Caso ESO: show de ignorância política

O deputado federal Fábio Garcia, do PSB em Mato Grosso, andou fazendo marolinhas com a comunidade astronômica na semana que passou ao solicitar a retirada da pauta da Câmara da votação do Decreto Legislativo que permitiria a entrada do Brasil no ESO (Observatório Europeu do Sul), a maior organização de pesquisa astronômica do mundo.

Mais uma direto do país do Plunct-Plact-Zum.
Mais uma direto do país do Plunct-Plact-Zum.

Caso a votação saia mesmo da pauta, o acordo não pode ser aprovado pelo Congresso. Sem aprovação, não pode entrar em vigor. E o agora oposicionista Fábio Garcia faz um grande favor ao governo Dilma.

É verdade que o plano para colocar o Brasil no ESO emanou do governo federal, em 2010, no fim do segundo mandato do presidente Lula. Aliás, foi impulsionado pelo celebrado ministro da Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende — por sinal atrelado ao mesmo PSB de Garcia.

Mas na troca de Lula por Dilma, o projeto deixou de despertar interesse do Executivo. Mercadante passou pelo ministério e desprezou a iniciativa. Raupp empurrou com a barriga. Campolina fez igual. E agora duvido que a comunidade astronômica espere mais do esportista comunista Aldo Rebelo. (A propósito, você leu certo: a presidenta teve quatro ministros da Ciência e Tecnologia em quatro anos. É mais uma dica de quanto apreço ela tem pela área.)

Talvez valesse ao deputado Garcia perder quinze minutos de seu precioso tempo batendo um fone para o ex-ministro Rezende, a fim de entender o “causo”.

FACILITANDO PARA O GOVERNO
Ao retirá-lo da pauta de votações, o deputado faz um agrado involuntário à já atribulada presidenta, que pode alegar que a oposição derrubou o acordo, em vez de ter de assumir o ônus de ter literalmente dado um chapéu na organização europeia. Pois desde 2010, quando o acordo foi assinado pelo governo federal, os europeus têm concedido o uso de todas as instalações de pesquisa do ESO aos astrônomos brasileiros. Se você visitar a página do ESO na internet, a bandeirinha do Brasil está lá. Se demorarmos um pouco mais, eles vão cansar de esperar.

Já viu este filme? Eu já. Aconteceu com a Estação Espacial Internacional. O Brasil entrou no projeto. Custo: US$ 120 milhões. Tem ladrão na Petrobras devolvendo mais dinheiro que isso hoje em dia. A Nasa de pronto cumpriu a parte dela, treinando para voo nosso solitário astronauta, Marcos Pontes. Tinha bandeirinha brasileira na estação espacial também. Mas o governo gastou uma década enrolando, negociando, tergiversando e não entregou um parafuso sequer. Chegou um ponto em que os parceiros internacionais não podiam esperar mais. Contrataram as partes brasileiras nos Estados Unidos e nos mostraram a porta da rua.

A história se repete, no eterno país do futuro. Não pretendo entrar no mérito da discussão dos benefícios e malefícios da adesão do Brasil à estação espacial ou ao ESO (eu, particularmente, acho que os dois teriam sido vantajosos para nós). Questiono por que temos de ser tão irresponsáveis, assinando acordos primeiro e discutindo seu mérito só depois? Porque a cada nova gestão, o governo precisa questionar tudo que foi feito ou pautado pelos predecessores?

Quando o ESO empacou, em 2011, eu já previa que o fim seria o mesmo da estação espacial. Infelizmente, a profecia está se confirmando.

Quanto ao aparecido da vez, o deputado Fábio Garcia, veja o que ele diz em sua página no Facebook:

“Solicitamos a retirada de pauta de um acordo que o governo federal fez com a União Europeia que faria o Brasil gastar 800 milhões de reais com pesquisa astronômica. Os astros que precisam ser enxergados no Brasil é o povo brasileiro que sofre com a ausência de saúde, educação e segurança pública de qualidade! Tamojunto!”

Ignoremos por um momento o erro crasso de concordância para analisar o falso antagonismo criado pelo ilustre deputado. Ciência é inimiga da saúde, da educação e da segurança pública de qualidade?

Sem uma estrutura acadêmica de pesquisa compatível com o tamanho do Brasil, de que adiantará formar doutores às pencas num sistema educacional forte? Talvez o deputado compartilhe da opinião da presidenta, que sugeriu em um debate a uma economista pós-graduada que fizesse um curso técnico do Pronatec para conseguir recolocação profissional, neste incrível Brasil do sub-emprego pleno.

E outra: como encorajar a molecada a estudar se não há futuro na pesquisa brasileira? O ministro Sergio Rezende enxergava que a astronomia é uma das portas de entrada da criançada para o mundo da ciência, e é preciso dar algo que possa inspirá-las. Mesmo que elas acabem se tornando médicas, engenheiras e, por que não?, políticas, as novas gerações precisam saber que o Brasil dá condições para que sua população possa perseguir seus sonhos, estejam eles onde estiverem — aqui, na Lua, em Marte ou na galáxia de Andrômeda.

Eu fico intrigado em saber como o deputado Garcia pretende tirar a verba federal que seria alocada para a entrada do Brasil no ESO e aplicá-la em segurança pública, que é da esfera estadual. Ele tem um plano? E quantos meses de segurança pública ele consegue bancar com 800 milhões de reais? Ele fez a conta?

E sobre a saúde, teremos alguma chance de dar condições dignas de atendimento ao cidadão brasileiro com 800 milhões de reais? Ele sabe qual é o orçamento anual do Ministério da Saúde?

Ah, como é maravilhoso o discurso político. Um discurso para os ignorantes. Fábio Garcia, político de carreira e ex-secretário de governo da prefeitura de Cuiabá, teve pouco menos de 105 mil votos. O astronauta Marcos Pontes, em sua primeira eleição, sem nunca ter ocupado um cargo por indicação política, teve cerca de 44 mil votos — e não foi eleito. Mas em qual deles teríamos alguém mais habilitado para julgar o mérito de um projeto como esse e capitanear o processo na Câmara?

Somos o país que elegemos ser. Enquanto isso, fica o recado aos parceiros internacionais: o Brasil não é confiável. Se você for esperto, fique longe de nós. É triste, mas é a verdade.

EM TEMPO: Criaram um abaixo-assinado para ilustrar o caríssimo deputado. Se você concordar, não deixe de incluir seu nome.

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Comentários

  1. Caro Salvador,

    Assinei a petição. É evidente que concordo com os objetivos, não se tem notícia de um Congresso de perfil mais obscurantista do que o atual. Se fosse melodramático, diria que a política parlamentar brasileira caminha a passos largos para uma nova idade das trevas.
    No entanto ainda não havia lido os comentários.
    A partidarização e o senso comum, destroem a justeza da Política com P maior, que é o objetivo e o caráter desse justíssimo protesto. Este viés do blog, é que eu lamento demais, se tivesse lido antes não assinaria, mesmo concordando enfaticamente com seus objetivos.

  2. Prezado Salvador, leio sempre seus bons comentários. Você contribui muito com a Divulgação Científica no Brasil. Obrigado. Sor professor de Física e Astronomia na UFRPE. Conheço bem o Sérgio Rezende, grande pesquisador e excelente Ministro. Por favor, não permita que suas preferências eleitorais atrapalhem seus ótimos artigos sobre ciência. Continuarei a ler, sempre seus trabalhos e livros.
    Saudações educacionais.

  3. Como Presidente-fundador da Sociedade para o Progresso da Astronomia, Cidadania e Educação fomos procurados para apresentar o projeto do Observatório Planetário de Cuiabá para o então chefe de gabinete do Prefeito Mauro Mendes, Sr. Fabio Garcia.
    Era uma obra estratégica para o turismo, educação e lazer para uma das 12 cidades chaves da Copa – Cuiabá.
    Fábio Garcia nunca nos deu um retorno e demonstrou total conhecimento sobre a importância da Ciência.
    Não me espanta a atitude dele, pois é a mesma de muitos políticos que ignoram a importância da ciência para uma nação.
    Infelizmente, esse é um dos nossos deputados e que vamos aturar por 4 anos.

  4. Este senhor se elegeu com dinheiro de superfaturamento das obras da copa que a empreiteira de seu pai Roberio ganhou as licitações. A Engeglobal, empreiteira em questão, ganhou licitações para a reforma do aeroporto no valor de 80 milhões de reais, porém o aeroporto se encontra em estado calamitoso, com teto desabando sobre passageiros e diversas infiltrações e na última semana anunciou que entregará à Infraero sem devolução dos valores já recebidos (cerca de 60 milhões). Também é responsável pelo viaduto da Sefaz, ou viaduto da vergonha como ficou conhecido em Cuiabá, que custou algumas centenas de milhões e se encontra interditado por risco de desabamento graças a erros grosseiros de engenharia. O pior de tudo é que se apresentou como opção de renovação mas descende de políticos biônicos da ditadura e apresentou em sua declaração ao TRE possuir empresas off-shore em paraísos fiscais como Ilhas Cayman. Este meus senhores, é o Brasil do futuro.

    1. faltou dizer que seu pai tambem pegou de graça centenas de milhões de reais da extinta SUDAM para construir um hotel que é apenas o esqueleto que está em cuiabá na avenida principal da cidade anos é só devolver esse dinheiro publico que pegou e sumui com ele e o governo pegar esse dinheiro e colocar lá no telescópio quem sabe alguém enxerga alguma coisa com isso.

  5. Me diz uma coisa nobre jornalista, o que o Brasil ganhou com a via do Sr. Marcos ao espaço, 800 milhões nós sabemos que no Brasil se tornaria bilhões, concordo com o deputado apesar de não gostar muito dele, estou contigo deputado
    Ass. Adilson Damazio

    1. Adilson, o acordo de adesão não pode inflar porque não tem correlação com o custo de obras. E o voo do Marcos Pontes teve alguns resultados expressivos. Os experimentos foram bem. Mas o mais importante foi inspirar uma geração inteira de meninos e meninas com a ideia de que, com muito estudo, sonhos podem se tornar realidade. Difícil quantificar essa contribuição. Mas uma boa medida dela são os cursos de engenharia espacial criados no Brasil. Antes do voo do Pontes, não havia nenhum.

      1. Salvador, qual deve ser a estimativa de pessoas que tem o mesmo pensamento que o sr. Adilson? Uns 70%?

        Se tivesse um plebiscito a respeito do investimento em ciência e tecnologia (caso ESO) será que a maioria estaria ao lado do Deputado?

        Abraços.

          1. Que desânimo ler essas notícias seguidamente, dia após dia…e saber que a maioria da população segue esse raciocínio.
            A visão desse povo é tão estreita que não consegue associar ciência à melhora da vida em geral. Acha que é um gasto inútil enquanto temos problemas não resolvidos por aqui. Nada mais tacanho. Imagine o mundo sem a exploração espacial, como seria.

  6. O nobre deputado entende de aeroportos.
    E aeroportos estão relacionados com a questão da segurança.
    Deve ter pensado quantas obras de aeroportos, principalmente nas cidades do interior, daria pra começar e depois não concluir a obra.

  7. E ESSE AMEBA DESSE DEPUTADOZINHO É DO MEU QUERIDO ESTADO DE MATO GROSSO, MAS NÃO COM O MEU VOTO.
    ESSE NÃO PASSA DO ÚLTIMO LUGAR DA FILA DO BAIXÍSSIMO CLERO.

    1. Pois é também sou de Mato Grosso, Cuiabá e não acreditei quando vi o nome desse cara. Simplesmente muito decepcionado com esses políticos e com quem votam neles. Porque pretendo me tornar astrofísico (irei começar a graduação de física) e vejo que não temos espaço nesse país e o que me resta e ir para fora.

    1. isso é o que podemos chamar de a “nova escravidão” onde somos obrigados a acreditar na fé profetizada por pessoas que conseguem com muita facilidade juntar multidões que acreditam única e exclusivamente no mundo mágico de padres e pastores.

      esses canalhas atuam em toda oportunidade que têm para ferrar com a educação e sempre se obtém êxito. Eu mesmo venho de uma cidade cercada por igrejas de todo o tipo, várias religiões e credos, mas educação não é levada a sério, é creche para moleque, seja no ensino médio ou no fundamental. Depois a faculdade só se o estudante também trabalhar, daí se tinha um sonho de ter estudo de qualidade, isso fica para outra reencarnação, se alguma profecia mágica dos credos estiver certa, mas sabemos que não.

      a nossa sorte é que até agora não precisamos da tecnologia para evitar um gigante desastre, temos uma posição privilegiada no tempo em que a Terra já sofreu os mais importantes e maiores impactos de objetos vindos do espaço.

      o melhor é ver que se evitou gastos para contribuir com a saúde, a educação e o resto esqueci porque a falta de qualidade em tudo nesse país de mentira prejudicou meu raciocínio.

      1. O mais irônico é que precisamos de gente como o pessoal do SONEAR que tira dinheiro do PRÓPRIO BOLSO pra proteger nosso país de possíveis catástrofes oriundas do espaço.

        Mas não, astronomia é besteira. Vamos “investir” em tudo isso aí que ele falou, aí quando formos uma nação líder em saúde, educação e segurança pública (brinks, nunca seremos), vem um asteroide e bam!. Acaba com tudo.

        KKK

  8. Também acredito que o deputado cometeu um erro grave por ignorância. Mas não faz sentido assinar uma petição tão ignorante, também. Não é só falta de eloquência, não. Além de sermos responsáveis pelo que assinamos, afinal, qual a seriedade de um documento destes com a infinidade de petições online possíveis hoje?!
    Obrigada por escrever sobre isto e dar a visibilidade ao assunto.
    Só uma coisa, caro jornalista, porque se insiste que a Dilma respondeu à professora no então debate que fizesse Pronatec? Na ciência não podemos nos dar ao luxo de fazer comentários como estes sem veracidade comprovada. Sabemos que muitos responderiam BEM melhor do que ela, ela simplesmente respondeu, continuar, continuar, continuar estudando, especializando, dançando conforme a dança da sua área – e falou sobre “cursos do Senai” – a vida é assim pra todo mundo que quer se manter no “mercado profissional”.
    Mais uma coisa, nem uma situação nem em outra vejo problema em uma “penca de doutores” por aí nesse nosso Brasil.

    1. Eu assisti ao referido debate e fiquei furioso, na hora, com a resposta da presidenta. É um absurdo o que ela falou. Basicamente referendou a noção do pleno sub-emprego a que me refiro no texto.

  9. Ah não !! Discurso político sim. Partidário não. Como sempre blindando o psdb e atacando pt. O problema não é atacar pt mas blindar psdb – quem trabalha aqui em sp sabe o “apreço” que nosso querido governador tem pela ciência. Por favor, sou um leitor fanático da sua coluna e voce não merece escrever essa besteira. O Aldo Rebelo é péssimo e participei de tudo que apareceu de abaixo assinado para tira-lo do posto. Entretanto cita-lo como “comunista Aldo Rebelo” me faz pensar que título precede seu nome “bispo Salvador Nogueira”. Se voce não suspeita, nossos próprios colegas, cientistas, quando partem para postos de decisão são os primeiros a bloquear projetos e fazer da ciência brasileira isso que está aí.

    1. Pode criticar o governador, mas a Fapesp está bancando sozinha uma participação do GMT, telescópio de próxima geração, enquanto o governo federal patina com o ESO.

  10. Salvador, qual é a fórmula pra se criar um comportamento generalizado em uma sociedade visando à sede pelo conhecimento e curiosidade incessante, é tão difícil assim?

    A igreja pelo menos parece não ter tido dificuldade em espalhar um monte de dogmas que poluem nossas mentes até hoje, vai saber…

  11. O texto do abaixo-assinado é um desastre. Baseado em premissas falsas (de que o deputado “vetou” o projeto), extremamente mal escrito e incoerente. O pior pedaço é
    “sabemos que a ultima preocupação dos políticos é para o progresso do Brasil e dos brasileiros. ”
    Como é que se pode pedir algo para um deputado com esta afirmação? Se “sabem que os políticos não se preocupam com o progresso”, de que adianta pedir alguma coisa para eles?
    Por isso eu não assino nem divulgo esta petição.

    1. Eu entendo sua opinião e concordo que está mal redigido. Contudo, não é isso que invalida o espírito que a motiva. Assim como um voto não vale mais ou menos de acordo com a eloquência do eleitor, o abaixo-assinado não perde seu valor como manifestação de um eleitor indignado com um de seus representantes no Congresso. Qualquer mobilização imbuída de espírito cívico é válida, no meu entender.

      1. A princípio eu concordo que idéias corretas merecem apoio mesmo que a execução (o texto, no caso) não tenha sido muito boa. Mas não dá para eu assinar algo que começa com uma premissa tão errada (“Deputado Fábio Garcia veta projeto astronômico de R$ 800 milhões.”), que deixa a petição sem o propósito adequado, e depois é completamente incoerente e ofende todos os políticos, enquato lhes pede algo (“sabemos que vocês não se importam com o progresso, estamos pedindo para vocês algo relevante para o progresso”).

  12. Valeu Salvador!
    Valeu Folha!
    Petição assinada.

    Além da petição, o que é necessário para que “os representantes do povo” alcancem o entendimento da importância dos projetos para a ciência?

    Pensemos na “Janela de Overton”, que atitudes podemos ter para que o assunto que nos interessa seja debatido com mais frequência e que se torne importante até para a classe Corruptopolítica?

    Vou citar um exemplo:

    Nessas férias de fim de ano, fiz com meus filhos Andrey(14) e Rauanny(9) um mobile do sistema solar (incluindo nossa Lua, Plutão, Titâ e Europa).

    Na primeira aula de Ciências levei-o para aos colegas de sala dos meus filhos. Não só ficaram encantados e questionadores as crianças, também professores e encarregados pedagógicos por não conhecerem quase nada do que estava representado ali naquele mobile.

    Sei que fiz nascer uma curiosidade e se pelo menos uma daquelas crianças se interessar pelo tema, sentir-me-ei feliz.

    Fica a dica, faça como o Salvador. Passe à frente o que sabe.

    Recomendo paciência ao EU nessa empreitada, para que a janela não se feche.

    Ruy Ney

  13. Político quer imediatismo. Investir em educação é perigoso. Imagina só, se o povo aprende a pensar e a votar.

  14. O Brasil parece mesmo um país fadado a mediocridade. Somos governados por pessoas medíocres, com pensamentos medíocres, com discursos medíocres e conduzem a população ao destino da mediocridade. Queremos ser grandes, mas não pensamos grande e nossas ações não nos remetem no sentido da grandeza. Temos inveja das nações desenvolvidas, que só nos servem de exemplo no resultado, mas não na prática que tornaram essas nações prósperas e desenvolvidas. É aquele velho ditado que diz: “Quem nasceu para um tostão, não chega a um milhão”. Nosso pais tem a sina do um tostão.
    Nenhum país se faz grande sem cultura e educação. Não basta dar dinheiro, é preciso incentivar e despertar o interesse pelo estudo e desenvolvimento. Não adianta construir escolas se não tivermos alunos interessados em aprender. Não adianta termos a ferramenta se não soubermos utilizá-la.
    Nosso governo discursa sobre a educação, mas não a pratica nem a incentiva.
    Ilustra a contradição a que se expõe nossas ações e ambições, a ação recente do deputado federal, o Sr. Fábio Garcia, do PSB. Este solicitou a retirada da pauta de votação da Câmara do Decreto Legislativo que permitia a entrada do Brasil no ESO (Observatório Europeu do Sul), a maior organização de pesquisa astronômica do mundo. A nossa entrada, que havia sido assinada pelo próprio governo Lula, nunca foi honrada pelo seu próprio governo nem pelo governo Dilma. Se repete o erro que cometemos com a ISS, a estação espacial internacional. Nos comprometemos com a NASA a fornecer um pequenino módulo da estação espacial, ao custo de US$ 120 milhões. Teríamos acesso à estação, as instalações e a tecnologia. Simplesmente demos para trás, não honramos nossa palavra, o nosso compromisso. Perdemos não só nossa credibilidade para com outras nações, mas para nós perdemos uma imensa fonte de conhecimento e inspiração à cultura. E para que acha que 120 milhões é muito para se gastar com ciência, 10 vezes mais foi o que gastou o governo brasileiro com a refinaria de Pasadena, 7 vezes mais foram gastos no porto Mariel em Cuba, e 6 vezes mais fois gasto, acreditem se quiser, com apenas 1 estádio da copa do mundo, o Mané Garrincha em Brasília.

    1. Exatamente. Mas a atitude do “nobre” deputado não deixa de ser reflexo da população que temos. Quantas vezes você já não leu ou ouviu por ai pessoas criticando gastos com programas espaciais tanto do Brasil ou de outros paises, dizendo que seria melhor empregado em saúde e educação?!
      Temos os políticos que merecemos, pois o povo é isso… reflexo do próprio congresso que temos. Um é a cara e o focinho do outro…

  15. Fala-se em melhorar a saúde, a educação e a segurança há mais de 20 anos e olha só que grande porcaria é isso tudo até hoje.
    Trata-se, mais uma vez, de discurso inócuo de uma nova geração de vigaristas no congresso. Essa solicitação de retirada da pauta do congresso sobre a participação do Brasil no consórcio da ESO, é apenas uma maneira de trazer esse dinheiro para o lugar onde esses politicos estão acostumados a roubar… o Brasil.
    Se o dinheiro for destinado para o ESO, serão 800 milhões sem chance de ser desviados. Se ficar por aqui, para resolver o problema da segurança ou da saúde, vai parar no bolso dos correligionários desse pilantra. Simples assim!

  16. Educação, ciência tecnologia não gera votos nem lucros, parafraseando Raul Seixas ‘ah como eu queria ser burro, sofreria menos’

  17. Quero parabenizar a você Salvador pela coragem de expor sua posição em meio a essa ditadura que estamos vivendo, e tambem a Folha por deixar que você se expresse contra esse governo que está acabando com o nosso país..
    Venho de família muito humilde e por isso preciso batalhar muito todos os dias para que consiga realizar o meu sonho de ser um cientista, mas a cada dia que passa parece que tudo esta ficando mais dificil para torná lo realidade e noticias como esta, a corrupção infinita, a total desvalorização da ciencia e a valorização da ignorancia, a dificuldade de pagar o alimento de cada dia devido a estes impostos que só aumentam, me fazem refletir se devo continuar lutando pelo sonho ou se desisto visto que minhas batalhas não são apenas arrumar tempo para estudar.. Você Salvador é uma das pessoas que uso como referencial na minha vida, e hoje vendo que compartilha da mesma revolta que eu, apenas aumenta o meu respeito e admiração pelo seu trabalho e pela sua pessoa.. Desculpe me pelo desabafo rs

    Abraço …..

    1. Mateus, se você tivesse começado a tentar se tornar cientista na época do FHC, veria que não é verdade que “tudo esta ficando mais dificil”. Na época do FHC não tinha expansão das universidades federais (novas universidades e expansão das existentes), aumento do número de bolsas, criação do Ciência sem Fronteiras, enorme aumento no orçamento do Ministério da Educação, e nem a tentativa de entrar no ESO. Tudo isso aconteceu nos governos Lula e Dilma.

      1. Na época do FHC entramos no GEMINI e no SOAR! Note que por causa desses projetos que o Brasil foi convidado a pertencer ao ESO. Um passo depois do outro e o mérito da entrada do ESO vai sem dúvida para o Lula. Mas o governo da Dilma foi muito ruim para a C&T. posso estar esquecendo algo. Cite alguma iniciativa que já não estava aí.

      2. Sim isso aconteceu no governo Lula/Dilma não por causa deles mas sim por pessoas presentes no governo deles como o próprio Salvador citou no texto acima. Minha indignação não é pelo governo PT apenas, mas sim por toda essa ”palhaçada” que está acontecendo. Não podemos esquecer os petistas tiveram 12 anos para implementar muito mais coisa e no entanto usaram até máximo um programa ou outro para jogar na cara dos menos informados e com isso ganhar votos, são ótimos esses programas sem dúvida porém em 12 anos muita coisa poderia ter sido feita mas preferiram gastar com estadios. Com a minha idade eu nem sei exatamente como foi o governo FHC (Apenas o que li a respeito) mas é como eu disse O PROBLEMA NÃO É APENAS O PT MAS TODOS ESSES CANALHAS QUE ESTÃO GOVERNANDO O NOSSO PAÍS.

      1. Salvador, não seria o caso, também, das entidades científicas apresentarem um manifesto à Executiva Nacional do PSB?

  18. Saúde, educação e segurança pública são palavras da moda na política. Não se ouve um discurso sem tal referência. Quem não gosta de ouvir né? (!).
    Não me surpreende esse deputado misturar assuntos são incompatíveis, como se ele realmente tivesse um plano para economizar em uma conta pra investir na outra. Santa ignorância.

  19. Amigo Salavador,
    Boa tarde

    Onde vamos parar ?
    Estou cada vez mais assombrado…
    A impunidade e a corrupçäo prosperam em nosso país a passos largos.
    Há incentivo diário à desonestidade no Brasil.
    Que show de ignorância deste “nobre” deputado federeal que me nego seguer a escrever seu nome…
    Aqui no sul, näo é diferente…
    Falo do show….
    Tem deputada dando medalhas de honra ao mèrito para toda a sua família….
    O Governador se elegeu e apregou aos quatro ventos uma plano de austeridade….
    Que legal….
    Dias depois de eleito aumentou seu salário.
    É bem verdade também que voltou atrás….deve ter levado um monte de “mijada!..
    Eu acrdedito no Brasil.
    Somos um povo com pouco mais de 500 anos.
    Quem sabe quando tivermos uns mil ou mil e quinhentos anos possamos estar mais evoluídos em todos o sentidos.
    Até lá, façamos a nossa parte…
    Eu já assinei….

    Agora a parte saudável…
    No final de semana, como sempre faço, assisti ao teu programa na GloboNews, sobre a chegada a Plutäo da sonda americana New Horizons.
    No domingo, coincidentemente, chego na parte do teu livro “Rumo ao Infinito” em que falas do lançamento futuro desta mesma sonda ao pequeno planeta.
    Planeta ou ex-planeta, o fato é que em breve teremos notícias novas e que certamente elas häo de nos surpreender.
    Gostaria que você esclarecesse para mim duas dúvidas:
    1ª) Na reportagem de sábado, você fala sobre a sonda passar de raspäo por Jupiter e ganhar mais velocidade ou como mencionas no teu livro, um determinado planeta serviria de “estilingue gravitacional”. Técnicamente, como isso funciona ?
    Seria parecido como um carro de fórmula 1 “pegar o vàcuo” de outro que vai à sua frente para ganhar velocidade e ultrapassa-lo?
    2ª) Todas as sondas ou robôs que estäo em operaçäo por este Universo afora, säo equipados com diversos tipos equipamentos.
    Equipamentos para fotografar e enviar fotos de vários ângulos.
    Porque eles näo possuem câmeras para filmar e enviar estas imagens gravadas para o centro de operaçöes?
    Agora um pedido:
    Lendo o livro antes citado, e matérias em outras fontes, vejo que há uma infinidade de sondas e naves lançadas ao espaço desde os idos anos 60 com os mais variados objetivos.
    Já pensastes em publicar um livro ou um ” post especial ” onde possamos ver em escala gradativa o ano de lançamento de uma determinada sonda, qual o seu destino, seu objetivo, o sucesso ou näo da missäo e qual a naçäo que o fez.
    Para finalizar, quero expressar a minha alegria e contentamento com os teus livros, com o teu blog, com a tua coluna de ciências na GloboNews.
    Obrigado por compartilhar com o teu público em geral informaçöes sobre um assunto que é simplesmente maravilhoso.
    Parabéns pelo “Rumo ao Infinito”. Só o prefácio escrito pelo nosso querido Marcos Pontes, valeu cada centavo que investi nele.
    Parabéns pelo teu trabalho, pelo teu esforço e e tua dedicaçäo em nos manter sempre muito bem informados.
    Como você já disse:
    “Estamos numa época empolgante, vivemos momentos arrepiantes nesta nova etapa da exploraçäo espacial.
    A medida que o tempo passa a nossa imaginaçäo dará lugar a fatos e muitos deles seräo surpreendentes.
    Quem viver verá.”
    Mais uma vez, Obrigado.
    Saudaçöes
    Gilson Rech

    1. Gilson, não sou o Salvador mas permita-me arriscar respostas para suas dúvidas:

      Em relação à primeira, imagine a seguinte situação: do alto de um prédio bem alto você joga um objeto. A atração gravitacional da Terra vai acelerar esse objeto a uma velocidade considerável. Agora imagine que, no último instante antes do impacto no chão, a Terra de algum modo “some” ou sai da frente do objeto em queda, o que acontece? O objeto vai continuar viajando pelo espaço na velocidade em que ele vinha caindo, muito maior que a v=0 que ele tinha quando você o soltou do alto do prédio.

      Com as sondas aceleradas pelo estilingue gravitacional acontece algo parecido, elas vêm “caindo” em direção ao planeta que dará a estilingada, acelerando constantemente graças à gravidade, só que ao invés de colidir com o planeta, elas passam de raspão e, sob o efeito combinado da gravidade do planeta e da velocidade orbital deste em torno do Sol, têm sua trajetória curvada e, se a velocidade em que viajam for maior que a velocidade de escape do planeta em questão, são lançadas ao espaço numa direção diferente da que vinham viajando e com uma velocidade muito maior.

      No vídeo abaixo você pode ver o estilingue gravitacional que a sonda Juno recebeu da Terra dois anos após ter sido lançada, a fim de chegar a Júpiter:

      https://www.youtube.com/watch?v=sYp5p2oL51g

      Curiosidade: essa “energia extra” que as sondas recebem para viajar mais rápido não vem do nada: o planeta envolvido na estilingada “doa” um pouco da sua velocidade orbital à sonda, de modo que ao fim da manobra a sonda está viajando mais rápido mas o planeta está viajando mais devagar! Como a massa do planeta é absurdamente maior que a da sonda, o efeito sobre o planeta é desprezível, porém não é nulo.

      Sobre a segunda dúvida, a instalação de filmadoras em sondas espaciais não faz muito sentido por algumas razões. Uma delas é que, considerando as escalas envolvidas, as coisas pareceriam se mover MUITO devagar, a ponto de um vídeo não parecer diferente se uma série de fotos exibidas em sequência bem lenta. Alíás, os vídeos que você vê de sondas espaciais, como a da Rosetta orbitando o cometa 67P são exatamente isso, uma série de fotos editadas em forma de vídeo. Como exemplo, veja essa animação de 45 minutos de como seria o ponto de vista de um fóton viajando à velocidade da luz entre o Sol e Júpiter:

      https://vimeo.com/117815404

      Claro que a animação desconsidera uma série de efeitos relativísticos, mas perceba como mesmo viajando à velocidade da luz o Sol parece se afastar bem devagar.

      Outra razão é bem conhecida de nós pobres usuários de Internet no Brasil: largura de banda. Como a intensidade do sinal emitido pelas sondas, que já é bem fraquinho, cai na proporção do quadrado do aumento da distância até a Terra, a velocidade do download dos dados de uma sonda espacial é terrivelmente lenta, a ponto de fazer Net/Oi/Telefônica parecerem aviões supersônicos. Por isso a transmissão de vídeos é inviável.

      Curiosidade: a Voyager 1, o objeto feito pelo homem que está mais distante da Terra (já saiu do sistema solar), tem um transmissor de 23 watts, equivalente à potência da lâmpada da sua geladeira. Imagine enxergar a luz dessa lâmpada a mais de onze bilhões de quilômetros de distância. A intensidade do sinal que ainda é captado aqui na Terra é da ordem de 10 elevado a menos 16 watts (10^16 W). Um relógio de pulso digital trabalha numa potência 20 bilhões de vezes maior que isso.

        1. Ricardo,
          Boa noite
          Primeiramente quero pedir desculpas pela demora no retorno. Estive ausente por uns dias, pois passei por uma pequena intervençäo cirurgica.
          Agora prontamente restabelecido, quero agradecer a iniciativa em esclarecer minhas dúvidas.
          Se você näo tivesse se identificado eu diria que o “metre” Salvador tinha usado um pseudônimo para dar as respostas.
          Obrigado mais uma vez por sua iniciativa e parabéns pela clareza da sua resposta.
          Com certeza ela agradou o “mestre” Salvador.
          Abraços
          Saudaçöes
          Gilson Rech

  20. Esse dep. federal Fabio Garcia não merece nenhum comentário. É pq não tem jeito de ele levar nenhuma propina no negócio que ele foi contra. Fala pra ele mandar o pai dele que é dono da construtora Engeglobal devolver todo o dinheiro desviado das obras de Cuiaba (reforma do aeroporto, COTUFMT, etc… Esses políticos são todos ladrões, não sobra um.

    1. Ai xomano vc sabe das coisas.o boyzinho ai em questão se acha a ultima bolacha do pacote,bobó cheira-cheira.

  21. Nada haver com a notícia. Ela é ótima. Mas quero crer que usar o termo “presidenta” aqui, foi por mero deboche. Pois acho que toda imprensa deveria usar o termo correto que é presidente fulana e não essa invenção medíocre que ela inventou.

    1. Eu também achava isso. Mas descobri que a língua portuguesa aceita o “presidenta”. Se ela assim prefere, por que não?

      1. Salvador,

        Ela faz essa palhaçada com a ciência e com o Brasil e você ainda a chama de “presidenta” porque ela… “prefere assim”?

        Chamar essazinha de presidentA faz parte das exigências da Folha/UOL para admitir seus colunistas?

        1. Não, o respeito ao cargo que ela ocupa somado às idiossincrasias da língua portuguesa me fizeram chamá-la de presidenta.

      2. Salvador… Eu creio que nossa lingua não aceita este uso da palavra “presidanta”, ok, (não pude perder a oportunidade de dar uma palpitada kkk), más falando sério, eu assisti à uma explicação de uma mestra em português, e ela provou que o termo correto é somente “presidente” e para esta palavra não existe o feminino, pois ela é uma palavra neutra, e serve à ambos os sexos, e deve ser acompanhada do adjetivo “a” para o feminino, ou “o” para o masculino…

  22. Salvador,
    é realmente lastimável essa conduta. Infelizmente, ela só possível justamente pela falta de educação e ensino do eleitorado. Que acabam eventualmente elegendo esses oportunistas.

    O astrofísico Neil Degrasse Tyson disse que o budget da Nasa é aproximadamente meio centavo no dólar do contribuinte. Acredito que era aproximadamente isso. Você tem uma ideia de quanto seria aqui no Brasil, Salvador?

    By the way, comprei seu livro,e espero chegar a tempo para passar este Carnaval de uma forma um pouco mais culta.

    Abraços,

    1. Rodrigo, o custo do programa espacial brasileiro é de cerca de R$ 500 milhões anuais. Como a arrecadação anual já ultrapassou R$ 1,5 trilhão, o que significa que, a cada real pago pelo contribuinte, R$ 0,0003 vão para o programa espacial. Abraço!

  23. VERGONHA! É molecagem do mesmo nível da que o Lula fez com o Marcos Pontes, e depois pagou 20 milhões para ele ir de turista! Vou assinar o abaixo-assinado!

    Salvador, por favor, não seja mais um puxa-saco da presidANTA. Chame-a conforme o bom português manda, de presidentE. Apesar de estar correto o termo que ela MANDOU tomo mundo usar, ele sai do normal e só os petistas e achegados num bom cargo público o usam. 🙁

    1. Não usava, até descobrir que o português de fato admite. Se admite, e ela prefere assim, não vejo problema em não usar. O que, é claro, não representa endosso a esse governo.

  24. Concordo plenamente com o deputado Fábio Garcia. Chega de gastar dinheiro para financiar a pesquisa em outros países. Já tive a oportunidade de expressar essa opinião aqui neste blog e fico feliz que alguém no Congresso tenha abraçado esse ponto de vista. Não há dúvida que o deputado representa a voz da esmagadora maioria população brasileira que quer qualidade de vida, respeito ao trabalhador, bons hospitais, boas escolas, boa segurança pública e um país sem corrupção. TAMOJUNTO!

    1. Zeno, quem não quer tudo isso? Tenho certeza que não é a esmagadora maioria. É a TOTALIDADE da população.
      O que você e o caro deputado não percebem é que o caminho para tudo isso passa por ciência, tecnologia e inovação. Sem elas, nunca teremos desenvolvimento. Sempre seremos exportadores de commodities, vendendo toneladas de soja pra comprar gramas de microchips, e nossos hospitais, nossas escolas e nossa segurança pública nunca serão boas. E com um povo ignorante, a corrupção nunca terá fim. INFELIZMENTE, TAMOJUNTO TODOS NO MESMO BARCO.

      1. Se eu não estiver enganada este tão “Zeno” é ou foi prefeito de uma cidade de Mato Grosso…tá aí a tal simpatia pelo deputado.

    2. “…maioria população brasileira que quer qualidade de vida, respeito ao trabalhador, bons hospitais, boas escolas, boa segurança pública e um país sem corrupção.”

      A totalidade quer, mas a maioria nem sabe como conseguir isso.

      (com tristeza) TAMOJUNTO!

    3. Em primeiro lugar, é desonesto cortar parte da frase que escrevi e tirar-lhe o sentido. É óbvio que toda a população quer progresso social. Mas o que eu escrevi foi que a proposta do deputado representa a voz da população, ou seja, deve-se gastar apenas no que for necessário para o nosso bem estar. Se alguém quiser pesquisar galáxias distantes milhares de anos-luz da Terra, que o faça com seus próprios recursos. Além disso, ninguém se colocou contra a pesquisa e a inovação. Onde está escrito isso? O que se deseja é investimento pesado em áreas do conhecimento que efetivamente tragam benefício reais para o povo. Ficar brincando de cosmólogo com o dinheiro alheio é inaceitável.

  25. 800 milhões dá R$ 4 por brasileiro, é uma mixaria… dá tranquilo pra investir nisso. Mas 800 milhões na mão de políticos, já sabemos (ou não) o destino…

    Já votei no abaixo assinado.

    1. Detalhe: o gasto é por 10 anos. Então, seguindo a sua conta, seria R$ 0,40 por brasileiro por ano. 😉

      1. Detalhe interessante é que estes R$ 0,40 representam 8 moedas de 5 centavos cada. E é notório que quase todos perdem alguma moeda por mês, não necessariamente do valor citado. Quantia realmente menor do que uma mixaria…

  26. Eis-me de novo, e com um assunto que nada tem a ver com o publicado. Mas li vários comentários e vejo que a revolta e desânimo são grandes. Imagine um pais que, provavelmente, tem o melhor local do planeta para base de lançamentos de foguetes, a Barreira do Inferno. Pertinho dda linha do equador, céu sempre aberto e vento sempre amenos, e com vasta frente para um oceano aberto e limpo de obstáculos de qualquer natureza… e nem conseguimos lançar um foguete decente mesmo com a ajuda da Ucrânia? Melhor seria alugar para a SpaceX, que, por sinal, vai indo muito bem e seria um dinheirinho a mais para o Brasil. Só espero que, se vir, não seja mal aplicado…. E uma parente minha garantiu que a Dilma é uma excelente técnica, quando ela apoiava para as eleições de 2010… Duvidei. E o resultado está para todos verem. Brasil é um país não sério, assim disse um diplomata nosso que estava na França, na década de 60!!! Imagine agora?!…

  27. O valor destinado a ESO corresponde à 8% do que roubaram da Petrobras no maior esquema de corrupção da história da humanidade.

    1. Compartilho da revolta do Salvador e de muitos outros comentaristas aqui, mas acho que esse superlativo (“maior da história da humanidade”) não cabe aqui. Sem me esforçar muito já lembro da esbórnia de corrupção que foi a queda da URSS, com toda certeza movimentaram muito mais que múltiplas Petrobrases (ai!) inteiras.

  28. É um absurdo, mas o que se esperava, pelo histórico dos governos anteriores? Nem temos um foguete decente capaz de laçar um mísero chip de 1 grama ao espaço há tempos, não obstante o longíssimo “desenvolvimento”. Como afirmei antes, é muito melhor esperar o elevador espacial ficar pronto – então poderemos mandar nossos melhores astrônomos amadores com um telescópio subirem lá em cima… (com passe livre ou não). Mesmo porque os nossos melhores profissionais em astronomia e astronáutica, sem mencionar outras áreas, estão no EXTERIOR e vivendo bem e sendo muito elogiados, enquanto nossos amados e competentes políticos sempre acham uma maneira cada mais original de levar o país ao buraco, cada vez mais fundo!…

  29. olha… o brazil ja era!

    p.s. lembrei da tal “lei rouanet”… q serve para incentivar a cultura… porem… da milhoes pra ivete sangalo e NADA pros grupos alternativos…
    lamentavel!

  30. Salvador, por que esse acordo tramitando na câmara? Como assinam um acordo, se ainda precisa de votação? Esse valor não deveria ser incluído no orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia, atualmente em 6,9 bilhões?

    1. Anderson, o acordo foi assinado pelo Executivo em 2010, mas, pelo montante, a legislação obriga a ratificação pelo Congresso. E nesse pé estamos desde então. Não caiu bem com a gestão Dilma que ele tenha sido assinado pelo Sergio Rezende no dia 27 de dezembro de 2010. Acharam que seria de bom tom ter deixado para a próxima gestão resolver, e desde então desprezam a iniciativa. Coisas de Brasil.

      1. Assinado e publicado no meu perfil, pedindo apoio de meus amigos!
        Mas que mente medíocre desse deputado!

  31. Temos milhares de excelentes profissionais formados em nosso país nas diversas áreas da Ciência e tão poucos políticos competentes pra administrar o nosso Governo. 🙁
    Cadê nosso Ministro de Ciência Tecnologia e Inovação??? Ah é… Me esqueci… é o Sr. Aldo Rebelo. Melhor nem deixar ele se envolver nesse assunto… Senão esse acordo não vai acontecer mesmo. :/

  32. Temos milhares de excelentes profissionais formados em nosso país nas diversas áreas da Ciência e tão poucos políticos competentes pra administrar o nosso Governo.
    Cadê nosso Ministro de Ciência Tecnologia e Inovação??? Ah é… Me esqueci… é o Sr. Aldo Rebelo.   Melhor nem deixar ele se envolver nesse assunto… Senão esse acordo não vai acontecer mesmo. :/

  33. Caro, sou astrônoma defensora da adesão ao ESO. Dito isso, seu texto se equivoca na interpretação dos posicionamentos políticos. Para começar, o deputado Fábio Garcia não retirou de pauta, apenas requereu a retirada, falando para ninguém, depois do encerramento da sessão. Se o governo de fato quisesse a não aprovação, seria mais fácil deixar votar e perder. Pela primeira vez, os gastos da adesão entraram no orçamento, então não me venha falar que o governo Dilma é contra. Sugiro a leitura da transcrição da sessão da câmara em que o governo se declara abertamente favorável e diz que faz questão de que o projeto continue na pauta.

    1. Se o governo Dilma fosse favorável, não acha que teria dado tempo de empurrar o projeto nos quatro anos que passaram? Eu ouvi do ministro Raupp, em reunião na SBPC em São Paulo, que o Ministério nem trabalhava com o projeto por não ter verba alocada. E você, como astrônoma, deve saber que o lobby dos astrônomos na Câmara tem sido intenso, para ver se consegue mover peças que insistem em não se mover.

      Claro que, oficialmente, Dilma é a favor. Na campanha, consultado pelo blog, o comitê dela disse o seguinte: “A adesão do Brasil ao ESO é uma grande expectativa dos astrônomos brasileiros e recebe todo o nosso apoio. O grande esforço que temos feito neste momento está na revisão dos recursos envolvidos para esta adesão. O MCTI tem insistido com a Administração do ESO uma redução tanto da taxa de entrada como da contribuição anual a ser paga pelo Brasil.”

      Mostra a “qualificação” do apoio. Se o preço cair, talvez o governo se anime. E isso é o que se disse na campanha. Calcule a realidade. Os últimos quatro anos ajudam.

      1. Oi Salvador,

        Eu também acho que o governo errou no tempo em que o projeto ficou preso. Sabemos que teve movimentação de ambos os lados, tanto pró-ESO como contrário ao ESO.

        Mas não acho correto você afirmar que o governo comemorou a saída de pauta. O projeto ainda está na pauta e o governo se posicionou claramente pelo projeto. Você diz que a demora no trâmite do processo é um indicativo de que o governo é contra. Mas então por que se esforçar tanto para por o projeto na pauta? Isso não seria indicativo que o governo seria a favor?

        De qualquer modo, o governo não esconde que deseja renegociar o preço, mas não concordo com a sua opinião sobre o posição do PT, e que por muitas vezes se confunde com a noticia.

        De qualquer forma, estamos todo torcendo pelo fim da novela. E todos concordamos com a demagogia do deputado do PSB, que acho que irritou a todos, tanto os pró-ESO quanto os ani-ESO. O comentário foi um desrespeito com a carreira de pesquisador como um todo.

      2. Novamente eu sugiro a leitura da transcrição. O governo não faz mais que sua obrigação em negociar o preço. Tem mesmo que fazê-lo e a resposta dada por ele, da qual eu já estava a par desde sua publicação, de forma nenhuma interpreto como você o faz e não acho que exista qualquer motivo para fazê-lo. Você no máximo poderia acusar o governo de não dar a importância necessária ao projeto e fazer suficiente pressão, o que é muito diferente de secretamente festejar a retirada de pauta (imaginária) como você diz. No último ano, o projeto esteve rodando por comissões na câmara até finalmente empacar na de finanças. Antes disso, foi transformado em projeto de decreto legislativo em regime de urgência de 2013. Antes disso, acho que é até possível reclamar do ministério não ter acelerado os procedimentos, mas para tanto seria bom arranjar mais informações sobre a situação de então para fazer afirmações graves. E não se esqueça que o lobby em contrário por parte de uma minoria de astrônomos, também foi e ainda é forte.

        1. Que tal negociar o preço ANTES de assinar? Ou você faz assim no mercado: primeiro faz a compra, depois passa tudo no caixa e na hora que o funcionário pergunta se é crédito ou débito você tenta negociar o preço, levando o produto mesmo assim? (Lembre-se que os astrônomos brasileiros já estão usufruindo do acordo…)

          E na sua defesa do governo, faltou explicar como trocar quatro vezes de ministro em quatro anos é priorizar a ciência e a tecnologia.

          1. A negociação está acontecendo justamente porque o acordo ainda não foi aprovado no congresso. O que foi assinado não foi um compromisso fechado – se fosse, não haveria necessidade de votação no congresso, ele já estaria em vigor e os pagamentos estariam sendo feitos. Todo mundo sabia, desde o início, que o acordo dependia da aprovação do congresso. Como é que as pessoas negociando com o ESO iriam magicamente saber que valor o congresso iria aprovar no futuro? Isso acontece em toda democracia. A negociação do preço pode, inclusive ter se originado para adequar o projeto às demandas levantadas nas comissões da Câmara.
            Isso acontece com qualquer decisão que depende da Câmara, inclusive todo o orçamento federal. Faz-se uma proposta inicial, mas ela pode – e deve – ser mudada de acordo com as necessidades, novos fatos, e novas informações.
            O uso atual do ESO pelos astrônomos do Brasil foi só uma cortesia do ESO, provavelmente em parte para ajudar a convencer os contrários à proposta.
            Eu sou astrônomo, vejo a importância e concordo com a adesão ao ESO, e concordo que o argumento do Fábio Garcia é completamente sem sentido. Também concordo que tem demorado muito para o processo andar. Mas isso não signfica que o governo não esteja tentando aprovar. Sempre há grandes dificuldades em conseguir aprovação de quase qualquer coisa, principalmente de compromissos de longo prazo e orçamento elevado.

  34. “Solicitamos a retirada de pauta de um acordo que o governo federal fez com a União Europeia que faria o Brasil gastar 800 milhões de reais com pesquisa astronômica. Os astros que precisam ser enxergados no Brasil é o povo brasileiro que sofre com a ausência de saúde, educação e segurança pública de qualidade! Tamojunto!”

    Sabe o que é o pior? (quero dizer, vc sabe. Foi uma pergunta retórica). Que esse dinheiro NÃO VAI para a saúde, educação e segurança pública de qualidade. É o que eu sempre digo, sobre esses zé-povezas que não manjam lhufas sobre economia e/ou ciência: Se não investirem essa grana, ela vai desaparecer. Além de ainda termos saúde lixo, educação lixo e segurança pública lixo, NÃO teremos pesquisa e desenvolvimento em ciência.

    Se eu estiver errado, que atirem a primeira pedra.

    1. E sabe o que é o pior que o pior? Mesmo quando eles investem em ciência e tecnologia, nem sempre a ciência e a tecnologia acontecem, por razões, claro, misteriosas. (Alguém aí já viu um Cyclone-4, que ia voar pela primeira vez em 2006?)

  35. Este deputado imbecil é da mesma laia de ignorantes que acham que investir em ciências é jogar dinheiro fora. No caso, para ele deve ser mesmo! Seriam R$ 800 mi que ele não poderia “botar a mão”.
    Brasil, vamos acordar! Na hora de votar, não nos sujeitemos a bandidos que falam bonito no horário político. Votemos em quem queira mudar todo o sistema político brasileiro, de modo a obrigar os atuais gestores públicos a honrarem os compromissos anteriormente assumidos (só pra falar de um aspecto e não me demorar no assunto).
    Mas em resumo: vamos criar vergonha na cara!

    Salvador, compartilho de sua indignação!
    abs,

    1. Salva, aproveitando o grande Cássio por aqui, não custa perguntar…. Quanto a imprensa consegue apertar o governo sobre isso? Será que com uma divulgação forte conseguiríamos forçar os senhores deputados a aprovar a dita cuja participação? Tá ficando cada vez mais ridículo isso…

  36. Perfeito, Salvador. nâo há mais o que dizer. Mas vou – foi no estado do nobre deputado ou no seu vizinho homônomo que foi interrompida a construção de um trem urbano que, sem estar pronto, já ficou mais caro que a entrada do brasil no ESO? E era de imensa utilidade para uma tal copa do mundo que ficou… Ah! deixa para lá. Que país o nosso! Que nulidades são nossos “representantes “!

    1. É do mesmíssimo Estado (MT) e já estão investigando o superfaturamento da obra em Cuiabá, cujo custo é de mais de um BILHÃO de reais e está longe de ficar pronta…para a Copa.

      1. Obrigado Radoico, tinha acabado de verificar isso. Ia até comentar e vi que você já tinha dito. não é mesmo muita cara de pau do nobre deputado de um estado que jogou na latrina mais que o acordo do ESO a ser pago em 10 anos? Mas afinal são os mesmos eleitores que votam no governador e nos deputados. Sem preconceito contra o MT, porque acho apenas casual que o nobre deputado seja de lá.

        1. Tremenda cara de pau, Carlos! acho que quem produz óleo de peroba deve estar riquíssimo, deve vender horrores!

  37. Beleza Salvador e parodiando o excelente português do deputado: Tamojunto!

    Ele mexeu com um vespeiro para fazer demagogia. Vai se dar mal. Agora estamos com a faca nos dentes para resolver este assunto. Aguarde !

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