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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Observatório brasileiro caçador de asteroides perigosos faz vaquinha para não parar

Por Salvador Nogueira

A vida não está fácil para ninguém, nem mesmo para quem defende o planeta contra o perigo dos asteroides. Para se manter em operação até 2018, o Observatório SONEAR, principal caçador de bólidos ameaçadores à Terra no hemisfério Sul, está tendo de recorrer a uma vaquinha virtual. Se não tiver sucesso, podemos ficar às cegas para fazer o rastreamento de um bom pedaço do céu, inacessível por telescópios instalados no hemisfério Norte. Um apagão do céu austral.

“A manutenção dos equipamentos é cara, e gastamos cerca de R$ 9 mil por ano com ela”, diz Cristóvão Jacques, líder do projeto que opera desde o final de 2013 e foi responsável, entre outros feitos, pela descoberta do primeiro cometa “brasileiro” (ou seja, encontrado no Brasil, por astrônomos brasileiros, com telescópio nacional).

Cobertura do céu nos últimos 30 dias por todos os projetos de busca de asteroide. As áreas em branco são as do SONEAR. Repare como ele reina solitário no extremo Sul celeste. (Crédito: IAU/Minor Planet Center)

Construído em Oliveira (MG), o SONEAR (sigla de Southern Observatory for Near-Earth Asteroid Research, ou Observatório Austral para Pesquisa de Asteroides Próximos à Terra) é um projeto de astronomia amadora, financiado 100% por recursos particulares de Jacques e outros dois “sócios”, João Ribeiro de Barros e Eduardo Pimentel. Os resultados, contudo, são bem profissionais.

Entre 2014 e 2017, o SONEAR descobriu 6 cometas, 28 asteroides próximos à Terra, 3 “Mars Crossers” (bólidos cuja órbita cruza a órbita de Marte) e 23 asteroides no cinturão principal, localizado entre Marte e Júpiter.

“Desde que entramos em operação, o SONEAR foi o mais produtivo de todos os observatórios amadores do mundo para a descoberta de asteroides próximos à Terra, em todos os anos”, contou Jacques ao Mensageiro Sideral.

Sorte? Só se for na definição clássica de Milton Neves: a combinação da competência com a oportunidade. Além de adotar equipamentos e estratégias de observação eficazes, o grupo do SONEAR tem a vantagem de avançar praticamente sozinho sobre o céu do hemisfério Sul.

“Existem, neste momento, apenas dois observatórios no Sul voltados para esse tipo de pesquisa, e um está parado à espera de peças de reposição para o equipamento”, afirma Jacques. Por um lado, isso é bom para o SONEAR, que tem um número maior de potenciais descobertas. Para o planeta, contudo, não é uma boa notícia — se o SONEAR também tiver de parar, por falta de recursos, ficaremos às cegas para asteroides que trafeguem exclusivamente por regiões do céu visíveis apenas do lado de cá da linha do equador.

Para manter a bola rolando, a equipe do SONEAR espera arrecadar R$ 17 mil até o final do ano. A vaquinha virtual você pode encontrar clicando aqui.

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