, a Terra, os planetas e suas luas têm seu apogeu e perigeu. No caso da Terra, nossa órbita em torno do Sol tem uma elipse de excentricidade 0,0167 (razão entre os eixos da elipse), isto é, quase circular.

      O ponto mais próximo a que chegamos do Sol é a aprox. 147 milhões de km, mais afastado, 152 milhões de km, então nosso “Supersol” não é tão super assim… 🙂

      Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Translação_da_Terra

  8. Olá Salvador. Tem uma coisa em relação à Lua que eu não entendo. Você poderia ajudar?
    Sabemos que a Lua se afasta da Terra cerca de 4 cm ano devido à perda de velocidade do nosso planeta. A dúvida que tenho é a seguinte: Como a Lua ganha velocidade enquanto a Terra diminui sua rotação? Como se processa esse fenômeno?
    Desdejá obrigado.

    1. Marcos, é a troca entre energia potencial gravitacional e energia cinética. Conforme a Lua freia o movimento de rotação da Terra com sua gravidade, essa energia é redistribuída para a sua órbita, aumentando-a. É o princípio de conservação da energia em funcionamento.

  9. Olá Salvador!

    No perigeu, a Lua exercerá um maior efeito na Terra com sua força de atração gravitacional?

    Se sim em que isso afeta? Marés serão mais intensas? Rios/lagos alguma mudança? Atividade sísmica ou vulcânica pode ser afetada?

  10. Salva, bom dia.
    Por acaso existe um super sol também? E super Marte, Jupter Saturno e assim por diante?

    1. Supersol não, porque a variação da distância do Sol, embora exista, é muito pequena comparada ao tamanho dele para fazer diferença notável. O mesmo vale para superjúpiter e supersaturno, que estão muito afastados, aparecem sempre “cheios” da Terra, e não têm grande variação de brilho entre o perigeu e o apogeu. Marte a gente sente bem quando ele está mais próximo, porque é pequenino. Então temos “supermartes” a cada 26 meses.

  11. Fala Salvador, viu essa história do sistema europeu de satélites (Swarm) que tá estudando o campo magnético da terra através do campo magnético gerado pela a água salgada dos oceanos? Por falar em Superlua, será que vai ter algum efeito violento nas marés? abraço! PS: tasquei um outro e-mail hoje para ferrar com os trolls qualquer coisa vê no ip, falou

    1. O efeito na maré é perceptível, mas nada assustador.Sobre o Swarm, não vi não. Vou dar uma olhada. 😉

  12. A Lua tem enorme potencial de Minerais e hélio-3 para fusão nuclear. Além de Minerais Raros que aqui na Terra estão com as ofertas contadas. Vamos abrir mais o leque Salva. um grande abraço.

  13. Pelo menos poderemos observar se o Tratado do Espaço Exterior de 1967 está sendo respeitado. A corrida pela Mineração da Lua já não começou, hein?
    O pior é que empresas privadas já têm o aval de Governos (falta de recursos) para tal. Absurdo!? Você acredita mesmo que, num lançamento de satélite, sonda ou qualquer artefato, não são “integrados” outros capítulos da história Astronáutica?
    Até naves espaciais já são testada lá fora e, claro, os leigos já acham que são sinais que ets estão rodeando a terra ou a Estação Espacial.

    1. Também acho. Tinha colocado originalmente no pé do post anterior, como uma dica só. Mas aí o pessoal da Folha pediu pra eu fazer um post à parte, aí tirei de lá e coloquei cá.

    2. Por mais “fraquinho” que seja, trouxe perguntas interessantes dos leitores, que o Salvador respondeu e, assim, ensinou. Sempre se aprende mais com Astronomia, não existe tema “fraquinho”.

  14. Salvador, sempre tive uma dúvida. Quando a lua se aproxima da terra a sua velocidade muda? é que pelo muito pouco que lembro das noções básicas sobre órbita que tive no ensino médio (na época era segundo grau ainda) a manutenção de um corpo na órbita do outro depende da relação entre massa de ambos, distância e velocidade de órbita (está correto isso?). Se isso é verdade, então quando ela se aproxima da terra deveria aumentar a velocidade para compensar a proximidade, evitando uma queda definitiva, da mesma forma que teria que diminuir a velocidade quando se afasta, evitando uma fuga.

    Viajei muito ou é isso?

    Por fim, caso exista variação de velocidade, qual o mecanismo provoca a aceleração/desaceleração?

    1. É exatamente isso. A Lua acelera e desacelera, conforme descrito pelas leis de Kepler de movimento orbital (especificamente a segunda lei, que objetos varrem áreas iguais da elipse em tempos iguais). E o que causa a aceleração e a desaceleração é a variação da intensidade da força gravitacional, que é inversamente proporcional ao quadrado da distância. 😉

      1. Deixa ver se entendi: É como soltar uma bolinha de gude numa rampa de Skate né? A bolinha, conforme se aproxima da parte mais baixa da rampa (Terra), ganha velocidade e quando se afasta perde velocidade gradativamente até parar e começar a descer novamente.
        Seria mais ou menos isso Salvador?

        1. Sim. E se houvesse velocidade suficiente, a bolinha poderia sair voando e retornar do outro lado… Tem que ser muito lisa essa rampa 🙂

    1. Apesar de “tramp” (com “a”) significar “vagabundo”, parece que o cara é trabalhador. E não vive no mundo da Lua…

    2. Um amigo me disse o que é um petista que votaria no Trump: Trumpetista… (Infame e impossível, claro!) 😀

  15. Salvador,

    Existe algum site que indique a melhor localização geográfica nas principais cidades do Brasil para apreciar este fenômeno que acontecerá? Creio que há varios fatores, como quantidade de luz artificial, campo de visão, etc.

      1. Apenas para constar, quem for fotografar a Superlua, dificilmente vai conseguir fotografar também as estrelas de fundo.

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