Astronomia: Europeus mantêm plano para jipe ‘caçador de vida marciana’ de 2020

Salvador Nogueira

Apesar de falha, europeus mantêm plano de lançar jipe que buscará vida em Marte em 2020.

LÁ VAMOS NÓS DE NOVO
Mesmo depois da falha dramática do módulo de pouso Schiaparelli e de sucessivos estouros no orçamento, a ESA (Agência Espacial Europeia) decidiu manter os planos de tentar levar um sofisticado jipe robótico a Marte em 2020.

CONTA PAGA
Em reunião dos países membros realizada na última sexta-feira (2), ficou decidido que o aporte de 440 milhões de euros seria feito para cobrir o rombo orçamentário da missão, que tem por objetivo buscar sinais de vida passada ou presente no planeta vermelho. O custo total do projeto é estimado em 1,3 bilhão de euros.

Reunião ministerial da ESA, com presença de todos os países-membros, nos dias 1 e 2 (Crédito: ESA)
Reunião ministerial da ESA, com presença de todos os países-membros, nos dias 1 e 2 (Crédito: ESA)

A BUSCA
O jipe em si terá a capacidade de escavar o solo marciano a até dois metros de profundidade e realizar análises de amostras em busca de traços bioquímicos de microrganismos vivos ou de atividade biológica pregressa no planeta.

O EMBAÇO
Agora, o desafio será colocá-lo em segurança na superfície de Marte. Até hoje, as únicas sondas que desceram ao planeta vermelho e sobreviveram para contar a história foram americanas. E o Schiaparelli mostrou que europeus e russos ainda têm um caminho a percorrer.

OOPS
A análise da falha sugere que os sensores que deveriam indicar a altitude apontaram que o módulo já havia pousado, embora ele estivesse a mais de 2 km do chão. O software, por sua vez, comandou o desligamento dos propulsores, em vez de rechecar a medição. O resultado foi uma nova cratera marciana.

EM ANDAMENTO
Felizmente, a história do orbitador que viajou com o Schiaparelli é outra, e a essa altura ele já está colhendo imagens e dados da superfície e da atmosfera de Marte. O Trace Gas Orbiter é um precursor espacial do jipe de 2020. Ele buscará sinais de vida no tênue invólucro de ar do planeta, na forma de quantidades-traço de gases que podem estar ligados a atividade biológica, como o metano. Ou seja, com ou sem jipe, a busca europeia por vida no planeta vermelho já começou.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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Comentários

  1. Primeiramente parabéns pelo blog novamente, sempre com conteúdos bem fundamentados que nos fazem pensar, viajar e expandir nossa visão em relação a astronomia!

    Agora, aproveitando o gancho dos 440 mi de Euros e do desastre com a Chape, assim como outros tantos bilhões investidos na busca por vida e planetas similares a terra, acho tudo isso oportuno, justificável e sensacional, apoio tudo isso. Mas fico estarrecido de não ver – na comunidade científica e nas próprias agências, especialmente na aeronáutica – uma preocupação em colocar em prática um sistema para salvar vidas em aeronaves.

    Existem tantas possibilidades para salvar milhares de pessoas por ano que morrem em acidentes aéreos, como as cápsulas ejetáveis com paraquedas. Vejo um certo menosprezo por essas vidas, tendo em vista que esse problema, se for estudado e incentivado, pode haver soluções não tão exorbitantes…

    As agências espaciais e a própria iniciativa privada poderia olhar com um pouco mais de atenção para o seu próprio quintal antes querer colonizar outros planetas, imagina se algum grande cientista como Einstein morresse em um desastre aéreo e isso pudesse ter sido evitado… Ou pior um time de cientistas…

    1. A tecnologia já existe, mas imagine um avião levando 300 passageiros, cada um com seu para-quedas individual, como fariam para organizar a saída, com um avião que, em segundos, vai bater numa montanha no meio da neblina? E os custos? O preço das passagens, já altos, iriam às alturas (sem trocadilhos).

  2. Salve, Salva! Parabéns pelo pentacampeonato, vocês mereceram! O Grêmio foi o melhor time mesmo, mais equilibrado, mais aguerrido. Parabéns aí!

    1. Enquanto isso, o Internacional, ameaçado de rebaixamento, quer interromper o campeonato “em homenagem à Chape”, visando não cair…
      (Desculpe-me pelo assunto off-topic, mas estou indignado e aproveitei o comentário do amigo aí em cima.)

      1. Sou torcedor colorado
        E caí pra segunda divisão.
        Além de eu ser rebaixado
        meu rival foi de novo Campeão.

  3. Bom dia salvador, ninguém investe muito dinheiro sem pensar no retorno financeiro, não acredito em procura de micro organismos , mas sim , em minerais( ate preciosos) e aguá que são recursos escassos em nosso planeta, concorda? Abraços.

    1. Não, é busca por vida mesmo. Para metais preciosos, asteroides seriam mais acessíveis e fáceis de explorar. Abraços!

    2. é, mas acho que lá a água é muito mais escassa ainda que aqui… não parece um lugar muito bom para procurar.

  4. Esse robô vai cavar 2 metros? realmente impressionante, pois pelo que sei nenhuma sonda “cavocou” Marte, nenhuma teve essa capacidade. Ousado. Vai saber o que encontrará…

    1. As Vikings cavaram, mas alguns centímetros apenas. Os jipes da Nasa também têm brocas, mas de poucos cm.

  5. Salvador, você já fez algum post a respeito do telescópio James Webb?
    Parabéns pelo trabalho estou sempre acompanhando aqui!

  6. Salvador, tudo bem?

    Uma dúvida que não te a ver com esse post, mas se possível, gostaria de saber sua opinião. Estava mostrando pra minha filha aquela incrível imagem em zoom da galáxia Andrômeda que você postou um tempo atrás, e ela pediu pra eu dar um zoom num dos pontos mais brilhantes da imagem. Ao aproximá-lo, vi o que parece ser uma estrela hipergigante, um ponto extremamente luminoso e muito maior do que as outras estrelas ao redor, como se fossem milhões de sóis. Seriam esses pontos supernovas?

    Aproveito para parabenizar o blog, eu e minha filha, Madalena, de 8 anos, somos fãs. Ela diz que quer ser astrônoma. Rs.

    Abraços!

    1. As estrelas muito grandes são estrelas que estão na nossa Via Láctea, bem mais perto, e estão “na frente” de Andrômeda. 😉

  7. Salvador Nogueira há muito tempo queria fazer esta pergunta sendo você uma pessoa muito conhecedora do caso o homem tem condições de habitar marte hoje ou algum tempo proximo em nossas vidas atuais

  8. Oi Salvador, alguma previsão de quando começarão a revelar os resultados do Trace Gas Orbiter?
    Sabe dizer também se o orbitador será capaz, além de determinar a concentração de gases na atmosfera, verificar se existem pontos na superfície onde ocorre concentração maior de certos gases?

    1. Vai demorar um cadinho. Até porque fazem agora umas observações só por “garantia”, mas a órbita ideal só virá em um ano, após uma longa manobra de aerofrenagem…

  9. Salvador;

    Hoje, venho fazer um pergunta um pouco diferente do tema, mas acho que você é há pessoa para me responder!!

    Estou pensando em passar férias no Deserto do Atacama com a noiva. Estou escolhendo esse destino entre outras coisas, por ser um grande fã de astronomia e saber que lá é sem dúvida um dos centros mundiais de pesquisa nessa ciência.

    Sendo assim, me recordei que você já havia comentado aqui no blog que já tinha visitado lá e queria te pedir umas dicas.

    Estava vendo que o local mais comum de se ficar é na cidade de San Pedro de Atacama, mas gostaria antes de confirmar com você, se essa seria a melhor cidade para ter como dividir a viagem entre astronomia, oásis (já que estou com a noiva..rsrs) e paisagens incríveis?

    Se sim, poderia me explicar como faço para fazer esses passeios nos observatórios e se não, qual seria a melhor cidade para conseguir combinar todos esses tipos de turísmo!!

    Sei que não tem muito haver com o tema do blog, mas foi graças a ele que meu interesse por essa viagem surgiu a alguns anos!

    Muito obrigado e parabéns pelo excelênte trabalho!

  10. “A análise da falha sugere que os sensores que deveriam indicar a altitude apontaram que o módulo já havia pousado, embora ele estivesse a mais de 2 km do chão.”

    Salvador, isto tem a ver com aquela confusão entre unidades de medidas do sistema métricas e inglesas, ou eu estou confundindo os incidentes?

  11. Em termos de exploração espacial, um fracasso não é justificativa para não continuar tentando. Se fosse assim, os americanos não teriam ido à Lua, tantas as explosões de foguetes que aconteceram (e continuarão a acontecer).

    Congratulações à ESA pela decisão!

  12. Salva, esse nova Jipe vai escavar 2 metros no sentido de fazer uma vala mesmo, ou ele deve mais é só perfurar 2 metros de profundidade com um diâmetro de 15 cm por exemplo? Escavar ou perfurar?

    Abraços…

  13. Eu acredito que os dois fracassos europeus em Marte tem algo em comum. Tanto a Beagle-2 quanto o Schiaparelli são projetos, digamos, econômicos. Sistemas com alguma redundância poderiam ter salvo ambas as missões. Claro que redundância ou custa caro ou tira cargas cientificas das missões. E dai vem o custo de missões como a Viking, alta carga cientifica, plataformas confiáveis e custos enormes.
    Os europeus não tem dinheiro para isto? Então deveriam ser mais modestos, fixar objetivos simples algo como apenas pousar em marte com a mínima carga cientifica e depois evoluir. Ou então se querem um rover, que acordem com a NASA um programa de cooperação que pouse o rover europeu em Marte.
    Este programa me parece que cai na mesma armadinha da Mars 96, da Phobos-Grunt do Beagle 2 e do Schiaparelli, objetivos grandes com orçamentos pequenos.

  14. Primeiramente parabéns pelo blog novamente, sempre com conteúdos bem fundamentados que nos fazem pensar, viajar e expandir nossa visão em relação a astronomia!

    Agora, aproveitando o gancho dos 440 mi de Euros e do desastre com a Chape, assim como outros tantos bilhões investidos na busca por vida e planetas similares a terra, acho tudo isso oportuno, justificável e sensacional, apoio tudo isso. Mas fico estarrecido de não ver – na comunidade científica e nas próprias agências, especialmente na aeronáutica – uma preocupação em colocar em prática um sistema para salvar vidas em aeronaves.

    Existem tantas possibilidades para salvar milhares de pessoas por ano que morrem em acidentes aéreos, como as cápsulas ejetáveis com paraquedas. Vejo um certo menosprezo por essas vidas, tendo em vista que esse problema, se for estudado e incentivado, pode haver soluções não tão exorbitantes…

    As agências espaciais e a própria iniciativa privada poderia olhar com um pouco mais de atenção para o seu próprio quintal antes querer colonizar outros planetas, imagina se algum grande cientista como Einstein morresse em um desastre aéreo e isso pudesse ter sido evitado… Ou pior um time de cientistas…

  15. ====== contém spoiler ====== off topic ======
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    Olá, Salvador. No terceiro episódio da série “Marte”, o time de pioneiros da missão precisou encontrar uma cratera que tivesse traços de gelo de água para a construção da base permanente no planeta. Fiquei sem entender por que seria necessário encontrar gelo de água para manutenção de um assentamento permanente no planeta. Seria algo praticamente impossível e irrelevante, pois um assentamento desse tipo tem que produzir água de forma autossuficiente. Você saberia qual a ideia por trás disso? Obg.
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    1. Acho que para um assentamento permanente, é de bom tom achar água local. O que não é um problemão, na verdade. Está cheio de água no subsolo de Marte, congelada. Só pegar e derreter.

    2. sendo off-topic…. parabéns para o amigo por avisar que tem spoiler. Tem muito espírito-de-porco que não faz isso. Valeu!

  16. Salvador , acredito que a condição da gravidade e a velocidade de rotação do planeta(força centripeta, faça toda diferença, imagino água evaporando e indo para o espaço, e um pequeno asteroide se chocando e levantando todo um oceano rumo ao infinito do espaço. Qual teu ponto de vista sobre o fator água e gravidade, sublimação no planeta marte?!!

    1. Salvador , sim mas tipo , e no passado?, estes fatos que mudaram o panorama climatico de marte? algo parecido com isto pode ter acontecido no passado!!?

      1. Não. Para a força centrípeta vencer a gravidade tem que girar muito, muito depressa mesmo…

        1. Ok,esta só uma hipótese de possibilidade a que mencionei , poderia ter algum paradigma que a viabilizaria, mas deixa pra lá, esta porque vi uma reportagem dizendo que a emissão de água para o espaço acontece na terra e também poderia já ter ocorrido em júpiter segundo dados coletados!
          mas ai vem a duvida e questão , para onde teria ido toda água dos oceanos que existiram lá em marte!!?

  17. Salvador, eu achava que esses estouros em orçamentos de projetos eram coisas só vistas por nossas vastas terras brasileiras, mas vejo que ate em projetos espaciais isso acontece, tem algum motivo comum pra isso?

    1. Aqui, o motivo é apresentar um valor baixo para convencer os investidores a entrarem com as verbas… Lá, isso também acontece, mas não tanto na exploração espacial: como quase tudo é novo num projeto exploratório desses, é normal que novas questões levem a mudanças e a maiores custos.

  18. Salvador, não sei se já comentaram sobre esse acontecimento e também não tem relação com esse post, mas foi observado em algumas cidades do Piaui, dia 26 de novembro a passagem de um objeto luminoso que parece um meteoro. O fenômeno foi visto na minha cidade e em várias cidades vizinhas, foi registrado com imagens e teve bastante repercussão entre os moradores.
    http://cidadesnanet.com/news/municipios/jaicos/objeto-luminoso-cruza-o-ceu-e-assusta-moradores-no-sertao-do-piaui/

  19. Salvador, bom dia. Quais as principais diferenças desse novo jipe da ESA em relação ao curiosity? E falando do curiosity, como anda aquele danado?

    1. O Curiosity não tem experimentos que buscam diretamente por vida. É um geólogo. O ExoMars é um astrobiólogo. 😉

  20. Eu acho ótimo que persistam. Como eles já sabem o que provavelmente deu errado, agora eles podem redobrar os cuidados. Fico feliz que vão insistir no envio do novo jipe.

    Salvador, recentemente vi um dos melhores filmes de ficção científica da minha vida. Você não vai escrever uma notinha sobre o filme A Chegada? O filme merece! rsrs

  21. O lado bom da humanidade: perseguir incansavelmente os objetivos do saber. Sem esta qualidade talvez ainda estaríamos nas árvores.

    1. Um deles. Matéria escura e energia escura são outros dois. E a física além do Modelo Padrão que deve vir com elas.

  22. Salvador, meu cordial bom dia.
    Ontem eu li num site de astronomia uma foto de um canal específico de Marte, cujo comprimento era de 12.000 Km e a largura de 11 Km O mesmo estudo atribuía características similares às do rio amazonas com volume estonteante de 3 bilhões de metros cúbico de água correndo lá no passado. Sem querer duvidar de nada, às vezes penso que estamos analisando a superfície marciana sob a ótica de nosso desenvolvimento geológico e atribuindo a ela características semelhantes a evolução da geologia terrestre. Acho que cada planeta tem seu desenvolvimento específico e comparar figuras da Terra com Marte pode ser um tiro na escuridão. Assim, vejo estas notícias de cavar 2 metros de profundidade para achar formas de vidas com um certo grau de ceticismo. Marte e sem oxigênio e bombardeado por uma radiação absurda para formas de vidas, mesmo para os extremófilos. Talvez encontrem minhocas. Aí sim, só falta o rio para pescar.

    1. Estão em busca de vida microbiana. Nada de minhocas. Sabemos que tem água, na forma de permafrost, sob a superfície. Então é bem possível que haja ambientes habitáveis para microrganismos ainda hoje em Marte. Também sabemos que o inventário total de água em Marte hoje ainda é bem grande — se derretêssemos tudo, daria pra fazer um oceano global com 30 metros de profundidade. No passado, antes da erosão atmosférica, havia ainda mais água. Então, não é só questão de comparar a geologia de lá e de cá; também temos um inventário das substâncias disponíveis para cavar essas marcas. Os cientistas se dividem entre água líquida e geleiras, mas de todo modo é água. E sabemos que Marte foi mais quente no passado.

      O ponto é: nossa ideia de que as circunstâncias da Terra são incomuns precisa morrer. No máximo, podemos dizer que é incomum manter essas circunstâncias por bilhões de anos. Mas no princípio do Sistema Solar, tanto Marte como Vênus deviam ter “cara” de Terra.

      1. Valeu Salvador. Obrigado pela resposta claríssima. Seu resumo dá uma aula nota dez para mim. Só ficou uma dúvida. Aqui na terra encontramos extremófilos para quase todos tipos: Sem agua para beber (Dunaliella algae ), mais quente que o inferno 96 graus ( hipertermófilas ), outros completamente gelados (psicrófilos) que aguentam até 15 graus celsius negativos,outros a prova de radiação (Deinococcus radiodurans) e assim por diante. Se pensarmos que a temperatura de Marte é de aproximadamente 60 graus no verão e no inverno é de 140 graus negativo entendo que o limite superior anima a causa, mas o inferior não se enquadra. Mas como você bem disse, mesmo que encontremos resquícios do passado será talvez a maior descoberta de todos os tempos.

      2. Salva, boa tarde.
        Você já fez alguma matéria falando sobre a história de Marte? Como foi essa tal erosão atmosférica?
        Se não, poderia nos explicar isso resumidamente em poucas linhas?
        Abraços!

        1. Já sim. A Maven matou essa charada. Quando Marte perdeu o campo magnético, o vento solar foi varrendo a atmosfera.

      3. “Cara de Terra” e, talvez, vida, pois um bilhão de anos é o suficiente para a vida se desenvolver até a formas bastante complexas….

        Marcianos e venusianos podem ter nos precedido e desaparecido… Pode ser até que a vida em Marte veio para cá de carona num asteroide arrancado do solo marciano por um grande impacto. Hipóteses loucas? Não, probabilidades baseadas no nosso conhecimento atual.

      4. Nossa noção de sermos únicos vem sendo desmoronada aos poucos ao longo do tempo, passo a passo.
        Primeiro nosso mundo deixou de ser único, e centro do universo, pois descobrimos que giramos em torno de um sol igual a outros planetas de nossas vizinhanças.
        Depois nosso sol deixou de ser único, pois cada estrela que víamos no céu era outro sol.
        Descobrimos que as estrelas que víamos fazia parte de uma galáxia de estrelas, e a princípio pensamos que nossa galáxia era única de novo.
        Mas logo percebemos existirem incontáveis outras galáxias, formadas de suas próprias estrelas.
        A espectroscopia nos mostrou que eram formadas das mesmas substâncias que existiam aqui também.
        Bom, mas pelo menos só nossa estrela tem planetas, né? Outro erro! Só éramos muito míopes para enxergar, mas quando aprendemos a fazer “óculos” melhores descobrimos que planetas girando em torno de estrelas são mais comuns do que pensávamos.
        Por que insistimos em achar que só aqui surgiu a vida? Provavelmente porque ainda não procuramos o suficiente, não fomos longe o bastante ainda para afirmar isto categoricamente.
        E depois desta nova “certeza” ser derrubada, o que acredito que acontecerá ainda quando muitos de nós ainda estivermos vivos, talvez a próxima prova para nossa humildade seja constatarmos que mesmo o desenvolvimento de vida inteligente, que tanto valorizamos em nós mesmos como um presente precioso, pode ser uma das coisas mais comuns de se encontrar no universo. A pergunta na verdade é: estariam próximas o suficiente para entrarem em contato no tempo de vida que durar suas civilizações?

      5. Na verdade Salvador, o que precisa é o pessoal começar a prestar mais atenção nas aulas de física e química básica da escola e parar de achar que sabe alguma coisa porque leu em algum lugar obscuro da internet ou algum vídeo do Youtube. Pelo que li aqui muitas pessoas acham que existe o “hidrogênio terrestre” e o “hidrogênio marciano”, venusiano, nibirutaniano… Acham que saiu da atmosfera terrestre, o solitário elétron do Hidrogênio recebe a companhia de outros elétrons e vira um super hidrogênio, mortal, radioativo, que dá super poderes ao Superman… Acham que uma pedra da terra seria considerada uma máquina complexa em outro planeta (Já li isso aqui, quando na verdade os materiais para a construção do Universo são comuns a qualquer canto dele). Sair da atmosfera terrestre (Que aliás fica no próprio universo, sendo parte dele), não faz que a tabela periódica não valha mais nada, sendo substituída por uma com adamantium, criptonita e afins..

        1. a espectrometria estelar foi muito importante nisto, pois nos mostrou que as substâncias que existiam lá se comportavam exatamente como as substâncias que já conhecíamos aqui, e a lógica nos leva a concluir que muito provavelmente são as mesmas.

          não existe o hidrogênio da terra, o hidrogênio de marte, o hidrogênio de sirius, o hidrogênio de andrômeda… o que existe é o HIDROGÊNIO, o mesmo em todos estes lugares! 🙂

          então tudo o que acontece aqui, inclusive a vida, pode acontecer em qualquer outro lugar longe daqui.

    2. Acredito que “singularidade” não seja a máxima no Universo.
      Explico: Percebemos que Estrelas se comportam de maneira idênticas quando comparadas com suas correspondentes em grandeza pelo Cosmos à fora. Queimam e explodem expelindo sempre o mesmo material, não importando sua posição no Espaço. Por sinal, esse material é o que compõe 100 por cento da matéria espalhada por aí.
      Com os planetas deve acontecer o mesmo. Uma vez que todos evoluem da mesma maneira, nascem de nuvens de gazes que surgem daquelas imensas explosões, sofrem as mesmas influencias de marés resultantes de outros corpos nas imediações etc…
      Portanto, o que encontraremos em nossa busca incansável será… não planetas singulares, únicos, mas sim outras esferas todas semelhantes entre si: Gasosas como Júpiter, geladas como Urano e Netuno ou ainda escaldantes como Mercúrio e também planetas semelhantes ao nosso: com bolas de metal super quentes em seu interior, capazes de gerar fortíssimos campos magnéticos e ondas sísmicas que se propagam por todo o globo.
      Enfim! O que encontraremos nas imediações dessas muitas estrelas que se nos apresentam será: muitas Terras, muitos Uranos, muitos Martes, Muitos Júpiteres e assim por diante.
      Tudo muito igual, tudo muito pulsante e fervilhante de vida nas suas mais diversas formas.
      Assim Foi. Assim É. Assim sempre Será.

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