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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Por Marte, SpaceX vai a todo lugar

Por Salvador Nogueira

De olho em Marte, SpaceX quer oferecer voos de São Paulo a Tóquio em menos de uma hora.

GANA PARA MARTE
Há um ano, Elon Musk apresentou a primeira versão do plano da SpaceX para promover a colonização de Marte. O ponto fraco do projeto, ele mesmo admitia, é que ninguém sabia de onde sairia o dinheiro para financiá-lo. Na última sexta-feira, Musk apresentou uma atualização do plano, e agora diz que sabe como pagar por ele.

GRANA PARA MARTE
A solução para arrecadar os US$ 10 bilhões necessários foi colocar a SpaceX para concorrer consigo mesma. É isso aí. A empresa tentará tornar seus atuais produtos obsoletos, com um veículo reutilizável e multiuso, capaz de fazer tudo que seus atuais foguetes e cápsulas fazem, por um preço competitivo. Com isso, todos os recursos ganhos pela empresa poderão financiar o desenvolvimento do novo sistema.

FAZ-TUDO
A arquitetura envolve um foguetão imenso acoplado a uma espaçonave-foguete, reabastecida em órbita para viajar até destinos distantes, como Marte. A ideia é que o sistema, totalmente reutilizável, possa servir a uma série de funções, como lançar satélites, recolher lixo espacial, levar suprimentos e astronautas à estação espacial e até mesmo pousar na Lua. Ou seja, tudo que a Nasa já contratou a SpaceX para fazer e ainda mais.

DA TERRA PARA A TERRA
A aplicação mais radical, contudo, é exclusivamente terráquea. Segundo Musk, o sistema poderia realizar voos rápidos entre cidades distantes, a um preço que as pessoas poderiam pagar. Imagine ir de São Paulo a Tóquio em menos de uma hora, com direito a uma passadinha no espaço — as companhias aéreas podem ter muito com que se preocupar.

De qualquer ponto a qualquer ponto da Terra em menos de uma hora, pelo preço de uma passagem na classe econômica. (Crédito: SpaceX)

2022
Para missões a Marte, a nave teria de ser reabastecida para voltar à Terra, mas o combustível poderia ser fabricado no planeta vermelho a partir de dióxido de carbono e água. Musk projeta o primeiro voo de carga marciano para 2022, e o primeiro pouso tripulado para 2024. É um cronograma extremamente otimista e cheio de “ses”. Mas tem uma grande virtude: jamais pareceu tão fácil tornar a humanidade uma civilização multiplanetária.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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