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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Retorno a Urano e Netuno

Por Salvador Nogueira

Nasa conclui estudo para enviar missão aos planetas Urano e Netuno na década de 2030.

OS ESQUECIDOS
Apesar de termos sondas voando pra todo lado no espaço hoje em dia, dois alvos em particular parecem negligenciados nas últimas décadas: Urano e Netuno. Não é sacanagem, e sim o simples fato de que esses são planetas muito distantes, o que torna extremamente difícil chegar até lá e se estabelecer em órbita. Mas é um desafio que a Nasa começou a encarar de frente.

CATATAU
A agência espacial acaba de concluir um estudo volumoso sobre como fazer para chegar a Urano ou Netuno nas próximas décadas por um preço que ela possa pagar, em torno de US$ 2 bilhões por missão.

ÚNICA VISITA
Motivos científicos para ir não faltam. Praticamente tudo que sabemos desses dois mundos, e não é muita coisa, veio da única sonda que passou por lá, a Voyager 2. Ela sobrevoou Urano em 1986, e Netuno em 1989. Desde então, estivemos limitados a observações ao telescópio.

Imagem de Netuno capturada pela sonda Voyager 2, no único sobrevoo já feito deste mundo. (Crédito: Nasa)

GIGANTES DE GELO
Urano e Netuno são quatro vezes maiores que a Terra, o que faz deles gigantes gasosos. Mas são bem diferentes de Júpiter e Saturno — menores e com proporção maior de gelos na composição. Mais da metade de sua massa é feita de água, metano e amônia, o que justifica sua classificação: “gigantes de gelo”.

E TEM AS LUAS
Além disso, suas luas prometem ser tão interessantes quanto as de Júpiter e Saturno, possivelmente abrigando também oceanos de água líquida em seu interior — potenciais abrigos para a vida. De todas elas, destaca-se Tritão, a maior de Netuno. Ao que tudo indica, ela já foi um planeta anão, como Plutão, antes de ser capturada pela gravidade netuniana.

CALMA LÁ
Em seu relatório, a Nasa estudou diversas possibilidades de missões, com estimativas de custo, lançamento em 2030 ou 2031 e chegada marcada para mais de uma década depois. Tudo muito promissor, mas é importante frisar, contudo, que se trata apenas de um estudo preliminar. A ideia é que ele sirva de base para a próxima Pesquisa Decenal da Academia Nacional de Ciências dos EUA, que estabelecerá as prioridades científicas na próxima década.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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