O paradoxo da água líquida no passado de Marte

Salvador Nogueira

Marte está tentando desesperadamente nos contar uma história de seu passado, e nós não estamos entendendo nada. Veja só o paradoxo identificado pelo jipe Curiosity: embora seus instrumentos indiquem que, na cratera onde ele pousou, já existiu um vasto lago há 3,5 bilhões de anos, eles também sugerem que a atmosfera na época não tinha dióxido de carbono suficiente para preservar o calor do Sol e manter a água em estado líquido. O resultado aparentemente contraditório figura em artigo publicado nesta segunda-feira (6) nos “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

Que o lago existiu é incontroverso, a julgar pela presença de minerais em sedimentos que só podem ser formados com a presença de água em estado líquido. Medições também feitas pelo Curiosity indicam inclusive que suas condições gerais seriam habitáveis, ou seja, organismos vivos terrestres poderiam viver lá com facilidade. Mas calma lá.

A estabilidade desse lago, como as evidências parecem sugerir, teria exigido uma atmosfera muito mais densa que a atual, por dois motivos. Primeiro porque um efeito estufa adicional seria necessário para manter o planeta acima da temperatura de congelamento da água, e segundo porque, na atmosfera rarefeita de hoje, mesmo acima de 0 grau Celsius a água é instável e passa direto de gelo a gás.

O principal componente da atual atmosfera marciana é o dióxido de carbono, o popular CO2, um famoso gás-estufa. Mas hoje o ar de Marte é extremamente rarefeito, com uma pressão atmosférica que é um centésimo da terrestre, e o CO2 está presente numa quantidade tão pequena que nem chega perto de produzir um efeito estufa capaz de manter água em estado líquido por períodos significativos de tempo.

Para solucionar o problema, os cientistas sempre evocaram a presença de uma quantidade bem maior de dióxido de carbono no passado do planeta, capaz de mantê-lo em condições habitáveis, mesmo sob um Sol que, no passado remoto, tinha um brilho 30% menor que o atual. Mas, se esse fosse o caso, o leito do lago investigado pelo Curiosity estaria permeado por grandes quantidades de carbonatos, resultado do contato direto com uma atmosfera rica em CO2.

Não foi isso, contudo, que o instrumento CheMin (Química e Mineralogia) do jipe detectou. Desde que desceu na cratera Gale, em 2011, ele foi incapaz de detectar quaisquer sinais de carbonatos. Eles podem estar lá, claro, mas numa quantidade abaixo do nível de detecção do instrumento. E, isso, por sua vez, implica uma quantidade ridiculamente baixa de dióxido de carbono na atmosfera do passado — incompatível com a necessária para manter Marte aquecido há 3,5 bilhões de anos.

Em resumo: os mesmos instrumentos do Curiosity que indicam que havia um lago ali também sugerem que a atmosfera, pelo menos no que diz respeito a dióxido de carbono, era insuficiente para preservar sua existência.

Falta alguma peça no quebra-cabeça. Os pesquisadores sugerem que talvez o lago estivesse em estado líquido sob uma capa de gelo (em um Marte já frio), ou que talvez houvesse outro componente gasoso na atmosfera capaz de fornecer o efeito estufa requerido. Mas, por ora, teremos de conviver com o mistério.

Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comentários

  1. O homem ainda não tem tecnologia para prever com precisão o tempo com mais de 20 dias antecedência, aqui na Terra.

    Quando dizemos que um jipe em marte detectou que, no passado remoto, era impossível ter uma atmosfera que preservasse a água em marte, seria esta afirmação uma prepotência tola.

    Não estou dizendo que não estamos desenvolvidos o bastante para datar coisas, e emular ambientes complexos.

    Mas chateia bastante ver que o homem, que ainda está tão atrasado no conhecimento profundo de seu próprio cérebro, mas trata assuntos que ainda estão na fase de teoria, como se fossem tese testada e verificada com evidências.

    Me diga se vai chover daqui a 30 dias?
    Mas nos foi informado que daqui cerca de 1 bilhão de ano, o sol vai morrer, só porque outras estrelas também tem tempo de vida.

    Conhecimento, o homem tem. Inteligência, também. Sabedoria, pouca, muito pouca.

    1. Você confunde tempo com clima. Tempo é estocástico. Ninguém presumiria dizer que exatamente 13.456.789.101.112.131.415 dias atrás choveu em Marte. Isso é tempo, meteorologia. É estocástico, envolto em efeito borboleta, teoria do caos e tudo mais. Não é que não sabemos como prever o clima com 20 dias de antecedência. Sabemos que NÃO PODEMOS prever o tempo com 20 dias de antecedência. Ponto, parágrafo.

      Clima é outra coisa. Clima é: sabemos que na Terra chove. Esse é um conhecimento sólido. Ninguém questiona o fato de sabermos que na Terra chove. Sabemos por empirismo, mas sabemos também porque conhecemos as condições que permitem que chova na Terra. Isso não nos permite dizer com certeza se vai chover daqui a cinco dias, mas nos permite prever com certeza que É POSSÍVEL que chova em cinco dias. É desse tipo de conhecimento que estamos falando do passado de Marte. O mesmo empirismo. Do mesmo jeito que vemos poças d’água no chão aqui e dizemos que chove na Terra, podemos dizer que chovia em Marte ao ver traços de poças d’água de 3,5 bilhões de anos, que deixaram sua assinatura química nas rochas — minerais que só se formam na presença de água estão na rocha. Logo, havia água ali. Isso é bem concreto. Não é suposição, não é surto. É fato.

      1. Até entendo. Mas estocástico quer seja pleno, rápido ou lento, não funciona nem mesmo na matemática de mercados financeiros, imagine num universo onde a matemática quântica não confere com a matemática macro.

        Sim, não questionei o fato de um dia ter tido água em marte. As comparações de causa/efeito valem para Terra/Marte.

        Questionei as previsões remotas, baseadas em cenários que não podem ser reconstruídos devido ao citado “efeito borboleta”.

        Questiono o fato de noticiarem planetas parecidos com a Terra em galáxias distantes, indicando que podemos encontrar vida lá, pela semelhança de tamanho e distancia do sol deles. Mas ninguém cita que a Terra só tem vida, por causa de uma série de coisas, das quais não pode faltar uma sequer. Desde a posição dos planetas do sistema solar, ate a forma como está formada toda a galáxia. Apenas para citar um, dos milhares de aspectos, se um planeta não tem um “escudo” como nosso Júpiter, sem chance de ser um planeta seguro pra ter vida.

        Falar difícil é lindo para nós, universitários. Mas quando olhamos pra complexidade do universo, vemos que somos uma camada fina de pó na balança em nossa pressuposições.

        Apenas fico pasmo com a forma como a cientistas (não a ciência), mudou de dez anos para cá: teorias agora são citadas como fatos!

        Eu pergunto, cadê os fatos?! Onde estão os animais em fase de mutação durante a bendita da evolução? Para um tigre, por exemplo, chegar ao ponto de ser um tigre, ele passou por, centenas ou milhares de fases. Então deveria existir centenas de milhares de seres nas centenas de fases de mutação, até chegar ao ponto exato de sobrevivência do mais forte. Será possível que encontramos de tudo debaixo da terra, menos um único exemplar de um ser vivo em fase de transição?

        Na década de 70, encontraram um crânio de humano numa destas fases. Um ano depois, uma universidade abriu e encontrou cola e montagem de ossos! Depois disso, mais nada foi encontrado e nada citado.

        Não, nada mudou de lá pra cá. Apenas que agora temos “certeza” da evolução.

        Desde muito criança, amo ciência. Leio, estudo constantemente. Mas medito.

        90% da população são ateus. 9% são criacionistas. 1% sou eu.

  2. Não faço teoria mas faço perguntas a NASA (e eles que deduzam): 1-se a Terra no passado perdeu massa (ou ganhou) na colisão de outro planeta e surgindo disso a Lua, porque não se aplicaisso a Marte? uma dica: suas estranhas luas e o cinturão de asteroides. 2-nisso, poderia antes ter tido muito mais massa e ter mantido uma atmosfera e água liquida? obs: onde há agua,há oxigênio. 3-a cor enferrujada de Marte indica altíssima concenração de oxigênio e livre, poderia ter sido sua atmosfera? 4-nas profundezas poderia haver rios de água ou imensos lagos com vida? 5-uma eventual colisão,poderia ter tirado o campo magnético de Marte? 6-por último, essa datação de 3,5bi anos de rios e lagos lá, coincide com o início de vida por aqui: reforçaria a tal colisão e chegada de vida a Terra (ou adubados muitos planetas/luas?)

    1. Não sou a Nasa, mas respondo.
      1- A Terra perdeu E ganhou massa com a colisão que deu origem à Lua, mas foi porque bateu nela um protoplaneta do tamanho de Marte. As luas de Marte são dois pequenos asteroides e no cinturão tem mais um punhado deles. Nada que pudesse produzir uma Lua como a nossa. Mas, ainda que fosse possível, a troco de quê você quer dar uma lua do tamanho da Lua para Marte?

      2- Ah, entendi onde você quer chegar. Quer aumentar a massa de Marte para que sua gravidade fique mais forte. Perda de tempo. A massa total do cinturão de asteroides, se você juntar tudo que tem lá, dá 4% da massa da nossa Lua. Ou seja, essa massa não saiu de Marte, nem pode voltar para lá, mas mesmo que tivesse saído de lá, Marte não teria sido muito maior. Marte foi sempre desse tamanho aí que você está vendo.

      3- Sim, a superfície de Marte é altamente oxidada, o que faz os cientistas suporem que em algum momento do passado a atmosfera marciana foi rica em oxigênio. Pode ter sido durante a perda de água para o espaço, com a destruíção de H2O e a fuga do hidrogênio, deixando o oxigênio para trás. Pode ter sido por um surto de atividade biológica, como na Terra. Não sabemos. Mas a bolsa de apostas pende para a opção 1.

      4- Nas profundezas pode haver água líquida sim, se houver fontes geotérmicas que a mantenham suficientemente aquecida. É uma das esperanças para encontrar vida presente em Marte.

      5- Até poderia, mas o mais provável é que a perda do campo magnético tenha sido um processo natural, pelo resfriamento do interior do planeta, que, como eu já disse, sempre foi pequenino.

      6- Sim, a datação de 3,5 bilhões de anos reforça a hipótese de que Terra e Marte possam ter trocado figurinhas biológicas via meteoritos no passado.

  3. O vapor de água poderia fazer as vezes do CO2? Duraria milhões de anos, talvez o suficiente para a formação dos cristais.

  4. Bom dia Salvador, e a matéria sobre o céu de fevereiro? Não vai sair nadinha? Manda uma boa ai para nós observarmos no feriado de carnaval, alguma chuva de meteoros chegando? Rsrsrs

      1. Valeu Salvador, já assiti no YOUTUBE, muito bom o vídeo. Aproveitei e usei a conta da minha esposa para me inscrever no canal, pois não tenho conta ainda. Rsrsrs

  5. Sobre a sua pergunta de alguma referencia de empresa especializada em recuperação de dados de HD danificado consultei um amigo que indica a empresa Natdisc, fica no Jabaquara, tel. (11) 5031-6111. Boa sorte!

  6. Um simples trecho de uma frase dita pelo Salvador neste post, a meu ver reflete muito bem o pensamento de um crente evolucionista, após se deparar com qualquer evidência que não esteja de acordo com o dogma assumido: “(..) e nós não estamos entendendo nada.” .
    Temos estes pensamentos e declarações quando vemos eles, pela primeira vez, se deparando com os Hot Jupters, rotação retrógrado de um planeta, camadas estratigráficas faltantes, fósseis poliestrata, informação codificada presentes no DNA, complexidade irredutível, os “OOparts”, tecidos moles encontrados em fósseis com supostos “zilhões” de anos e assim por diante.

    Observando o modus operandi evolucionista, o próximo passo agora é realizar os malabarismos intelectuais, geralmente fundamentado em falácias, para desesperadamente encaixar as evidências conflitantes nela, ainda que seja feita de forma absurda e contraditória, deixando as “explicações” tremendamente ridículas.

    Felizmente a ciência OPERACIONAL (aquela que empírica e DE FATO nos traz melhorias) não dependem de estórias da carochinha para evoluir. Caso fossem dependentes, ainda estaríamos a nos aquecer com tochas e a energia elétrica ainda seria um sonho inalcançável
    🙂

    1. Se a ciência se prestasse a malabarismos, jamais admitiria que não está entendendo nada. Não entender nada é o primeiro passo para começar a entender alguma coisa. A não ser, é claro, que o seu “entendimento” venha todo de textos velhos de mitologia. Até o papa Francisco sabe que textos velhos de mitologia não se prestam a descrever temas científicos. 😉

      1. Salvador

        Se a ciência se prestasse a malabarismos

        Mas a ciência não se presta a malabarismos. Este modus operandi cabe a cientistas EVOLUCIONISTAS.
        Acha que todos cientistas são crentes evolucionistas?

        jamais admitiria que não está entendendo nada.

        Mas este é o primeiro passo. O próximo é o malabarismo.
        Dificilmente vemos um cientista dogmático abandonando o seu dogma por causa das evidências.
        Eles sempre tentam encaixar as evidências “inconsistentes” na fé que professam.
        Quando não conseguem, eles simplesmente as ignoram. Tu, mesmo não sendo um cientista (porém um evolucionista) já é um exemplo, ignorando todos artefatos que lhe apresentei (os Ooparts) justamente por não se encaixarem em sua fé.

        Não entender nada é o primeiro passo para começar a entender alguma coisa.

        Concordo. Porque será que os crentes evolucionistas ainda não entenderam que os dogmas evolucionistas são falsos?

        A não ser, é claro, que o seu “entendimento” venha todo de textos velhos de mitologia.

        Não necessariedade velhos, mas novos também. Que ano acha que Charles Darwin, Charles Lyell e Georges Lemaître escreveram suas mitologias?
        Não chega a 250 anos.
        😛

        1. Todos os biólogos são evolucionistas. Os não biólogos podem até não ser, mas aí é desconhecimento. A gente perdoa. 😉
          A diferença entre as velhas mitologias e os textos de Darwin, Lyell e Lemaître é que o deles se presta — intencionalmente — a verificação experimental. Darwin não tirou da cartola sua teoria; apresentou incontáveis observações e experimentos para respaldá-la. E todos os experimentos feitos posteriormente para DESAFIAR a teoria (é isso; quando não é mitologia, é passível de desafio) CONFIRMARAM-NA lindamente. O mesmo vale para Lemaître (padre belga, por sinal, além de físico). A proposta original dele para o Big Bang se escorava na relatividade geral de Einstein. Se a teoria de Einstein estivesse errada, a dele ia junto. Desde então, incontáveis testes confirmaram a teoria de Einstein e, pasme, o Big Bang também. Então chola mais. rs

          1. Salvador

            Todos os biólogos são evolucionistas.

            Estas duas listas abaixo refutam o seu pensamento:
            http://www.tdibrasil.com/membros.php
            http://www.discovery.org/scripts/viewDB/filesDB-download.php?command=download&id=660
            Ao contrário do que diz, HÁ SIM Biólogos céticos a doutrina darwinista e ao dogma evolução.

            A diferença entre as velhas mitologias e os textos de Darwin, Lyell e Lemaître é que o deles se presta — intencionalmente — a verificação experimental.

            Nem Darwin, nem Lyell e nem Lemaître conseguiram via verificação DIRETA e EXPERIMENTAL corroborar empiricamente o que eles declaravam.
            Este teu “Elephant Hurling” pode até enganar os ignorantes, porém não funciona com os entendidos do assunto.

            Darwin não tirou da cartola sua teoria; apresentou incontáveis observações e experimentos para respaldá-la.

            Sim. e a melhor das “observações” que supostamente “comprova” que homens e amebas são primos pois supostamente originaram de um ser INFERIOR a uma ameba é um tentilhão que vira…. tentilhão.
            Muito bem….
            Seguindo esta tua “lógica” os gregos também comprovaram, via experimento, a existência de Zeus, visto que com os próprios olhos observaram os raios.

            Desde então, incontáveis testes confirmaram a teoria de Einstein e, pasme, o Big Bang também.

            Sim, e a “melhor” das observações que supostamente “comprova” que o UNIVERSO TODO, se originou de uma suposta explosão de um ponto INFERIOR a uma cabeça de agulha é a radiação de fundo que nada mais é do que um calor do vácuo, cujo NÃO SE SABE se o mesmo está a aumentar e diminuir.
            Seguindo esta “lógica” então os Hindus “comprovam” a existência de Ganesh porque os elefantes são observados.

            Bela “lógica” para se medir a veracidade de uma proposição, não acha?
            Francis Bacon ficaria “orgulhoso” de ver uma coisa destas.

          2. Cara, você é incansável. Só com uma paciência franciscana para aturar. A propósito, já mandou o email pro papa Francisco?

  7. Oi Salva! Me ajude aí por favor: hoje descobri que a Space X lançou em janeiro mais 10 satélites, de uma série de 70, pousando com sucesso novamente seu primeiro estagio. Não consigo entender por que a imprensa brasileira não noticia esse tipo de acontecimento, assim como muitos outros que passam batidos. Fico perdido pela falta de notícias sobre os cronogramas das empresas privadas de exploração espacial assim como os das principais agências espaciais como NASA, ESA, ROSCOSMO, JAXA, CNSA e ISRO. Tem alguma dica de algum canal de informação onde posso acompanhar esse tipo de noticia sem perder nada? Abraço!

    1. Caro Colecionador de Planetas, entendo sua vontade de acompanhar tudo, mas são muitos lançamentos durante o ano todo, e se eu ficasse reportando todos eles ficaria só nisso — eu cuido de um blog, não de um portal. (Claro, tenho vontade de criar um portal inteiro, mas aí são outros 500. heheh) Normalmente concentro minha atenção em lançamentos científicos (lançar satélite de comunicação, como esses que a SpaceX lançou, é toda hora mesmo) e em grandes feitos da tecnologia dos foguetes. É verdade que mais uma vez a SpaceX recuperou seu primeiro estágio (e as imagens foram incríveis!), mas já não chega mais a ser uma grande novidade. Elon Musk, quando perguntado sobre até quando os pousos de primeiro estágio serão considerados experimentais, respondeu: “Até quando eles ficarem tediosos.” Estamos chegando lá. Claramente a SpaceX dominou a tecnologia.

      O que eu quero ver agora — e darei bastante atenção a isso — é quando eles voarem de novo um primeiro estágio recuperado e usado, algo que deve acontecer daqui a dois lançamentos da SpaceX. O próximo será um voo da Dragon de carga para a ISS, em breve (foguete já está ereto na plataforma 39A do KSC), e então eles lançarão um primeiro estágio usado!

      Para ter uma ideia de todos os lançamentos já anunciados para este ano, confira esta lista:
      http://spaceflightnow.com/launch-schedule/

  8. Salvador,duo-base 6, modinha de piseudo codigo, digamos que a camada metamorfica de marte, tenderia a se decantar em 12 camadas,pelo fator trissincro ressonante da materia,sobre esta base quantica, dai o que quero me dirigir esta a questao da propiedade(gravidade),interagindo com a mesma, dai, na pratica o que se ve la, esta oceanos de lama, acredito que os compostos, e talvez moleculas simples, tenham mais dificuldade de se forma, a quem do fator fe gravidade interagiria, por metodos de sublimacao,decantacao,filtracao,permeabilizacao,composicao,hidrolize,centrifugacao,arrasto,retc,demai metodos que aceleram a formacao de isotopas ou compostas moleculas, a qual, por nao levarmos em conta a importancia do fator gravidade, possa nos paradgmar, por tanto,la o que se ve esta ,oceanos de lama, se uma especime quizer beber algo hidratado la tem que comer lama, se quizer beber agua destilada vai morrer de sede,isso esta na pratica o que se “ve”,por img de app, pelas fotos,nitido en regioes hidratadas, rios de barro lameado

    1. salvador,acredito que a condição de afastamento em relação ao sol, como também a tri-sincronicidade ressonante com as duas luas, consequentemente seu estado de travamento de mares de ambas, influenciam na gravidade o estado harmônico das camadas.(digamos que este harmônico se encontre dissonante ou consonante, jaque existem duas luas, diferenciado da hamonização uníssono que acontece entre a terra e lua, dai nesta base ressonante; base(duo-base 6=12),estejam as enfraquecendo-as(camadas), e por seguinte diminuindo a intensidade do campo magnéticos e a capacidade de decantação e outros fenômenos relacionado, a a capacidade de ação e reação molecular,deste lim(0)1/12 a 12/1 , dai digamos que num período tardio em relação a terra, marte tenha estabelecido algum estagio de decantação molecular, semelhante aos encontrados no planeta terra, bastaria uma das duas luas entrarem em orbita de bloqueio de mare ou a queda de um asteroide para reverte-lo ao teu estado tardio jurássico, que por tua vez, levaria-se muito mais tempo, para que as novas condições moleculares de isótopos se estabelecessem.

  9. Salvador, o link pra sua pagina na parte de Ciência e Sáude bugou. Só aparece a materia da busca por alpha centauri.

    1. Sim, na página de Ciência e Saúde do UOL. Desconfio que isso precisa ser atualizado manualmente por eles. Mas como meu blog é da Folha, não do UOL, não posso reclamar. Quer dizer, até posso. Mas tenho medo de eles acharem que eu sou um chato de galochas… rs

      Entrando por lá você pega o paywall da Folha?

      1. Oi Salva! Me mentendo na conversa 🙂
        Eu entro pelo UOL, tenho acesso sem restrição.

        Mas de vez em quando aparece uma tela perguntando se sou assinante da Folha ou do UOL e tenho de logar novamente.

  10. Algumas dúvidas a respeito do que vai acontecer quando o homem tiver colonizado outros planetas:

    1. Vamos ter que trocar o nome da internet pra interplanet?

    2. Haverá tribunais no espaço, ou os crimes lá cometidos serão simplesmente considerados sem gravidade?

    3. Haverá hospício suficiente para tantos lunáticos?

    4. Um ator que tiver nascido em uma lua pode vir a ser uma estrela?

    5. A Deusa Vênus pode ser considerada uma mulher de fases?

    1. Gostei das perguntas, Perna, eis aí algo a ser pensado! 😛

      A resposta seria sim para todas, exceto a pergunta 2. Só os crimes ocorridos no meio da viagem poderão ser ditos sem gravidade…. Sempre há alguma gravidade nos planetas e nas suas luas. Em Júpiter, todos seriam gravíssimos. 😛

  11. SN, passei na 2a chamada da Fuvest!!!!! Consegui, cara, vou fazer Física no IAG-USP!! Agora estou olhando o conteúdo do curso: “Astrofísica de altas energias”!!! Consegui!!!

    1. PARABÉNS! Sensacional! Agora vê lá, hein? Não vai abandonar o blog agora que virou chique, físico da USP e tal. rs
      Estou realmente feliz por você!
      🙂

      1. Minha fidelidade ao blog é canina. Garanto. Eu vou cursar meteorologia e tudo de astronomia como optativas eletivas. Não paro de olhar a grade do curso, essa coisa linda!

        Um abraço do tamanho da UY Scuti!

        1. Parabens, felipe, tasca duo-base 6, derrepente, voce vai estar um desses que em tia tese
          VAi implantar a nomeclatura da duo-hecimal base, erradicar essa retorica de modinga de pseudo codigo,esta so se espelhar nos jonicos e em aricmedes

    2. Parabéns e muito sucesso no curso. Procure se dedicar às listas de exercícios e não mate aulas, lembre-se sempre que o que vão te ensinar, qualquer coisa, será a base para seu desenvolvimento profissional.

      Tente se manter à frente de seus professores, procure outras fontes de informação além dos livros e anotações de aulas. Mantenha-se focado no curso. Seja feliz. Grande abraço.

    1. Ah, é a página do UOL, não da Folha. Essa realmente está fora da minha alçada. Depois fico enchendo o saco deles e eles pegam raiva de mim… 😛

      1. Pois é, é do UOL rsrsrs
        Vou continuar mandando para eles mensagens reportando erro na página.
        Uma hora eles corrigem 😉

  12. Também não conseguem obter respostas ao Paradoxo de Fermi…Assim caminha a “eterna” curiosidade da dúvida…rs

  13. Esse lago, na realidade é a cratera de um corpo celeste que atingiu marte e era formado por água em estado sólido, que foi aos poucos se liquefazendo e posteriormente se gaseificando. Qual é p mistério?

    1. O mistério é que não funciona assim. Se um objeto com muita água bate num planeta — digamos, um cometa –, a água toda se vaporiza no impacto. Depois pode chover de volta, mas não no mesmo lugar em que caiu. Além disso, há evidências de que o lago se manteve estável por muitos milhões de anos. Isso exigiria condições ambientais estáveis.

      De toda forma, agradeço. Acho que é a primeira vez que você faz um comentário construtivo aqui! 🙂

  14. Obrigada Salvador pela pronta e completa resposta. Não dá para continuar naquele mesmo comentário, então estou abrindo outro para perguntar se você tem algum artigo, que eu tenha perdido, com a atualização da questão da origem da água na Terra. Também pergunto se a teoria que diferencia as águas com os dois isótopos do H veio depois da descoberta da Rosetta no cometa ou já era a anterior que, se não me engano, não explicava a quantidade de água líquida na superfície da Terra.
    Desculpe o abuso da sua boa vontade, mas este assunto me interessa muito e não tenho encontrado referências acessíveis a não ser nas suas publicações.
    Gratíssima!

      1. Obrigada, uma pena o seu contrato não ter sido renovado e ainda por cima terem perdido os links. Fica uma sugestão de pauta. Acho o tema extremamente relevante e dá muito trabalho ficar procurando os paper por conta própria.

        1. Legal, abordarei em algum momento futuro! 🙂
          (E sim, fico chateado por terem derrubado os links, ainda mais porque meu HD crashou aqui e eu perdi meus arquivos originais… preciso mandá-lo a uma empresa de recuperação de dados para tentar resgatar esse material. A propósito, alguém conhece uma boa e confiável?)

          1. Vou tentar me informar, se conseguir alguma indicação aviso, desastroso perder material tão relevante. Aguardo o artigo sobre a origem da água. As informações que você passou no comentário foram muito relevantes, merecem aparecer num artigo.

          2. Salvador, se estiver o caso usa getdataback, com serial com teu hd plugado em um case externo via usb, omo servo, no geral a formatacao pode estar nfts, mas tambem raro fat32, tu mesmo recupera

          3. Obrigado, mas ele está com um barulho estranho. Desconfio que tem problema físico, não lógico… 🙁

          4. 1. Com isso, espero que “aprenda” a fazer backup, porque HDDs pifam e possuir backup sai MUITO mais barato que pagar para recuperar. A forma mais simples de fazer isso é instalando 2 HDDs iguais no computador e fazer uma copia do conteudo de um para o outro de vez em quando (ha programas que fazem isso de forma automatica, inclusive). Mas nao caia no erro de fazer espelhamento, usando NAS ou algo parecido, porque em casos de apagamentos acidentais ou sobrescrever um arquivo, a mesma coisa vai acontecer no HDD espelhado, e voce perde o conteudo nos dois HDDs.

            2. Se ainda precisar de recuperacao de HDD, tem uma empresa em Sampa chamada “Hospital do HD” que é boa e voce so paga (um preco fixo) se recuperarem o conteudo.

            3. Se o problema no seu HDD nao for mecanico, voce pode tentar trocar a plaquinha logica por outra igual (é faciltrocar, sao pouco parafusos e um cabo de dados) e ver se o HDD nao volta a funcionar normalmente… (tem que tirar a placa de outroHDD igualzinho e coloca-la no HDD defeituoso).

            Abraços.

          5. 1. A gente sabe como é esse lance. Só Jesus salva. hehehe
            2. Vou olhar o Hospital do HD. Obrigado pela dica.
            3. Estou apostando em problema mecânico mesmo, pelos ruídos.
            Abs.

  15. Prezado.

    Excelente artigo. Sou absolutamente leigo no assunto, mas, me permito fazer uma pergunta. Existe a possibilidade de tornar marte habitável?

    1. Talvez, pelo menos temporariamente. É preciso tornar a atmosfera mais densa derretendo o gelo das calotas polares.

          1. O que precisaria acontecer para a água liberada ficar na atmosfera em forma de gás e não cristalizar e cair de novo?

          2. Você ter uma faixa de temperatura e pressão que admitisse os dois estados. É o que acontece para o metano em Titã, e para a água na Terra.

          3. pois então… uma vez que tais condições não existem em Marte, a água iria congelar e cair de novo, não?

          4. Não. Uma vez sublimada — e as temperaturas em Marte chegam a ficar acima de zero grau Celsius sob o Sol do meio-dia –, ela acaba destruída pelo UV, que separa hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio, mais leve, foge para o espaço, e o oxigênio oxida a superfície, que tem aquela “ferrugem” toda… rs É assim que, paulatinamente, Marte vai perdendo sua água. A essa altura, os reservatórios preservados são aqueles que estão sob o solo, ou sob uma camada de dióxido de carbono nas calotas polares, e não têm, portanto, chance de sublimar. A atmosfera de Marte tem muito pouco vapor d’água no momento — quantidades-traço.

        1. Nada de armas atômicas. Você acabaria simplesmente criando um ambiente altamente radioativo.

          Existe um autor de ficção científica que já abordou esse tema, o nome dele é Kim Stanley Robinson. Fundamentando-se em ciência possível, ele escreveu três livros: “Marte Vermelho”, “Marte Azul” e “Marte Verde”. Nessas obras ele descreve um possível processo de terraformação de Marte, onde primeiramente esquentamos o planeta (efeito estufa), derretendo indiretamente a água existente e estabelecendo um ciclo hidrológico (Marte Azul), e por último disseminamos plantas em todo o planeta (Marte Verde).

          Claro, o processo levaria vários séculos para ocorrer, não seria sustentável a longo prazo se os humanos não dessem “manutenção” nele (os princípios que secaram e deixaram Marte como está hoje ainda estariam presentes), mas na teoria é possível.

  16. E sobre o Metano, a origem do Metano continua a ser um mistério?
    Calcula-se que a concentração de metano possa ser produzida por um ecossistema bacteriano o que pode parecer uma quantidade incrível de bactérias, mas que é muito pouco na escala planetária. Nas Latitudes mais altas, mediram cerca de 50 ppb; perto do Equador 250 ppb ou mais, valores bastante elevados.
    Afinal, encontraram explicações? São processos geotérmicos?

  17. Salvador, não há paradoxo nenhum. Se havia água em estado líquido na superfície haveria também água em forma de vapor na atmosfera. Tanto aqui na Terra como em Marte, o principal gás de efeito estufa é a água. Não é o CO2, como gostam de propagandear os alarmistas do fim do mundo. Então, a própria água cuidaria de criar o efeito estufa necessário. Na terra também, o principal gás de efeito estufa é o vapor de água. Fica a dica.

    1. Anibal, a modelagem da atmosfera de Marte já leva em conta uma quantidade grande de vapor d’água na atmosfera. Mesmo assim a conta não fecha. Para manter a temperatura e a pressão atmosférica adequadas, o modelo mais otimista pedia 1,3 bar de CO2 — isso contando com 20% de H2 para fazer estufa adicional (esse H2, naturalmente, viria da quebra de H2O por UV na atmosfera). A conta não fecha.

      E lá vem mais um querendo desvirtuar a discussão para a atual mudança climática terrestre. O Thiago compartilhou esse link nos comentários que é bem útil, se esse é o seu tema preferido:
      https://www.bloomberg.com/graphics/2015-whats-warming-the-world/

      1. A dica sobre o principal gás de efeito estufa é necessária porque muita gente não sabe disso. E isso é indiscutível entre todas as vertentes de discussão de efeito estufa na terra. Se os modelos de Marte já levaram em conta o vapor d’água, nós não havíamos sido informados pela sua reportagem.
        Quem quiser entender mais sobre aquecimento da terra e o efeito da água, vapor, nuvens, etc, vale apena dar uma olhada:
        http://www.revistas.usp.br/revusp/article/viewFile/99185/97651

        1. É uma ótima referência. Mostra como essas coisas são complicadas, e como o dióxido de carbono é só um gatilho num sistema de feedbacks que pode levar à mudança climática observada na Terra. (De novo, isso não tem nenhuma implicação sobre a discussão de Marte; é off-topic.)
          Um resumo legal dos sistemas de feedbacks está aqui: http://earthobservatory.nasa.gov/Features/GlobalWarming/page5.php (para quem lê inglês).

          1. O povo está muito preocupado com o CO2. O dióxido de carbono não me preocupa. Esse gás a gente consegue não só reduzir a emissão mas também retirar da atmosfera (basta vontade e investimento, o que é outra discussão).

            (Não) quero ver é a treta que vai dar se algum mega depósito (ou vários menores) de metano das regiões polares evaporar e inundar a atmosfera com esse gás!

          2. Esse é um ótimo exemplo do problema dos feedbacks. Se você esquenta só um pouquinho o planeta, esse gelo aí começa a se deslocar. Nem precisa que ele suma — basta que o desequilíbrio tire de uma parte e coloque em outra. Aí libera esses reservatórios aprisionados de metano, um gás-estufa bem pior que o CO2. E aí temos um aquecimento bem pior.

            As pessoas acham que a mudança climática é uma tragédia para o planeta. Não é. Como os negacionistas gostam de dizer — e é verdade –, houve momentos em que o planeta esteve bem mais quente e gozava de enorme biodiversidade. A época dos dinossauros, inclusive, tinha mais CO2 atmosférico e era mais quente que a atual. Mesmo que a mudança abrupta cause extinções em massa, eventualmente a vida vai se adaptar para ocupar os nichos novos, e teremos um planeta tão lindo e verdejante quanto antes, se não ainda mais bonito.

            O problema com a mudança climática é NOSSO, não do planeta. É a gente que se ferra se de repente uma região com vocação agrária não serve mais para as culturas que ela cultivava antes, e outra em que ninguém tem o hábito de plantar passou a ser boa para a agricultura. É a gente que se ferra por ter construído nossas cidades nas costas dos continentes quando o nível do mar sobe. É a gente que se ferra por ter mais energia na atmosfera e, com isso, mais eventos extremos — ondas de calor e de frio, que matam idosos a torto e a direito, numa população cada vez mais envelhecida. É a gente que se ferra por ter quase 8 bilhões de bocas para alimentar todos os dias.

            A mudança climática não ferra com o planeta. Ferra com a gente. O que parece bem justo, uma vez que nós a estamos causando.

        2. Fantástico esse teu material sobre o vapor de água, Aníbal…
          Bem melhor que o link do taco de golfe que o Salvador publicou, onde só se credita ao CO2 a responsabilidade pelo efeito estufa…

          A questão que levantou é extremamente pertinente…
          Esse modelo que eles fizeram queriam que o CO2 fosse responsável por quantos por cento da temperatura de Marte??? Kkkkkkkkk… Lembrando que eles precisam chegar em 10ºC!!!

          Na Terra o vapor de água é responsável por 95% do efeito estufa, e se levarmos em conta que a temperatura do planeta seria 15ºC abaixo caso ele não existisse, representa que 14,25ºC são por conta do vapor de água, os demais 0,75ºC são pelos outros gases estufa, dos quais o CO2 participa com apenas uma fração…

          Aí me pergunto, se o CO2 que “está faltando” em Marte pelo modelo que criaram fosse responsável por uns 10ºC ou mais, quanto teria que ser o CO2 esperado por eles??? Kkkkkkkkk… Nem em Vênus o CO2 consegue levantar tanto assim a temperatura… Kkkkkkk…

          1. Veja que o vapor d’água na Terra responde, quando muito, a 1% da atmosfera. É bem mais que o CO2, é verdade. CO2 está agora em 0,04%. Então seria de se espantar se o máximo efeito estufa viesse de CO2, em vez de H2O. O ponto, volto a repetir, são os feedbacks. Se um módico aumento no CO2 leva a um módico aumento no H2O, temos aí uma relação causal direta e um aquecimento bem maior do que aquele que o CO2 sozinho produziria. Ainda assim, seria um aquecimento antropogênico, porque foi o aumento do CO2 que levou ao aumento do H2O. Não sei qual é a dificuldade de entender — ou aceitar — essa relação simples.

            Sobre Vênus, você precisa se informar melhor, porque lá é praticamente só CO2 de gás-estufa, não tem quase vapor d’água, e a temperatura é de 460 graus Celsius, com um nível de radiação que é só o dobro do terrestre. Põe estufa nisso.

            Sobre Marte do passado, o modelo mais otimista sobre a quantidade de CO2 sugeria uma atmosfera de 1,3 bar de CO2, com 20% adicionais de H2 (resultado da quebra de H2O na atmosfera), agindo como gás-estufa indireto — ele em si não retém o calor, mas aumenta a vida de outros gases-estufa na atmosfera, como monóxido de carbono e metano.

            Essa conta fecha — essa seria a quantidade necessária de CO2 para manter Marte do passado a 10 graus Celsius. O que descobrimos agora é que, há 3,5 bilhões de anos, já não tinha mais esse CO2 todo — aliás tinha muito menos –, e o lago ainda assim estava lá.

          2. B’Hengler, você está mostrando números errôneos e que levam a uma falsa conclusão. Vapor d’água é responsável por 60% do efeito estufa (e não 95%, de onde tirou isso?), já o CO2 é responsável por 25%, sendo que a proporção deles na atmosfera é por volta de 1% de água e 0.04% de CO2 como o Salvador já disse. Isso é bem entendido por experimentos em laboratório, medidas e modelos para a atmosfera. Por fim, atividades humanas não tem emissão de água como subproduto, e sim CO2, metano e afins. Como você explica o aquecimento do planeta nas últimas décadas?

          3. Então em Marte também não era o CO2…
            Que aaazzzzzzaaaaaarrrrrrrrrrrr…
            Kkkkkkkkkkkkkkkk…

            Sobre Vênus, o que aumenta a temperatura é a pressão extrema do planeta…

          4. Esse “Maurício” aí fui eu, mas não me pergunte como apareceu isso aqui…
            kkkkkkkkkkk…

            Sobre o “feedback” que mencionou, lembre que um simples aumento de temperatura por diversas causas naturais, como variações orbitais, atividade solar, etc, aumentam o vapor de água da atmosfera, e causa o “feedback” que mencionou também, e na mesma proporção que participam do efeito estufa, com vantagem expressiva ao vapor de água que apresenta a possibilidade muito maior de aumentar de participação na composição da atmosfera…

      2. Estou impressionado com a autoconfiança dos autores do estudo e do modelo. Ao se depararem com uma diferença entre o modelado e o observado, preferem declarar um paradoxo, em vez de no melhor espírito de desenvolvimento da ciência, tentarem rever e melhorar seu modelo.
        Modelos que inclusive, nunca conseguiram acertar o clima observado na Terra.

        1. Cara, hoje o seu humor está terrível.
          O paradoxo naturalmente é *aparente*, e os pesquisadores não sugerem nada além disso. São um sinal de que ainda não estamos entendendo o quadro completo, e por isso duas informações parecem conflitantes. Mas, claro, a natureza nunca é conflitante. Há de haver uma resposta.
          Agora, o modelo atmosférico não é deles. O modelo é de outros. Aliás, são vários modelos já feitos por outros do que teria sido a atmosfera antiga de Marte para explicar as situações observadas. O que todos esses modelos diziam é que deveria haver uma grande quantidade de CO2 na atmosfera no passado (não porque eles adorem CO2, ou porque CO2 seja um gás-estufa, mas simplesmente porque a atmosfera marciana hoje é 96% CO2, e imaginava-se que deveria haver uma proporção grande de CO2 no passado também).
          O resultado apresentado na “PNAS” (em vez de ficar cagando na cabeça dos pobres pesquisadores, eu recomendo que você leia o paper antes — foi o que eu fiz antes de escrever esse texto) meramente descreve a não detecção de carbonatos nos sedimentos e impõe um valor máximo para a presença de CO2 há 3,5 bilhões de anos. Esse valor máximo, por sua vez, está várias ordens de magnitude aquém do esperado por todos esses modelos formulados até agora. É só isso. Tudo que os pesquisadores deste trabalho estão dizendo é: precisamos de outro modelo da atmosfera antiga de Marte que seja compatível com essas observações, ou precisamos de uma explicação que concilie água líquida no leito do lago com atmosfera fria fora. Só.
          Vai tomar um suquinho de maracujá, depois você volta pra responder, Anibal… rs
          Abraço.

          1. Depois de litros e mais litros de suco de maracujá, aqui vai um link que deveria ser lido e entendido por grande parte dos amigos que tiverem interesse sobre como nascem a maioria das conclusões sobre o CO2 e o aquecimento global :
            http://comcept.org/cepticismo/correlacao-nao-implica-necessariamente-causalidade/
            Meu caro Salvador, a idéia de que o CO2 seja “o” gatilho para o complicado sistema climático é apenas uma das milhares de possibilidades. Não há estudo que comprove isso. Os gatilhos de início e final das eras do gelo, continuam sendo um mistério que está sendo investigado. Nenhum estudo conseguiu demonstrar como e por que, as eras do gelos começam e acabam.
            Uma vez iniciada uma era do gelo, usando-se o raciocínio do CO2, albedo, vapor dágua, etc, ela não deveria acabar nunca. Pelo contrário, deveria ir congelando infinitamente. O contrário também, uma vez iniciado o processo de aquecimento após uma era do gelo, esse aquecimento, alimentado pelos feedbacks, seria eterno.
            No entanto, sem nenhuma explicação plausível(até hoje), há dois milhões de anos atrás, a terra começou a ter ciclos de eras do gelo e aquecimento com um aparente padrão temporal de mais ou menos 100.000 anos.
            A terra já virou bola de neve por duas vezes, há 700 milhões de anos.
            A conclusão de que o CO2, no meio da parafernália que a água, o vapor dágua, o gelo, e as nuvens causam nos processos climáticos seja “o” gatilho, tem a mesma força de qualquer outra especulação.
            E algumas afirmações que são solenemente ignoradas por você, são fidedignas, e procurei comprovar antes de fazê-las. Uma delas é sobre o fato de os modelos climáticos não acertarem os climas observados na própria terra.
            Não seria em Marte, principalmente com água, que eles iriam acertar, né ?
            A outra é sobre o feedback das nuvens. Até hoje não se sabe se ele é positivo ou negativo. Cada grupo, ou modelo arbitra um valor para isso. Só que o calor manipulado pelas nuvens não é algo que se possa desprezar. Ele é centenas de vezes maior que o calor manipulado pelo CO2.
            Essas e outras incertezas fazem com que esses modelos errem. Portanto cabe a nós cobrar empenho e desapego a crenças, da turma responsável pela sua elaboração.
            Não façamos coro com nenhuma massa de convictos, sem as devidas evidências. O mínimo que devemos cobrar como evidências, seria um nível razoável de acerto dos climas observados(passados) da terra pelos modelos com essas variáveis que estão usando. Caso contrário, que façam previsões para Marte, Plutão, e qualquer outro lugar. Menos aqui.

          2. Anibal,

            Uma delas é sobre o fato de os modelos climáticos não acertarem os climas observados na própria terra.

            Poderia especificar de onde você tirou esta conclusão? Por que pelo que pesquisei, existem muitos modelos produzido por grupos de pesquisa independentes que estão de acordo com as medidas das últimas décadas. Um exemplo é no link que o Salvador já replicou aí em cima. Outro seria este do grupo de Berkeley:
            http://berkeleyearth.org/graphics/model-performance-against-berkeley-earth-data-set/#section-2-0
            no gráfico “AR4 GCMs versus BE Dataset” há a comparação com vários outros modelos.
            Mais sobre o assunto aqui:
            https://skepticalscience.com/climate-models-intermediate.htm
            onde tem este vídeo interessante que mostra outros modelos versus os dados coletados, inclusive predições por alguns contrários ao aquecimento:
            https://www.youtube.com/watch?v=tPSIvu0gQ90

            A vantagem de se ter bons modelos, é que neles você pode isolar variáveis, como mostrado pelo link da Bloomberg aí em cima. É desta forma que sabemos que o vapor d’água contribui com 60% do efeito estufa na Terra, enquanto o CO2 contribui com 25%, como mostra o artigo da revista da USP que você mesmo indicou (Tabela 1 da página 76, ou página 10 do pdf -> 75/125 e 32/125, respectivamente).

          3. Thiago,

            Se estiver realmente interessado, vai encontrar aqui nesse trabalho, que não é qualquer trabalho, pois ele foi elaborado pelos representantes brasileiros do IPCC. Se você se der ao trabalho de ler o trabalho completo, verá que as conclusões dele parecem ter sido escritas por alguém que nunca leu o trabalho.
            Mas se você quiser ir diretamente ao ponto(modelos não acertam climas observados) , onde tem os resultados dos modelos tentando reproduzir climas observados no Brasil, vá às paginas 94-98:

            http://mudancasclimaticas.cptec.inpe.br/~rmclima/pdfs/prod_probio/Relatorio_1.pdf

            Um trecho do relatório:
            ” No caso de temperaturas e viés sazonais, a Figura 35 e as figuras do Anexo I mostram que o modelo CCCMA e em menor grau o modelo do CSIRO apresentam vieses frios na maior parte do Brasil, com valores de até 4ºC menor que a climatologia observada durante todas as estações do ano. Na primavera, o modelo do GFDL tende a ser mais quente que o observado (até 4ºC na Amazônia), enquanto que o viés é menor no CCSR/NIES. No verão o HadCM3 aparece como o mais próximo à climatologia observada enquanto que o GFDL tende a ser mais quente no sul do Brasil e o CCSR/NIES tende a ser mais frio que o observado ao leste dos Andes. No outono, o HadCM3 aparece mais próximo a observações com anomalias moderadas entre +1 e -1ºC em relação à 98 climatologia, e no inverno o GFDL é mais frio na Amazônia central (até 2ºC) e o HadCM3 tende a ser ligeiramente mais frio que nas observações no Brasil subtropical. Ë importante considerar estes vieses no momento de avaliar os cenários futuros, para poder estimar os valores de chuva e precipitação além das anomalias em ralação ao clima do presente.”

          4. Anibal faz parecer que há contradição. Não há. O que existe é que modelos globais são bons para estudos globais, mas não tão bons para estudos regionais.
            Mesmo os modelos que pretendem revelar efeitos regionais precisam ser globais — precisam representar o mundo inteiro, porque é uma sistema só.
            Mas o que se faz é modelar as áreas de interesse com mais detalhamento. Então, vamos supor, se você repartiu o mundo inteiro em quadrados de 10 km x 10 km, mas você quer estudar a fundo o que acontece na Amazônia, vai pegar aquela região e fazer quadrados de 1 km por 1 km.
            Isso naturalmente vai oferecer um maior detalhamento que permitirá tirar conclusões um pouco mais precisas sobre aquela região em particular.
            Os modelos britânico e australiano naturalmente não fazem esse detalhamento da Amazônia, e suas conclusões para efeitos regionais ali são de pouca valia. Para isso precisamos de um modelo brasileiro. E temos um.
            Então veja: não há conflito na ciência. Há cada país gastando mais poder computacional onde mais lhe interessa, sendo que todos precisam realizar uma simulação grosseira do mundo inteiro.
            Essas diferenças regionais entre os modelos são importantes para os formuladores de políticas nacionais (sobretudo em busca de mitigação, uma vez que um certo aquecimento já é garantido, mesmo com cortes violentos nas emissões de carbono), mas não invalidam as conclusões gerais de TODOS OS MODELOS quanto ao curso da mudança climática antropogênica de forma global.

      3. Uau, fantástico esses gráficos, Salvador! Eles mostram bem a relação entre o aquecimento global e os fatores humanos. é incrível que algo tão claro seja ainda submetido a controvérsias, claramente de interesses político-comerciais que não aceitam reduzir o consumo de combustíveis fósseis e incentivar o uso de energia sustentável…

    2. Ha sim, O PARADOXO DO UNIVERSO, a resposta para as perguntas do universo cosmos ,A tese, o e-ser pelo(X) est-estar, so procurar em letras maiuculas que voce acha, compreendem, todo algo de ques e porques que existem, ibclusive a duo-base 6 e teus sub-jacentes!

  18. Não poderia ser água no subterrâneo nos poros do solo (como nos lençois freaticos) e que vieram à superfície por algum processo geológico não previsto antes de “evaporar”?

  19. E o METANO como responsável pelo efeito estufa, não consideram esta possibilidade? Ou ainda, quem sabe, uma biosfera promovida pelos próprios seres vivos locais (bactérias arrotando insanamente).

    1. A questão é que metano precisaria ser constantemente reposto na atmosfera e estar presente em grandes quantidades. Parada dura.

    2. O Metano seria uma boa alternativa, uma vez que ele é 30 vezes mais potente que o Dióxido de Carbono. Na Terra ele é encontrado em quantidades alarmantes no sub solo. Talvez em Marte, antigamente também fosse.

  20. Se eu não me engano a teoria de que os lagos/oceanos de Marte existiram sob uma camada de gelo não é novidade. Alguns estudos apontam que várias características vistas no planeta e em vários lugares do planeta foram causados por geleiras.
    Provavelmente deve ser a verdade.

  21. Oi Salvador, você que tem informações sempre atualizadas, sabe me informar se os cientistas já “bateram o martelo” quando a existência ou não de algum tipo de vida em Marte atualmente ? Já temos elementos para afirmar definitivamente algo sobre isso ? Se não, a hipótese mais provável pende para qual dos dois lados ? E quanto a você, se tivesse que opinar e ganhar um premio de 10 milhões de dólares, qual das duas alternativas você escolheria ?

    1. Não sabemos. É um problema bem difícil, na verdade. Porque se houve em algum momento, é grande a chance de que ainda haja. Mas provavelmente está muito bem escondida nos últimos bolsões habitáveis no subsolo de Marte. Acho que só com retorno de amostras vamos ter uma definição sobre isso. Eu não apostaria dinheiro nisso. Se fosse só adivinhar e ganhar o prêmio, apostaria que sim, há vida em algum cantinho de Marte.

      1. Salvador, espero que essa sonda europeia mostre alguma novidade sobre o metano marciano e assim alguma pista sobre a possibilidade de vida.

        1. Pois é. Estou ansioso, mas os resultados só devem vir depois que ela terminar a aerofrenagem — só ano que vem!

  22. Salvador, por mais que tenhamos fotografado e medido o planeta Marte, usado robôs com instrumentos muito sofisticados, ainda acho que falta a presença física humana para uma avaliação mais acurada. De qualquer forma, conhecer um planeta inteiro e sua história em poucos anos de exploração é difícil, senão impossível.

    Podemos ter lampejos de informação, daí a generalizar para o planeta inteiro trará sempre alguma dúvida. Por exemplo, conhecemos realmente a Lua?

    1. Verdade que falta explorar muito mais. E acho que, tão essencial quanto visitar Marte com humanos, é imperativo trazer amostras de lá. Só com o poder dos laboratórios terrestres podemos realmente estudá-lo como deveríamos. E, claro, ainda há muito a conhecer na Lua também.

        1. Faz tempo que os cientistas querem isso. É um desafio técnico e causa todo tipo de preocupações de natureza de proteção planetária (como garantir que não vamos contaminar Marte e como garantir que não vamos contaminar a Terra).

  23. Salva, me explique!

    Se a terra que dista a cerca de 149.600.000 km do sol e, Marte a 227.900.000 km. pergunto:

    SE o planeta terra, que está bem mais próximo do sol, foi preservado em toda a sua exuberância dos ventos solares, por quê, Marte, bem mais distante, teria sido varrido lá nos primórdios por esses elementos?

    Eu apostaria que Marte sempre foi um planeta estéril, a princípio revestido por uma camada de gelo e com o aquecimento natural da estrela, o gelo desapareceu por falta de uma atmosfera suficiente e o que restou foi esse imenso deserto radioativo.

    1. Marte perdeu seu campo magnético cedo, por ser menor (resfriar-se mais depressa). O da Terra segue firme e forte. Isso protege a atmosfera de partículas carregadas do Sol e diminui a taxa de erosão da atmosfera.

      1. Sabemos que as rochas expostas são de um leito de lago com 3,5 bilhões de anos. Se esse lago estivesse exposto a grandes quantidades de CO2 na atmosfera, esse CO2 reagiria com a rocha formando carbonatos, que seriam preservados nos sedimentos. O Curiosity analisou os sedimentos, e não encontrou carbonatos. Logo, o lago não estava exposto a grandes quantidades de CO2 na atmosfera há 3,5 bilhões de anos.

    1. Acho que o Valles Marineris em particular não foi escavado por água. Há alguns canais nele que sim, mas no geral o imenso rasgo é associado ao resfriamento interno de Marte, talvez sintoma de tectonismo antigo no planeta.

  24. Caro Salvador,

    Legal e instigante o seu artigo.O paradoxo é, evidentemente, “apesar do “lago” cadê a água?”

    Primeiro, eu não diria que há evidências “inequívocas” que aquilo lá foi um lago! Os minerais encontrados pelo robô, essencialmente sais, também poderiam ter sido originados por emanações vulcânicas. E há vulcões em Marte, alguns recentemente ativos, indiscutivelmente.

    O outro aspecto em si é a “questão da água”. Não tome minhas reflexões como uma “teoria da conspiração”, mas evidentemente para justificar os altíssimos custos da exploração espacial a Nasa precisa encontrar água, líquida de preferência. Por outro lado, emitir uma declaração de que Marte sempre foi um deserto extraordinariamente seco, como o é hoje, não é de interesse do establishment acadêmico americano/europeu, senão a fonte ($) seca!

    Quem conhece geologia, e eu posso me incluir nessa categoria, sabe muito bem que o que chega de Marte são informações de um deserto, independentemente da era geológica investigada. Além disso supor que a água (ou gelo) poderia ter estado (ou estar) retida no subsolo por 3.5 Ga (!???) é, em si, um feito extraordinário! E se assim fosse, seria a prova inconteste de que aquele planeta está geologicamente morto, sempre esteve morto desde sua formação a 4.6 Ga (supondo que Marte tenha a mesma idade da Terra). E publicar uma sentença de morte desse tipo não interessa a ninguém, pelo menos não a Nasa.

    Daí emerge o paradoxo, o establishment forçando suas interpretações para dizer sim, há água em Marte, e os dados enviados or sondas e robôs dizendo que não ou, talvez mais propriamente, apontando que se houve água líquida em Marte na formação do planeta ela teria sido rapidamente evaporada pela desde então tênue atmosfera marciana. Situação similar ocorre na Lua e em Mercúrio.

    Quem quer ver o contorcionismo da Nasa ao querer que Marte tenha água é só acompanhar o site do jipe Curiosity. Imagens de rochas vulcânicas essencialmente anidras além de paisagens de dunas, dunas e mais dunas; mas não há um só post em que a palavrinha mágica “água” não seja mencionada.

    1. Você está descartando as formações geológicas que são costumeiramente associadas à água e a quantidade brutal de água na forma de gelo detectada no subsolo marciano e nos polos por sondas. Já vimos esse gelo in situ também, nas escavações da sonda Phoenix. Dá uma olhada nessa imagem: https://www.nasa.gov/mission_pages/phoenix/images/press/sol_020_024_change_dodo_v2.html
      É gelo de água sublimando ao ser exposto à atmosfera! 🙂

      1. Se há tanta água que evapora por sublimação ao ser exposta na superfície, então por que o teor de água na atmosfera marciana é extremamente baixo conforme registram as sondas em órbita ? Como o gelo do polo está exposto, a quantidade de água registrada nos orbitadores deveria ser muito maior, não acha! Além disso, imagens recentes do polo marciano mostraram que eles são formados por estratos empilhados de gelo e poeira; como você imagina ser isso possível?

        Particularmente não conheço nenhuma imagem de formação rochosa que indiscutivelmente tenta sido depositada pelo escoamento (líquido) de água. Se você tem a referência, nos indique por favor.

        Finalmente, as particulas de areia das dunas marcianas são formadas, dentre outros minerais anidros, por olivina (outro mineral anidro). Olivina, na Terra, é rapidamente alterada na presença de água (=> não é encontrada nas dunas terrestres). Isso quer dizer que não há água líquida em Marte, e nem teria havido, senão essa “areia” não conteria olivina. A raiz do “paradoxo” é esse, na minha opinião: é preciso manter o programa espacial (todos nós queremos), mesmo que para isso seja preciso instigar a imaginação!

        1. Porque a água que estava exposta para sublimação já sublimou e acabou destruída pelo UV, com os átomos de hidrogênio fugindo para o espaço (há evidência disso na composição isotópica do H em Marte; hidrogênio pesado, com nêutrons no núcleo, tem mais dificuldade de fugir, de forma que há um gradual enriquecimento de Marte com hidrogênio pesado). O que restou está no subsolo (e podemos medir essa presença de H no subsolo com sensores em órbita, e sabemos que ele claramente está associado na forma de água graças a observações em solo como as da Phoenix).

          Ao contrário do que você diz, o gelo de água dos polos não está exposto à atmosfera. Está sob uma camada de gelo de dióxido de carbono.

          Recentemente tivemos evidência conclusiva de água corrente AINDA HOJE em Marte, o que reforça ainda mais a ideia de que há muita água no subsolo: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/09/1687432-sao-as-aguas-de-marte-fechando-o-verao-e-promessa-de-vida.shtml

  25. A pressão de vapor de um líquido qualquer, como a água, que em última instância, é a propriedade responsavel pela evaporação depende exclusivamente da temperatura ambiente, e não do ambiente rarefeito ou de gases como o CO2. Vc sabe informar a temperatura na época que se considerabque havia um lago lá?

    1. Modelavam 10 graus C. Mas agora, com a demonstração de que não havia CO2 suficiente para tudo isso, tudo fica sub-júdice, inclusive a temperatura estimada.

  26. Salvador, não seria possível Marte ter passado por uma “Era do Gelo” ou uma “Era não-do-Gelo” que responderia alguma dessas questões?

  27. PS: O rapaz nervoso bem que poderíamos enviar a Marte. Mas depois pensei: ” Seria muita sacanagem com o planeta “

  28. Salvador, uma dúvida.

    Considerando que já se passaram bilhões de anos em Marte e caso ele tivesse as estrutura físicas que nós tempos: Concreto ( Pontes, edifícios) Aço ( Pontes e edifícios) Alumínio e plástico ( carros, bebidas). Sobraria algo? Teríamos alguma evidência?
    Fico pensando nisso e imaginando se a Terra entrasse em colapso e todos fossem varridos do mapa.
    Daqui 3 bilhões sobraria algo para contar história?
    Abs.

    Ps: O rapaz nervoso

    1. Aqui na Terra, certamente não sobraria nada. Lá em Marte, é mais difícil dizer. A atmosfera é mais rarefeita e o vulcanismo intenso cessou há muito tempo, de modo que temos rochas muito velhas — evidência de um lago de 3,5 bilhões de anos na Terra não é fácil de achar; em Marte é mais fácil.

  29. Obrigada pelas pesquisas, explicações, seus estudos que nos dá o prazer de cada vez entender e aprender mais, a cada leitura. Os comentários, serão às vezes construtivos, e destrutivos, tudo vai da cabeça e cultura de cada um. Continuo sempre atenta, mesmo que nao me manifeste sempre. Até breve. Maria Thereza – SP.

  30. Veja quantas dúvidas !!..apenas em marte que está em “nosso quintal” ….
    Acredito que nós, pobres humanos, nunca conseguiremos aprender um milionésimo desse vasto e gigantesco pedacinho, que é a Via Láctea( que é só um pedacinho do todo ). Pensa num “trem” grande…….hahahah.
    Adoro a ciência e o conhecimento. Temos que caminhar sempre, pois é de “nossa aptidão racional”. A cada pedacinho descoberto, nos situamos melhor nessa coisa de infinito tamanho.
    Lamento apenas não estar vivo a cada descoberta futura, a cada passo nessa coisa toda. Obrigado Xará, pelas informações !!

  31. A peça: Na passagem que causou o Dilúvio na Terra há 13 mil anos, em sua órbita entre Marte e Júpiter, Nibiru passou mais próximo, arrancando a atmosfera de Marte, permitindo a ação do Sol.

    1. Acho que você perdeu a parte em que eu digo 3,5 bilhões de anos. rs
      Julião, ainda tá nessa nibirutice?

      1. Então..até 13 mil anos havia rios, lagos e mares… vida, com certeza havia, os anunnaki dizem isso, vida simples, pela distância do Sol, não teve condições de evoluir..

        1. Vixe, outro Nibiruta convicto. Tiamat, Anunnaki,…olhos eclodindo tb!
          E a rota de colisão de Nibiru com a Terra, vai acontecer quando?. Já erraram 7 vezes.

      2. Salvador, aproveitando a baboseira, quando Jupiter e Saturno entram em ressonância o sistema solar fica bem doido, quando isso acontece novamente? daqui muitos bilhões de anos?

        1. Não acontece. Simulações mostram que o Sistema Solar tende à estabilidade por muitos bilhões de anos.

  32. Pergunta de um leigo.

    O ar rarefeito atual de Marte não pode ser uma situação atual, uma vez que o planeta nao possui mais campo magnético há milhões de anos?

    Porque sob essa condição o vento solar teria “varrido” há muito tempo boa parte da atmosfera (incluindo o CO2 necessario para o efeito estufa) e assim tornando o ar rarefeito e derrubado a temperatura?

    Com isso poderia explicar a incoerência dos sensores do robô?

    1. Denis, veja, o que o robô está medindo é a presença de CO2 no passado — porque esse CO2, se em grande quantidade, no lago, levaria ao surgimento de carbonatos. Como não há carbonatos, não havia CO2 suficiente. Sem dúvida que o que você descreve está correto e foi já medido por sondas — Marte vem perdendo sua atmosfera (e sua água) para o espaço pela falta de campo magnético. A questão é: há 3,5 bilhões de anos havia um lago, e há 3,5 bilhões de anos já não havia mais grande quantidade de CO2. Algo está faltando no quebra-cabeça para explicar as duas situações simultaneamente!

  33. Logo teremos uma explicação plausível para isso: Há milhões de anos, quando Marte já estava gelado e sem atmosfera, um cometa de gelo caiu no planeta formando uma enorme cratera e uma nuvem de poeira que cobriu todo o planeta, esfriando-o ainda mais pela ocultação da radiação solar, e assim permaneceu por muito tempo . Com o calor gerado no impacto, a água se evaporou , mas, parte dela se liquidificou formando um lago que devido a baixa pressão se evaporava rapidamente. Mas o frio era tanto que a superfície desse lago se solidificou novamente, lacrando a evaporação da água líquida, ajudada pela pequena contribuição do tênue calor gerado no núcleo de Marte, como acontece no inverno em vários lagos do Norte da Terra e como temos na lua Europa. Como não havia temperatura do aquecimento solar este lago permaneceu protegido por sua camada de gelo e liquefeito pelo tempo de ocorrer as reações químico-física das rochas, até o “assentamento” da poeira. A luz solar, atuando novamente, fez com que ocorresse a sublimação do gelo e depois a evaporação total da água. A Nasa teve a sorte de pousar, justo, nessa cratera. Como uma resposta para perguntas complexas é fácil ao olhos de um leigo….

  34. Dá vontade de rir, ou realmente não sabem, ou escondem da Humanidade, Marte tem uma civilização muita mais desenvolvida tanto tecnologicamente quanto espiritualmente que nós.

    1. Seria interessante se você nos dissesse onde estão as evidências da sua afirmação de que há uma civilização em Marte. Fotos, pelo menos, transmissões de rádio e TV…

  35. Salvador, vi a um tempo atrás, não lembro aonde, um especialista dizendo que a manutenção de temperatura de um planeta depende mais da pressão do que da composição da atmosfera. Ele chegou a usar o caso de vênus como exemplo. Disse que ao contrário do que muita gente acredita, a alta temperatura de lá decorre da alta pressão, e não da alta concentração de co2.

    Você já ouviu algo assim? sabe se é plausível? é que se for, poderia explicar esse mistério marciano.

    PS: sei que deve ser besteira, pois, do contrário, já teriam levado isso em conta… rsrsrsrs

    1. Bem, Vênus é um extremo nos dois, então é difícil usar como referência. E de fato a pressão tem influência na temperatura, conforme a clássica PV=nRT, que, pelo menos no meu tempo, a gente aprendia no Ensino Médio. 🙂

      Não sei, contudo, se a pressão explica tudo. Ainda mais em ambientes em que a pressão é baixa, como… a Terra, por exemplo. 😉

      1. Na verdade Vênus é uma ótima referencia exatamente por ser um caso extremo =)
        Porém é um erro comum dizer que temperatura depende da pressão. Explico: considerando átomos e moléculas como constituintes elementares de um gás, a temperatura é diretamente relacionada com a energia cinética de cada átomo/molécula. Já a pressão é relacionada com a taxa de colisões destes átomos/moléculas com uma superfície. Assim temos que P(n,T) ou seja, pressão depende da temperatura e número de átomos/moléculas (ou a densidade dos gás), e não o contrário. Não é à toa que PV está à esquerda da lei dos gases ideais. Mesmo que Vênus estivesse numa órbita similar que a da Terra, a pressão ainda seria maior que a terrestre, devido a grande densidade de sua atmosfera (67 kg/m3 contra os 1.2 kg/m3 da Terra). Temperatura, claro, também seria maior que a terrestre, mas devido ao CO2 venusiano que não deixaria tanto calor escapar para o espaço. Porém, a pressão tem um efeito indireto na temperatura atmosférica que é o de ampliar a banda de absorção de infra-vermelho (IV) do CO2. Claro, que com alta pressão é mais fácil também dissipar a energia do IV absorvida por colisões (condução e convecção) com outros elementos da atmosfera, mas de novo, não podemos afirmar a causalidade direta que alta pressão causa a alta temperatura, mas sim o inverso.

        Desculpe se não ficou claro o suficiente, mas aqui foram meus 2 tostões para a discussão =)

        abraços

        1. Foi perfeita, mas há correlação entre temperatura e pressão e, seguindo a equação, sabemos que ela vai para os dois lados, não? Se você aumentar a pressão de um gás mantendo o volume, ou seja se você aumentar a quantidade de gás no mesmo espaço, sua temperatura vai subir, certo? Interpretando temperatura em termos de agitação de partículas, um aumento da densidade aumentará o número de colisões, que aumentará o grau de agitação das partículas. Não?

          1. Sim, há a correlação, mas como entendo só podemos por o efeito causal em uma direção. Usando o exemplo clássico de uma caixa com gás e um pistão como tampa, mantendo o volume constante a única forma de aumentar a pressão é aumentando a densidade (número de átomos/moléculas na caixa) ou temperatura (fornecendo energia interna do gás). Para ambos os casos há um fator externo (não vejo outra forma de aumentar a pressão com o volume fixo). Se o volume puder variar, abaixando o pistão, pressão e temperatura aumentarão em relação à esta mudança do volume (P1V1/T1 = P2V2/T2), mas de novo temos um fator externo (alguém fazendo trabalho para abaixar o pistão, sendo este trabalho convertido para calor interno do gás). Outro exemplo é, encho o pneu da minha bicicleta à 110 psi (7.5 atm), depois de um tempo o ar do pneu entrou em equilíbrio térmico com o de fora (o bombear tinha deixado relativamente mais quente), mas a pressão continua alta (devido a densidade do ar ser maior dentro do que de fora). Enfim, entendo que P(n,T) => pressão é função da temperatura (velocidade dos átomos/moléculas) e não T(P) => temperatura como sendo função da pressão no sentido que o Hakim ouviu de certo “especialista” =) Temperatura é uma grandeza mais “fundamental” que pressão. Pressão alta não justifica temperatura alta, caso contrário o fundo da Fossa das Marianas, à ~1,000 atm, não teria uma temperatura menor que 4 graus (OK, oceano não é um gás, mas acho que deu para passar a mensagem =) )

          2. A água mais densa é a de 4ºC…
            Óbvio que ela estará no fundo das fossas Marianas…

            Vênus parece que teve uma trombada catastrófica no passado…
            Isso não poderia ter alterado sua órbita para mais perto do Sol e “aumentado a pressão”???

            Sobre a questão do CO2, é sempre a mesma história…
            Agora ele é o culpado de tudo!!!
            Como se só o CO2 fosse responsável pelo efeito estufa!!!
            Esses aquecimentistas…

            Detalhe importante…
            Com pouco CO2 no passado, esqueçam vida em Marte…
            Pelo menos vida do jeito que a conhecemos…

          3. A parte do aquecimento global já discuti com você à exaustão. Já deu.
            Mas por que a vida seria inviável em Marte com pouco CO2? Tem pouco CO2 na Terra, e olha a vida aí… 😛

          4. Me refiro à vida como a nossa, baseada no carbono…
            Não considero o CO2 pouco na Terra…
            Pode ser pouco no ar hoje, mas ele está incorporado aos ecossistemas…
            Já tivemos 7.000 ppm na atmosfera…

            Outro fator que favoreceu a vida na Terra foi a temperatura média do planeta, em torno de 22ºC na maior parte de sua história com “vida”, permitindo que o planeta pudesse ser explorado ao máximo pela diferentes formas de vida, favorecendo a diversidade… Sempre que a temperatura média baixou (como agora, no momento atual, 14,5ºC, ou menores durantes as glaciações) houveram grandes extinções… Em Marte se parte de um pressuposto de 10ºC de temperatura média nos melhores momentos… Isso é muito frio para o surgimento e desenvolvimento de vida “complexa” e diversificada…

          5. 7.000 ppm continua sendo pouco, seria 0,7%. Você está tratando CO2 como carbono.
            O carbono em nossos corpos é em geral fixado em açúcares. O CO2 é o lixo do nosso corpo. (Claro, não é o lixo das plantas e das cianobactérias, ainda bem!)
            Podemos dizer que não haveria fotossíntese sem CO2. O planeta seria bem mais triste sem ela.
            Mas você pode ter vida sem CO2. Não pode ter vida sem C. E sem H, e sem O, e sem P, e sem S, e sem N, diga-se de passagem. 😉

          6. Opa, concordamos em algo!!!
            Sim, me refiro ao CO2 como fonte de carbono…
            E sim, podemos ter vida sem CO2, mas não sem carbono, porém não será vida complexa…
            A vida complexa como a conhecemos depende dos seres que fazem a fotossíntese…
            E sem a fotossíntese, sem vida complexa na Terra…

            O que quis dizer é que a pequena quantidade de carbono em Marte dificultaria em muito a existência de vida complexa (parecida com a nossa) no planeta no passado, uma vez que aqui a vida complexa está totalmente correlacionada com o carbono (que vem do CO2)…

            Por sinal, o H e o O vem da água…
            O C do CO2…
            Os demais que citou, do solo, mas geralmente exige-se que estejam solúveis na “solução” do solo, que é basicamente água…
            Assim, a vida complexa do nosso planeta exige CO2 e H2O líquido…
            Não é á toa que se procura isso em outros planetas…

        2. Thiago, não entendi nada do que você falou nos teus posts, mas falou bonito… hehehehe… falando sério, não entendi os cálculos, pois faz muito tempo que não tenho contato com eles e estou em uma área bem diferente, mas me convenceu, principalmente com o exemplo das Marianas.

          Só uma coisa de experiência pessoal me ocorreu agora. Certamente você já ouviu falar em câmara hiperbárica né? aquelas usadas por mergulhadores de alta profundidade quando voltam à superfície. Pois é, fiz tratamento de saúde em uma, em várias sessões. Ficávamos em pressão de 2,5atm e a temperatura era sempre 4 a 5ºC superior à exterior.

          Quanto ao especialista que ouvi, realmente não lembro se era alguém de gabarito ou algo tipo os cientistas dos antigos astronautas… hehehehe… mas foi algo que me deixou curioso.

          De qualquer forma, obrigado pelas respostas, ainda que não tenha entendido bem o mecanismo, me ajudou a entender melhor o resultado. 🙂

    2. Se for um pouquinho mais a fundo, a coisa fica ainda mais bagunçada. Como acreditar que o CO2 é o principal responsável pelo aquecimento global? Na atmosfera terrestre existem uma quantidade em volume (portanto, em moléculas) de gás carbônico de 0,04% e uma quantidade média de vapor de água (H2O é um gás com potencial de efeito estufa superior ao CO2) de 1%, ou seja, 25 vezes mais H2O do que CO2!!! Mesmo tendo dados que dizem que há 200 anos o gás carbônico era próximo de 0,037% e o vapor de H2O contribuia com 0,9%, atribuem a causa do aquecimento a um gás que aumentou 0,003% contra outro pior (para efeito de aquecimento) que aumentou 0,1 %, isto é, 33 x mais ( se comparado ao aumento do “terrível” CO2) sem aparente causa humana). Enfim 98% dos cientistas dizem que o homem é o responsável, então, pelo bem da ciência e não ser taxado de “burro e ignorante”, se duvidar, temos que acreditar! Galileu, Darwin e Newton, mandam lembranças… Quanto a Vênus que tem uma atmosfera formada por 96,5% de CO2 e pressão de 92 atm na superfície a uma temperatura de 450 oC (740K) e estando a 0,7 UA do Sol, recebendo, portanto, quase 2 x mais radiação que a Terra, é um dos “argumentos” “mais sólidos” do efeito estufa causado pelo CO2 usado para “calar a boca” dos “negacionistas” do aquecimento global antropogênico. Mas, ninguém comenta que nas alturas da atmosfera venusiana, quando se atinge a pressão de 1 atm a 50km do solo a temperatura é de 75 oC (350K) contra 15oC (290K) na superfície da Terra (1 atm). Ainda é muito alta para padrões humanos , apesar de manter a água no estado líquido (mais parecido com água de bateria) e possibilitar a vida de seres hipertermófilas (Aquifex ,Thermococcus ou os “fofinhos” Tardígrafos). Aos olhos de um leigo, como eu, Vênus, para justificar o aquecimento da Terra , pelo aumento do gás carbônico , e o efeito estufa em outros mundos é um dos piores exemplos a serem usados. Pois , na pressão de 1 Bar (para igualar as comparações) mesmo com 2400x mais moléculas de CO2 e 2 x mais radiação solar a temperatura é “só” 20% maior que a terrestre!!

      1. Diógenes, o seu problema é não levar em conta os feedbacks do sistema. Sim, CO2 é pouco na atmosfera. Mas quais os efeitos que o CO2 têm no sistema inteiro — inclusive no aumento de vapor d’água na atmosfera, causando um feedback positivo de aquecimento? Isso só se pode responder com modelagens complexas calculadas por supercomputadores. Não é conta para a ponta do lápis. Aí você tem centenas de cientistas rodando seus próprios modelos, de forma independente, e eles todos sugerem a mesma coisa — o aumento de CO2, por esse sistema de feedbacks, leva ao aquecimento. E aí, como fica?

      2. Diógenes, na sua conta você se esqueceu de considerar que Vênus reflete cerca de 75% da radiação solar incidente (não à toa é conhecido como Estrela d’Alva). Considerando este fator (que para Terra é por volta de 30%) temos que a temperatura de Vênus, devido somente à radiação solar (calculada da emissão de corpo negro, igualando energia absorvida com a emitida), deveria ser 10% MENOR do que a da Terra, e isso na superfície!
        Caso esteja interessado veja as contas por você mesmo: https://scholarsandrogues.com/2011/05/02/venus-climate-i-venus-surface-hot/

        Se você ainda achar que por ser um “gás traço” o CO2 não tem participação significativa no clima da Terra, também sugiro esta série: https://scienceofdoom.com/2009/11/28/co2-an-insignificant-trace-gas-part-one/
        (é bastante longa, considerando todas as partes, mas bem esclarecedora).

        abraços

          1. Né? =)

            E obrigado pelo excelente trabalho de divulgação e espaço bem moderado e participativo para estas discussões!

  36. Muito interessante a matéria e desculpe se a pergunta não for pertinente 😉

    Erupções do monte Olimpo, no passado, não poderiam ter criado um ambiente propício a existência de água líquida, uma vez que sabemos que os vulcões aqui na Terra já influenciaram (e influenciam) muito nosso clima e a composição de nossa atmosfera ?

    Abraço !

    1. Emerson, vulcanismo marciano sem dúvida foi uma fonte de CO2 atmosférico no passado remoto. Mas o vulcanismo (pelo menos em grande quantidade) também cessou relativamente cedo em Marte e, se ele ainda rolava há 3,5 bilhões de anos, era insuficiente para fazer grande diferença na composição da atmosfera (segundo os resultados do Curiosity). Abraço!

  37. Salvador Nogueira, vamos pela linha agnóstica (não temos elementos suficientes para negar a possibilidade do mistério, Deus e vida eterna), veja-se: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre” (Deuteronômio 29:29); “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jeremias 33:3); “Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar” (2 Coríntios 12:4). Aceita que dói menos Salvador Nogueira…rs (relaxe não se estresse…rs)

    1. A linha agnóstica não cita textos religiosos, pois, para o agnóstico, eles podem ser verdadeiros ou falsos.
      (A propósito: eu sou agnóstico com relação à existência de Deus, mas não sou agnóstico com relação a textos bíblicos; para mim, eles são claramente uma criação cultural do povo hebreu, baseada largamente em mitos emprestados de outras culturas, no desenvolvimento de um monoteísmo e em sua própria história como povo. ;-))

      1. Você disse “A propósito: eu sou agnóstico com relação à existência de Deus, mas não sou agnóstico com relação a textos bíblicos; para mim, eles são claramente uma criação cultural do povo hebreu, baseada largamente em mitos emprestados de outras culturas, no desenvolvimento de um monoteísmo e em sua própria história como povo. ;-)”
        Folgo em saber!
        Ainda bem que teve o ‘disclaimer’ senão eu ia começar de novo com a mesma conversa de outro dia.. Um abraço.

      2. Mas Salvador Nogueira, o Zeitgeist já está superado…Foi refutado por diversos cientistas, arqueólogos e historiadores de renome. Abraços.

  38. Mas será que não tem algo a ver com a inexistência de um campo magnético em Marte? Já li – em algum lugar da Internet, portanto não sei se confiável – que o campo magnético ajuda a preservar a atmosfera dos efeitos dos ventos solares. Talvez naquele momento do passado, Marte tivesse algum campo magnético que tivesse mantido a atmosfera.

Comments are closed.