Terra já teve atmosfera como a de Titã, diz estudo

Salvador Nogueira

Antes do oxigênio, havia o metano. Essa é, em essência, a mensagem de um novo trabalho realizado por cientistas americanos e britânicos, publicado online nesta segunda-feira (13) no periódico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

O estudo, que envolveu análises de amostras de rocha da bacia da Gricualândia Ocidental, na África do Sul, e modelos teóricos da atmosfera terrestre antiga, sugere que a Terra já teve, há bilhões de anos e ao menos por curtos períodos de tempo, uma atmosfera similar à de Titã, a maior das luas de Saturno, com uma densa névoa de hidrocarbonetos.

A hipótese, se confirmada, ajudará a explicar de que maneira a atmosfera terrestre deu um salto expressivo e rápido na quantidade de oxigênio há 2,4 bilhões de anos, no chamado Grande Evento de Oxigenação.

O trabalho, que tem como primeiro autor Gareth Izon, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, se concentrou em investigar o padrão de distribuição de átomos de enxofre e de carbono orgânico ao longo de camadas sucessivas de rocha que remontam a até cerca de 2,8 bilhões de anos atrás.

Com base nessa análise, combinada a modelos atmosféricos, ficou claro que pelo menos um evento em que a atmosfera foi tomada por névoa de hidrocarbonetos aconteceu antes que o ar ganhasse quantidades apreciáveis de oxigênio.

A exemplo do que acontece em Titã, a névoa surge pela separação dos átomos nas moléculas de metano — o mais simples dos hidrocarbonetos — quando expostas à radiação ultravioleta solar. Experimentos em laboratório mostram como esse processo se dá. Mas existe uma diferença entre isso acontecer num recipiente fechado e na atmosfera.

No ar, sobretudo nas camadas mais altas, a destruição das moléculas também leva a grandes fugas de hidrogênio, o átomo mais leve que existe, para o espaço. O metano, CH4, é quebrado e o H escapa facilmente da gravidade do planeta, deixando apenas o carbono para trás.

Em Titã, esse processo é muito mais suave por conta da distância ao Sol, que resulta em nível de radiação menor e em energia contida nas moléculas e nos átomos, idem. Mas na Terra, sugerem os cientistas, essa perda de hidrogênio seria bastante relevante — e serviria como gatilho para o aumento posterior de oxigênio na atmosfera.

“Altos níveis de metano significavam que mais hidrogênio, o principal gás impedindo o aumento do oxigênio, podia escapar para o espaço, abrindo caminho para a oxigenação global”, disse Aubrey Zerkle, pesquisador da Universidade de St. Andrews e co-autor do estudo.

BIOLOGIA MOLDA O PLANETA
O curioso é que tanto o metano atmosférico quanto o posterior oxigênio atmosférico são produtos da vida na Terra. O primeiro é produzido pelos metanógenos — vida microbiana capaz de gerar o gás como subproduto de seu metabolismo — e o segundo pelas cianobactérias — vida microbiana capaz de fazer fotossíntese e converter CO2 em O2. (Em Titã, é importante ressaltar, o metano é muito provavelmente produto de reações não biológicas.)

A dinâmica entre esses dois tipos de criaturas, em conjunto com o ambiente na Terra, acabou determinando a composição da atmosfera — antes e depois do Grande Evento de Oxigenação. E a composição da atmosfera, por sua vez, tem grande papel em influenciar que tipos de formas de vida terão mais chance de proliferar. Basta dizer que os organismos multicelulares todos não estariam aqui não tivesse ocorrido esse processo de oxigenação da atmosfera.

Quanto à duração da fase enevoada da Terra, o atual trabalho é o primeiro a calcular quanto tempo um episódio desses pode ter durado — e é um tempo surpreendentemente rápido (pela escala geológica, claro). De acordo com os pesquisadores, a formação da névoa aconteceu num período de cerca de 300 mil anos e durou por pelo menos 1 milhão de anos, até se dissipar pela destruição do excesso de metano atmosférico.

Os pesquisadores não descartam a ocorrência de mais de um evento como esse ao longo do Arqueano — a segunda grande era da Terra, que ocorreu entre 3,8 bilhões de anos e 2,5 bilhões de anos. Com efeito, há evidências de trabalhos anteriores que indicam uma importante presença de metano na atmosfera durante o período, e os cientistas acreditam que alguns momentos de pico — levando à produção de névoas de hidrocarbonetos — estariam associados a episódios de maior disponibilidade de nutrientes — carbono orgânico e sulfatos — na antiga biosfera terrestre.

OLHO NOS EXOPLANETAS
A importância de compreender a atmosfera da Terra no passado torna-se maior conforme passamos a investigar a composição do ar de exoplanetas lá fora, como os do recém-anunciado sistema Trappist-1. É comum mencionarmos a ambição de detectar uma atmosfera rica em oxigênio, como a nossa atual, indicativa da presença de vida.

Contudo, é igualmente possível que encontremos atmosferas em outras circunstâncias, e não necessariamente indicativas de um planeta morto. Pelo contrário, elas podem meramente representar etapas diferentes da vida, como as que o nosso próprio planeta já vivenciou. Saber como as coisas aconteceram por aqui é fundamental se quisermos interpretar corretamente as histórias que as atmosferas exoplanetárias tentarão nos contar nos próximos anos.

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Comentários

  1. Eu , vi “pareidolia”, de algo eclodindo lá, por isso disse! dito e feito! metano e fosforo! insetos!

  2. Olá, Salvador! Achei que só podia comentar quem assinasse Folha. E eu ia assinar só para comentar! Hehe Andei pensando uns tempos atrás sobre o passado e o futuro do sistema Solar. Já te ocorreu que Vênus teve seu bilhão de anos propenso à vida, que a Terra está tendo o dela, depois será a vez de Marte, depois Europa ou Ganimedes e por fim, Titã (considerando a expansão do sol). Um abraço.

    1. Fala, Felipe. É um pensamento interessante. Mas a Terra sem dúvida teve uma sorte aí. Ela já está há mais de 4 bilhões de anos “habitável”. Similar, só Europa, que pode ter tido um oceano de água durante todo esse tempo. Os demais tiveram apenas habitabilidade transitória, embora razoavelmente duradoura nos casos de Vênus (talvez) e Marte (com certeza). Abraço!

  3. salvador, to esperando o dia que você, vai acordar de bom humor, e dar um tempo, na censura da modinha de pseudo-código de lero-lero, os paradigmas estão ai para estarem desmistificados, estamos ai!

  4. Apenas uma observação. Conforme escala geológica atualmente aceita (Geologic Time Scale, The Geological Society of America), o Arqueano é um Éon (4,0 a 2,5 bilhões de anos), subdividido em quatro Eras: Eoarqueano, Paleoarqueano, Mesoarqueano e Neoarqueano. O primeiro grande Éon terrestre foi o Hadeano (desde o surgimento da Terra até 4,0 bilhões de anos), por sua vez.

    De resto, muito bom artigo Salvador. Explanação clara do estudo publicado e muito bem redigido, como sempre.

    Parabéns Salvador!

    1. Isso aí. O trabalho especificamente fala do Neoarqueano, a última era do Arqueano. E acho que tudo bem chamar um éon de “grande era”, não? 😉

  5. Discordei quando diz que a vida complexa na Terra só foi possível graças à atmosfera rica em oxigênio. Imagino que seria possível a vida complexa com outras composições atmosféricas. Pelo menos, não podemos ser tachativos, baseados apenas em nosso ainda limitado conhecimento.

    1. Nosso conhecimento não é tão limitado assim. É possível que existam formas de vida complexas sem oxigênio, mas não é muito provável, porque o oxigênio é quem dá energia para o metabolismo mais exigente da vida complexa. Não conhecemos nenhuma forma de vida complexa que não dependesse dele, e quando não havia oxigênio na atmosfera da Terra, não havia vida complexa. Parece haver uma forte relação aí.

      1. O oxigênio molecular (O2) é um oxidante muito forte e raro no universo, justamente por ser muito reativo. Geralmente os seres vivos demandam de uma fonte de energia para manter-se vivo, e reações de combustão são relativamente muito eficazes, ainda mais quando ocorrem com oxidante O2. Mas nada impede que exista vida com oxidantes como perclorato de amônia ou nitrato de potássio. São apenas exemplos.

        1. Na verdade, não sabemos se há algo que impeça, porque nunca vimos um metabolismo movido a perclorato de amônia ou nitrato de potássio. E, se O2 é raro, esses são ainda mais raros, uma vez que tanto cloro quanto potássio são menos abundantes que oxigênio.

          1. O curioso é que existem micro-organismos que não sobrevivem na presença de 0², tipo o Clostridium Tetani, o Clostridium Botulinum, entre outros.

          2. Sim, claro. O2 é tóxico para quem não vive dele. Deve ter sido uma matança terrível de bactérias quando ele passou a dominar a atmosfera. Mas alguns sobreviveram para contar a história. 😉

  6. Que novidade ! Quer dizer que antes de ter 20% de oxigênio a Terra era como os demais planetas ??? Daqui a pouco alguma pesquisa vai descobrir que a Terra era uma massa informe e incandescente também !!!
    Me parece que voltamos à Idade Média e todo mundo se tornou inocente assim como quem nunca soube que desde a Monarquia já havia caixa 2, 3, 4 … como forma de sonegação de impostos, claro tudo dentro da Lei !
    Tudo é cíclico, não é ??? Sempre é preciso re-inventar a roda para girar o mundo das notícias !!!

    1. Sim, a Terra era tosca em seus primórdios. E isso não é novidade mesmo. A novidade é uma evidência concreta de que a Terra teve névoa de hidrocarbonetos, como Titã, e que esses períodos eram relativamente curtos e ajudaram, por fim, a elevar o nível de oxigênio na atmosfera. Só isso.

  7. Vou fazer um “pequeno retorno” ao passado dos filmes espaciais voltando para Perdidos no Espaço, que talvez muito poucos se lembrem ou tenham assistidos, pois, se eu não estiver errado era nos anos 1960 com os capítulos onde a família Robinson enfrentava seres exóticos ou pitorescos em outros planetas. À época tudo não passava de imaginações férteis dos cineastas, pois, creio que sequer ainda havíamos pousados na Lua portanto tudo era “válido”.

    Hoje, nas buscas de vidas em outros planetas ou corpos espaciais onde talvez água não seja exatamente o pré-requisito fundamental para a vida, será que encontraremos seres vivos à moda Lost in the Space e tenhamos de enfrentar novos entendimentos e convívios com seres móveis e inteligentes como um lagarto e cabeça de flor e outras aberrações para nós?

    Salvador imaginemos que as reações químico-física que ocorreram na Terra tivessem por algum motivo sido retardadas e que ocorressem somente nos dias atuais; será que a energia emanada pelo Sol produziria os mesmos efeitos 3,8 bilhões anos depois???

    Desculpe por viajar na maionese.

    1. Bem, provavelmente o Sol teria um efeito ainda mais intenso hoje do que naquela época, em que era 20% menos brilhante. De resto, água ainda é uma aposta bem segura como solvente preferencial para a vida.

  8. olá Salvador! a radiação era mais intensa ainda por provavelmente não haver a camada de ozônio? Se está correto, como se formou o ozônio? abç

    1. A radiação era menos intensa, na verdade. Mas, claro, hoje ela é barrada pelo ozônio, naquela época não. Você precisa ter uma atmosfera com alto teor de oxigênio para ter uma camada de ozônio.

      1. Era menos intensa porque o Sol era mais fraco, 20% mais fraco do hoje, como disse o salvador em outro comentário.

        Fica uma dúvida: se o Sol tivesse a na época a mesma radiação, talvez a vida tivesse mais dificuldade em evoluir, pela falta do escudo de Ozônio, não teria?

        1. Acho que não, porque a vida começou no fundo do oceano, ao que tudo indica. Lá não há radiação que chegue… 😉

  9. Já que pensaram em criar um equipamento para proteger Marte da radiação solar, não seria mais certo criar algo que adiantasse as reações em Titã e a sua atmosfera o transformasse em um planeta viável?.
    Ah! Mais vai durar 100/ 200 anos, mas a ideia de colonizar outro Planeta/ Sistema é esse, se fosse rápido e fácil não teríamos cabeças pensantes.
    A revolução industrial não tem 200 anos e olha o que já foi descoberto….

    1. Seria bem mais complicado. Pela distância do Sol. O gerador artificial de magnetosfera de Marte presumivelmente funcionaria com energia solar. Não tem muita energia solar em Titã…

    1. Essa parte nem é com eles. Isso já foi estabelecido antes, por outros estudos. O Grande Evento de Oxigenação é bem documentado geologicamente.

  10. Para quem gosta do assunto, interessante ler Gaia, de James Lovelock. Esta questão do metano já está colocada claramente neste livro. O oxigenio é subproduto do metabolismo de muitos dos procariotas da época – aliás, era um “veneno” para a maioria destes seres. Esta profusão de oxigênio é que criou condições para o surgimento dos heterotrofos. A complexidade é a resposta da adversidade.

  11. Salvador, sempre que vemos uma ilustração do sistema solar, as orbitas dos planetas em torno do Sol são dispostas de forma bem linear, como se cada orbita fosse uma faixa de um vinil, formando círculos concêntricos num mesmo plano. Essa disposição é real ou é apenas ilustração? Seria nosso sistema solar mais parecido com a ilustração do átomo, com os elétrons girando em torno do núcleo em orbitas com planos diferentes ?

    1. É real. Eles estão dispostos aproximadamente num disco, porque os planetas são formados num disco. E o núcleo atômico está bem longe de um sistema solar, na verdade, por conta dos efeitos quânticos — o elétron não está numa posição específica de sua órbita, mas distribuído como uma onda de probabilidade em todo o espaço do orbital.

  12. Salvador, estou certo em imaginar (não do ponto de vista rigorosamente químico, lógico) que na atmosfera de titã o oxigênio e o metano “trocariam” seus papéis? é que lá o oxigênio seria o “combustível”, que queimaria na atmosfera rica em metano. o equivalente lá a um botijão de gás seria um botijão de oxigênio, que poderíamos queimar numa chama até que o oxidante acabasse. ou seja, lá a reação de certa forma funcionaria “ao contrário”, e poderíamos queimar chamas de oxigênio.

    1. É interessante pensar assim. Nunca tinha pensado nisso! O oxigênio é que seria “inflamável” lá, do ponto de vista de logística!

    2. Acho que não, hein. O agente oxidante vai sempre ser o oxigênio. Não dá para queimar chamas de oxigênio em lugar nenhum porque nenhuma substância ou elemento, inclusive o metano, que tem as mesmas propriedades em qualquer lugar, “oxida o oxigênio” como ele faz com o resto. O que aconteceria é que o metano queimaria até esgotar todo o estoque de oxigênio disponível, se alguém provocasse um incêndio ou tentasse “acender uma chama com um botijão de oxigênio”, a coisa seria bem difícil de conter…

      1. Claro que o oxidante sempre vai ser o oxigênio.
        O que ele quis dizer — pelo que eu entendi — é que aqui na Terra o que limita um incêndio é o combustível. O oxigênio não acaba nunca. Lá, seria o contrário. O incêndio acabaria quando acabasse o oxigênio. 😉

      2. sim, foi isto que eu quis dizer mesmo. aqui o metano do botijão é limitado, e o oxigênio da atmosfera “infinito” ( mais ou menos…), o metano queimaria até o botijão esvaziar.

        lá em titã o oxigênio é que estaria limitado, e o metano da atmosfera seria “infinito”. A chama queimaria até acabar o oxigênio do botijão de oxigênio…

          1. mais, acho que em titã o oxigênio seria o único “combustível” possível de se queimar ao “ar livre” 🙂

  13. Ei Salva! Vai escrever uma materia sobre a alga de 1,6 Bilhoes de anos (um ser multicelular muito antes do que se esperava)? Os religiosos pira!

        1. É, achei aqui. Bem louco. Vou dar uma lida no paper e possivelmente escreverei algo! 🙂

          1. 😉
            Bota uma dedicatoria 🙂
            Brincadeiras a parte, realmente achei que fosse interessar, ainda mais que o calor das discussoes do topico anterior ainda se faz sentir 🙂

  14. Vale ressaltar agora que, no campo da astrofísica só trabalhamos na faixa de comprimento de ondas. As cores no Universo são binariamente de cor branco acinzentado. As cores primárias e as combinações que formam um conjunto de tríade (RBG) no total de 16mi, é a quantidade máxima que um computador pode produzir na imagem pixelizados da sua tela, quaisquer que sejam os sites. As cores se formam dentro do nosso cérebro através comprimento de ondas, e é resultado da evolução humana e de alguns animais mais adaptados, o mesmo não acontece com os primatas. E é assim que os elementos que compõem os gases e as poeiras são analizadas. Todas as matérias no Universo emitem ondas de menor ou maior intensidade o que definem as cores, assim como no Titã de cor alaranjada.

    1. pensando bem, mesmo nossos olhos não enxergam tantas cores assim, mas apenas três primárias: vermelho, verde e azul. nossos cérebros é que correlaciona as intensidades relativas de cada faixa captada para nos dar esta ilusão de que enxergamos uma infinidade de cores. existem indícios de pessoas capazes também de detectar parcialmente o espectro do amarelo, mas nada comprovado ainda com certeza…

      o que os astrônomos tentam inicialmente é ajustar as faixas captadas pelo equipamento para as cores que nossos próprios percebem, para dar uma primeira ideia de como perceberíamos tais imagens se estivéssemos presentes fisicamente para observar tais objetos. mas às vezes tal abordagem é ruim, e não captamos informações importantes presentes na imagem, mas que não são perceptíveis pela calibragem “orgânica” de nossos órgãos receptores de fótons. é onde entram as famosas cores artificiais, tão criticada pelos ignorantes com o argumento de que estamos vendo imagens “processadas por photoshop”… não percebem que, longe de estarmos adulterando a imagem, estamos é realçando nelas informações importantíssimas que não seríamos possíveis de captar com nossa calibragem natural do espectro luminoso. como poderíamos, por exemplo, captar imagens de infravermelho, ultravioleta ou raios x, que nossa retinas nunca foram preparadas para perceber? (por nunca precisarmos de tais capacidades como vantagem evolutiva para nossa espécie)

    1. O estagiário, nesse caso, sou eu. Mas não posso me demitir porque não sou contratado. 😛
      Já corrigi, obrigado pela dica.

  15. Olá, Salvador.
    Acredito que Titã já merece há muito tempo um laboratório móvel como o Curiosity, que trabalha em Marte. Você concorda? Sabe se existe algum projeto similar? Além da distância, quais dificuldades mais teríamos em uma missão deste tipo?
    Penso que a Nasa, Jaxa, Agência Espacial Européia e as similares na Rússia, China, até da Índia, deveriam sintonizar seus planos de exploração espacial e mandar robôs de pesquisa em solo para Titã, Europa (tem a Europa Clipper, né…), Ganimedes, Calisto, Ceres e tantos lugares bacanas para serem pesquisados. O duro é crer em interesses coletivos entre países, culturas e objetivos tão distintos, né… se falar nos orçamentos.

    1. Acho que a distância é a maior barreira. É o que faz mandarmos coisas para Marte a cada dois anos, e aos planetas exteriores mais raramente. Também reduz a mobilidade, porque o tempo de trânsito da informação daqui até lá deixa de ser minutos e passa a ser horas. Sem inteligência artificial sofisticadíssima embarcada num rover, seria modorrento operá-lo. Titã seria bom candidato a uma missão-balão — como também Vênus. Mas são mais ideias do que dólares. Daí os processos em que a academia define prioridades para missões da Nasa. Marte e Europa estão na frente da fila agora. 😉

      1. Bem explicado… valeu, Salva!
        Mantenha-nos informado sobre as novidades espaciais, como tem feito de forma exemplar.

        Abraço!!!

      2. A configuração da órbita das luas dos outros planetas dificulta muito a configuração do vôo.
        Marte tem uma órbita semelhante a dá terra (ao redor do sol), que permite uma trajetória relativamente simples para a entrada em sua atmosfera em baixa velocidade.
        Já as luas que orbitam os planetas do sistema solar exigiriam uma grande desaceleração, de modo a se pousar em baixa velocidade evitando cair no poço gravitacional dos planetas nos quais elas orbitam. necessitando uma grande quantidade de combustível.

      3. Vi um projeto bem interessante para Titã, que ao invés de jipe, como em Marte, a ideia era mandar uma espécie de submarino para investigar os lagos de metano dessa lua.
        Mas acho que se a NASA pude$$e já tinha mandado um rover, sonda – seja lá o que for – para cada uma das luas de cada um dos planetas do sistema solar.

        1. Exato, no que dependesse nem tanto da Nasa, mas da comunidade de cientistas planetários, cada lua, planeta e asteroide teria uma sonda. rs

  16. Desculpe Mano, mas pra mim, o assunto em pauta não é estimulante.
    Cadê a Juno?
    Sinto que houve um silêncio nas comunicações desse importantíssimo tema.
    Será que o gigante gasoso não quer ceder seus segredos?, .. hehe!

    1. A Juno vai bem, obrigado, naquele ritmo de uma órbita a cada 53 dias. Não torna a missão particularmente excitante, e os resultados científicos demorarão mais a vir. Mas você pode olhar as imagens de todos os perijunos no site da missão: https://www.missionjuno.swri.edu/

  17. Apenas achei estranho nessa pesquisa dizerem que o H (hidrogênio) “escapa da gravidade da terra”?? Não é porque ele é leve que não receba efeitos da gravidade, ou estou errado? Ele não deveria “escapar” da gravidade, ou alguns elementos são “foras da lei gravitacional”? Isso aqui tá parecendo o velho oeste. Penso que o H continuaria na atmosfera, poderia até estar em maiores altitudes, mas sob efeito gravitacional, ainda na Terra. Ou não?

    1. O hidrogênio, claro, sente a gravidade como todo mundo. Mas o fato de ser leve faz com que sua massa inercial seja muito menor. Isso significa que, a um mesmo nível de temperatura (entendida como agitação das partículas), o hidrogênio livre se move muito mais depressa que o metano inteiro. Resultado: na quebra da molécula, temos hidrogênio em velocidade maior e carbono em velocidade menor. A velocidade do hidrogênio é tanta que ultrapassa a velocidade de escape da Terra. Mesmo com a gravidade agindo sobre ele, ele vai embora.

      1. Tem a questão do vento solar também, correto? Provavelmente na era em que ocorreu a perda de hidrogênio a magnosfera da terra não existia ou era de menor intensidade que a atual. Isso intensifica o efeito de perda de átomos e moléculas leves (como do hidrogênio) por arrasto do vento solar. Isso explica a atmosfera extremamente densa e pobre de hidrogênio de Vênus (que praticamente não tem magnosfera).

        1. É, mas o campo magnético da Terra estava forte e bem naquela época, até onde sabemos. É mais o fato de que hidrogênio escapa fácil quando destruído o metano.

    1. Estromatólitos é o nome que se dá a fósseis de rochas formados a partir da decomposição de bactérias. Dentre elas, as principais são as cianobactérias. Então há uma ligação direta entre estromatólitos e produção de oxigênio. 😉

  18. Se você não consegue explicar algo de modo simples é porque não entendeu bem a coisa

    Albert Einstein

    Parabéns, Salvador, pelo texto simples e de fácil entendimento… Os burros agradecem.. Rsrsrsrsrs

    1. Fico feliz com esse comentário, porque escrevi o texto tarde da noite, ontem, e estava sentindo que o didatismo estava meio desregulado. Foi um parto esse aí. rs

    2. Os inteligentes e que estão ainda aprendendo, também agradecem… Não saber não é sinal de burrice, é sinal de que não foi ensinado.

  19. Mensageiro, acredito que isso tudo se trate um grande engodo.
    Me enviaram ontem as imagens de satélite desse tal sistema Trappist-1, mas tudo que vi foram pixels. Tudo quadrado! Tudo cinza! Ha! Ha! Ha!

    Acho que meus filhos são tão geniais quanto esses científicos da Nasa, pois eles jogam Minecraft o dia inteiro, um jogo também cheio de quadrados e pixels sem sentido lógico nenhum. Cansei de mandá-los estudar e largar aquela porcaria, mas, pelo visto, os bacuris são potenciais astrônomos.

    1. Essas são imagens do K2 (não foi o satélite que fez a descoberta, mas ele pode oferecer informações importantes sobre o sistema, sobretudo o sétimo planeta). E a divulgação das imagens é quase um gracejo, porque nada se vê nelas, exceto cintilações, certo? Essas cintilações aparecem toda vez que um planeta passa à frente da estrela, bloqueando parcialmente seu brilho. Foi assim que descobriram os planetas lá. Ninguém viu os planetas diretamente.

      1. Entendi, obrigado pela resposta!

        Se você não se der ao trabalho de corrigir o ponto de vista dos demônios que te assombram, provavelmente eles vão se multiplicar, porque quando a voz da educação se ausenta, a burrice e a canalhice encontram todo um ecossistema para se multiplicar.

        Como diria Nietzsche: o diabo é a preguiça de Deus.
        Nesse sentido, o Brasil é uma grande boca do inferno.

  20. O oxigênio e metano durante algum tempo devem ter coexistido em grandes quantidades numa mesma atmosfera e se isso aconteceu, deve ter sido um mistura um tanto quanto incendiária. Poderiam os céus podem ter ardido em fogo?

  21. Olá Salvador, você sabe dizer se a sonda Cassini estudou a profundidade dos oceanos de hidrocarbonetos de Titã com algum tipo de sonar? Embora improvável, se por acaso a vida unicelular em Titã tivesse gerado a densa atmosfera que lá existe hoje, por essa condição ter sido mantida desde longo tempo não seria possível que a evolução por lá, caso os hipotéticos unicelulares metabolizadores de metano existessem, guinasse para sistemas multicelulares não dependentes de oxigênio, vivendo nos Oceanos? Abraço!

    1. Fiz um vídeo sobre vida em Titã uns tempos atrás, falando justamente disso! Vou ver se acho pra incluir no post!

  22. Paywall = Zero, Nota Zero !!!!
    Folha SP = Zero, Nota Zero !!!
    Folha SP + Paywall = Va para outro site, pois as noticias sao liberadas !!

    1. As fontes de informação de qualidade, como a Folha dependem de assinaturas, amigo! Nada é de graça nessa vida! Mesmo esses sites de notícias falsas só existem para atrair cliques de otários e dar dinheiro para farsantes.

  23. É isso ai Salvador, saber o que acontece aqui, todas as variáveis possíveis, condições, eventos, coincidências, intervalos de tempo entre tudo isso, etc.

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