Astronomia: O meteoro de Michigan

Salvador Nogueira

Bola de fogo no céu de Michigan, nos EUA, dá início a corrida em busca de meteoritos.

UM DIA NA VIDA
Na noite do dia 16, uma bola de fogo cruzou o céu de Michigan, nos EUA, perto de Detroit. Muitos se assustaram com o impacto, que gerou um terremoto de intensidade 2 na escala Richter. Mas foi só mais um dia na vida do Sistema Solar, e a continuação da história é uma corrida aos meteoritos.

ENCOMENDA
Pois é, rochas espaciais caídas na Terra têm alto valor científico e financeiro. É como fazer uma missão espacial de retorno de amostras, só que pela internet. Já imagino o app: iSteroids — você pede, e o espaço entrega a rocha no seu planeta. Mas aí você precisa encontrá-la.

MAPA DA MINA
A Bramon, rede brasileira de monitoramento de meteoros, fez uma análise dos vídeos de Michigan e conseguiu determinar onde poderiam ser encontrados fragmentos da rocha espacial. Antes de adentrar a atmosfera, ele teria uns 2 m e massa de mais de 500 kg. Depois do atrito e da explosão no ar, uns 100 kg devem ter chegado ao chão.

COTAÇÃO
A predição da Bramon foi mais precisa que a da Sociedade Americana de Meteoros, e não tardou para que alguns meteoritos fossem encontrados, perto da área prevista pelos brasileiros. O valor deles está cotado informalmente em algo como US$ 80 por grama. O preço cai conforme forem achados mais fragmentos, mas dá para calcular o valor total em alguns milhões de dólares, caídos literalmente do céu. Não é dinheiro de se jogar fora.

DE TODO TAMANHO
A Terra é constantemente bombardeada por rochas espaciais. Os grãozinhos menores, mais numerosos, queimam no ar e produzem as inofensivas estrelas cadentes; os bólidos de grande porte, na escala de quilômetros, são mais raros e causam extinções em escala global (dinossauros, aquele abraço!); já os de escala intermediária, com diâmetro de centímetros a metros, ficam entre grandes espetáculos visuais e catástrofes locais.

EVENTO COMUM
O de Michigan, fora o susto, foi só alegria. “Bólidos dessa magnitude não são tão raros”, explica Marcelo Zurita, um dos pesquisadores da Bramon. Ele aponta que em média acontecem uns 15 desses anualmente; o raro é acontecer em regiões povoadas, como agora.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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Comentários

  1. A SpaceX fez o primeiro “teste estático” ontem à noite, com os 27 motores do Falcon Heavy, em Cabo Canaveral, Flórida, dentro de uma plataforma experimental, para verificar o desempenho dos motores, e se tudo estiver normal, deverá ser lançado nos próximos dias.

    Recomendo ao Salvador, que o lançamento fosse transmitido ao vivo neste blog.

    Obrigado!

    https://twitter.com/_/status/956221490785026053

  2. As notícias sobre o meteorito Hipátia, encontrado no Egito, de que é diferente de tudo que já foi encontrado na Terra procedem?

    1. Essa coisa de “diferente de tudo que já foi encontrado na Terra” precisa ser colocada em contexto. Ele tem conteúdo que sugere origem extraterrestre, tem uma quantidade incomum de carbono na forma de diamante, parece ter vindo de um corpo maior e ter passado relativamente pouco tempo exposto à radiação cósmica (https://arxiv.org/ftp/arxiv/papers/1510/1510.06594.pdf). Mas não tem nada nele que não exista na Terra; é só a distribuição que é incomum.

  3. Salvador, imagino que a queda de um meteorito igual a esse de Michigan num grande centro urbano – NY ou SP, por exemplo – pode causar danos inimagináveis. Inclusive morte de pessoas. Ou estou errado?

    1. Está errado. Uma pedra dessas é pequena demais para isso. Ela se quebra, como vimos, antes de chegar ao chão. Compare com o de Chelyabinsk, que foi umas dez vezes maior.

  4. Essa cor preta dele é a original do material de que é feito ou é produto da oxidação ao entrar na atmosfera?

      1. Salva, mas neste caso a formula original que tinha quando estava no espaço não se perde na vaporização? Falo isso porque se perder, o estudo desta rocha pouco ou nada tem a ver com sua origem.

  5. Pro Universo ter tirado nota 10, poderia ter sido em Nova Iorque, mais precisamente em Manhattam, já que é a capital mundial de ataques alienígenas e de fúria da mãe natureza.:D

  6. Na legislação brasileira, de quem é o direito de propriedade sobre as rochas de um meteorito?
    Em sendo de propriedade privada, quem encontrar pode comercializar livremente?

    Além do Bendengó, no Museu Nacional, há outros fragmentos de meteorito em museus no Brasil? Quais os mais notáveis?

    Saudações.

      1. É só um palpite ainda superficial: pertence à União. Conforme artigo 20, inciso IX da Constituição Federal.

        1. Há controvérsias…

          http://www.cienciahoje.org.br/revista/materia/id/1016/n/meteoritos:_brasil_precisa_de_uma_lei

          Segundo o artigo 20, inciso IX, da nossa Constituição, no Brasil, os recursos minerais são bens da União. Mas, para os cientistas, essa norma não se aplica aos meteoritos, porque sua exploração não é viável economicamente. Consideram-se recursos minerais as jazidas de minério formadas na crosta terrestre cuja extração é, ou pode ser, técnica e economicamente rentável. Os meteoritos não se formam na crosta terrestre. Eles vêm do espaço. Logo, não são recursos minerais. Portanto, não se pode fixar o direito de propriedade sobre os meteoritos com base na lei brasileira em vigor. Imaginam-se várias formas para tentar definir o dono de um meteorito. Nenhuma tem convencido.

        2. Leonardo, com todo o respeito, este é um engano comum:

          Art. 20. São bens da União:
          IX – os recursos minerais, inclusive os do subsolo;

          Ou seja, todos os recursos minerais são bens da União, até mesmo os do subsolo. Um exemplo é a areia, que está na superfície e é bem da União. Isto é muito bem legislado.

          “Eu”, realmente é muito controverso. O artigo da Ciência Hoje é baseado em tese acadêmica de Mariani Policarpo Neves, que é muito bem escrita por sinal. Mas ainda assim é somente uma tese, que parece não ser ainda combatida por tese divergente.
          Este artigo aponta a existência da controvérsia, sugere adoção de legislação apropriada, e baseado na analogia, diz que no momento o meteorito pertence a quem o encontra. Mas afirmo que com o uso da analogia seria possível chegar a conclusão divergente.
          Não me sinto capaz de discutir um dos pilares da tese: a consequência jurídica de o meteorito não ser formado na crosta terrestre (embora a analogia pudesse fornecer subsídios para pelo menos
          duas teses jurídicas divergentes).
          Porem, com relação ao outro pilar, o autor, a meu ver, cai em contradição, pois se baseia na hipótese de a exploração não ser viável economicamente. Porem mais adiante afirma que existe valor econômico no achamento de um meteorito.
          É uma discussão interessante, mas sujeita a muitas controvérsias.

          http://www.emerj.tjrj.jus.br/paginas/trabalhos_conclusao/2semestre2014/trabalhos_22014/MarianiPolicarpoNeves.pdf

          1. Meteoritos não são recursos minerais, é controverso, mas todos os casos que eu já vi de encontrarem acima do subsolo, a união nem tchum para isso… O que acontece, é que no Brasil, as pessoas tendem a doar para instituições federais, estaduais, de pesquisa… Isso causa essa confusão… Onpovo não tem noção de quanto isso vale

    1. Maiores meteoritos encontrados no Brasil:

      1 – Santa Catharina. 7 toneladas. Santa Catarina
      2 – Bendegó. 5 toneladas. Bahia.
      3 – Campinorte. 2 toneladas. Goiás.
      4 – Santa Luzia. 2 toneladas. Goiás.
      5 – Itapuranga. 628 kg. Goiás.
      6 – Nova Petrópolis. 305 kg. Rio Grande do Sul.
      7 – Putinga. 300 kg. Rio Grande do Sul.
      8 – Sanclerlândia. 279 kg. Goiás.
      9 – Patos de Minas. 200 kg. Minas Gerais.
      10 – Porto Alegre. 200 kg. Rio Grande do Sul.

  7. Oi Salvador, considerando que o meteoro de Michigan se fragmentou ao atingir a atmosfera, por que houve um terremoto, ainda que de baixa intensidade? Pequenos fragmentos dispersos são capazes de produzir um tremor?

    1. A onda de choque ou estrondo sônico comumente chamado, atingiu a velocidade maior do que o som, e liberou uma energia provocando uma pressão nessa região a ponto de causar terremoto de magnitude 2.0.

      1. Nem mesmo o pessoal da USGS conseguiu explicar com clareza. Mas em resumo, eles disseram que isso não pode ser considerado um terremoto porque não gera ondas sísmicas. A onda de choque gerada pela “explosão” na atmosfera atinge o solo e provoca um tremor localizado, de magnitude 2.0, que pôde ser sentido em alguns sismógrafos.

        O mistério para nós foi o local divulgado como epicentro do terremoto. Longe demais da trajetória do meteoro.

  8. Salvador, no Brasil é permitido a posse e comércio de rochas espaciais ? Vida longa e próspera !

  9. É formidável vem uma rocha fresca de carbono recém caído. Até o brilho é mais característico.puxando mais para o lado preto. O Carbono quando moído bem fininho é o tempero básico de uma iguaria Italiana muito famosa mundialmente chamada Spaghetti a Carbonbara.

  10. Salvador,por que a maioria dos achados de quedas de meteoritos(e de notícias de achados)acontece no hemisfério norte do planeta?Pois sempre que se tem notícias de quedas,é sempre daquele hemisfério e pouquíssimas do hemisfério que habitamos.
    Abraços para você,Salvador!

    1. Desconfio que tem mais gente olhando lá do que aqui. Mas não é verdade que não caem aqui e que não encontramos meteoritos aqui pelo mesmíssimo método. Já aconteceu. Abraço!

  11. Desculpem a minha ignorância, mas não é perigoso entrar em contato com essas rochas que vem do espaço? Poderíamos ter um desses fragmentos contaminado por alguma bactéria alienígena?

    1. A experiência diz que o risco é zero. (Se não fosse, a Terra já estaria lascada há muito tempo. rs)

        1. Você pode concluir que se meteoritos fossem capazes de contaminar a Terra com vida extraterrestre, com certeza já teria acontecido. Sem falar que a maioria dos meteoritos são remanescentes da formação do Sistema Solar e não poderiam ter vida para começo de conversa. Você pode até imaginar, sei lá, um meteorito marciano com vida que possa chegar aqui é colonizar o planeta. Mas certamente a vida que chegar estará muito menos apta para viver aqui do que a que já está aqui. Ou seja, vai perder a competição e morrer. E o mesmo raciocínio vale para qualquer bactéria alienígena potencial: ela certamente não evoluiu para explorar o organismo humano, pois não há humanos de onde ela vem. Logo, a chance de ela ser capaz de infectar um humano é bem pequena. Então é uma composição de improbabilidades: a maioria dos meteoros nem chega ao chão; dos que chegam, a maioria sofreu um processo de esterilização na atmosfera pelo calor; dos que não foram esterilizados, a maioria vem de lugar onde a vida como conhecemos é impossível; dos que vêm de lugares onde potencial há vida, o ambiente é ainda assim muito diferente do terrestre, o que sugere que a vida recém-chegada vai perder qualquer batalha evolutiva para os terráqueos; das que por ventura sobreviverem, nenhuma evoluiu para explorar organismos como o ser humano, que não existem de onde ela vem.

          Tudo isso pode permitir dizer que, para todos os efeitos práticos, é seguro manusear meteoritos, o que é corroborado pelo fato de que ninguém teve problemas com isso até agora. (Risco maior que contaminação biológica seria contaminação por radioisótopos, caso a rocha em particular tivesse grande quantidade de elementos radioativos como urânio, por exemplo; ainda assim, seria um risco bem pequeno, a julgar pela forma como esses elementos se distribuem em rochas.)

          1. O problema aqui não é necessariamente eventuais microorganismos alienígenas, e sim as mutações que os microorganismos nativos daqui poderiam sofrer em consequência da alteração na composição química do solo ao redor da queda do meteorito. Tais mutações poderiam resultar em microorganismos altamente patogênicos, uma vez que não existiria imunidade dos outros seres vivos (entre os quais o homem) contra eles

          2. De onde você tirou essa doideira? Se eu jogar uma pedra no chão, vai nascer um X-Men ali? 😛

          3. Estou falando da composição do meteorito e das reações provocadas por ocasião de sua queda, e não de rochas locais

          4. Meteorito é feito de rocha, ou, no máximo de metal. Mas não há nada de perigoso ou reativo nele que já não exista na Terra.

          5. Salva, tem gente que acredita na história dos filmes e na “tabela periódica da Terra”, “Tabela periódica de Marte”, “Tabela periódica de Júpiter”, “Tabela periódica de Trappist-1”.

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