Observatório faz nova detecção de ondas gravitacionais, a mais distante até agora

As ondas gravitacionais atacam novamente. A equipe internacional responsável pelo LIGO (sigla inglesa para Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro de Laser) anunciou nesta quinta-feira (1) ter feito mais uma detecção das marolas no espaço-tempo produzidas pela colisão de dois buracos negros.

Já é o terceiro evento do tipo detectado pelo observatório, composto por duas instalações gêmeas instaladas nos estados americanos de Washington e Louisiana, e o mais distante já visto: os buracos negros teriam colidido a nada menos que 3 bilhões de anos-luz da Terra.

As ondas gravitacionais são uma das previsões mais notáveis — e difíceis de confirmar — feitas por Albert Einstein, com sua teoria da relatividade geral. O famoso físico alemão previu que o movimento de objetos com massa pelo Universo produziria marolas no próprio tecido do espaço-tempo — contrações e dilatações — que se propagariam em todas as direções à velocidade da luz. Elas seria mais ou menos como ondas que se propagam na superfície de um lago depois que se atira uma pedra nele, mas transitando pelo próprio espaço.

O primeiro sucesso do LIGO foi anunciado com toda pompa e circunstância em 11 de fevereiro de 2016. Naquela ocasião, os cientistas reportaram a detecção da colisão de dois buracos negros, um com 29 vezes a massa do Sol e outro com 36, ocorrida a 1,3 bilhões de anos-luz de distância.

O resultado, fruto de observações feitas em 14 de setembro de 2015, foi em especial surpreendente porque de início os cientistas não esperavam encontrar buracos negros desse porte — eles pareciam grandes demais.

A segunda detecção, feita em 26 de dezembro de 2015 e anunciada em 15 de junho de 2016, estava mais de acordo com o que se esperava do Universo — novamente uma colisão de dois buracos negros, mas com massas mais modestas, respectivamente 14 e 8 vezes a do Sol.

Agora, a terceira detecção serviu como uma espécie de tira-teima. E, como o cosmos nunca cansa de nos surpreender, mais uma vez vimos uma dupla de buracos negros de porte inesperado. Não tão grandes quanto a primeira detecção, não tão pequenos quanto a segunda: 31 e 19 massas solares.

O achado veio, mais uma vez, não muito tempo depois que os detectores do LIGO foram religados, após um período de manutenção. Eles votaram a operar em novembro de 2016, e a terceira detecção, designada GW170104, foi feita no dia 4 de janeiro deste ano (note o padrão no código que os pesquisadores estão usando para designar os eventos: GW de “gravitational wave”, e a data, no formato AAMMDD).

DESCOBERTAS NOTÁVEIS

Os cientistas, naturalmente, ficaram animadíssimos com o novo achado, reportado em artigo técnico publicado nesta quinta-feira (1) no periódico “Physical Review Letters”. E não sem razão.

“O LIGO continua a fazer descobertas notáveis, fazendo a transição de experimento para observatório de ondas gravitacionais”, declarou France Córdova, diretor da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, organização que financia o projeto. “Mas o mais importante é que cada detecção ofereceu muito mais do que só um ‘avistamento’. Lentamente, estamos colhendo dados que desvendam a origem e as características desses objetos, informando cada vez mais nosso entendimento do Universo.”

O mais surpreendente é que, até agora, dos seis buracos negros detectados, três já tinham mais de 20 massas solares de saída, e ao final todos os resultantes acabaram com mais de 20 massas solares. “Esses são objetos que não sabíamos que existiam antes que o LIGO os detectasse”, disse David Shoemaker, pesquisador do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e porta-voz da colaboração científica LIGO, que envolve centenas de pesquisadores de todas as partes do mundo, inclusive do Brasil.

Comparação entre as massas de buracos negros de porte estelar estudados por emissões de raios X e a população revelada pelo LIGO; o evento LVT é uma suspeita não confirmada de detecção de ondas gravitacionais (Crédito: Caltech)

“Acho que dá para dizer que buracos negros de 20-30 massas solares são bem mais comuns do que se imaginava, porque a comunidade científica quase não contava com eles”, disse ao Mensageiro Sideral Odylio Aguiar, pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e participante da colaboração internacional que fez a descoberta. “Porém, dizer que eles são abundantes relativamente aos pares menos ‘gordinhos’, ainda não dá para saber. Precisamos detectar mais pares — melhorar a estatística.”

Os resultados do LIGO começam a cair muito bem com pesquisas paralelas que mostram a possibilidade de estrelas de alta massa colapsarem para formar buracos negros sem detonar como uma supernova — o primeiro caso foi descoberto recentemente e destacado pelo Mensageiro Sideral na última segunda-feira (29). Só assim, implodindo completamente antes que a detonação espalhasse boa parte da matéria para longe, uma estrela poderia acabar gerando um buraco negro com 20 ou mais massas solares.

EINSTEIN SURFA NA ONDA

Outro aspecto importante da nova detecção é a grande distância: cerca de 3 bilhões de anos-luz, mais que o dobro dos outros dois eventos registrados. É possivelmente o teste de alta precisão mais rigoroso ao qual foi submetida a teoria da relatividade geral — e, de acordo com os resultados, ela passou no teste com nota máxima. Claro, cientistas nunca escrevem artigos científicos com esse tom entusiástico. Neles, o pessoal da colaboração LIGO se limitou a dizer: “Constatamos que o GW170104 é consistente com a relatividade geral”. Tá bom demais.

Por fim, os pesquisadores puderam, baseados no sinal detectado, determinar que, provavelmente, os buracos negros em colisão não nasceram como um par de estrelas de alta massa. De acordo com o padrão de ondas observado, pelo menos um dos buracos negros estava girando em torno de seu próprio eixo em desalinho com sua translação ao redor do outro buraco negro. Se os dois fossem fruto de duas estrelas que estiveram pareadas desde o início, suas rotações estariam alinhadas com a translação.

Isso faz os astrofísicos levantarem as hipóteses de que os buracos negros nasceram como estrelas em regiões diferentes de um aglomerado estelar e provavelmente se encontraram mais tarde, num abraço gravitacional que culminou com a fusão. É uma boa pista também de como buracos negros supermassivos — aqueles que existem no coração de cada galáxia — podem nascer e crescer, partindo de múltiplas colisões de buracos negros de massa estelar. Mas é cedo para contar essa história em particular.

Aliás, duas coisas chamam atenção no campo nascente do estudo das ondas gravitacionais: primeiro, difícil não se encantar com o fato de que temos hoje teorias poderosas o suficiente para prever o desfecho de eventos altamente energéticos que acontecem do outro lado do Universo. Segundo, já começa a ficar claro que as possibilidades para testar nossas ideias mais radicais sobre o cosmos serão muito ampliadas por futuras detecções. Só temos três até agora. Mas e quando tivermos 30? Ou 300? Isso certamente nos oferecerá um censo importante de toda a variedade possível entre os buracos negros e possivelmente também entre suas irmãs mais modestas, as estrelas de nêutrons.

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Comentários

  1. Como a proliferação de tantos buracos negros pode influenciar a nossa compreensão da Matéria Escura e da Energia Escura?

    1. Buracos negros maiores eliminariam alguma — mas longe de toda — necessidade de matéria escura. No caso da energia escura, influência zero.

  2. Até o presente momento, tenho uma dúvida. Como o experimento foi realizado na superfície da terra, não estariam detectando fenomenos sísmicos que sempre estão ocorrendo na Terra? As curvas obtidas (ver o artigo no PRL) e os sinais de terremotos obtidos por aparelhos para tal fim?

    1. Não, sismógrafos medem vibrações independentemente para limpá-las do sinal. Ademais, são duas instalações gêmeas que detectam o mesmo fenômeno, o que garante ainda mais confiabilidade à medição. Um falso positivo é estimado em 1 a cada 70 mil anos. 😉

  3. Salvador: Ondas gravitacionais detectadas por distorções no espaço e no tempo causadas por buracos negros podem ocorrer somente por eventos relacionados à fusão de buracos negros ou outros eventos no universo também podem ocasionar a expansão de ondas gravitacionais, por exemplo, a ação gravitacional de qualquer corpo celeste, o sol , p. ex., pode conter ondas gravitacionais, mas que são muito pequenas e portanto não podem ser detectadas?

    1. Todo objeto com massa se movendo pelo espaço num padrão de oscilação produz ondas gravitacionais. Mas, como você disse, elas são muito sutis. No momento, o LIGO só consegue detectar ondas produzidas pelo espiralar e posterior colisão de dois objetos de alta massa — podem ser buracos negros, como vimos até o momento, e podem ser estrelas de nêutrons.

  4. Uma das possibilidades do Big-Bam, ao meu ver!
    Imagino que a falta de (átomos/ondas/gases/massa/matéria); pode estar a causa da estrela não conseguir obter o equilíbrio uníssono necessário para formara estrela e ela se tornou um buraco negro(implodiu ao se tornar uma estrela tri-ressonante, dissonante(consonante imperfeito)!
    Como uma das possibilidades do Grande Big-Bam.(UMA HIPÓTESE).
    Ao implodir provável ter havido uma fissura tri-síncrona do núcleo apos uma implosão assíncrona recursiva de um elemento base 1, 3, 6, 9 ,ou 12 ,predominante.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Pit%C3%A1goras
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Conson%C3%A2ncia_e_disson%C3%A2ncia

      1. O Bam-Bam=incentro, Hx
        Depois evoluiu para o Baem-Baem
        depois para o BYm-BYm(ate aqui harmonico unissono trissincrono
        Depois para o Bam-BeG e
        Depois pro Bam-BaG
        BYG-BYG
        DAI HOUVE LUZ=BIG-BAM

    1. ??????????????????????????????????????????????

      e isso é tudo o que tenho a dizer sobre isto… 🙂

  5. Não é muita onda gravitacional em tão pouco tempo???
    Temos três eventos em uns 2 anos!!!
    Em 13 bilhões de anos, 13 bilhões de ondas gravitacionais???
    “Pode isso Arnaldo”???

    1. Parece bem esperado, na verdade, a julgar pela escala do alcance. Num raio de 3 bilhões de anos-luz, com a quantidade de estrelas no Universo… parece razoável.

      1. Temos que ver se nao eatamos se aproximando do nucleo da galaxia, 3.anos luz em relacao a galaxia esta logo ali, se este evento tiver algo haver com o nucreo da galaxia, pode ter uma analogia da terra girando embaixo do aviao que voa em direcao contraria, o fator exponencial elevao ao expoente faria um ano virar um mes de um dia para o outro

    2. então, é uma boa evidência de que talvez estes eventos sejam muito mais comuns do que imaginávamos a princípio, quando ainda não podíamos detectá-los. um exemplo claro da necessidade de revisão de modelos científicos, algo que sempre levou a ciência a ser o que ela é hoje em dia! 🙂

  6. Olá, Salvador, tudo bem?
    Estás acompanhando a série sobre a vida do Einstein no NatGeo?

    O queriam destas observações de hoje se ele não tivesse passador por nosso planeta?

    Grande abraço!

    1. Fábio, estou vendo e estou realmente adorando a série. Espero cada domingo com ansiedade.
      Sobre o impacto de Einstein na ciência, cara, é IMENSO. Eu acabo de terminar um livro sobre a ciência de Einstein e é basicamente a história da física no século 20 — e um cadinho do século 21. 😛
      Abração!

      1. Assino embaixo, com todo o respeito.
        À série é sensacional, e o personagem Inigualável!!

      2. O maior: Einstein ou Newton?

        E sem aquele papo de que cada um foi grande em diferentes formas!

        1. Na minha opinião, Einstein. Mas não há dúvida de que ambos foram brilhantes, e não é um “papo”. É um fato. Não haveria Einstein sem Newton. A ciência é um prédio em que cada geração vai lá e coloca seus tijolos. Ocasionalmente um cara sozinho vai lá e faz uma ou duas paredes sozinho. É o caso desses dois. A parece de Einstein está alguns andares acima, mas se não houvesse a parede de Newton embaixo, não haveria como ele construí-la. 😉

          1. “A ciência é um prédio em que cada geração vai lá e coloca seus tijolos. ”

            Agora saquei o lance do blog dos tijolos.

          2. Dois gênios, sim. Já vi algumas pessoas manifestarem sua opinião sobre isso, e achei essa pergunta bem curiosa. Nesse caso, não… mas no mais das vezes, acredito que dê pra dizer “fulano é bem melhor nisso do que beltrano!”… e mesmo na ciência isso parece ser válido… É aquela coisa… Ranieri poderia até ter sido um bom compositor, mas Mozart era um gênio!

            (Parenteses)
            Não que isso seja diminuir alguém ou seu trabalho, mas pessoas nascem diferentes, com níveis de aptidões, habilidades diferentes, que embora possam desenvolvê-las, por mais que se esforcem, nunca chegarão a se tornarem um Einstein, um Da Vinci, um Machado de Assis…

            É claro que Newton, Einstein, e tantos outros… tiveram oportunidade de demonstrar o quão incríveis eram suas mentes, e desenvolvê-las, algo que com muitas pessoas acaba não acontecendo = /
            (Fechando parenteses)

            Na comparação entre os dois, não dá para dizer ao certo qual deles foi mais revolucionário para a sua época ou o mais significativo, daí a intenção ter sido apenas ver qual era o seu palpite sobre isso, no melhor estilo “Star Trek vs Star Wars”!

          3. Concordo. Mas na minha opinião colocaria exatamente no mesmo nível. Nós tendemos a valorizar o trabalho de Einstein porque tudo que ele descobriu foge muito do senso comum. Falar em tempo ou espaço que se dilata ou comprime é realmente algo difícil de entrar na cabeça. Por outro lado, Newton fez algo também espetacular, considerando as informações que tinha disponível na época. Assim como Arquimedes, por exemplo. A teoria da Relatividade começou a aparecer no horizonte com os trabalhos sobre eletro magnetismo e as equações de Maxwell. Ali já se sabia que os conceitos desenvolvidos por Newton já não explicavam alguns fenômenos. Einstein foi muito feliz em sintetizar os novos conhecimentos que surgiram a partir do século 19, chegando à Teoria da Relatividade.

          4. A questão é que Einstein pariu DUAS revoluções. Numa destronou Newton, com a relatividade. E noutra, coroou Newton e suas partículas de luz, com a física quântica. Entre as duas, foi o primeiro a fornecer o instrumental para estudar a origem e evolução do próprio Universo. Not bad. rs

      3. Por favor, quando será o lançamento do livro? E não se esqueça de nós, leitores do Kindle… 🙂

        1. Caríssimo, o kindle, como sempre, é decisão comercial da Abril. E claro que aviso quando o livro estiver na praça! A ansiedade maior, depois de finalizado, é que ele seja lido! 🙂

  7. Pergunta meia tosca: No filme interestelar, o ato de Cooper mover o ponteiro do relogio a partir do buraco negro seria um “exemplo” de onda gravitacional?

    1. Acho que seria mais um exemplo de ficção. 😛
      (Não temos uma teoria do que rola dentro do buraco negro, então tudo que se passa lá é ficção.)

  8. Salvador, poderíamos um dia surfar nestas ondas gravitacionais ?
    Eu explico….Poderíamos utilizá-las de algum modo (carona) pra viagens interestrelares ?

    Grande abraço….

    1. Embora eu concorde que há um desnível, acho que tem menos a ver com o paywall e mais a ver com a comunidade cativa que o blog formou aqui com o passar dos anos. Tanto que, paradoxalmente, embora a Folha imponha o paywall aos comentários das reportagens, o mesmo não vale para os blogs; qualquer um pode comentar aqui. E mesmo com o maluco/medieval ocasional nesse espaço, ainda assim estamos bem acima da média da internet brasileira. O mérito é todo dos leitores do Mensageiro, que não abdicam do espaço para fazer comentários qualificados. 😉

      1. Rola alguma interação entre o Mensageiro e o Giz? É relativamente comum as matérias daqui aparecerem lá…

        1. Não converso com eles. Em uma ocasião eles me citaram por lá e eu agradeci via Twitter. Mas foi só.

    2. Realmente a sessão de comentários do gizmodo deixa a desejar. Já aqui muitas vezes temos mais informações nos comentários do que na matéria em si. Mérito dos leitores e do Salvador, que tem uma paciência monstra pra responder quase todo mundo.

    3. A matéria em si é o escopo do contexto. E portanto tende a ser fiel ao propósito. Agora, os comentários deveriam estar fielmente subordinadas a matéria, o que normalmente não acontece, e que portanto acabam abrangendo outros assuntos, é claro, estou falando essencialmente da ciência, porque tem coisas no meio. Entretanto não deve haver distinção entre eles. É um conjunto de volores centrado no autor, e que nós os leitores somos apreciadores. Agora, cá entre nós, os comentários deles (no Gizmodo) são de tamanha infantilidade que não faz sentido, é um ambiente fechado, sem vida e totalmente desprovido de conteúdo.

  9. Esse é o assunto que deveria ser disseminado com a mesma ênfase que se dá aos assuntos mundanos.

  10. se a velocidade é relativa, qual seria a do choque entre 2 planetas com velocidade de 200.000 Km/s na mesma direção, em sentidos opostos, observada por mim?

    1. A relatividade einsteiniana não é como a relatividade galileana; velocidades não se somam, porque cada um mede diferentemente a velocidade do outro, dependendo do seu próprio referencial.

      Veja só: suponha que você esteja em repouso com relação aos dois planetas, observando a colisão. Um cálculo rápido diria, uau, eles estão se aproximando um do outro a 400 mil km/s, acima da velocidade da luz! Tudo bem, isso não é problema. Nenhum dos planetas, com relação a você, está viajando mais depressa que a luz. E veremos que nem entre eles (onde teoricamente somaríamos as velocidades), eles estão viajando mais depressa que a luz.

      Para começar, o que a teoria da relatividade diz é que o tempo flui num ritmo diferente quando você está em alta velocidade, comparado a quem está em repouso. E podemos calcular essa dilatação com a fórmula t’= t/sqrt (1 – v2/c2). Ela dirá a diferença entre o tempo num dos planetas e o tempo para você. Vamos calcular. Vou arredondar 200 mil km/s para 0,7 c, para facilitar, e adotar t=1, o tempo nos planetas, viajando a 0,7 c com relação a você.

      t’= 1/sqrt (1 – 0,7^2) = 1/ sqrt (0,51) = 1/0,71 = 1,4. Ou seja, para cada segundo que passa em um dos dois planetas, passam-se 1,4 s para você, em repouso com relação a eles.

      Mas tem uma outra coisa: a relatividade também diz que o espaço se contrai para quem está andando depressa com relação a quem está em repouso! Vamos calcular, usando a fórmula L = L0 sqrt (1-v^2/c^2);

      L = 200.000 sqrt (1 – 0,7^2)

      L = 200.000 x 0,71 = 142.828 km.

      Moral da história: você, em repouso com relação aos dois planetas, observa os dois se deslocando a 200 mil km/s — nenhum deles excede a velocidade da luz.

      Agora, se você estivesse em um dos dois planetas, você poderia — pelo princípio da relatividade — dizer que você é que está em repouso, e o outro planeta é que está zunindo na sua direção. Só que, do seu ponto de vista, você enxergaria, levando em conta a contração do espaço para os dois planetas, ele se aproximando de você a meros 285.656 km/s (aproximadamente, porque arredondamos 400.000 km/s como 0,7 c)! Abaixo da velocidade da luz, portanto!

      Mas peraí! Se, para você, em repouso, os planetas parecem se aproximar um do outro a imensos 400 mil km/s (embora nenhum deles esteja viajando mais depressa que a luz com relação a você), significa que eles cobriram os últimos 400 mil km que os separavam em 1 segundo, certo? Mas quem está num dos planetas decerto viu coisa diferente, pois, para cobrir os 400 mil km finais, o planeta teria de gastar, viajando a 285.656 km/s, 1,4 segundos! Mas o tempo passa mais depressa para você, lembra? 1,4 segundo seu equivale a 1 segundo no planeta! Temos concordância!

      Ou seja, a relatividade permite que compreendamos como eventos podem se desenrolar diferentemente dependendo do referencial, mas sempre de maneira consistente — você troca o referencial, faz os cálculos, e tudo permanece fazendo sentido — e sem permitir que qualquer coisa se desloque de fato acima da velocidade da luz!

      Brilhante, não? 🙂

      1. Olha eu entendendo a teoria da relatividade graças ao Salvador! Valeu, mestre!

        (mas suspeito que esta aí seja a relatividade restrita, né?. A Geral é muuuuuuuuuuito mais complicada!

        1. Sim, é a restrita. A geral, que envolve acelerações (e que prevê as ondas gravitacionais), tem matemática MUITO além dos meus parcos conhecimentos. Por sorte, a pergunta falava de planetas em velocidade constante (referenciais inerciais), o que me permitiu usar só a restrita! 🙂

  11. Apenas uma curiosidade….Quando o universo já estiver no fim, haveria possibilidade de a expansão dele vencer a gravidade e arrancar tudo dentro dos buracos negros e formar vários universos (paralelos) ?

    1. A expansão já está vencendo a gravidade, veja você! A tendência é ir diluindo o Universo inteiro. Mas os buracos negros só vão sumir quando evaporarem por completo. A expansão jamais irá desfazê-los, mas eles vão se desfazer por evaporação.

      (Existe uma hipótese de que buracos negros dão origem a novos universos, mas não temos como verificar porque não sabemos o que acontece dentro do buraco negro.)

    1. É que os cientistas têm essa mania de submeter suas evidências ao escrutínio público. Eles não dizem que seu conhecimento vem de uma fonte obscura ou divina, por exemplo. Tudo que eles fazem, você sabe como eles fazem, que resultados obtiveram e pode tentar reproduzir. Por isso são mais críveis que pastores e políticos… 😉

      1. Isso considerando que todos os cientistas são sérios e que nenhum deles é capaz de manipular um dado para maquiar um fracasso de milhões de dólares. Afinal, quando o que está em jogo são carreiras, dinheiro, status, não creio que muitos cientistas sejam tão diferentes de maus pastores ou políticos.

        Ora, mas também podem argumentar que todos resultados são claramente divulgados com os métodos usados na geração das informações para outros tentarem reproduzir e blá blá blá… Mas o fato é, quantas pessoas no planeta tem suficiente dinheiro para bancar uma contra prova, e se tiverem quantos teriam interesse em fazer isso? Claro que um dia alguém irá fazer outro experimento que poderá comprovar ou não a veracidade do estudo X e etc, etc. Até que isso aconteça nosso bom cientista já ganhou seu dinheiro já defendeu seu emprego, e se provarem o contrário, ele simplesmente diz que se equivocou que se esqueceu de levar em consideração uma variável.. Resumindo: o(s) cara(s) enganaram um monte de gente.

        Não sou contra a ciência de forma alguma. Mas acho que essa coisa de acreditar em tudo o que os cientistas publicam sem um pingo de desconfiança, me parece tão inocente quanto acreditar em qualquer pastor ou político.

        1. Claro que existem fraudes científicas. Mas a maravilha da ciência é isso. Nenhuma fraude científica resiste ao escrutínio, sobretudo se for num campo importante/controverso, porque outros cientistas tentarão reproduzir os dados do primeiro. Ao não conseguir, ficará patente que o primeiro errou ou, na pior das hipóteses, fraudou os resultados. E essa é a grande diferença da ciência como processo, comparada a qualquer outra forma de conhecimento humana. Ela se auto-corrige. Não precisamos de cientistas 100% honestos para ter uma consolidação de resultados 100% honesta. 😉

        2. Não se pode contestar a ciência pela visão hipotética, mesmo porque a ciência pode apresentar resultados invisíveis, inconspícus, imprevisíveis ou não testáveis. Mas a ciência pode inferir de forma hipotética sem sofrer declinação. É muito natural que conceitos de hipóteses esteja em discussão no âmbito contextual, pessoal e de apresentabilidade, aí sim anomalias são questionáveis pela veracidade da ciência.

        3. felizmente o farsante vai estar sempre cercado de cientistas sérios ávidos por apontar sua farsa… 🙂

      2. Coitado do Salvador, ainda tem q ter paciência para responder tanto comentário bizarro…rs…Parabéns pela coluna e pela paciência com certas pessoas.

      3. Poxa Salvador, eu entendo que é extremamente cansativo ter que ouvir todos os dias comentários de pessoas que depreciam a ciência mas não abrem mão de viver dos seus frutos (GPS, celulares, alimentos selecionados artificialmente). Mas não precisa levar pro lado religioso…
        Continue seu trabalho fantástico (que admiro muito) de propagar a ciência e os benefícios que ela traz à humanidade, e quem sabe um dia conseguiremos eliminar a ignorância científica que ainda insiste em achar espaço.

        🙂

      4. Rapaz… Já leio o que você escreve a muito tempo mas dessa vez tive que comentar, são respostas como essa que faz com que você mereça o respeito de quem se importa com ciência e astronomia, aqui é praticamente o único lugar que leio os comentários por isso hehe, parabéns pelo trabalho!

    2. Você usou um equipamento eletrônico e um meio de comunicação desenvolvidos por engenheiros a partir do que os cientistas disseram para escrever esta sua opinião. Só você não percebeu.

    3. Selo “A ciencia não se importa com o que voce acredita” de qualidade para o seu comentario 🙂

  12. Salvador, tenho uma dúvida.
    Imagine se na terra comprimirmos uma azeitona até que ela se torne um micro buraco negro, apesar de continuar com a mesma massa da azeitona, este pontinho microscópico,seria sem dúvidas o objeto de maior densidade do planeta e este objeto através da gravidade, seria puxado em direção ao centro da terra, em seu caminho até o centro da terra devoraria todos os átomos em sua direção, sendo que seu percurso final seria exatamente o centro do planeta, quando se estabelecesse no centro toda a matéria da terra começaria a desabar sobre este ponto, e a terra estaria, a partir daí com os dias contados. Isto é verdade ou não.

    1. Se Hawking estiver certo, não. Porque Hawking calculou que buracos negros emitem radiação, e eventualmente evaporam, e quanto menor o buraco negro, mais radiação ele emite e mais depressa ele evapora. A massa de uma azeitona, para virar um buraco negro, teria de ser comprimida num espaço menor que um átomo. O microburaco negro evaporaria quase instantaneamente após sua formação.

      1. Existiria uma massa mínima, para a formação de um buraco negro na terra, que represente um perigo real para nós ?

        1. Não há mecanismo conhecido que possa formar hoje um buraco negro com menos de 2 vezes a massa do Sol. A única possibilidade de existência de objetos do tipo seria a criação de miniburacos negros nos primeiros instantes após o Big Bang, quando a densidade de matéria permitiria isso. Também cogitou-se a possibilidade de criá-los em aceleradores de partículas. Mas, como eu disse, eles seriam minúsculo, evaporariam em questão de um instante, e não ofereceriam qualquer perigo.

    2. Se você comprimir a azeitona até que tenha a densidade de um buraco negro, mesmo assim a massa deste buraco seria a massa da azeitona. Então, o efeito gravitacional em volta seria o mesmo da azeitona. Ou seja, não seria suficiente para engolir átomos em volta. É por essa razão que não basta comprimir a matéria para se formar o buraco negro. É necessário que haja o colapso gravitacional pelo excesso de massa. Assim, buracos negros só se formam na presença de uma massa crítica mínima.

      1. Você está certo, Paulo, mas ainda assim o raciocínio dele tem algum mérito. Um buraco negro com massa de uma azeitona teria uma massa tão pequena que provavelmente passaria no vazio entre os átomos até o centro da Terra. Chegando lá, ele não pararia, mas continuaria adiante até chegar ao outro lado da Terra, e ficaria nesse zigue-zague eternamente, como um estranho pêndulo. Ocasionalmente ele colidiria com uma partícula com massa, então ele poderia ir ganhando massa — não pela atração gravitacional, mas pela simples colisão. Levando o processo adiante por zilhões de anos, talvez em algum momento ele adquirisse massa suficiente para começar a atrair gravitacionalmente as partículas.

        Mas, claro, como ele evapora, nada disso aconteceria.

        1. Justamente por não ter massa suficiente para um colapso gravitacional, este suposto buraco negro não teria como ganhar massa, pois a atração não seria suficiente para colapsar um átomo. A energia necessária para colapsar um átomo,ou seja, fazê-lo ocupar um espaço menor que ele mesmo é gigantesca e só acontece no centro de estrelas de grande massa que exauriram o combustível. O máximo que aconteceria seria realmente este buraco azeitona ficar como um pêndulo em torno do centro da Terra.

          1. Eu não teria tanta certeza. Veja, ele não vai crescer por atração gravitacional. Mas um próton que colida com ele entrará em seu horizonte de eventos e não poderá mais sair. A massa dele cresce, ainda que a gravidade nada tenha feito para que o próton fosse aprisionado, exceto depois que ele já colidiu. Nada que cai num buraco negro sai de um buraco negro, lembra? 😛

          2. Sim Salvador, mas falta o efeito do colapso gravitacional. A uma distância mínima de nosso buraco azeitona a gravidade já teria caído a níveis “normais” e o buraco não teria como se realimentar. A uma distância de 1 diâmetro de Proton, por exemplo, a atração gravitacional no máximo manteria o proton colado ali, mas para colapsar um átomo teria que superar a força nuclear forte que mantém o átomo coeso. Buracos negros pequenos evaporam justamente porque não acontece o colapso gravitacional e eles não conseguem se manter estáveis.

            Mas lógico que são apenas conjecturas…..

          3. Sim, você está certíssimo. Estamos supondo que algo — que não a gravidade — fez a azeitona colapsar, para começar. A gravidade da azeitona seria incapaz de manter a contração necessária.

        2. Acredito que um átomo, ou mesmo um próton ou nêutron, seja muito grande, e cheio de espaços vazios entre suas partículas elementares. Como o buraco negro de azeite extra-virgem(Paulo Schaefer), é infinitesimal, jamais conseguirá efetivamente colidir com alguma coisa. Pelo menos dentro de alguns bilhões de anos. Mesmo que ele passe muito perto, as velocidades não permitiriam uma atração gravitacional. Lembre-se que o buraco-negro é infinitesimal… Sem dimensão, ele é incapaz de “colidir” com qualquer coisa. Viajei nesse azeite extra-virgem , Paulo Schaefer e Salvador ?

          1. O raciocínio geral está certo, por isso disse que o processo é bem lento. Mas, eventualmente, ele vai colidir com alguma coisa. Neutrinos o fazem, embora, de novo, seja raro, e no mais das vezes atravessem a Terra inteira sem colidir com nada. No caso dos neutrinos, o tamanho deles é irrelevante, pois já é muito pequeno em comparação com o átomo. O que conta para o risco de colisão é o tamanho da partícula com que eles vão colidir. O mesmo valeria para buracos negros-azeitonas e, suponho, matéria escura.

          2. Eu entendo que o horizonte de eventos do Buraco negro divide dois universos completamente diferentes, no que se refere à matéria. Fora do buraco negro a matéria se comporta de forma convencional. Já, dentro do buraco negro acontece um processo que se auto alimenta. Exatamente no horizonte de eventos a força da gravidade está no limite do desmonte da matéria próxima externa. Um átomo que cruze este limite é imediatamente esmagado (ou seja, passa a ocupar um espaço menor do que deveria ocupar) e desmontado, passando a obedecer a outras leis. Mas a massa dele se soma à massa do buraco negro aumentado, mesmo que de forma mínima, a força no horizonte de eventos, garantindo assim a estabilidade do buraco negro.

          3. O que eu fico imaginando, um neutrino sozinho viajando a full-speed colidindo com um átomo do nosso corpo, o átomo sofreria algo? LOL

    1. Discutimos isso aqui na segunda-feita, o mais próximo, se a memória não me falha, está a 3.000 anos-luz, então, sem perigo. Mas note que é o mais próximo CONHECIDO. Buracos negros são discretos…

    2. Em um futuro distante, Hugo, a gravidade dos buracos negros influenciará toda a matéria do Universo, mas provavelmente o planeta Terra já terá deixado de existir há bilhões de anos.

      1. A gravidade do buraco negro já influencia toda matéria do Universo. A uma certa distância, substitua o Buraco negro pela sua estrela de origem e a influência gravitacional será praticamente a mesma. E já é ativa.

        1. Concordo.
          O meu comentário de que num futuro distante toda matéria será influenciada pelos BH foi infeliz.
          Na verdade o que eu queria dizer é que num futuro distante toda matéria será sugada por BH. Diferentemente da teoria de que o Universo se expandirá até se dissolver.
          Grato pela correção.

  13. Se mesmo a três bilhões de anos-luz as GW conseguem ser captadas aqui, imagina dois monstros desses colidindo nas imediações do sistema solar? Acho que além de virarmos migalhas seríamos atirados pra algum lugar distante do passado pelo tsunami cósmico, não?

    1. a onda gravitacional mexe com o espaço-tempo, o LIGO deve detectar esse esticamento e encolhimento sutil quando a onda gravitacional passa. Imagine dois barcos bem distantes um do outro e ligados por uma corda esticada, enquanto o mar estiver calmo, nada acontece. Mas quando vem uma onda o primeiro barco se agita e transmite a informação para a corda, mesmo que a tripulação não perceba a passagem dessa onda por baixo do barco. Com a informação registrada é possível fazer as contas.

      ao que tudo indica, a gente não sentiria a onda gravitacional, ao menos até certo ponto porque é o espaço-tempo que vai junto, ou seja, vai tudo. Mas os planetas, fazendo o papel dos barcos, vão sentir o puxão gravitacional e podem mudar de órbita, ter um deslocamento considerável na órbita que possuem e por aí vai.

  14. Tudo relacionado ao Espaço, estrelas, galáxias e outros planetas, são do meu interesse. Infelizmente não pude estudar pra me tornar um astrofísico, ou outra especialidade que monitora, estuda e pesquisa nosso Universo.

  15. Salvador, boa noite. Parabéns pela cobertura impressionante que você tem feito deste assunto. Fora a colisão de buracos negros existem hipóteses adicionais para a geração de ondas gravitacionais ? Pelo seu tamanho (dois túneis de 4 Km separados a 3000 km um do outro) e pelo fato de medir variações tão minúsculas o ligo não pode sofrer interferências de outros fatores na própria terra ou ainda do próprio espaço provocando assim falso positivo?
    Abs

    1. O LIGO tem instrumentos que medem interferências (sim, até um carro passando na estrada ao longe pode influenciar), para que ela possa ser filtrada dos dados. E o fato de haver duas instalações ajuda muito. Qual é a probabilidade de um sinal espúrio acontecer de forma idêntica em dois locais separados por milhares de km, num intervalo de tempo mínimo que corresponde exatamente ao tempo que a luz levaria para viajar de uma à outra instalação, e seguindo precisamente o padrão descrito pela relatividade geral? Não precisa responder. No caso da terceira detecção, a chance de engano é de 1 em 70.000. Conforme mais e mais detecções são feitas, a confiança no sistema vai aumentando.

    2. P. Espertini, tava vendo aqui que o LIGO vai ficar mais bichão ainda, pois serão implementados detectores de ondas gravitacionais no Japão, Índia e Itália.

      1. Sim, tem uns gráficos que mostram como ele vai melhorar a capacidade de detectar a direção das ondas com a entrada no ar do VIRGO, italiano.

  16. Uma civilização alienígena poderia usar as ondas gravitacionais para comunicações interestelares?

    Valeu, Salvador!

    1. O futuro da tecnologia caminha para o aproveitamento e a eficiência do laser, tal como processo de interferometria. É a etapa pós radioastronomia que permite direcionar alvo sem perder foco, pois as ondas se propagam em todos os lados.

    2. não consigo enxergar como eles criariam e manipulariam grande quantidade de massa para gerar e propagar informações por este meio. E o Paulo Schaefer está certo: se eles podem fazer a mesma coisa e de forma mais fácil com ondas eletromagnéticas, o que justificaria este esforço???

  17. Pesquisas científicas fazem a humanidade entender melhor o cosmo e os efeitos na natureza.Muitas coisas Ainda precisam ser esclarecidas, portanto o homem tem que se aprofundar bastante em estudos técnicos e científicos.

    1. Nossa, melhor comentário da noite. Seria bom enviar esse comentário para o pessoal do Ligo pois acho que eles já estavam dando as pesquisas por encerradas.

    2. É isso mesmo, Sérgio! São pessoas com a sua mentalidade que se tornam estudiosos ou, no mínimo, apoiadores para o desenvolvimento científico. E a humanidade precisa, muito, de gente como você.

      Não dê bola para pessoas como esse “fernando”, que não merece, mesmo, ter seu nome escrito com maiúscula.

  18. É lindo quando medições e análises confirmam a teoria com tantos detalhes. Gostaria de ver os gráficos gerados pelo LIGO no momento da detecção das ondas gravitacionais, só pra ver se é fácil de interpretar como os do Kepler, onde fica evidente a diminuição do brilho da estrela pelo trânsito dos planetas. Viva Einstein! Viva a ciência!

      1. Valeu! Não conhecia esse site, tudo muito bacana, principalmente as simulações que são bem didáticas.

  19. Salvador;

    Como leigo, ainda fico me perguntando, afinal que grandes tecnologias aplicáveis ao nosso cotidiano poderiam surgir dessa questão das ondas gravitacionais? Entendo o grande benefício que elas conseguem trazer para o melhor entendimento do universo e isso por si só já justifica toda a pesquisa, mas existem previsões de como essas descobertas poderiam afetar nossa tecnologia cotidiana?

    Obrigado!!

    1. Boa pergunta. Quem diria que ao criar um acelerador de partículas íamos terminar com a World Wide Web que estamos usando neste momento? A diversão é justamente que não sabemos de onde e como os avanços virão. 😉

      1. Faraday respondendo ao ministro inglês sobre as engenhocas elétricas que criava: A Inglaterra ainda vai cobrar impostos sobre isto. (após ~ 50 anos começaram a cobrar as taxas)

  20. o que eles nao dizem é que a teopria do campo unificado ´e real, a materia escura no cosmos pode ser explicada e que a velocidade da luz nao é O limite.

    1. A velocidade da luz, até onde sabemos, é um limite, e há boas razões para acreditar que é intransponível. A matéria escura pode ser explicada por várias hipóteses, mas não conseguimos colocá-las à prova ainda. E nenhuma teoria de campo unificado teve sucesso em juntar as quatro forças da natureza até agora.

      1. Acho que o entrelaçamento quântico poderia criar um dia, quem sabe?, uma tecnologia que ultrapasse os limites da velocidade da luz. Não é teoricamente possível? O entrelaçamento não é instantâneo?

        1. A China já tem um satélite fazendo experiências nesse sentido. Comunicações instantâneas será o primeiro passo, com o avanço da nova tecnologia em breve estaremos enviando matéria também instantânea para qualquer lugar do espaço. A barreira da velocidade da luz já está sendo quebrada.
          (quando digo enviar matéria, quero dizer que este conceito está embutido na ciência do tele-transporte)

          1. Não, os especialistas em emaranhamento insistem que não há comunicação acima da velocidade da luz. Ela só serve para criptografar os dados, mas a decriptação exige uma linha de comunicação convencional, limitada pela velocidade da luz. E isso, acreditem em mim, é uma boa notícia. Porque a violação da velocidade da luz com transmissão de informação implicaria em quebra de causalidade — uma versão quântica do paradoxo do avô. (Tudo isso e muito mais no meu próximo livro! :-))

          2. Na verdade não dá para misturar as coisas.
            Dificilmente a relatividade será desbancada.
            O entrelaçamento quântico comporta explicação porém sem derrubar a relatividade.
            O entrelaçamento parece não ter a ver com transmissão de informação “atravessando” o espaço. A física quântica ainda vai explicar muita coisa, até a causalidade poderá ser desmistificada, notadamente se prevalecer a teoria que não admite colapso da função de onda, mas refratamento do Universo, a cada evento.
            Mas no Macro, e nesse Universo, a velocidade da luz, e a relatividade por tabela, parecem mesmo reinar supremas e imbatíveis.

    1. Valeu, Osame. Excelente artigo sobre as tentativas recentes de descartar a inflação — e a dificuldade de fazer isso. Acho bizarro cientistas gritarem que inflação é inverificável, apenas um ou dois anos depois que um grupo disse ter encontrado as marcas da inflação no CMB. Tudo bem, foi um erro, mas o importante é que esse é um caminho para tentar corroborar ou descartar a hipótese, o que faz dela uma teoria científica na melhor acepção do termo. 😉

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