Astronomia: Explosão da última supernova nas redondezas da Via Láctea faz 30 anos

Salvador Nogueira

Enquanto esperam a próxima, astrônomos seguem estudando supernova que explodiu em 1987.

SN 1987A, +30 ANOS
Em fevereiro de 1987, na Grande Nuvem de Magalhães, nos arredores da Via Láctea, um astro até então invisível a olho nu passou a brilhar intensamente no céu — uma supernova. Hoje, 30 anos depois, astrônomos seguem investigando a explosão que, por um instante, fez um único astro brilhar mais que uma galáxia inteira.

NA CORDA BAMBA
Boa parte das supernovas são resultado do colapso de estrelas de alta massa. Durante suas vidas, esses astros mantêm um equilíbrio delicado, em que a geração de energia gera uma pressão para fora, enquanto a gravidade gera uma pressão para dentro. Quando a estrela esgota seu combustível, só resta a gravidade. Seu núcleo então é esmagado, e isso promove um efeito rebote que faz com que as camadas exteriores sejam violentamente ejetadas.

DE OLHO NO CÉU
Supernovas como a SN 1987A seguem exatamente esse roteiro e, a rigor, não são raras. O raro é que essas detonações ocorram tão perto da Terra a ponto de serem visíveis a olho nu e estudadas em detalhes. A última observada à vista desarmada antes da SN 1987A aconteceu em 1604, e foi estudada pelo astrônomo Johannes Kepler. Nem telescópio ele tinha naquela época, mas o registro preciso de sua posição permite que vejamos hoje o que restou dela, mais de quatro séculos depois.

NEVER FORGET
A detonação de 1987, contudo, foi a primeira a permitir acompanhamento constante de sua evolução com instrumentos modernos. Imagens feitas ano após ano com o telescópio Hubble, desde 1990, revelaram como a onda de choque da detonação atingiu, e iluminou, uma camada externa de gás ejetada da estrela alguns séculos antes de sua morte.

A PRÓXIMA
Boa parte dessas detonações explosivas, por sinal, acaba tendo sua luz “abafada” por essas nuvens de gás ejetadas pouco antes do fim da estrela. Mas os astrônomos estimam que, a cada 50 anos, em média, uma estrela de alta massa exploda como uma supernova na Via Láctea. Quem sabe a próxima visível a olho nu vai aparecer na noite de hoje? Seguimos à espera.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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Comentários

  1. Olá, Salvador. Os cientistas sabem qual o remanescente dessa supernova? Ele pode ser observado diretamente? Obrigado.

    1. Só com telescópio. A imagem acima é recente, do Hubble, e mostra o remanescente bem ao centro.

  2. Salvador,

    Por que uma Supernova a até 100 anos luz da Terra seria perigosa?

    Será que nós que vivemos hoje teremos a oportunidade de ver a olho nu uma dessas Supernovas visíveis durante o dia?

    Um abraço!

  3. Os povos antigos e da idade média não tinham como explicar uma supernova ao avistá-la no céu. Assim eles podiam apenas admirá-la ou temê-la. Normalmente, temiam. Esse belo fenômeno era visto com desconfiança, principalmente na Europa aonde reinava o pensamento aristotélico de que o céu era imutável e qualquer observação que demonstrasse o oposto, era tido como um mau presságio, porque não seguia as leis naturais.

    O caso mais emblemático foi o da supernova do caranguejo que explodiu no ano de 1.054 d.c., sendo amplamente avistada da Terra a partir de de 4 de julho daquele ano. Ela foi vista tanto por chineses, japoneses, árabes e europeus que registraram a sua aparição. Seu brilho era tão intenso que ela era visível mesmo durante o dia, na verdade, ela permaneceu visível durante o dia por 23 dias seguidos, enquanto esteve brilhante no céu noturno por 653 dias.

  4. Salvador eu já vi relatos que a Estrela de Belém seria a explosão de uma Supernova. Tem sentido esta afirmação?

    1. Tal afirmação não tem sentido. Pelo relato de Mateus, os magos sabiam que o aparecimento da Estrela de Belém significava a vinda do Messias. Não existe outra interpretação.

        1. Depois da afirmação do próprio Apolinário que apenas visita o seu blog para defender as verdades bíblicas, fico imaginando:

          Seria o Apolinário membro de alguma ordem secreta cujos fins é defender a bíblia do ceticismo da ciência moderna ou de qualquer outro contestador?

          Seria ele uma espécie de sentinela silencioso nomeado por alguma entidade eclesiástica, encarregado de vigiar os seus passos?

          Porque os religiosos insistem em visitar o seu blog? Porque??? Aposto que se você escrevesse sobre religião não conseguiria atrair tantos religiosos.

      1. Interpretações imutáveis não servem para nada em ciência, só para as religiões. Mas mesmo assim elas não são tão imutáveis tal como os religiosos sempre pensam. A natureza de Jesus por exemplo, ela foi interpretada de várias maneiras desde o início do Cristianismo e nas várias igrejas da religião até hoje.

      2. Tá bom, Deus fritou um sistema planetário inteiro só para mostrar que seu filho fodão estava nascendo nesse planetinha de terceira dimensão! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      3. Essa afirmação tem todo o sentido, Apolinário. Se é que houve mesmo uma “estrela de Belém”, outra interpretação é que seja uma invenção para tentar reafirmar o caráter sobrenatural do nascimento de Cristo… Além de Mateus, quais são as evidências arqueológicas de que teria havido esse fenômeno, outros povos testemunhando?

  5. Fico pensando se estas lendas sobre estrelas, sóis que “visitaram” o nosso Sistema Solar e que causaram algum efeito sobre a Terra e sobre os seres vivos, não surgiram a partir de uma explosão de uma supernova que acabou fazendo parte das lendas antigas e que hoje foram desenterradas para atormentar incautos em tempos de um desejo ardente pelo Apocalipse.

  6. Salvador,
    Boa tarde

    Todas as estrelas têm o mesmo fim ou há tipos que não tem esse destino?
    Abraços

    1. Há diferentes desfechos, dependendo da quantidade de massa da estrela. Astros como o Sol, por exemplo, morrem como anãs brancas, sem jamais explodir como supernovas.

  7. Salvador,

    Quando uma estrela dessas explode, como é que seus fragmentos interagem com nuvens de poeira para gerar novas estrelas? Quais ligações de átomos seriam as primeiras a constituir o coração da estrela?

    A propósito, se eu fosse deus e acendesse um bituca nessa explosão, e por acaso fumegasse as minhas barbas branquinhas nela, ficando com cara não de onipotente, mas sim de mendigo, isso seria uma heresia? Se não, você acha que as pessoas só têm problemas epistêmicos-siderais na moral quando a coisa toca no buraco negro?

    1. Do mesmo jeito que vimos a onda de choque da supernova “acender” a nuvem de gás circundante da estrela moribunda, ela também vai avançar sobre outras nuvens de gás. Isso, além de poluir a nuvem com elementos pesados, vai ter o efeito essencial de desestabilizar a nuvem, que estava em equilíbrio gravitacional. Ou seja, o empurrão produz uma concentração de gás e isso leva a gravidade a juntar mais e mais gás naquela região. E isso levará ao nascimento de novas estrelas, que vão incorporar parte da “poluição” da supernova em sua composição.

      1. E é por isso que o Sol e seus planetas têm tantos elementos químicos: eles nasceram de uma nuvem de gás estelar de segunda ou terceira geração.

  8. Salva, boa tarde…

    Tem um grupo de pesquisa achando que tem um buraco negro na nebulosa e Orion, você viu algo a esse respeito? Seria o buraco negro mais próximo de nós… Vi isso no NASA Apod…

    1. Não vi isso, mas sou capaz de apostar que deve haver pelo menos um lá. Afinal, a nebulosa é um nascedouro de estrelas, e as de alta massa são as primeira a morrer e colapsar em buracos negros. Interessante a história. Vou dar uma fuçada. 🙂

  9. ouvi falar que essa supernova de 1604 era o 2º astro mais brilhante à noite, só perdia pra lua cheia. Isso é confiável?

  10. Considerando que temos 200 bilhões de estrelas na Via Láctea e que o clarão da explosão da explosão de uma SN é observável a distancias “verdadeiramente astronômicas” a frequência com que isto tem sido relatado parece muito baixa, quase insignificante sob esta ótica. Levando em conta a idade de nossa galáxia *(+ ou – 10 bilhões de anos), não deveriam acontecer estas explosões de SN com mais frequência?

    1. Não, porque o número de supernovas deve decair conforma a galáxia fica mais velha — estrelas que explodem como supernovas têm vida curta, e a taxa de nascimentos reduz com o tempo de vida da galáxia. Além disso, se uma supernova detonar do outro lado, bloqueada pela poeira do bojo, tem uma boa chance de não a vermos. As observações e as taxas esperadas batem, até onde os astrônomos podem dizer.

  11. Assisti o conteúdo dessa matéria no vídeo, o texto e as informações estão dentro do nível científico e confere a pesquisa da observação astronômica. Áliás, dentro da disciplina da física comumente chamado de astrofísica. De fato a Supernova é um evento muito bonito para se observar no telescópio infravermelho mas internamente é uma fase muito crucial que antecede a morte de uma estrela de alta massa, normalmente do tamanho de 10 a 15 massa solar. Isso nos dá um parâmetro de como será o fim do Sistema Solar daqui a alguns bilhões de anos. Nada restará a não ser um buraco negro.

    1. Nada restara a nao ser a morte fria do universo. A entropia estara no ponto maximo, buracos negros terao se esvanecido em Radiacao Hawking. Nem buracos negros restarao.

      1. …ou ser violentamente rasgado em nível subatomico em meros bilhões de anos (Big Rip). A morte termodinâmica de repente não parece tão ruim assim

  12. Essa supernova explodiu quase um ano depois da passagem do cometa Halley que eu também não vi pois eu era pequeno demais. Não valeu. Quero outra. Droga!

    1. Em 1987 eu já tinha 36 anos e não me lembro de ter visto a Supernova… Lamentável, Salvador, você deveria ter alertado a gente nessa época! 😛

      1. Mas mesmo o Halley de 1986 foi meio apagadão… muito fraquinho, mas pelo menos deu pra ver alguma coisa.

        Já minha avó, que viveu o Halley de 1910, disse que foi maravilhosamente imponente no ceu. Ela pegou os dois Halleys!

        1. Verdade verdadeira… Minha avó era criança em 1910 e se lembrava a ponto de nos explicar o que viu, tão impressionada ficou!

          Eu esperava mais do Halley de 1986, a foto que tirei apenas mostra uma manchinha branca… 🙁 Mas já foi bom! 🙂

  13. Uma informação extra, dado que a coluna de Segunda-Feira tem espaço limitado, é que os neutrinos emitidos por esta Supernova de 1987 foram detectados pelo experimento japonês Kamiokande-II (junto com outros dois, um russo e outro americano), marcando a primeira detecção de neutrinos, originários fora do sistema solar, na história da humanidade. O sinal de neutrino foi visto entre 2 e 3 horas antes do sinal em luz visível, confirmando algo que era esperado (emissão de neutrinos ocorre simultaneamente com o colapso do núcleo da estrela, enquanto emissão de luz ocorre depois, via um processo mais lento). Dado este fato, hoje em dia temos o SNEWS (Supernova Early Warning System), nada mais que uma rede ligando os detectores de neutrinos operando atualmente, para avisar com antecedência os astrônomos caso um sinal de supernova na Via Láctea ocorra.

    1. Essa é a explicacao? Achei que os neutronos chegavam antes porque nao tinham sua velocidade diminuida pelos gases, e nao por serem produzidos antes. Alguem tem mais informacoes sobre isso? Salva? 🙂

      1. Os neutrinos saem em fuga no momento do colapso — o mesmo momento em que a luz é gerada. Mas, que eu saiba, os neutrinos chegam antes pela razão que você mencionou — eles passam direto pelas nuvens de gás, enquanto a luz sofre mais para sair de lá.

      2. Exato. Na minha tentativa de ser sucinto, acabou ficando confuso… A luz visível só sai do “corpo” da estrela quando a onda de choque atinge sua superfície, interagindo com o material da mesma no processo. Até lá, neutrinos já se foram faz tempo. Do mesmo modo que leva 2 segundos para percorrerem do núcleo do nosso Sol até a fotosfera, enquanto a luz leva uns 100.000 anos =)

        1. Ops, eu já li estimativas de 10 mil anos, não cem mil, para a luz sair do centro do Sol para a fotosfera. De qualquer jeito, são tempos ENORMES. 🙂

        2. Impressionante como a velocidade da luz, até mesmo no sistema solar, é lenta como um cágado com complexo de bicho preguiça 🙂
          300.000 km por segundo e ainda assim leva (levaria) dois segundos pra vencer o raio do Sol, e ainda leva oito minutos pra chegar na Terra.
          Realmente se alguém quiser mandar uma sonda pra algum exo-planeta, vai ter que pesquisar sobre o motor de dobra rs

  14. Bom dia Salvador.
    Se por exemplo ocorresse uma Supernova a 100 anos luz da terra, o que aconteceria conosco?
    E como seria a luminosidade, maior que a do nosso Sol? E por quanto tempo duraria? Segundos, horas, dias?
    Abraço

      1. Oi Salvador, sempre acompanho sua coluna, primeiro comentário. A qual distância uma supernova pode oferecer riscos para nós? Existem astros nessa distância que poderiam se tornar supernovas? E as novas, oferecem risco?

        1. Acredito que novas não são tão perigosas, uma vez que são apenas súbitos e pouco duradouros “religamentos” da estrela por atingirem massa crítica e produzirem um surto de fusão nuclear. Supernova sim podem ser perigosas, e o perigo não depende só da distância, mas também da orientação do eixo de rotação da estrela. Se estiver precisamente alinhada de modo a enviar um disparo de raios gama bem na nossa direção, até a alguns milhares de anos-luz pode ser perigosa. Felizmente, alinhamentos como esse são altamente improváveis. Desconfio que cerca de 200-300 anos-luz já é o suficiente para se proteger de uma supernova. E não, não há ninguém nas nossas redondezas na iminência de explodir.

  15. Salvador você acrredita que a “possível” supernova criada por Betelgeuse seria vista durante o dia como “outro sol”? Ou durante a noite com o mesmo brilho da Lua cheia?

    1. Essa seria linda. Órion eu consigo ver aqui de casa mesmo no meio da cidade e com Lua 🙂 acho que toda escola deveria ter um passeio noturno longe da cidade (com os pais junto, claro) pra mostrar pras crianças como é o céu noturno sem nenhuma claridade atrapalhando.

  16. Realmente, uma Supernova nas proximidades seria ótimo para os estudos deste evento. Vamos ficar de olho no céu. 🙂

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