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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Top Five do espaço, 2017

Por Salvador Nogueira

Entre mundos habitáveis e vagabundos interestelares: confira o Top 5 do espaço em 2017.

5. VAGABUNDO INTERESTELAR
A equipe do projeto Pan-STARRS fez em outubro uma descoberta sem precedentes: pela primeira vez viu-se um bólido celeste proveniente do espaço interestelar, apenas de passagem pelo Sistema Solar. O misterioso astro, chamado ‘Oumuamua, tem uma forma incomum, muito alongada, e causou espanto entre os pesquisadores.

4. A ERA DOS FOGUETES USADOS
No dia 30 de março, uma nova era da astronáutica foi inaugurada, quando a empresa americana SpaceX realizou o segundo voo de um primeiro estágio de foguete previamente usado. Espera-se que esse seja apenas o começo de uma revolução tecnológica que deve tornar o acesso ao espaço muito mais barato.

3. SURFE NAS ONDAS GRAVITACIONAIS
Em 17 de agosto, os detectores LIGO, nos EUA, e Virgo, na Europa, captaram as ondas gravitacionais geradas pela colisão de duas estrelas de nêutrons — evento que produziu um sinal luminoso observado também por telescópios ópticos. Foi o início da chamada astronomia multimensageira e um ótimo modo de comemorar o Prêmio Nobel em Física de 2017, dado pela pioneira detecção das ondas gravitacionais, feita dois anos antes.

2. SETE TERRAS E UM DESTINO
Em fevereiro, a Nasa anunciou a descoberta de um sistema planetário a apenas 40 anos-luz de distância que tem nada menos que sete planetas rochosos — e todos eles, em tese, poderiam ter água em estado líquido na superfície. O sistema Trappist-1 será um alvo preferencial para a busca por vida extraterrestre com a próxima geração de telescópios, já a partir de 2019.

1. VIDA LONGA À CASSINI
Após mais de 13 anos estudando o planeta Saturno, seus anéis e suas luas, a sonda Cassini encerrou sua missão em 13 de setembro, num espetacular mergulho na atmosfera do gigante gasoso. No começo do ano, ela havia revelado que o oceano de Encélado, uma pequenina lua congelada saturnina, tem todos os ingredientes para abrigar vida. E, embora a missão tenha chegado ao final, é certo que os dados colhidos permitirão novas descobertas por muitos e muitos anos.

BÔNUS: O QUE MAIS?
Confira alguns dos eventos e descobertas que chamaram a atenção em 2017, mas não conseguiram bater em importância os cinco elencados acima, como a descoberta do buraco negro supermassivo mais distante (e antigo) já visto, a hipótese de que dunas podem explicar sinais tidos antes como de água corrente em Marte, a supernova que insiste em não morrero grande eclipse solar de agosto, a descoberta de um anel no estranho planeta anão Haumea, os resultados da distribuição da matéria escura do projeto Dark Energy Survey, a detecção de um sistema planetário na estrela análoga solar Tau Ceti, a volta de um experimento brasileiro à Estação Espacial Internacional graças ao projeto Garatéa, os primeiros resultados científicos da sonda Juno em Júpiter, o lançamento bem-sucedido do não tão bem-sucedido (até agora) satélite geoestacionário brasileiro, a descoberta de que o Sistema Solar reside num pequeno ‘oásis’ galáctico, as primeiras potenciais chuvas de meteoros identificadas por astrônomos brasileiros, a revelação de que a matéria escura tinha menos influência sobre as galáxias no passado do Universo, a descoberta, pela sonda Dawn, de que Ceres tem criovulcões de água ativos e o indício, obtido por lentes gravitacionais, de que o Universo está se expandindo mais rápido que o esperado.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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