Astronomia: O sombrio futuro do Sol

Salvador Nogueira

Pode a Terra sobreviver ao Sol? Cientistas estudam estrela moribunda em busca de respostas.

DISTINTO SENHOR
Com 4,6 bilhões de anos, o Sol é hoje uma estrela de meia-idade, e sabemos que não deve durar para sempre. Um dia, em coisa de 5 bilhões de anos, ele esgotará o combustível nuclear que o mantém brilhando e inchará como uma gigante vermelha, mais de cem vezes maior do que é hoje.

MERGULHO FINAL
Esse será um dia ruim para os planetas mais internos do sistema. Mercúrio, Vênus e possivelmente a Terra serão engolfados pela tênue, mas fervente, atmosfera solar, que por sua vez será gradualmente soprada para longe por poderosos ventos gerados na sôfrega fase final de vida de nossa estrela-mãe.

O QUE RESTA
Ao final, uma bela nebulosa será formada, e no lugar do Sol restará um pequeno e comprimido caroço morto, a se esfriar pelos próximos bilhões de anos — uma anã branca. A pergunta que não quer calar: há algum lugar seguro no Sistema Solar? Algum dos nossos planetas sobreviverá?

NA POPA
Os modelos teóricos dão sua resposta, mas, como dizem os fãs de “Arquivo X”, a verdade está lá fora. O melhor jeito de saber como será o futuro do Sistema Solar é buscar outro sistema planetário que esteja passando por isso agora. Foi o que acabou de fazer um grupo de astrônomos europeus. Eles observaram uma estrela chamada L2 Puppis, uma gigante vermelha localizada a uns 200 anos-luz da Terra, nascida há uns 10 bilhões de anos. No passado, ela já foi uma gêmea do Sol.

Imagem combinada do Alma e do instrumento Sphere, do VLT, revela possível planeta em torno da gigante vermelha L2 Puppis (Crédito: CNRS/U. de Chile/Observatoire de Paris/LESIA/ESO/ALMA)
Imagem combinada do Alma e do instrumento Sphere, do VLT, revela possível planeta em torno da gigante vermelha L2 Puppis (Crédito: CNRS/U. de Chile/Observatoire de Paris/LESIA/ESO/ALMA)

O SOBREVIVENTE
Usando a rede de radiotelescópios Alma, os astrônomos conseguiram enxergar além da imensa nuvem de gás que a essa altura já foi expelida pela estrela. E encontraram um objeto menos brilhante — provavelmente um planeta, que dá uma volta em torno de sua estrela moribunda mais ou menos a cada cinco anos.

PRENÚNCIO DO FUTURO
L2 Puppis nos oferece um bom exemplo do que pode vir a acontecer no Sistema Solar no futuro longínquo. E mostra que planetas que não sejam engolidos pelo Sol em sua fase final de vida terão boa chance de subsistir à morte de sua própria estrela.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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Comentários

  1. Salvador, se a zona habitável está se deslocando para longe da nossa órbita, a longo prazo, beeem longo, seria viável deslocar a órbita da Terra acompanhando esse deslocamento e assim preservando o planeta para nós?
    Ou a tecnologia envolvida seria praticamente impossível de ser obtida?

    1. Sim, seria! É uma das coisas que abordo no meu Rumo ao Infinito! Você poderia desviar cometas para passar de raspão pela Terra. Nessa troca gravitacional, eles elevariam um cadinho a órbita terrestre. Se você fizesse com a frequência certa e, sobretudo, com a precisão certa (para não deixar um cometa bater em nós e acabar com a brincadeira), seria possível.

  2. Salve, Salva!

    Você está acompanhando a nova série “MARTE” que está passando na FOX ?
    Você imagina que aquele ambiente está realmente próximo do que iremos encontrar
    por lá ? O ambiente de Marte é extremamente gelado mas para os astronautas isso não
    parece não fazer muita diferença. Será que os trajes realmente fazem esse isolamento tão bem ?

    Abraços

    1. Em termos de temperaturas, Marte é mais aprazível que a Lua para missões de longa duração. No verão em Marte, no equador, pode ficar entre +20 de dia e -80 à noite. É uma baita variação, mas nada que um bom traje não possa resolver (ainda mais com uma fonte interna de calor constante a 36,5 graus… rs)

  3. Salvador, seria justo especular que, no passar dos bilhões de anos, quando o Sol começar a crescer até alcançar as órbitas de Mercúrio e Vênus, seria justo especular que o Sol terá perdido tanta massa que as órbitas desses planetas (e da Terra e dos demais) terá se afastado do Sol?

    1. Não, a perda de massa começa a ficar mais aguda depois do inchaço, não antes. Então vai ser pouca diferença.

  4. Olá Salvador.
    Mesmo se os planetas externos sobreviverem, em questão da gravidade, uma anã branca conseguiria manter tais planetas a sua volta mesmo após perder grande parte de sua massa na formação da nebulosa?

  5. A vida é um vai e vem, nada é pra sempre. Agora determinar quando é o vai ou vem em termos universais, baseados em coisas que pouco sabemos alicerçadas em bases que não sabemos nada, continua sendo demais para quaisquer mentes sanas.

    1. Acontece na detonação da supernova, quando a energia dispendida é imensa, e parte dos átomos formados até então no coração da estrela, dos quais o mais pesado é o ferro.

  6. Salvador, uma pergunta fora do assunto: a janela de oportunidade para viagem à Marte, pelo que entendi, ocorre quando Marte passa muito próximo da Terra (evidentemente). Lança-se a nave, que faz uma trajetória parabólica até chegar lá, numa viagem de aproximadamente cinco meses. Se isso está correto, por que não lançar a nave antes de Marte se “emparelhar” com a Terra e fazer uma trajetória direta ? A nave decolaria bem antes do “emparelhamento” numa trajetória perpendicular a órbita da Terra, chegando a Marte também perpendicularmente a sua órbita. Não sei se me fiz entender. Caso tenha entendido, minha pergunta é: por que este procedimento não funciona ?

    1. Bobby, você entendeu como funciona, mas há detalhes capciosos. A trajetória escolhida é aquela que exige menos energia, ou seja, que você consegue enviar mais massa com um determinado foguete. Essa trajetória é conhecida como transferência de Hohmann, e consiste basicamente numa órbita elíptica heliocêntrica em que o apoastro estaria em Marte e o periastro na Terra. Nessa trajetória, a sonda é disparada antes que a Terra se alinhe com Marte e chega lá depois que o alinhamento já foi.

      Você pode fazer outra trajetória, mais rápida, e chegar lá mais depressa? Pode, mas isso traz dois problemas. Primeiro, o seu foguete precisa ser mais potente, pois o custo energético é bem maior. Segundo, você vai precisar também de mais combustível para frear e ser capturado em órbita de Marte.

  7. Salvador, boa matéria, como de costume. Porém, acredito que em um bilhão teremos tecnologia capaz para qualquer coisa – viagens interestelares e construção dentro dos planetas – isso se a Humanidade chegar lá e bem. Poderiam ser feitas habitações dentro dos planetas gasosos, como Netuno, pois tem, sucessivamente, uma alta atmosfera, atmosfera de H2, hélio e metano gasoso e a seguir, manto sólido de água, amônia e metano, e, por fim, um núcleo rochosos quase do tamanho do planeta Terra. Acredito que, pela distancia, o núcleo rochoso e o manto sólido sofrerão bem pouco com a expansão do Sol e, posteriormente, será capaz de manter por si mesmo por mais bilhões de anos com a tecnologia de então. Seria possível? Bom, deixemos para nossos (ainda muito longínquos) descendentes…

  8. Salvador, sabe uma coisa que me espanta? Que nós estamos no estágio final de habitabilidade da Terra. A vida existe há mais ou menos 3.8 bilhões de anos em nosso planeta. Surgimos já nos acréscimos do segundo tempo, uma vez que em 50 milhões de anos mais ou menos, as temperaturas globais não permitirão mais vida do jeito que conhecemos. Em 100 milhões, a Terra estará como Vênus. Não acha isto triste? 🙁

    Quem sabe o ser humano não surgiu para o único propósito de levar a vida terrestre para outros mundos? 🙂

    E isto está próximo de ocorrer.

    1. As suas estimativas estão pessimistas. A Terra só vai virar Vênus em 1 bi de anos, não 100 milhões — embora, claro, as incertezas sejam grandes. Mas nunca li estimativa tão pessimista quanto 50 milhões. De toda forma, mesmo com esse bi pela frente, chegamos de fato aos 45 do segundo tempo… e podemos espalhar a vida pelo Universo, protegendo-a para sempre da extinção! 🙂

      1. Salvador, lembro que li em algum lugar que em 50 milhões de anos, a luminosidade do sol já estaria 2 ou 3% maior que hoje e isso geraria uma temperatura média no planeta de mais de 30 graus e, consequentemente, um efeito estufa avassalador (ainda controlado). Portanto, nesse estágio, a vida seria drasticamente diferente.

        Claro, estou falando da minha cabeça. Preciso checar a informação e também a projeção acho pessimista hehehe..

        1. Eu me lembro de um estudo da Nature que falava em 550 milhões de anos para a coisa realmente ficar intolerável para criaturas como nós, e 1 bilhão de anos para a evaporação total dos oceanos.

  9. Daqui a 500 milhões de anos, o ser humano não existirá mais. Se tivermos sorte, poderá existir um ramo de seres primos, tão parecidos quanto hoje um peixe se parece conosco. Eles olharão para trás e duvidarão que algum dia tenham sido ISSO que somos hoje.
    Acho que devemos o quanto antes, verificar se já existe algum tipo de vida nas luas aquáticas dos gigantes gasosos. Caso já exista, deixar que evoluam por conta própria. Caso contrário, creio que deveríamos tentar infectar, para tentar adiantar o processo.

  10. É bom já ir procurando um terreninho em Próxima Centauri, se bem que tenho uma quedinha por Andrômeda, acho linda nossa galáxia vizinha. Será que daqui um bilhão de anos já não poderemos fazer viagens relativísticas? Assim, 4 milhões de anos-luz não seriam mais do que 4 h de viajem no além espaço-tempo.

  11. Creio que no futuro, quando o Sol começar a sua inflação, as luas de Saturno e Júpiter não serão de grande ajuda, não as vejo um porto seguro para a vida nesta época.

    Talvez, hoje, elas até sejam um lugar propício para a vida com os seus oceanos submersos, especula-se. Todavia, quando as coisas se aquecerem por lá, o gelo da superfície destas luas derreterão e sem um campo magnético ou força da gravidade decente a atmosfera resultante do processo de evaporação será varrida para longe.

    Não seria má ideia valer-se daqueles veleiros solares impulsionados à laser para espalhar bactérias percursoras da vida na Terra pelo cosmos, mirando nos sistemas mais próximos. Talvez, assim, a vida tenha uma chance, principalmente, se teorias como “O Grande Filtro” estiverem corretas. Pois se assim for, a vida, mesmo que bacteriana, é um evento raro no cosmos, logo, seria nosso dever protegê-la.

    No entanto, se não fizermos isso logo, talvez, não poderemos nos dar ao luxo de fazer isso depois. A nossa civilização atual não durará muito, infelizmente, o aquecimento global, a extração de recursos naturais está levando o nosso planeta no limite. Ainda somos dependentes dos combustíveis fósseis, petróleo e carvão mineral. Se não reinventarmos a nossa matriz energética no próximo século, estaremos condenados. Há quem diga que já ultrapassamos o ponto de retorno das mudanças climáticas.

    Torço para que geração de energia por meio da fusão nuclear seja viável num futuro próximo. Torço também para que, de algum modo, num futuro próximo, venhamos a desbravar grandes distâncias e extrair os recursos os vastos existentes no restante do sistema solar a fim de manter o nosso desenvolvimento como civilização. Hoje é quase um consenso que consumimos mais recursos do que a Terra pode oferecer a longo prazo.

    Infelizmente, se não nos reinventarmos, se não revertemos o quandro atual, a humanidade sucumbirá muito antes do Sol nos ameaçar verdadeiramente. Lamentavelmente, nossos netos ou tataranetos viverão para ver a nossa civilização declinar e não é exagero dizer que corremos o risco de extinção.

    Se há um lado bom nisso tudo é que, sem os humanos para atrapalhar, a vida na Terra pode vir a se recuperar em toda a sua diversidade depois de alguns milhões de anos, tal como já aconteceu no passado, com aqueles grandes eventos de extinção em massa.

    Quem sabe, num futuro hipotético, daqui uns quarenta milhões de anos, uma nova forma de vida mais consciente e inteligente do que nós cumpra o derradeiro legado da humanidade e consiga alcançar as estrelas.

    Ou talvez, possamos talvez criar máquinas inteligentes e conscientes de si mesmas que poderão nos suceder na tarefa de colonizar o espaço. Só torço para que elas sejam benevolentes conosco.

  12. Boa tarde Salvador.

    O Cássio Barbosa não atualiza mais o blog dele no g1 desde 21/10…ele atualizava sempre as sextas… Sabe o que aconteceu pra ele ter parado?

    1. Está enfrentando tretas burocráticas com a Globo. Se você sente falta dele, escreva para o G1 pedindo o retorno! 🙂

  13. Está difícil ser colorado hoje… meu time caiu e o rival foi campeão de novo! Sem falar que levamos 5×0 deles recentemente. Pra piorar, meu time fez pouco caso da tragédia da Chape pra tentar não cair no tapetão. Ah, perdemos no STJD também. E agora contrataram um cara que já foi CONDENADO POR RAClSMO no stjd pra comandar o clube! Não está fácil! Buaáááááá.

  14. Se a raça humana não se extinguir ou for extinta antes por eventos menos catastróficos com certeza teremos abandonado o Sistema Solar centenas de milhões de anos antes da Terra se tornar inabitável, na verdade isso já seria possível mesmo com a tecnologia atual, mas é claro numa viagem que levaria gerações. Imagine o quanto a tecnologia se desenvolveu nos últimos cem anos e quanto ela evoluíra nos próximos séculos. Felizmente esse é um evento que não representa perigo imediato a nossa espécie, no momento o comportamento do ser humano para com a Terra e para consigo mesmo tem sido sua própria gigante vermelha.

  15. É por isso que eu digo, o futuro está em Ganimedes. Pouca radiação e água sob a superfície.
    Depois de instalados lá, nós vamos para Próxima b. 5 Bilhões de anos é tempo suficiente para isso.

    1. Parece fácil como se fosse ir ali na esquina ir para lua de Jupiter fora que em Ganimedes a temperatura é Temperatura‎: ‎média: -163,1 ºC; -203,2 ºC

  16. Salve, Salva!
    Você afirmou, algumas vezes aqui mesmo nos comentários, que a Terra seria inabitável bem antes do Sol “morrer”. Por quê? Seria algo relacionado somente com a própria Terra, como sei lá, talvez a “morte” do nosso próprio núcleo?

    Abçs;

    1. O Sol está gradualmente aumentando seu nível de radiação — isso está gradualmente deslocando a zona habitável para longe dele. E coisa de 1 bilhão de anos, estaremos fora dela. O excesso de radiação vai evaporar os oceanos e terminaremos num estufa medonha, à moda de Vênus.

      1. Entendi. Então não existe nenhuma possibilidade de acontecer o que eu pensei? Não somente na Terra, mas em geral, qualquer planeta…

          1. “Seria algo relacionado somente com a própria Terra, como sei lá, talvez a “morte” do nosso próprio núcleo?”.

          2. A morte do nosso núcleo seria ruim também (ou seja, a desativação do campo magnético), e pode até acontecer (vide Marte), mas neste momento o entendimento é que o deadline é pautado pelo Sol mesmo…

  17. Como você mesmo já disse, a terra se tornara inabitável muito antes do sol virar uma gigante vermelha. Quanto tempo você acha que ainda temos disponível de um sol amigável, por assim dizer??

  18. O que aconteceria com os planetas que “sobrevivessem”?
    Uma anã branca ainda tem gravidade alta o suficiente?
    Ou se perderiam no espaço sendo atraídos pelos planetas de maior gravidade?

    1. Muito legal essa imagem da Wikipedia, Pallando, do Sol pequeno em comparação com o Sol Gigante Vermelho. Impressionante.

  19. Salvador, quando você fala em “boa chance de subsistir à morte de sua própria estrela” você se refere às chances de que o pedregulho que habitamos continue na mesma órbita, sem ser varrida para fora do Sistema Solar, certo? (isto é: não tem relação alguma com a preservação das condições de habitabilidade do planeta) Em caso afirmativo, por que esta informação é relevante?

    1. Isso. Nem falo em habitabilidade, porque a Terra perderá a habitabilidade muito antes da fase gigante vermelha do Sol. E a informação é relevante para todos aqueles que querem entender o Universo e podem ter algum tipo de afeição a nosso planeta natal, ainda que inabitável. 😛

      1. Salvador, acho que soou grosseiro o tom da minha pergunta (” por que esta informação é relevante?”), pelo que peço desculpas, não foi a intenção.
        Não nos faz diferença nenhuma saber se a gigante vermelha a se formar vai engolir a Terra ou não, porque estaremos mortos há muito tempo, mas ainda assim se trata de informação interessante, e que desperta a minha curiosidade.
        Mais precisamente, o que quero entender é que caminhos esse tipo de descoberta tende a abrir para pesquisas futuras. Por exemplo, se encontrarmos um pedregulho orbitando uma anã branca, esse tipo de entendimento é o que vai permitir que constatemos tratar-se de uma “ex-Terra”? Um abraço.

        1. Edouard, tranquilo. É que soou como as perguntas que partem do princípio de que conhecimento que não nos impacta diretamente não é relevante. Temos, por instinto, uma motivação de tratar o Universo como um estado perene, não dinâmico. Ao entendermos o futuro do nosso sistema planetário, contrabalançamos esse instinto. A vida na Terra teve um começo e terá um fim. Decerto humanos não existirão mais até lá, mas será que a vida de origem terrestre estará completamente extinta? Não teremos então colonizado o Sistema Solar e além, e talvez, em outra forma que não a humana, ainda não guardemos algum interesse pelo nosso combalido ponto de origem? 🙂

  20. Deus nos surpreende a cada momento, mas o fim já está determinado desde a fundação. O que temos que nos importar primeiro hoje, é cuidar do nosso planeta, nossos irmãos da terra. Dos famintos e flagelados da África e outros países. E da estupidez e selvageria dos humanos do presente.

    1. A melhor forma de cuidar do nosso planeta e dos nossos irmãos na Terra é entender bem como as coisas funcionam, como agir diante dos problemas. E essa forma é continuar a estudar o universo, as propriedades da matéria, a química, a biologia… enfim, Ciência Básica. Sem ela, não existiria a medicina, os remédios, os instrumentos eletrônicos hospitalares nem os computadores.

    2. Se Deus existe mesmo e é onipotente (trocando em miúdos, pode fazer TUDO) , será que Ele pode então criar alguma coisa que Ele não possa destruir?

      Vou só lançar a intriga aqui e ficar observando a treta, hehehehe!!! 😀

        1. Esta afirmação de que “ele apenas é” não passa de um joguinho de palavras, que não tem significado algum… classifico na mesma categoria da afirmação “porque sim” 🙂

        2. Isso quer dizer que existe algo que ele não pode fazer, que é “ter adjetivos”…
          Então ele não pode fazer tudo, não é onipotente…

      1. Você colocou algo impossível de se realizar. Se Ele criar algo que não possa destruir, estará indo contra Sua pretensa existência. Estará deixando de ser, como você mesmo disse, onipotente.
        Por outro lado, se Ele não criar esse algo, então Ele não é onipotente.
        Você colocou o Cara em cheque.
        E é cheque mate. Rsrsrs

  21. Salvador,

    Eu acompanho sempre essas notícias do espaço, sou um grande fã de tudo quanto for assunto relacionado, mas se tem uma coisa que não entra na minha cabeça são os estudos e comentários com relação ao eventual fim “natural” do Sol, principalmente quando se fala em “o que podemos fazer a respeito?”. Estamos falando de 5 bilhões de anos. A Terra nem chegou a ter isso de vida, quanto mais ter mais 5 bilhões para esperar ver o que vai acontecer?

    Honestamente, qual é a chance de, sei lá, até o fim desse milênio a gente não ter fundado colônias fora da Terra ou mesmo ter se autodestruído? E ainda assim, faltarmai 5 milhões de milênios para chegar nesse determinado momento!! É algo que absolutamente NINGUÉM deveria quebrar a cabeça sobre “o que fazer a respeito”, pois mesmo sem estar objetivando isso a solução será dada eventualmente.

    Concorda?

    1. Sim. Num trecho no primeiro parágrafo que cortei por falta de espaço no jornal impresso, havia feito uma piadinha sobre os 5 bilhões de anos “– que, na prática, os humanos podem arredondar como “para sempre” –“. 🙂

  22. Não sei porque leitura só para assinantes seus tontos. Vejo o título da matéria e procuro em outro jornal ou revista e leio.

    1. É um direito seu. Aliás, recomendo que você faça isso mesmo com os sites de notícias abertos… quanto mais fontes você tiver, melhor opinião você poderá formar. 😉

    2. E tome cuidado com os sites de notícias falsas. Eles põem manchetes escandalosas, atraem os incautos e ganham dinheiro com publicidade. Eu prefiro pagar a assinatura de um site (jornal) de confiança.

        1. Hoje em dia o único veículo de informação ainda razoavelmente confiável no Brasil é o Estado de São Paulo.

          1. Eu acho que todos os veículos impressos estão sofrendo uma terrível erosão de qualidade por conta da morte dessa mídia em particular e a transposição para o online com receitas muito menores de publicidade. O resultado está aí: uma população vitimada como nunca por sites e conteúdos falsos. Folha, Estadão e O Globo ainda tentam exercer seu papel, mas é fato que com restrições materiais muito maiores, o que é uma pena não só para eles mesmos, mas para a democracia.

            Tendo dito isso, vejo os três jornalões como veículos nivelados em termos de confiabilidade. Dão suas rateadas aqui e ali (errar é humano), mas em geral são confiáveis.

          2. O problema, Salvador, é o viés. Infelizmente, a FSP tem se tornado deveras tendenciosa. Estou parando de ler — mas está ficando difícil encontrar algo menos polarizado.

            Ler a FSP atualmente é muito parecido com fazer prova de História em Universidade Federal: você tem que responder com a canhota 🙂 .

          3. Eu acho que a Folha, pela cultura pluralista e pela necessidade sempre grande de fazer frente ao poder, faz um movimento pendular na direção oposta à do governo. Enquanto o governo estava à esquerda, a Folha parecia pender mais à direita. Agora que o governo pende à direita, ela pende mais à esquerda. Parece o movimento natural de quem busca o equilíbrio. Se você quer um jornal sempre à direita, faça chuva ou sol, tem o Estadão, que é mais consistente nisso e nunca defendeu o “pluralismo”. Acho que a Folha, por mais que tenha esse movimento pendular, por permitir todos os matizes em suas páginas, acaba sendo mais útil à democracia.

      1. Radoico,
        Vou na direção do Afrânio.
        Na parte política então, totalmente tendencioso.
        Parece que se movimenta com matérias pagas, de festas, da moda, do entertaiment, Business e até de coluna social.
        Se o DataFolha ainda é deles, a credibilidade do que fazem é um desastre total.
        Como se diz na minha terra, não vale uma Casca de Jaca.(casca de Jaca não serve pra nada)

    3. Não sei porque procurar em outro lugar os assuntos do Salvador. Como bom picareta, eu aqui instalo uns add-ons e outros complementos no navegador, que me permite ler tudo no site e é claro todos os posts do Salva. “Salvador original, este sim não faz mal” Realmente o Mensageiro é inigualável. É um primeiro lugar numa tabela onde o segundo nem aparece.

    4. Salvador boa tarde.
      Lendo atentamente todas estas previsões sobre o futuro do sol e as distâncias envolvidas entre os astros mais próximos e nós, fico pessimista, pois mesmo se conseguíssemos viajar a velocidades próximas da luz as distâncias ainda seriam imensas. Outro problema:dos 2.000 planetas descobertos até agora nenhum é exatamente igual a terra . Tem uns quatro ou cinco que são candidatos potencias a habitabilidade, o que parece ser uma percentagem muito ínfima e mesmo ainda, a distâncias indescritíveis. Parece que nossa saída, independente de quando ocorrer deverá ser via desenvolvimento de altíssimas velocidades, inclusive acima da velocidade da luz. Como andam as pesquisas nesta área?
      Abraços

      1. Bem, não existem pesquisas nesta área (de fugir do Sistema Solar), até porque o deadline está muito distante — bilhões de anos.
        Para que você tenha uma ideia de como o deadline é tranquilo, se uma civilização se espalhasse pela galáxia ao ritmo de apenas 10% da velocidade da luz, iria de uma ponta a outra em “apenas” 1 milhão de anos. Supondo que a Terra tenha ainda 1 bilhão de anos de habitabilidade para nós, poderíamos fazer 500 idas e voltas até o outro lado da galáxia, viajando a um décimo da velocidade da luz.

        Então, se uma civilização está determinada a colonizar a galáxia, ela pode fazer isso sem grandes problemas, mesmo com as distâncias enormes a serem percorridas.

        Quanto aos planetas descobertos, há dois vieses de observação aí que causam certa confusão. Primeiro: a maioria deles foi descoberta pelo satélite Kepler, que vasculhou apenas uma pequena região do céu e tinha por objetivo fazer um censo estatístico de planetas, não investigar as estrelas mais próximas. Por isso a maioria das descobertas feitas por ele ficam aparentemente muito distantes. Segundo: a técnica usada pelo Kepler é tão menos efetiva quanto menor é o planeta, o que torna a descoberta de mundos de tamanho e órbita iguais às da Terra extremamente desafiadora (pelas especificações técnicas, virtualmente impossível; o mais perto que chegamos foi um mundo em torno de estrela G, como o Sol, e órbita de cerca de 400 dias, virtualmente similar à nossa, mas diâmetro 40% maior que o nosso — o que faz dele rochoso como o nosso, mas não do nosso tamanho).

        Contudo, com base nas descobertas feitas, é possível extrair uma curva de distribuição de planetas de acordo com o diâmetro e também uma curva de distribuição de órbitas. Usando as estatísticas do Kepler como amostra e trabalhando para contra-balançar esses vieses, temos que a cada cinco estrelas como o Sol teremos um planeta similar à Terra em porte e nível de radiação. Ou seja, planetas como o nosso, na verdade, são extremamente comuns.

        Por tudo isso, eu não me preocuparia com a inviabilidade tecnológica de futura colonização da galáxia, nem com a falta de planetas similares à Terra. Nenhum deles parece ser um impeditivo sério e, como eu disse, temos um loooongo deadline. Não há pressa.

  23. Bom dia Salvador, o sol se expande e sua atmosfera se torna tênue porém fervente. Se conseguíssemos observar de perto este evento (através de algum filtro) veríamos uma atmosfera transparente ou opaca? Ou seja, quão densa ela seria na suas partes mais externas? Abraço

  24. Interessante!
    Nesse caso, na fase gigante vermelha, a radiação solar recebida pelos planetas mais afastados aumentaria?
    É possível pensar por exemplo nas luas geladas se descongelando, formando imensos satélites oceânicos?
    Seria um ótimo lugar pra vida já extinta na terra ressurgir ou quem sabe a vida já existente lá apenas evoluir em complexidade novamente no sistema solar!

    1. O nível de radiação mudaria, mas só fazendo as contas de zona habitável para a fase gigante para saber. De toda forma, essa fase seria bem curta, com 1 bilhão de anos, no máximo 2 bilhões de anos. Não seria uma fase muito longa, do ponto de vista da evolução biológica…

  25. Por que este possível planeta, não pode ter se formado com o material expelido pela estrela moribunda?

    1. A velocidade de expansão do gás não permitiria que a gravidade reaglutinasse parte do material para formar um planeta. Não nesse momento, pelo menos.

  26. Salvador, sem querer ser chato, mas seria realmente possível existirem estrelas gêmeas ? Mesma idade, composição, massa, vizinhança que tenha algum impacto , etc ?

    1. Claro que o critério para “gêmeas” é arbitrário. Quantas características similares são necessárias para chamar duas estrelas de gêmeas? Em geral, usa-se massa, temperatura e metalicidade (composição) para estabelecer gêmeas. E conhecemos diversas gêmeas solares nesse sentido. E, se você parar para pensar, não deve ser incomum. Estrelas nascem em ninhadas. Uma estrela que nasceu no mesmo aglomerado do Sol e tem a mesma massa que ele naturalmente também teria a mesma massa e a mesma composição aproximada.

  27. Salvador, já assistiu “The End of the World”, segundo episódio da primeira temporada de Doctor Who? 😀

  28. Olá Salvador!

    Com o sol como gigante vermelha, ao soltar suas camadas externas, tornando-se anã branca, qual seria o impacto nos gigantes gasosos? Será que o sol “sopraria” as atmosferas de Jupiter e Saturno por exemplo? Fico imaginando o que sobraria de Titã, até pq se continuasse tudo como é hoje, imagino que nada mudaria ali, pois, se não estou enganado, a energia do sol tem pouco efeito para aqueles lados do Sistema Solar.

    Outra pergunta, como uma anã branca, qual fração de luz e calor o sol emitiria, em comparação com o estado atual? A gravidade da anã branca é capaz de manter as órbitas dos planetas?

    Um abraço!

    1. Bem, a ejeção de massa solar provavelmente causaria alguma erosão das atmosferas dos gigantes gasosos, mas eles têm o suficiente de atmosfera para não sentir tanta falta do que perderem… rs

      Sobre a anã branca, ela emitiria muito menos energia do que o Sol atual — a zona habitável estaria num anel estreito bem mais perto dela do que Mercúrio. Quanto a manter os planetas em órbita, sim, mas eles provavelmente sofreriam alterações em sua órbita com relação à atual, durante todo esse processo de perda de massa do Sol.

      Abraço!

  29. Com a possível morte do sol, segundo vários estudos que já li a nossa terra seria impossível continuar e nós seres humanos estamos ameaçados de extinção.

    1. Sim, provavelmente é isso. Mas a Terra tornar-se-á inabitável muito antes da morte do Sol. A única escolha para a vida na Terra (e não só para humanos) é se espalhar pelo cosmos.

  30. Bom dia Salvador!

    Dado o longo tempo será que se justificaria tal preocupação? Estou falando em humanidade ou na falta dela quando em decisões bestiais poderemos todos sucumbir conforme ameaças do gordinho norte coreano ou de Putin ou mesmo de um D. Trump. Deixando as políticas de lado poderíamos divagar sobre como sobreviveriam os gigantes gasosos ou mesmo nosso querido Plutão ou o planeta X; continuariam para todo o sempre viajando pelo espaço ao redor da anã branca ou, de alguma forma até acabar a “corda” gravitacional e se perderiam pelo espaço???

    1. Não elencaria isso na lista de preocupações, mas na lista de curiosidades. Tudo acaba um dia. Isso inclui a Terra, o Sol, e, por que não, o governo do Putin e do Trump… 😉

        1. e aí é que entra a grande pergunta: será que existe mesmo este Deus tão onipotenque que seja capaz de criar até mesmo coisas que Ele não seja capaz de destruir? 😀

  31. Acho espetacular todas essas descobertas e teorias sobre o futuro. O ateu acha mais bonito ainda. Como vamos fazer com as almas que estão no céu e no inferno?

      1. Não sou especialista, mas conheço um pouco da doutrina católica sobre céu e inferno (de outras religiões não sei o que dizem).
        Segundo a Igreja, não tem sentido falar onde fica o céu ou inferno, pois ambos refletem uma condição, um estado da alma e não um lugar.
        O céu seria estar em pleno estado de graça, junto a Deus, felicidade perpétua e ininterrupta. O inferno o oposto, ausência de Deus, que só é obtida pela rejeição e negação. Em ambos os casos a escolha é nossa.
        Tanto o céu quanto o inferno não existem em lugar nenhum, não estão ligados ao nosso universo material, não estão sujeitos as leis do universo, nem mesmo ao tempo.
        Portanto as almas continuarão lá, mesmo depois do Sol virar uma anã branca, ou quando as estrelas apagarem, ou quando o ultimo buraco negro evaporar ou quando o tecido do universo for rasgado pela energia escura… para as almas não importa, estão além dessa realidade.

        1. ué. mas essas tais “almas” são feitas de quê? de plasma? de fótons?
          e o que vc quer dizer com elas estarem “além da realidade”? que ocupariam dimensões de espaço-tempo que não podemos observar nem atingir? falou falou falou, mas não esclareceu nada…

          1. Ué, sua pergunta era: se existe, onde ficava o céu e o inferno? Eu disse q em lugar nenhum.
            De que são feita as almas? Não tenho a mínima ideia. Mas posso deduzir do que não são feitas: fótons, plasma, ou qualquer outra partícula material.
            Enfim, quando falamos de céu ou inferno (como os lugares para onde as almas vão), não tem sentido querer situa-los no nosso universo, ou querer aplicar as leis da física sobre eles.

            Esse é dos motivos de não misturar religião e ciência. Para mim os limites de ambos são muitos claros, não tenho nenhum conflito com isso 🙂

          2. bom, a única coisa que posso te dizer é que uma coisa nunca vai se tornar verdadeira simplesmente porque alguém quer acreditar muito que ela seja verdadeira. mais nada a dizer… 😉

          3. David,
            Leia ou releia “O mundo assombrado pelos demônios” de Carl Sagan, onde ele mostra com muita propriedade, que a necessidade de acreditar em algo transcendente, está enraizado no arquétipo da humanidade, como conseqüência do medo de ser devorado por predadores superiores da cadeia alimentar. Para se proteger deste medo a humanidade cria explicações divinas cada vez mais complexas, permitindo que o elementar mecanismo de seleção natural, que oferece maiores chances na transmissão dos genes, favoreça a perpetuação dos que mais se protegem usando estas crenças.

          4. David, concordo totalmente com sua afirmação, como também posso complementar: uma coisa nunca vai deixar de ser verdadeira simplesmente porquê alguém não quer acreditar que seja.
            Isto é, as coisas são do jeito q são. Nada depende do que sabemos ou do que cremos.
            Abs! 🙂

          5. mas hoje já é uma característica inútil, pois não precisamos mais temer predadores superiores da cadeia alimentar, já que hoje nós é que estamos no topo. talvez mais alguns milênios de seleção natural eliminem de vez este arquétipo humano… 🙂

          6. Concordo inteiramente, Pallando.
            Ninguém vai por exemplo sair levitando por aí só porque não acredita na Lei Gravitacional… 😀

    1. na dúvida procuro fazer amizade com o capeta também. se acontecer de eu ir parar no inferno, pelo menos já vou ter conhecidos por lá… 🙂

    2. Dizem que o filósofo iluminista francês, Voltaire recebeu um sacerdote para lhe ministrar a unção dos enfermos. O sacerdote com toda a sua autoridade eclesiástica o advertiu ainda em seu leito de morte: “Renuncias ao capeta?”

      De forma espirituosa, este lhe respondeu: “Meu bom homem, essa não é a hora adequada para fazer inimigos.”

        1. Oswaldo Gil eu tive essa dúvida quanto ao nome do sacramento. No curso de padrinhos que gentilmente a igreja católica me obrigou a frequentar kkkkk fui advertido de que o termo extrema unção não era mais utilizado, então julguei que era só uma questão de nomenclatura mesmom, assim preferi usar o termo atual.

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