Estrela análoga solar mais próxima tem quatro planetas potencialmente rochosos, diz estudo

A estrela análoga solar mais próxima também tem um quarteto de planetas potencialmente rochosos, segundo um grupo internacional de astrônomos.

Estamos falando de Tau Ceti, uma anã amarela localizada a 11,9 anos-luz da Terra, na constelação da Baleia. Solitária como o Sol (ou seja, sem estrelas companheiras no sistema), ela é um pouco mais velha que o Sol (5,8 bilhões de anos, contra os 4,6 bilhões de nosso astro-rei) e também um pouco menor (80% do diâmetro solar).

Os quatro planetas são todos superterras, ou seja, um pouco maiores que o nosso mundo, mas provavelmente rochosos. E estão distribuídos de forma similar a Mercúrio, Vênus, Terra e Marte no Sistema Solar, completando uma volta em torno da estrela aproximadamente a cada 20, 49, 163 e 636 dias. Os dois últimos planetas estariam nas bordas interna e externa da zona habitável, quando adota-se uma definição mais otimista dela. Mas, a rigor, nenhum deles recebe nível de radiação similar ao da Terra.

A novidade, contudo, é a demonstração de que sistemas planetários com mundos rochosos na zona habitável ao redor de estrelas similares ao Sol tendem a ser comuns. Afinal, Tau Ceti é a vizinha mais próxima, se contarmos apenas astros solitários do mesmo tipo espectral do Sol, e lá estão eles.

Comparação de tamanho entre o Sol (maior) e Tau Ceti. O Sol também é um pouco mais ativo. (Crédito: Reprodução)

UMA VELHA DESCONFIANÇA

Já há alguns anos desconfia-se de um sistema de múltiplos planetas rochosos em Tau Ceti. Mas confirmá-los tem sido penoso — e é importante ressaltar que, mesmo com o novo resultado, eles ainda permanecem com status de “candidatos”. Isso porque esses mundos não passam à frente de sua estrela com relação à Terra, de modo que não podemos detectá-los pelo método do trânsito. A única alternativa para encontrá-los é buscar sinais de sua presença observando o sutil bamboleio que eles induzem na estrela-mãe, por conta de sua gravidade. Esse bamboleio é chamado de “velocidade radial” pelos astrônomos, e pode ser medido a partir da luz da estrela com um espectrógrafo, que separa-a em suas cores componentes.

Como são planetas pequenos (nada nem de perto parecido com um Júpiter ou um Saturno) e não estão tão próximos de sua estrela, eles não provocam um bamboleio tão intenso. E, para complicar tudo, a atividade da estrela cria “ruído” nas medições de velocidade radial, criando falsos sinais que podem ser confundidos com planetas.

Em 2013, um grupo liderado por Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, fez grande esforço para tentar encontrá-los, analisando sinais do espectrógrafo Harps, instalado no Observatório de La Silla, no Chile, e de outros equipamentos. Apareceram cinco potenciais planetas, Tau Ceti b, c, d, e e f.

A capacidade do grupo de pesquisadores de filtrar “ruído” da estrela então era limitada. Agora, o novo estudo desenvolveu uma nova técnica para separar sinais reais de planetas do ruído. O trabalho, recém-aceito para publicação no “Astronomical Journal”, tem como primeiro autor Fabo Feng, colega de Tuomi, e detalha o procedimento.

E aí vieram as boas e as más notícias: a nova análise confirmou os planetas Tau Ceti e e f, mais ou menos na posição identificada antes, mas descartou como ruído os planetas b, c e d. Em compensação, dois novos planetas — mais internos que e e f — foram encontrados, e ganharam as letras g e h.

As detecções foram corroboradas por análises de diversas fontes de dados além do Harps, como observações feitas com o espectrógrafo Hires, instalado no telescópio Keck, no Havaí. Mas é importante ressaltar que os sinais só puderam ser extraídos após processamento para excluir o ruído e, ainda assim, estão no limite extremo da capacidade dos instrumentos. Ou seja, a despeito de a confiança dos cientistas na existência de planetas ao redor de Tau Ceti ter aumentado, eles continuam sendo rotulados como candidatos.

Uma comparação entre os sistemas de Tau Ceti e Sol. (Crédito: F. Feng/Universidade de Hertfordshire)

SEM GIGANTES

A essa altura, já está praticamente descartada a presença de planetas gigantes no sistema Tau Ceti. E é curioso notar que essa estrela tem uma metalicidade (quantidade de elementos pesados, além de hidrogênio e hélio) um pouco menor que a do Sol. Em termos estatísticos, os astrônomos já constataram que a presença de planetas gigantes em sistemas planetários tem grande correlação com a metalicidade da estrela. Quanto mais metais pesados ela tiver, maior a chance de ter também planetas gigantes. A razão para isso não está clara, mas Tau Ceti parece também seguir essa regra geral.

Um efeito colateral de não ter planetas gigantes foi que Tau Ceti acabou com um vasto cinturão de detritos, distribuído por uma faixa muito mais extensa que seus equivalentes no Sistema Solar, o cinturão de asteroides, localizado entre Marte e Júpiter, e o cinturão de Kuiper, além de Netuno.

Um estudo feito com o conjunto de radiotelescópios Alma, publicado no ano passado, revelou detalhes desse vasto campo de detritos e sugeriu que ele começa em algum lugar a partir de uma distância de 1,6 unidades astronômicas (1 UA é a distância Terra-Sol, 150 milhões de km) e vai até cerca de 55 unidades astronômicas. No Sistema Solar, seria uma vasta faixa entre as órbitas de Marte até bem além de Plutão.

Até por isso, os pesquisadores acham que Tau Ceti e e f, apesar de em tese terem chance de ser habitáveis, provavelmente não o são. “A grande quantidade de asteroides e cometas no disco pode ser perturbada fortemente pelos planetas, levando a uma taxa de impacto dez vezes maior que aquela da Terra”, escrevem os pesquisadores.

UMA HISTÓRIA A SER ESCRITA

É quase impossível, para quem gosta de astronomia, não se apaixonar pelo sistema de Tau Ceti. É verdade que ele ainda parece largamente um rascunho, e não duvide que planetas poderão sumir e reaparecer por lá no futuro, conforme a tecnologia de detecção avançar para confirmar ou refutar a existência desses mundos candidatos, assim como levantar mais parâmetros a respeito deles.

O que é fascinante, contudo, é a variedade de histórias que mesmo os sistemas planetários mais simples, baseados em estrelas solitárias, podem ter. Cada estrela no céu tem uma saga de bilhões de anos a ser relatada, e o Sistema Solar é apenas um desses possíveis desfechos.

Quantas estrelas terão sistemas completamente diferentes dos nossos? Quantas terão evolução similar à do Sistema Solar? E quantas estarão no meio do caminho entre uma coisa e outra, como parece ser o caso de Tau Ceti? A cada nova história revelada, aprenderemos mais sobre o que dita a narrativa em cada um dos sistemas. E naturalmente teremos mais subsídios para uma busca mais focada por sistemas em que o mais estranho dos fenômenos — a vida — pode ter prosperado.

A brincadeira está só no começo.

BÔNUS: Uma conversa com Mikko Tuomi, “o cara” dos planetas de Tau Ceti.

Mensageiro Sideral – Quão confiantes vocês estão sobre esses quatro sinais? Vocês podem atribuir qualquer tipo de probabilidade a eles?

Mikko Tuomi – Temos de designar probabilidades para a existência dos sinais nos dados. Neste caso, essas probabilidades implicam uma chance melhor que “uma em 1 milhão” de que os sinais não sejam reais. Sua detecção, portanto, é muito robusta.

Contudo, esse não é o caso com nossas considerações para a origem dos sinais. Embora acreditemos que fomos capazes de descartar a superfície ativa da estrela como a origem dos sinais, há sempre a possibilidade de que tenhamos esquecido alguma coisa. Isso significa que acreditamos fortemente que de fato identificamos sinais planetários, mas não podemos estar totalmente certos sobre isso.

Tendo dito isso, no estudo anterior de Tau Ceti, em 2012, onde eu fui o autor principal, identificamos os mesmos dois sinais correspondentes aos planetas potencialmente na zona habitável. Isso significa que esses dois sinais foram identificados de forma robusta em dois estudos independentes e sua existência está, portanto, a meu ver, além da dúvida razoável. Os dois candidatos a planeta mais externos são, portanto, os que mais seguramente foram detectados.

Mensageiro Sideral – As medidas de velocidade radial da estrela descartam a existência de planetas gigantes mais afastados, ou eles poderiam estar mascarados por conta de seu período supostamente mais longo?

Tuomi – Podemos descartar planetas gigantes no sistema, em órbitas mais externas, com bastante segurança. De fato, eu calculei uma resposta a essa pergunta um par de anos atrás (aqui). Podemos descartar, com confiança, a existência de planetas com mais massa que Netuno em órbitas a até 5 unidades astronômicas de distância, e planetas com tanta massa quanto Saturno a uma distância de até 10 unidades astronômicas. Companheiros mais distantes ainda são possíveis, mas mesmo esses não poderiam ter tanta massa quanto Júpiter.

Mensageiro Sideral – Agora que vocês têm uma técnica para excluir boa parte do ruído das medições de velocidade radial, poderiam espectrógrafos de próxima geração obter dados melhores sobre esses planetas? Será este o melhor meio de estudá-los, indo adiante?

Tuomi – Monitoramento espectroscópico será importante para expandir as bases de nossa série temporal de observações. Mas mais importantes serão as tentativas de fazer imagens diretas desses sistemas planetários próximos com futuros telescópios gigantes em solo e com a próxima geração de telescópios espaciais.

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Comentários

  1. Salvador, considerando que Tau Ceti assim como o Sol tem aumentado o seu brilho ao longo e portanto deslocando a zona habitável é possível se concluir que o planeta e esteve durante muito tempo, talvez bilhões de anos na zona habitável, aumentando as possibilidades de surgimento e evolução da vida?

    1. Acho difícil tirar qualquer conclusão. O aumento de brilho é muito suave, de forma que o deslocamento da zona habitável é bem suave também. Acho que só quando estudarmos um monte de planetas habitáveis teremos uma noção melhor da zona habitável para dizer isso.

  2. Exercício teórico: digamos que o planeta Terra seja teletransportado para o sistema Tau Ceti e seja posicionado a exatamente 1UA dessa estrela.
    Pergunto: pela diferença na incidência de radiação, o planeta Terra iniciará processo de entrada em uma nova era glacial ou a dinâmica e os processos da nossa atmosfera são suficientes para o resfriamento não ser proporcional a essa redução na radiação?

    1. Vai esfriar sim. Vai esfriar forte. O que exatamente vai acontecer, e em que estado vai parar, dependerá de feedbacks que só podem ser investigados em modelos climáticos de supercomputador. Mas, de olho, já dá para dizer que ia esfriar pra valer.

  3. Interessante, eu imagina que a Terra orbitava mais ou menos o centro da zona habitável, mas na verdade orbita tipo o primeiro terço da faixa.
    Fiquei surpreso tb de Marte estar com folga dentro da faixa de zona habitável, mesmo tendo temperaturas congelantes.
    Se Marte fosse um “Earth-like Planet” com as mesmas características da Terra, incluindo atmosfera, mesmo estando 80 milhões de kms mais distante, qual seria a temperatura média na superfície? Ainda seriam negativas?

    1. Nas versões mais rigorosas da zona habitável, ela está na bordinha, prestes a cair fora. rs

  4. Ok, aproveitando essa postagem, solto duas perguntinhas relacionadas…

    Uma: no caso de uma estrela ter um de seus polos virados pra Terra, haveria variação detectável da velocidade radial causada por planetas? (parentesis para Vega, que parece que está apontando um de seus polos para nós… como sabem quanto porcento essa estrela é mais bojuda no equador em relação aos polos?)

    Outra: a região dos cachinhos dourados se calcula sem levar em conta alguma possível atmosfera? Dependendo de composição, temperatura e densidade, uma atmosfera pode alterar sensivelmente o estado físico e as capacidades químicas da água, fazendo com que um objeto em situação limítrofe ou até algo além (aquém já acho mais difícil) da “goldilocks” tenha capacidade para manter H2O liquido, não?

    Obrigado
    Saudações galáticas

    1. Ótimas perguntas. De fato, a sensibilidade fica cada vez menor quanto menor o ângulo de inclinação do polo com relação ao nosso plano de observação. Se o ângulo for zero, ou seja, o eixo alinhado com nossa linha de visada, praticamente não se detecta velocidade radial. É o “ponto cego” da técnica.

      Sobre a zona habitável, ela é calculada presumindo certas condições atmosféricas similares às da Terra. Então, você tem razão: a zona habitável pode ser muito mais extensa, usando parâmetros atmosféricos alternativos.

  5. Mestre Salva , boa noite.
    Será que existe um site que apresente uma posição consolidada de exoplanetas? O site do Kepler tem um bom resumo que você brilhantemente apresentou num Post recente, e era quase uma espécie de fechamento da missão. A Nasa parece que divulga um inventario de vez em quando mas não sei se importam dados do Kepler, K2 e outros. Não achei nada específico sobre a ESO, Será que é possível fazer uma consolidação das diferentes estatísticas internacionais tais como 中国航天局 ( China ) e Российское космическое агентство (Russia) e outras?

    Abraços

    1. Existem vários catálogos independentes, mas nem todos eles concordam em tudo — e por isso não faz muito sentido em falar na descoberta do planeta de número 3.000 ou 4.000 ou 5.000… cada catálogo vai chegar a esse número com um planeta diferente. Mas recomendo esses dois:
      http://exoplanet.eu/
      https://exoplanets.nasa.gov/

  6. Muito boa matéria! Sinal de que existe vida inteligente aqui na Terra, algo nem sempre fácil de encontrar.
    Uma pergunta “menor”: como são escolhidos esses nomes para as estrelas e planetas? Por que alguns ganham nomes e outros letras ou mesmo letras e números?
    Obrigada

    1. Ana, as estrelas que têm nomes normalmente são aquelas que são visíveis a olho nu no céu, como é o caso de Tau Ceti. Por vezes têm vários nomes, como Antares, que também é Alfa Scorpii. O padrão que usa letras gregas normalmente combina o brilho com a constelação de origem (começando pela Alfa, que seria a mais brilhante). Exemplo: Alfa Centauri é a estrela mais brilhante na constelação do Centauro. Fora esse padrão de letras e constelações, por vezes ganharam nomes próprios dos astrônomos antigos, sejam eles gregos ou árabes. Antares é grego, e sugere “igual a Ares”, lembrando que Ares é Marte no panteão grego. Ou seja, remete à cor avermelhada de Alfa Scorpii, que é similar à de Marte no céu. Sírius (Alfa Canis Majoris) também vem do grego. E há muitos nomes árabes, como Deneb (Alfa Cygni) e Rígel (Beta Orionis).

      Com o passar dos séculos, os catálogos foram ficando mais extensos, graças ao poder do telescópio, e aí já não haveria letras suficientes para catalogar as estrelas. Começaram a usar números. Exemplo: 51 Pegasi. E outros catálogos decidiram que o mais simples mesmo era dar uma sigla do catálogo e o número correspondente. Exemplo: HD 10700 (que é exatamente Tau Ceti, no catálogo HD – de Henry Draper, publicado por esse astrônomo entre 1918 e 1924). Outro catálogo famoso é o Gliese, que tanto ouvimos associado a exoplanetas, por uma razão muito simples: ele compreende as estrelas mais próximas, num raio de 65 anos-luz da Terra.

      E o catálogo “do futuro” deve ser o produzido pelo satélite europeu Gaia, que compreende mais de 1 bilhão de estrelas!

      Ou seja, os nomes das estrelas carregam consigo a história ancestral da astronomia, da antiguidade até hoje! 🙂

    1. essa ideia de jogar qualquer realização do passado em aliens é fraca porque os caras se esforçavam na fé e usavam também técnicas para construções. Era mais difícil e a mola mestra era a fé, mas pela dureza e dificuldade, a fé vai perdendo adeptos.

      Erich von Daniken = charlatão

      e o povo paga tubos de dinheiro para ouvir inutilidades, a moda besta é dizer que toda tecnologia vem dos aliens. Eu até acho legal os filmes de Ridley Scott sobre o tema, uma ficção científica de “Alien” sobre a tecnologia baseada no DNA e a vontade humana de se tornar imortal. Neste caso é uma reflexão e não uma afirmação, como aqueles charlatões fazem. Já não basta tanto vídeo por aí com falsos OVNIS? Tudo é prato lançado no ar, manipulação digital com algum aplicativo, falha da máquina fotográfica ou filmadora, inseto passando na frente da lente, borrão de luz comum e balão meteorológico que fica achatado na alta atmosfera.

      a galera não percebe que tecnologia para ir a outro planeta de outro sistema solar é muito complicado de desenvolver, precisaria descobrir a dobra temporal e saber como viajar igual a ficção científica para ter resultado. O máximo que teremos enquanto não surgir um motor de dobra é olhar por telescópio. Até minissatélite do tamanho de celular demoraria décadas para chegar na estrela mais próxima na mais alta velocidade que conseguirmos e isso se não dermos o azar de haver um planeta solitário no meio do caminho para ferrar tudo.

      não duvido de vida inteligente lá fora, mas star trek anda exagerando na dose (nem falo de star wars, porque é coisa de louco mesmo, serve mais para comer pipoca).

  7. Salvador, se não me engano o sistema Trapist foi detectado não usando trânsito correto? Estando ele a mais de 35a.luz. Então como pode ser mais difícil detectar planetas em Tal Ceti que está bem mais perto? O que torna difícil detecções em uns mais próximos e mais fácil alguns outros longínquos?

    1. Trappist foi trânsito. Mas, mesmo que não fosse, seria muito mais difícil de detectar — estrela menor e mais calma, órbitas mais curtas, o efeito de bamboleio gravitacional sobre ela seria enorme, fácil de detectar. O que dificulta a detecção é basicamente a amplitude do bamboleio, que está diretamente associado ao tamanho e a distância do planeta da estrela. Às vezes o bamboleio pode ser tão pequeno que o sinal se mistura ao da atividade estelar, e fica difícil de detectar. Proxima b foi por bamboleio, e foi um upa. rs

      1. Acredito que devido o coeficiente de tenperatura e latencia da agua esteja um fator predominante para amenizar as questoes extremas de temperatura no planeta, caso houver, e contribuir para um clima planetario mais habitavel, mesmo q esteja introterreno

    1. Arthur Clarke, sem pestanejar. Douglas Adams é engraçado, mas eu gosto mais do meu sci-fi no sabor “this is fucking serious stuff”. 🙂

        1. Asimov é maravilhoso. Mas me deram só duas opções. Entre Clarke e Asimov a briga é boa mesmo. Acho que o Clarke é mais futurista, e o Asimov é melhor com personagens.

          1. Asimov tem histórias melhores e mais consistentes e melhor ciência. Clark tem mais imaginação, excelentes contos mas se perde quando ou os transforma em romance ou quando faz continuações. o melhor exemplo é o excelente Encontro com Rama e as suas sequências que são lixos cada vez piores.

      1. Nossa! Só velharia. Alguém vai acabar citando Júlio Verne…

        Leiam William Gibson, Frank Herbert, Kim Robinson ou Bruce Sterling.

          1. hehehe, valeu, Perna. Mas acho que não chego no nível destes monstros sagrados! 😀

  8. Esse tema me lembrou do livro “Tau Zero”, um ótimo livro de ficção científica escrito por um escritor com formação em física.
    Sobre a Tau Ceti, estrela parecida com o nosso Sol, essa presença de planetas é uma ótima notícia, mesmo sem a presença dos gigantes gasosos (por enquanto) para a proteção dos planetas interiores. Mais importante ainda devido a proximidade com o nosso sistema.

    1. Parece não haver mesmo planetas gigantes lá. Dê uma olhada no update do post com a entrevista com o Tuomi!

  9. Em outras palavras, Tau Ceti e deve ser quente demais e Tau Ceti f, frio demais. A possibilidade de vida parece baixa.

    1. Tudo isso depende das características intrínsecas dos planetas, mas, de uma maneira geral, tendo a concordar com você.

      1. Mas se existe a possibilidade de Marte já ter tido vida…. dependendo da atmosfera que (pode ser que) exista em Tau f, quem sabe…

        1. Sim, claro. Ninguém está jogando a toalha. Todas as cartas estão na mesa ainda para esses planetas.
          Nossa própria noção de zona habitável está intrinsecamente ligada à premissa de que planetas rochosos de porte similar ao da Terra terão parâmetros similares aos da Terra, em termos de atmosfera, campo magnético etc. Pode não ser verdade isso. Talvez o mais comum seja planetas desse tipo terem atmosferas muito mais densas, e aí a zona habitável na verdade ficaria muito mais afastada do que presumimos a partir do “padrão Terra”. O Universo é vasto. A essa altura está na cara que teremos de tudo lá fora. 🙂

          1. Por falar nisso…. o padrão de densidade atmosférica Venus ~100x maior que a Terra que é ~100x maior que Marte, em ordem de distância do Sol, é apenas coincidencia?

          2. Parece que sim. Vênus tem uma atmosfera mega-densa aparentemente por ter perdido seus oceanos, que ajudam a enterrar carbono no planeta. Sem ciclo do carbono, o CO2 que é emitido pelos vulcões se acumula na atmosfera. Se “secarmos” a Terra, provavelmente teríamos aqui também o fim do ciclo do carbono, e aí o CO2 vulcânico ia começar a acumular brutalmente na atmosfera.
            Já no caso de Marte, o que aconteceu foi uma erosão atmosférica causada pelo Sol. Marte cessou seu vulcanismo há muito tempo, então não tem muito mais CO2 entrando na atmosfera, mas como ele também perdeu seu campo magnético, o Sol varre a atmosfera para longe. Aí foi perdendo. Hoje está num equilíbrio — o pouco CO2 que pode ganhar, de reservatórios nas calotas ou de algum vulcanismo discreto, é perdido na mesma taxa pelo vento solar. Aí estabilizou. Mas imagina-se que, ao criar um campo magnético artificial para Marte (discuti essa ideia da Nasa aqui há algum tempo), acabaria o equilíbrio, e a atmosfera voltaria a ficar mais densa.

  10. deve ter uma infinidade de planetóides nesse cinturão de detritos mas por enquanto impossíveis de serem detectados aqui da Terra, imagino eu

  11. oi Salvador.
    Pergunta: Existe comprovação da existência de estrelas sem planetas?
    Não levando em conta (naturalmente) aqueles sistemas que ainda não tiveram tempo para a formação de tais corpos.

    1. Sabemos que, em princípio, todas as estrelas formam planetas. Mas sistemas bem tumultuados (múltiplas estrelas, em órbita próxima) podem desestabilizar a formação de planetas e/ou ejetar esses planetas para fora do sistema, convertendo-os em planetas errantes. Com isso, há de se presumir que existam estrelas sem planetas. Mas é difícil cravar, pois a tecnologia de exoplanetas ainda é limitada, de forma que não dá para descartar por completo a existência deles numa não detecção. (Ajudam, nesse sentido, os estudos dinâmicos que mostram que planetas seriam instáveis ao redor de certas estrelas.)

      1. Suponho que ainda existam estrelas da primeira geração por aí. Essas certamente não possuem planetas rochosos e, se for verdadeira a regra da metalicidade, nem planetas gasosos.

        1. Isso só será verdade se, entre as primeiras estrelas, houve astros de pequeno porte, anãs vermelhas, que queimam há mais de 13 bilhões de anos. Há uma certa expectativa de que a primeira geração de estrelas foi de astros grandes, que logo detonaram como supernovas. Com efeito, já encontramos estrela com 11 bilhões de anos e planetas rochosos ao redor (Kepler-444, se não me engano).

          1. Também vi estudos dizendo que algumas das estrelas da 1ª geração eram enormes (imagina-se que elas deram origem aos famosos buracos negros super massivos que conhecemos), mas nada que indicasse o impedimento da formação de anãs vermelhas nesse período.

            Inclusive, parece que já encontramos alguns exemplares dessas anãs vermelhas:

            Esta foi encontrada em 2013:
            http://www.dn.pt/ciencia/interior/descoberta-a-estrela-mais-velha-do-universo-2993271.html

            E esta em 2016 (a nova mais antiga):
            https://super.abril.com.br/blog/supernovas/cientistas-encontram-estrela-mais-antiga-conhecida-no-universo/

  12. Salvador, os planetas gigantes atrairiam os planetesimais durante a formação do sistema, além de evitar impactos posteriores nos planetas mais internos, não é? Daí a suposição dos pesquisadores do estudo de que os planetas “e” e “f” não seriam habitáveis.

    Sinto um pouco da influência do Brownlee/Ward nessa hipótese hahaha… a propósito, o livro deles é sensacional. Ainda vou chegar na parte em que eles descrevem o papel de Júpiter na habitabilidade da Terra.

    1. Ah sim. Cabe dizer que a maior parte das ideias descritas por Brownlee e Ward não são realmente deles; o mérito deles foi compilá-las todas num pacotão redondinho. Mas a discussão do papel de Júpiter (como herói E como vilão da Terra) antecede em muito o “Rare Earth”.

  13. Podemos torcer para as técnicas estarem erradas e os planetas E e F estarem em zonas mais favoráveis? rsssssssss

    1. Torcer você pode. Mas é bem improvável. Existe uma pequena margem de incerteza da órbita desses planetas, mas ela não vai mudar muito de lugar. Mas eu gosto deles onde eles estão. Não dá para descartar habitabilidade, e aprenderemos o que acontece com uma superterra quando ela ocupa uma órbita similar à de Marte ou de Vênus.

  14. Prezado Salvador,
    Se não conseguimos observar o trânsito dos planetas em relação a estrela, como os astrônomos podem estimar que eles estão nos limites da zona habitável? O referido bamboleio não geraria mais equações do que incógnitas? Massa do planeta, distância média da estrela, período em que o planeta leva para girar em torno da estrela? etc…

    1. O bamboleio segue um padrão repetitivo — é periódico. Essa periodicidade, combinada à amplitude do bamboleio, permite inferir a posição da órbita e a massa mínima (tecnicamente, o seno da massa, em que o ângulo é a inclinação da órbita com relação a nós). Hoje em dia, com o sucesso da técnica do trânsito, a medição de velocidade radial acabou em segundo plano. Mas foi essa técnica que permitiu as primeiras descobertas de exoplanetas, lá nos anos 1990! Foi com ela também que descobrimos Proxima b, e ela serviu para corroborar de forma independente planetas descobertos pelo CoRoT e pelo Kepler. Temos bom domínio dela para identificar planetas; a maior dificuldade no caso é que osinal fica escondido no meio do ruído da atividade estelar, pois o bamboleio é muito fraco.

      1. A periodicidade do bamboleio da estrela é suficiente para se saber a massa do planeta e sua órbita, desde que se saiba a massa da estrela. Sabendo-se a massa da estrela(sol por exemplo), o período de bamboleio por conta da terra, é de 365 dias. Sabendo-se a massa do sol e o período de 365 dias, o causador do bamboleio estará obrigatóriamente a 1 UA do sol. Estando a 1 UA do sol, só pode ter a mesma massa da terra. Se tivesse mais massa que a terra, cairia em direção ao sol, e se tivesse menos massa seria ejetado da órbita. Se a órbita está sendo mantida com essa periodicidade, a única opção é ter a mesma massa da terra.

        1. Acho que você falou a coisa certa, mas com uma certa ambiguidade. Então, só para esclarecer: nada impede que um planeta com mais massa (ou menos) que a Terra tenha uma órbita de 365 dias ao redor do Sol — tá cheio de asteroide aí que não me deixa mentir. E a velocidade orbital é praticamente a mesma da Terra, isso porque a massa do Sol é tão maior que a massa dos planetas ou asteroides, que essa segunda se torna desprezável. Agora, no que você está certo é que a amplitude do bamboleio causada pela Terra sobre o Sol só poderia ser causada por um planeta com a massa da Terra. Se o planeta tivesse menos massa, a amplitude seria menor; se tivesse mais massa, a amplitude seria maior.

          1. Eu devo ter me enganado mesmo. Pensei somente em órbitas circulares, esquecendo as órbitas elípticas, e também a relação de massas.
            Acho que vou pesquisar mais sobre a relação entre massas. 1/1.00.000 não é algo tão astronômico assim, quando falamos sobre 4,6 bilhões de anos.
            Não sei muito bem como funciona com órbitas elípticas muito alongadas.
            Mas todos os planetas do sistema solar têm órbitas quase circulares, não é mesmo ?

          2. Quase circulares, mas em diferentes graus. Mercúrio e Marte têm excentricidade bem maior que Terra e Vênus, por exemplo.

  15. Com trilhões e trilhões de estrelas e respectivos planetas em nossa galáxia e nas demais, a existência de vida “lá fora” é praticamente inevitável…porque trilhões de configurações diferentes de composição dos exoplanetas levam a uma possibilidade imensa de a vida existir em alguns delas. A grande questão é se estas formas de vida serão detectáveis a partir da nossa observação por causa da distância…por exemplo, vida em outro extremo da Via Láctea…ou em alguma estrela de Andrômeda…

    1. Kleber, eu vivo com a certeza (minha) de que a vida é intensamente infinita nas suas multiplicidades espalhadas pelo Cósmos. Que a vida está para o Universo assim como a areia está para o Deserto. Somos parte de uma inteligência que permeiam o todo. E por sermos partes de um todo, nos tornamos o próprio Todo.

  16. Salvador,

    Ótima matéria. Bem legal saber que a cada dia descobrimos mais um pouco desse vasto universo. E com isso vamos entendendo um “cadinho” mais de como chegamos até aqui. Assim como deixando cada vez mais implícito que não somos tão exclusivos assim.
    Mas gostaria de avisar também, que quando entrei para comentar, por algum motivo já estava preenchido o login e e-mail do nosso colega que comenta como ” Explorador”. Talvez seja interessante passar isso pro pessoal da TI…

      1. Estou curioso em saber o perfil desse explorador! Gente boa, sempre comentando aqui. Bom, se não quiser se revelar, vamos em frente que vida continua!

    1. Vou transmitir ao vivo o eclipse por aqui. Mas ele só será visível nas regiões Norte e Nordeste do país, e mesmo assim será apenas parcial. Para ver esses grandes efeitos sobre os animais, só na faixa de totalidade, que cruzará os EUA no dia 21.

  17. Salvador, bom dia

    Algumas vezes a dificuldade de detecção de planetas se deve ao fato de os trânsitos não serem vistos a partir da terra, algum telescópio espacial que poderá suprir essa limitação de “um melhor ponto de vista”?

    1. Não. Nas distâncias interestelares, você precisaria viajar alguns anos-luz para realmente mudar o ângulo de observação…

  18. Como observou Salvador Nogueira pode até ser que esses planetas não existam, que sejam meros ruídos.
    Mesmo que existam o fato de estarem dentro da zona habitável de Tau Ceti não necessariamente significa a possibilidade da existência de vida, vide Marte.
    Algo que está nas entrelinhas precisa fazer parte dessa consideração, que é a idade das estrelas. O Sol possibilita aos seus 4,6 bilhões de anos vida em sua zona habitável. Como será essa relação de uma estrela com 5,8 bilhões de anos e 80% do diâmetro do nosso Sol? Algo me diz que não são lineares, mas mesmo sendo especulações não deixa de ser interessante.
    De especulação em especulação, com 1,2 bilhões de anos a mais e apenas 11,9 anos-luz de distância uma civilização da zona habitável de Tau Ceti teve tempo suficiente para migrar para outras estrelas de sua vizinhança.

    1. Mas lembre que esses planetas devem viver sob intensa pancadaria cósmica, e isso ao longo de toda a sua história. (Como nota complementar, Tau Ceti sempre foi alvo preferencial de escutas de SETI. Nada foi detectado.)

      1. Por outro lado…. SE surgiu vida em algum dos planetas, a intensa pancadaria aumenta a chance de tal vida ter se espalhado por outros planetas do sistema!

        1. O problema é que não sabemos se uma taxa de impacto 10 vezes maior, como a estimada, permitiria qualquer tipo de evolução para vida mais complexa, que é mais sensível a esse tipo de evento.

  19. Olha que boa notícia. O percentual de 1,8% parece que começa a subir um pouco, como você cantou a bola. No caso, você cita a radiação que não é similar à da terra. Parece que isso é um grande problema no desenvolvimento de formas de vida, mas também parece que a única forma de contornar o problema é a existência de uma atmosfera no planeta, que funcionaria como filtro? Outra coisa chama bem atenção na figura: A faixa de zona habitável aparenta ser excessivamente larga, já que Vênus é estéril e Marte também é um forte candidato a não ter nada. Essa zona habitável deveria ser estreitada bastante por enquanto e assim E e F de Tau Ceti já estariam fora de combate. Salvador, existe algum tipo de estrela conhecida, cuja radiação seria amigável a vida? Nestas descobertas é possível determinar se um planeta já tem atmosfera ou isso é feito em outro tipo de estudo?

    1. Quando digo radiação, estou falando do total de incidência de radiação — inclusive aquela na luz visível, que tudo bem. O ambiente de radiação de Tau Ceti deve ser mais benigno nesses planetas que aqui no Sol. Tau Ceti é menos ativa que o Sol. É uma estrela bem simpática à habitabilidade, nesse sentido.

      E foi perspicaz sua observação da zona habitável. Ela é uma versão mais otimista, que considera que Vênus no passado provavelmente teve oceanos, assim como Marte, demonstrando que, nas condições certas, essas distâncias poderiam viabilizar condições habitáveis.

      1. E como é mais fria emite menos raios UV. Em tese melhor para a vida, Mas fiquei um pouco decepcionado com o sistema. Tinha esperança de algo mais interessante.

        1. Poxa, eu gostei! Do ponto de vista de vida, realmente não é o mais animador, mas para entendermos histórias diferentes de sistemas tipo Sol, é bem legal. Não é aquela zoeira completa dos Hot Jupiters, mas também não é o nosso sistema. 🙂

          1. Salvador, quando se confirma o trânsito de planetas em determinada estrela, sabemos que o passado deste sistema, 1000, 10000, 1.000.000 de anos atrás, também sabemos que a terra passou por extinções em massa e que estamos neste planeta a pouco tempo, comparando a historia dá evolução da vida na terra, a impressão que tenho é que a natureza realizou vários testes até que determinadas espécies conseguissem se adaptar e povoar o planeta.
            A história de outros sistemas podem ser semelhantes a nossa, planetas que passaram ou irão passar por vários processos pra o desenvolvimento da vida.
            A natureza é impressionantemente criativa.
            Bom, diante de tantas possibilidades só aumenta e muito as chances de vida fora da terra, isso sem contar com a infinidade de exoluas.
            Acho sinceramente que a Nasa e outras agências estão preparando a humanidade para a confirmação de vida ser comum no universo. Vamos esperar que o James Web nos tire o véu que cobre nossos olhos e nos revele todo o poder do cosmos.
            Uma ótima semana a todos.

          2. As possibilidades são de fato praticamente infinitas. Há inclusive incontáveis modos de um planeta dar errado, então vai saber o que vamos encontrar lá fora.
            Sobre estarem “preparando”, não é bem o caso; elas estão tentando descobrir mesmo.
            Abraço!

  20. Belíssima matéria!!! Parabéns mais uma vez Salvador!
    Se em nosso sistema solar podemos constatar planetas e luas tão diferentes uns dos outros mesmo sendo gerados da mesma composição estelar (em tese), imagine a diversidade que há em outros sistemas planetários… O legal é pensar que meus filhos (pequenos ainda), ou meus futuros netos terão o privilégio de estudar isso se assim quiserem. Fantástico!!!

  21. Dá para esclarecer em poucas linhas o que é uma estrela solar? Sempre achei que o complexo de estrelas Centaury, eram as mais próximas. Até procurei mas dei de cara em sites exotéricos.

    1. O mais preciso seria chamar Tau Ceti de a mais próxima análoga solar. Ela é análoga porque, além de ser do mesmo tipo espectral (G), o que indica temperatura similar, é uma estrela solitária.

      De fato, no sistema trinário Alfa Centauri temos uma estrela de tipo G, a Alfa Centauri A. Mas ela obviamente não é solitária, como o Sol e Tau Ceti.

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