Fim de semana tem chuva de meteoros do Halley!

Na madrugada deste sábado (21), com a Lua num fino crescente, temos o pico de uma das mais tradicionais chuvas de meteoros anuais, os Orionídeos. Trata-se da segunda de duas chuvas regulares associadas ao famoso cometa 1P/Halley. (A outra é a dos Eta-Aquarídeos, que acontece em maio.)

O cometa em si passa por nossa região do Sistema Solar apenas uma vez a cada 76 anos — a última foi em 1986. Mas a cada passagem ele deixa uma boa quantidade de detritos em sua órbita, que adentram a atmosfera terrestre toda vez que nosso planeta cruza a trajetória do cometa, ao prosseguir em seu incansável balé em torno do Sol.

Ou seja, as estrelas cadentes que vemos no céu são pequenos pedaços do Halley que se desprenderam dele décadas ou séculos atrás e calharam de estar no nosso caminho. Ao entrar na atmosfera em altíssima velocidade, eles queimam. E com isso produzem o espetáculo luminoso que encanta os amantes do céu. Sem oferecer perigo algum, diga-se de passagem.

O radiante — ponto de onde parecem emanar os meteoros — fica na constelação de Órion, o que justifica o nome da chuva. Não sabe qual é? Fácil. Basta procurar as tradicionalíssimas Três Marias — elas compõem o cinturão do caçador Órion e são fáceis de reconhecer. Mais uma dica: a constelação estará nascendo no leste por volta das 23h (pelo horário de Brasília; se você não tem horário de verão, subtraia uma hora) e, a partir daí, vai escalando o céu até sumir de vista, com o nascer do Sol.

Carta estelar mostra o horizonte leste à 1h do dia 21, em São Paulo.

COMO OBSERVAR
Chuvas de meteoros são extremamente democráticas. Não é preciso instrumento nenhum para vê-las. Aliás, telescópios e binóculos só atrapalham. O segredo é basicamente se sentar confortavelmente num lugar o mais longe possível das luzes da cidade e com a visão mais ampla possível do céu.

Vale a pena tentar observar após a 1h, quando Órion já subiu um pouco no céu. Mas, caso você não tenha vista para o leste, não se preocupe: os meteoros parecem irradiar da região de Betelgeuse, a estrela vermelha e segunda mais brilhante da constelação, mas podem aparecer em qualquer parte do céu. Não é preciso olhar naquela direção para ver alguns deles.

E se por acaso não for possível observar no dia 21, dá para tentar no 22 — chuvas de meteoros têm um auge, mas permanecem ativas por vários dias. No pico, a expectativa é de cerca de 20 meteoros por hora, nas melhores condições de observação (ou seja, com pouca poluição luminosa, pouca poluição atmosférica e céu aberto). Mas nem vá pensando em ver todos. Esse número é o máximo possível, para quem observa o céu inteiro simultaneamente sob as melhores condições visuais. Ou seja, para meros mortais sem câmera para registrar o céu inteiro, não rola. O que dá para esperar, de forma realista, é uns cinco ou seis por hora.

Portanto, vale seguir o conselho que Gabriel Hickel, astrônomo da Universidade Federal de Itajubá (MG), costuma dar: observe pelo menos uma hora para ver um número razoável de meteoros — e não espere um show pirotécnico.

“Os meteoros desta chuva são de duração bastante curta (menor que 1 segundo) e de brilho mediano, mas cerca de 30% deles são mais brilhantes, de maior duração e apresentam o fenômeno de persistência da esteira de ionização (o material desintegrado forma uma ‘nuvem filamentar’, que dura alguns segundos)”, destaca Hickel. “Alguns ainda mais brilhantes podem literalmente dividir-se em partes menores.”

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Comentários

  1. Boa noite salvador…qual é o diâmetro médio dos detritos, e qual é o diâmetro maior possível deles?

  2. Legal! Continuando o raciocínio do incremento contínuo de componentes químicos ao planeta: Então podemos esperar que qualquer planeta do cosmos tenha praticamente os mesmos elementos químicos que a Terra, mudando apenas em sua quantidade, ja que detritos espaciais foram se agregando aos poucos durante milhoes ou bilhoes de anos?

    1. Podemos esperar os mesmos elementos químicos, mas em quantidades diferentes, mas não tanto por esse processo, mas pelo fato de que nuvens de gás formadoras de estrelas e planetas podem estar mais ou menos enriquecidas com elementos pesados, e esses elementos podem aparecer em proporções diferentes também.

  3. Fala Salva! Dúvida leiga: Existe uma forma de integração permanente de compostos químicos provenientes de outros sistemas estelares? Imagino que, desde que a formação da Terra até os dias de hoje, todo componente químico que passe por aqui, projetado através de colisões de corpos celestes, acabam sendo captados por nossa gravidade e incorporados a nossa massa e a nossa riqueza e diversidade química (oxigênio, nitrogênio, carbono, ouro, platina, etc). Desta forma os detritos do Harley estariam agregando algo, mesmo que de forma ínfima, ao nosso planeta?

    1. Sim, estariam. Basta ver os meteoritos que temos por aí, que antes não estavam aí. Mas é uma contribuição ínfima, se comparada à massa total do planeta.

  4. Oi Salvador!

    Pergunta ligeira: os detritos marcam a passagem do cometa. A órbita da terra atravessa esse feixe de detritos. Isso quer dizer que a órbita do Halley cruza a da terra? Ou seja: há uma possibilidade real (pequena mas não nula) de que num desses encontros septuagenários aconteça uma colisão?

    1. Existe uma chance não nula de colisão num futuro distante. Mas não nos próximos milhares de anos. O cometa teria de mudar de órbita. Neste momento, ele cruza a eclíptica (o plano da órbita da Terra) mais perto de Vênus do que da Terra. Os farelos que produzem a chuva vêm da cauda do cometa, que estão em órbitas diferentes da do cometa em si, porque são sopradas para fora dele pelo vento solar.

  5. Duas perguntas:
    Na minha lógica, possivelmente obtusa, a cada ano haverá menos detritos e a taxa tende a decrescer… procede?
    O Halley nos visita a cada 76 anos. O radiante dos seus detritos é sempre o mesmo?

    1. O radiante é sempre o mesmo porque a Terra cruza a órbita dele sempre nos mesmos pontos. E como os detritos também estão em órbita, mesmo esgotando os destritos que cruzarão a Terra neste ano, ano que vem haverá outros, porque eles não orbitam na mesma velocidade que a Terra. Há regiões com mais ou menos detritos, e o cometa renova os detritos a cada 76 anos, mas a chuva tem sido observada de forma consistente ano a ano há muito tempo.

  6. Obviamente aqui em Petrópolis-RJ (Chuvópolis), clima já está nublado e previsão de chuvas até terça.

  7. Salva, voce sabe qual a real origem do HALLEY?
    Estava vendo sobre eke ,ele esta o unico cometa que entra em nosso sistema solar em uma orbita com sentido de rotacao oposta aos planetas e demais cometas.
    a principio tento associar ele a algum evento envolvendo o planeta VENUS.
    Ja que este tambem tem sentido de rotacao oposto ao de outros planetas,
    embora o seu sentido orbital esteja semelhantes aos demais planetas.

        1. Muitos cometas têm órbita retrógrada — isso porque suas órbitas normalmente são marcadas por encontros gravitacionais que podem atirá-los em direções inusuais. O cinturão de Kuiper fica além da órbita de Netuno — e é onde o Halley fica, ainda hoje, a maior parte do tempo.

    1. Huhauah, achei divertido. Na parte do Jesus, tá cheio de erros — ele jamais saiu do Oriente Médio, por exemplo, e Paulo também jamais o conheceu –, mas aí deixo para Ele corrigir, se Ele fizer questão. 😛

      No meu lado, só sugiro trocar o Corolla 2015 por um C3 2008, para ser factualmente correto. Também não gosto de me ver associado a “ódio”, na linha “Odeia”. Se puder trocar por “Despreza”, acho que fica mais de acordo. 🙂

    2. Não deixa de ser uma doce ironia. Aquele que despreza a Religião e que frequentemente caçoa da Fé alheia, sendo zoado pelos seus súditos ateístas…doce vingança… 😛

      1. Não está claro para mim que o Tijolada é ateu. Mas, fora isso, adoro uma brincadeira inspirada. E meu lado vaidoso também aprecia virar meme. 😛
        (Note que você é listado como meu “seguidor” no meme… rs)

  8. Prezado Salvador,

    Permita-me duas observações:
    1. A música fica muito alta durante a sua fala e isso atrapalha um pouco o entendimento.
    2. Como localizo Órion no céu? Norte, sul, leste ou oeste?

    Grato e abraços.

    Antônio Carlos.

    1. Sabe onde ficam as estrelas conhecidas como as “Três Marias”?
      Então, essas estrelas formam o Cinturão de Orion… que é para onde deve olhar, ou seja o radiante da Chuva de Meteoros. Mas fique tranquilo pq se o céu estiver limpo os meteoros irão riscar boa parte do céu.

  9. Salva, qual o tamanho médio desses detritos. Já li que são geralmente grãos de areia, procede? E qual a velocidade de entrada estimada?

  10. Olá Salvador
    Tem como vc fazer uma dança da chuva ao contrário ?
    Na minha cidade, o tempo está totalmente encoberto e vou perder esse espetáculo.
    Paciência, que a chuva também é bem vinda para acabar com a secura do MS
    Parabéns pela divulgação e pela clareza com que informa

    1. é uma conspiração dos terraplanistas para não conseguirmos observar estes fenômenos. eles têm um acordo com os caras da previsão do tempo para fazer o céu ficar nublado durante estes eventos…

  11. Admiro muito os eventos celestiais. Vou tentar observar dessa vez, se não estiver nublado, lógico. Valeu a todos pela importante informação. Abs.

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