Astronomia: Começa a esquentar a busca pelo ‘Planeta 9’

Astrônomos investigam quatro objetos que poderiam ser o nono planeta do Sistema Solar.

CANDIDATOS
O debate sobre a existência de um planeta além de Netuno no Sistema Solar continua a mobilizar os astrônomos. Na Universidade Nacional da Austrália, um grupo investiga agora quatro alvos que podem ser o tal “planeta 9”. Eles foram descobertos com ajuda de 60 mil voluntários recrutados pela internet.

AGORA AQUI, DEPOIS ALI
A ação envolveu a análise de imagens feitas com o telescópio SkyMapper. Os participantes analisavam fotos sequenciais da mesma região do céu, à procura de algum objeto que estivesse se movendo nelas. Encontraram esses quatro. Mas, muito provavelmente, nenhum deles deve ser o bendito planeta; o alcance do telescópio só permitiu varrer o espaço a uma distância de 350 UA (unidades astronômicas), ou seja, 350 vezes o afastamento entre a Terra e o Sol.

MAIS LONGE
De acordo com Mike Brown e Konstantin Batygin, a dupla do Caltech que previu a existência de um nono mundo solar, a distância do planeta 9 para o Sol oscilaria entre 200 e 350 UA, no ponto mais próximo, até 500 a 1.200 UA, no ponto mais distante. E é mais provável que ele esteja neste momento bem afastado, ou já teria sido descoberto.

EVIDÊNCIAS PRÓ
Brown e Batygin concluíram que o planeta 9 deve existir porque ele explicaria um padrão de alinhamento de outros objetos distantes, bem além da órbita de Netuno. E novas descobertas parecem apoiar essa conclusão. Em conferência realizada em abril, no Uruguai, Scott Sheppard, da Instituição Carnegie para Ciência (EUA), anunciou o achado de novos objetos que reforçam a conexão.

EVIDÊNCIAS CONTRA
Contudo, há também astrônomos nadando contra a maré. Michele Bannister, da Universidade de Belfast, lidera a pesquisa OSSOS, sigla para Outer Solar System Origins Survey. Ela encontrou um objeto com uma órbita que vai de 50 UA até 1.420 UA. E, segundo simulações do Sistema Solar feitas por seu grupo, sua presença ali — assim como a de outros objetos, como o planeta anão Sedna — torna a existência do planeta 9 bastante improvável. O debate continua.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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Comentários

      1. Complicado escrever em poucas linhas mas vou tentar!
        Quando eu estava pesquisando a base Extraterrestres em Orion,(que encontrei), fiz uma varredura por lá!
        Encontrei varias anomalias, uma anomalia me chamou atenção!
        Tem um risco de fora fora nos pês de Orion! fui seguindo o risco, deu num astro,(logus =ele se move no sentido oposto ao da translação da terra).
        agora to começando a ligar uma coisa com a outra, talvez aquela distancia não esteja tão grande assim,(paralax) já que o astro não esta catalogado!
        Também ele vai rumo a peixes, nesta época eu não me ligava no tal planeta nove,(talvez thiamath) procurava nêmesys, que posteriormente encontrei indícios de tua existência em peixes, dai não me ligava do eixo de translação (apogeu/perigeu) em peixes.
        Estas incidências podem acentuar evidencias, assim como quando comparada com novas descobertas.
        faz tempo isto, vou tentar saber o sentido de rotação do astro captado pela wise! e comparar , pra ver se incidência,e a possibilidade.
        se caso, estaria provável que exista um bale astral ocorrendo no espaço entre,( peixes/ tau/ e Orion).isto desmistificaria muita coisa.
        também convergiria como a incidência e evidenciaria, com varias hipóteses assim como a possibilidade da lendária trombada no cinturam de júpter, ter lançado thiamath(planeta(9x), assim como fragmentos, para constelação de Orion e Tau e Peixes!
        Este vetor de alinhamento vai se repetir no ano de passagem do cometa halley! 2061.
        li uma reportagem sobre eventos de um astro em 1761, talvez nibiru((E)ARES).dai 300 anos de translação pode ter ligação etc já que eres passa por peixes e vai em direção a tau plêiades e retorna pra o sol. vou ver depois, vlw!..

  1. Lenda urbana, UUffa, entao o grande dragao do apocalipsr nao sera para tao ja ,ainda bem

    1. Eu assisti a essa aula do Mike Brown. É legal, mas ainda ainda mais legal foi a palestra do Batygin que eu vi no auditório do Caltech sobre o Planeta 9. 😉

    2. Os comentários sobre esse vídeo são tão bons quanto os daqui, como esse abaixo:

      OrchestrationOnline “Nibiru” is actually my vote for naming Planet Nine. Reason 1: It’s a planet in Star Trek now, Reason 2: It sounds cool, and Reason 3: To make the conspiracy theorists run around in mad circles and scramble to find a new name for their conspiracy object once “Nibiru” is taken.

      E, no geral, eles soam mais polidos, tanto conspiracionistas quanto céticos. Gostei da página.

    1. Não é Nibiru. Nibiru é mentira/lenda urbana. Estou falando do paper do Mike Brown e do Konstantin Batygin. Ciência, não mambo-jambo.

  2. Os cálculos sobre atração gravitacional, n poderiam dar essa resposta? Como se caracterizaria q é um planeta, podendo ser um objeto massivo qualquer?

    1. Bem, a definição de planeta é (1) girar em torno do Sol, (2) ser esférico e (3) ser o manda-chuva de sua órbita. Com estimadas 10 massas terrestres, o planeta 9, se existir, certamente será classificado como planeta.

  3. Com esse novo objeto e a respectiva simulação, O Planeta 9 não subiu no telhado? 🙂
    Pois se o objeto foi encontrado então a simulação não é mera teoria, deve ser o que acontece, ou não?
    Salvador, tinha alguma chance de haver conhecimento do planeta extra nos anos 70?
    Lembro de um professor de geografia que falava do “Planeta X” como se fosse certo, só faltando a observação pra confirmar.
    Só não lembro se ele chamava de “X” como o x variável, desconhecido, ou se era o décimo planeta, já que Plutão ainda era planeta rs.

    1. Não subiu no telhado pelo seguinte. A simulação não proíbe o objeto de estar onde está, mas sugere que o planeta 9, estando onde deveria, acabaria espalhando a maioria dos objetos como este para longe daquela região. Ou seja, para a descoberta desse objeto ser provável e o planeta 9 existir, ou objetos similares a ele deveriam ser muito comuns no princípio do Sistema Solar, de modo que ainda tenham restado alguns mesmo depois de 4,5 bilhões de anos de ação do planeta 9 sobre eles, ou esses objetos são raros e o objeto é membro de uma população muito rara. O modelo sugere que, para ser provável que encontremos um Sedna, muitos e muitos Sednas iguais devem ter existido no passado do Sistema Solar.

      O ponto é: nada nesse momento é impossível. Estamos tentando distinguir a figura inteira do quebra-cabeça usando um conjunto incompleto — e escasso — de peças. Eu pessoalmente acho que os argumentos em favor do planeta 9 são convincentes, explicando diversos fenômenos disparatados da configuração do Sistema Solar, como asteroides que giram em torno do Sol num ângulo de 90 graus com relação à eclíptica, e o fato de o Sol girar numa inclinação de 6 graus com relação à eclíptica, algo difícil de explicar, mas que se torna natural com a presença do planeta 9.

      O futuro vai dizer se ele existe ou não. Mas que faltam peças ao nosso quebra-cabeça do Sistema Solar, parece claro a essa altura.

      (E o X é de variável, creio eu, porque a nomenclatura foi avançada por Percival Lowell, no século 19; curiosamente, quando o Lowell Observatory, com Clyde Tombaugh, achou Plutão, de início pensou-se que ele fosse o “planeta X”, cumprindo a previsão de Lowell. Não era. Mas o X veio de uma época em que Plutão não era conhecido.)

    1. Meus conhecimentos de Internet não chegam a tanto. A que o amigo Joca se refere ao pedir-me que desative o PayWall? Eu desconheço o mecanismo do PayWall e gostaria de saber se o meu “site” tem alguma restrição a acesso que eu desconheço. Obrigado.

    2. Ajude a sustentar uma fonte séria e de qualidade! Faça uma assinatura digital, custa menos que um real por dia e tenho certeza que você gasta mais do que isso em porcarias…

      1. Esse tema ainda é confuso. Alguns sites optam pela propaganda como forma de sustentação e ou lucro. Outros, como a Folha, optam por propaganda + mensalidade para acesso ao conteúdo. Outros (como o site Poder Aéreo) optaram por propaganda + mensalidade para que o usuário possa fazer comentários (e o conteúdo é 0800).
        Hoje a internet está difundida (ruas, casas, locais de trabalho, etc.) permitindo acesso a quem tem renda mínima…e para esses, 30 reais/mês impacta bastante no orçamento. E é MUITO frustrante ver um link com uma chamada interessante e não poder ler o conteúdo.

      2. O sistema PayWall de assinatura digital foi adotado primeiramente por “The New York Times” , e a Folha segue o mesmo esquema, assim como as demais mídias para a receita da empresa. Se cabe aos leitores discutir esse assunto com Salvador Nogueira, completamente enganado! Cada um têm sua opinião mas é norma do grupo Folha. Agora, para apreciar esse conteúdo, precisa sim pagar! Aliás, se vc perguntar ao Salvador sobre a matéria, à meia noite de sábado ou domingo, ele estará respondendo. Segundo alguns especialistas, o acesso a internet de graça pode pode cair a qualidade do conteúdo devido a não profissionalização.

        1. Cada empresa de mídia está buscando sua receita para sobreviver, uma vez que anúncios de internet valem muito menos que os anúncios em papel. Com o fim iminente do impresso, é preciso reequacionar receitas e despesas. A despesa cai, com a ausência de impressão, mas a receita também. Muitos jornais, como o já citado NYT, estão tendo sucesso nessa transição, sobretudo depois da eleição do Trump, que deixou claro que o ahow de fake news da internet é perigoso.

          1. Decerto sim. A última matéria de astronomia impressa que li foi há muito tempo atrás do Isaac Asimov. Agora passo nas bancas somente para comprar meu chaveirinho do carro e bater papo com o jornaleiro depois do cafézinho!

          2. Sim, é isso. Mas se o argumento de que 30 reais/mês é razoável para ter acesso ao conteúdo da Folha, por extensão devo admitir que é válido para qualquer site que eu considere ter qualidade e me interesse.
            Leio suas matérias desde 2005/2006 (Pensatas) e fui assinante da Folha por quase duas décadas. Acho o preço justo. Mas dei uma rápida olhada no histórico de meu navegador, e achei, por baixo, uns cinquenta sites diferentes visitados no mês de abril. Vou pressupor que eu não cliquei em sites que eu considere de baixa qualidade (por não ser masoquista). Então, para acessá-los, e considerando que todos eles, assim como a Folha, valem 30 reais/mês, eu deveria estar pagando 1500 reais/mês para ter o acesso a todos eles.
            Não acho que este será o caminho. Tenho prá mim, e isso é puro chute, que um dia a internet deixará o caminho da TV aberta e pegará o rumo da TV por assinatura, onde o assinante pagará por um “pacote”, já que pagar R$ 30,00 por cada site interessante seria totalmente inviável, com exceção claro, de beneficiários de caixa dois, rs.

          3. Eduardo, acho que é bem por aí mesmo no lance dos pacotes. De certa, forma o UOL já é isso — te vende um certo conjunto de serviços de internet e de acesso a sites, inclusive o da Folha, por um preço razoável. Precisava englobar mais parceiros. Eu acho que, no dia que inventarem um “Netflix dos jornais”, em que o cara pega O Globo, Estadão, Folha, Valor etc., contratando um serviço só (com os lucros divididos entre os parceiros de acordo com a audiência de cada um entre os assinantes), a coisa decola.

            Legal saber que você já lia as Pensatas dos idos de 2005 e 2006! 🙂

          4. Fui remexer o fundo de minha caixa de entrada do hotmail. O mesmo que uso até hoje…e encontrei um e-mail seu, dos tempos da Pensatas, de FEVEREIRO de 2006!!!! Assunto? Vidas que não fossem baseadas em Carbono. Vc respondeu um e-mail que te enviei com a paciência que lhe é peculiar, e ainda deu uma tirada de mestre: recomendou que eu lesse mais sobre o assunto no seu livro, o primeiro, que você tinha acabado de publicar, rsrsrsrsrsrsrs.
            Um grande abraço

  4. eu sou um analfabeto de mão cheia nessa questão, ele existe sim , e tem mais existem outros que não temos conhecimento. eles fazem a defesa da Terra quando entramos na mira dos asteroides , .pois essa defesa é natural pois o único que se sabe o qual tem vida biológica é o nosso.

    1. A distância entre os objetos é tal que tudo pode passar. Júpiter, graças à sua massa colossal, pode ser considerado um protetor dos planetas interiores (de Mercúrio a Marte), mas ainda assim é uma proteção relativa, não absoluta.

      1. Sim, e mesmo esse papel protetor limitado de Júpiter é meio controverso. Porque ele atira tantos objetos para a nossa a direção quanto deflete objetos para longe de nós…

  5. Salvador, será que não daria para de repente apontar a New Horizons para dar uma espiada, já que a sonda está lá na casa do chapéu, depois de Plutão?

    1. O problema é achar o dito cujo antes, para a New Horizons saber para onde olhar. E é enorme a chance de ela estar do lado “errado” do Sistema Solar, se pá mais longe dele do que nós. rs

  6. O Mike Brown é o cara que matou Plutão. Não sei se ele não está lançando esta notícia para compensar o desastre de desclassificar Plutão como planeta. Parece que a descoberta seria confirmada de tivéssemos um telescópio de infravermelho em operação. É verdade que não temos nenhum?

    1. Cientistas não lançam notícias (ou pelo menos não deveriam), eles publicam estudos que podem ser verificados por seus pares. É exatamente isso que está acontecendo agora. E não é verdade que não temos nenhum. O Spitzer, da Nasa, é um telescópio de infravermelho, para ficar só no mais famoso. Mas não seria preciso ter um telescópio de infravermelho para descobrir o planeta 9. O que é preciso é observar uma vasta região do céu em momentos diferentes para ver se algo se move. É um processo exaustivo, por isso precisamos de alguns anos para testarmos a hipótese do Brown.

  7. Caso encontrem e seja um desses 4, teria qual tamanho?
    Poderia, em sua órbita mais próxima do Sol, influenciar a posição atual da Terra?
    Qual sua opinião a respeito, existe ou não?
    Acredito que a Michelle Bannister, leva esta.

    1. Bem, ainda não sabem dizer. Acharam os objetos, com esse projeto de ciência-cidadã, e agora vão estudá-los para valer, para determinar órbita e tamanho.
      Não, se o planeta 9 for mesmo o planeta 9 previsto por Brown e Batygin, mesmo na aproximação máxima do Sol, não chega mais perto que 200 UA. Netuno, como referência, está a 30 UA. O planeta 9 não faria nem cosquinha na Terra.
      Minha opinião? É realmente complicado. Depois que li o trabalho da Bannister, comecei a achar que não; aí fui procurar footage no YouTube para montar o meu e vi uma palestra do Batygin no Caltech, que foi beem convincente. Voltei a achar que eles têm razão. Mas é difícil. Desde a descoberta de Netuno, no século 19, muita gente disse que havia um nono planeta lá fora — e muita gente errou. Vamos ver se desta vez vai. (A vantagem é que a predição deles é razoavelmente específica, de modo que poderemos confirmar ou refutar em mais um par de anos.)

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