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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Buraco negro gigante em fuga

Por Salvador Nogueira

Ondas gravitacionais chutaram buraco negro gigante para fora de sua galáxia de origem.

QUANDO GALÁXIAS COLIDEM
O coração de quase todas as galáxias abriga em seu interior um buraco negro gigantesco. Eles têm milhões de vezes mais massa que o Sol e são vorazes devoradores de estrelas. Mas o que acontece quando duas galáxias colidem e seus buracos negros centrais se chocam? Um exemplo dramático acaba de ser descoberto com o Telescópio Espacial Hubble.

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO
A galáxia que serviu de palco para o episódio tem o indistinto nome 3C186 e mostra sinais de ser fruto de uma colisão galáctica. Ela está muito distante de nós, de modo que estamos vendo agora eventos que se desenrolaram há 8 bilhões de anos.

AS LUZES DO BURACO NEGRO
Buracos negros, mesmo os maiores, são invisíveis. Eles têm esse nome porque, a partir de uma dada distância, nada — nem mesmo a luz — é capaz de escapar deles. Contudo, sua gravidade faz com que a matéria próxima, antes de ser engolida, acelere a altíssimas velocidades e emita torrentes de radiação. Esses buracos negros gigantes “ativos” os astrônomos chamam de quasares.

EM FUGA
O quasar da galáxia 3C186, contudo, tem uma peculiaridade. Ele não está no centro galáctico, onde se esperaria, mas a uns 35 mil anos-luz dele. E se afastando de lá, a uma velocidade de 2.000 km/s. O buraco negro está fugindo!

CARGA PESADA

Imagine a energia para chutar um buraco negro pesando 1 bilhão de sóis. Segundo os astrônomos, seria preciso o equivalente à detonação simultânea de 100 milhões de supernovas para fazer o serviço — um evento para lá de improvável. Como então isso foi acontecer? A resposta está com Albert Einstein: ondas gravitacionais.

COMO UMA ONDA NO MAR
Ao que tudo indica, a fusão dos dois buracos negros centrais gerou uma colossal quantidade de flutuações no tecido do espaço-tempo. Só que um deles era maior que o outro ou girava mais depressa, o que levou a uma assimetria. As ondas gravitacionais se propagaram com mais força numa direção, e aí empurraram o buraco negro resultante na direção oposta, em disparada para fora da galáxia.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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