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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: A iminente reconquista da Lua

Por Salvador Nogueira

Após meio século, empresas e agências espaciais planejam a conquista definitiva da Lua.

DE VOLTA
Quase 50 anos depois que a humanidade conquistou — e aí abandonou — a Lua, nosso satélite natural está voltando à moda com força total. Múltiplos países — e empresas –têm escolhido o ambiente lunar como alvo preferencial de seus projetos espaciais para os próximos anos.

PRÊMIO
Tudo começa com o Prêmio X Lunar — uma bolada de US$ 20 milhões oferecida pela Google à primeira entidade privada que conseguir deslocar um robô na superfície lunar e enviar de lá imagens, até 31 de março de 2018. Há três grupos favoritos: TeamIndus, da Índia, e Hakuto, do Japão, que viajarão juntos num foguete PSLV indiano, e SpaceIL, de Israel, que será lançado por um foguete da SpaceX.

GOVERNOS
As agências espaciais também estão de olho na Lua. Em 2018, a Índia deve mandar seu segundo orbitador, Chandrayaan-2, desta vez com um jipe, e a China pretende lançar mais um rover, na missão Chang’e-4. Para 2019, os chineses planejam sua primeira missão robótica de retorno de amostras. Nesse mesmo ano, a Nasa deve fazer o primeiro lançamento de seu foguete SLS com uma cápsula Orion — veículo que, na próxima década, deve levar humanos até a órbita lunar.

EMPRESAS
E isso é só o começo. As grandes empresas aeroespaciais também querem sua parte. A SpaceX anunciou planos para enviar humanos ao redor da Lua numa cápsula Dragon e, mais adiante, lançar um veículo multipropósito capaz de pousar no solo lunar. Para não ficar atrás, sua velha rival, a United Launch Alliance, anunciou uma parceria com a Bigelow Aerospace para colocar um módulo habitável em órbita lunar na próxima década. E a Blue Origin também fala em transporte lunar de carga com seus foguetes New Glenn, a partir de 2020.

FUTURO
Isso sem falar em planos mais ousados, como a meta distante da Agência Espacial Europeia de construir uma vila inteira na Lua, usando robôs e astronautas. Ainda é cedo para dizer que tudo isso vai se realizar. Mas se apenas metade do que está sendo aventado acontecer, a Lua será um lugar bastante agitado nos próximos anos.

BÔNUS: BRASIL TAMBÉM
Apesar de todas as dificuldades, o Brasil também vai fazer parte deste movimento para a Lua. Em 2021, deve voar a missão Garatéa-L, um satélite orbitador de pequeno porte que será desenvolvido aqui, numa parceria entre a iniciativa privada e pesquisadores de diversos institutos e universidades brasileiros. (Visite o site da missão Garatéa clicando aqui.)

BÔNUS 2: E A CAVERNA?
Muito se disse na semana passada da caverna de 50 km descoberta na Lua como um possível abrigo para humanos. Cavernas são, por definição, bons lugares para se estar na Lua, mas é improvável que as usemos para colonização logo de cara. Isso porque é mais simples levar módulos à superfície e aí enterrá-los com uma camada de regolito e assim protegê-los contra radiação e micrometeoritos — como o projeto da Agência Espacial Europeia ilustrado no vídeo acima — do que colocá-los numa caverna profunda, como a descoberta pela missão Selene, da Jaxa. Mas, claro, conforme expandirmos nossos domínios na Lua, aí sim essas cavernas podem ser uma boa pedida, capazes de abrigar cidades inteiras!

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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