A primeira medida espectral do anti-hidrogênio

Salvador Nogueira

Pela primeira vez, um grupo internacional de cientistas conseguiu fazer uma medição do espectro — a “assinatura de luz” — de um átomo de anti-hidrogênio.

O resultado, que tem participação brasileira, acaba de ser publicado no periódico “Nature” e abre um novo caminho para investigar um dos maiores mistérios do cosmos: por que ele é feito todo de matéria, e não de antimatéria.

O experimento Alpha, instalado no Cern, o centro europeu de física de partículas, se especializou em fabricar e aprisionar átomos de anti-hidrogênio, uma versão “espelhada” do clássico átomo de hidrogênio.

Estamos falando do átomo mais simples que existe, composto por apenas um próton e um elétron. Em sua versão de antimatéria, é um antipróton (que, ao contrário do próton, tem carga negativa) rodeado por um antielétron (também chamado de pósitron, com carga positiva).

Originalmente uma previsão teórica, as antipartículas se mostraram realidade nos experimentos de aceleradores de partículas. Mas uma coisa é criá-las, e outra muito mais difícil é aprisoná-las. Como elas têm carga elétrica invertida, quando matéria e antimatéria entram em contato, o que temos é um “cabum” — aniquilação completa de ambas, com conversão total em energia.

Por isso, o único modo de capturar antimatéria quando todos os seus equipamentos são feitos de matéria é com campos de força — no caso, o Alpha usa poderosos campos magnéticos para manter os anti-átomos presos, sem jamais tocar as paredes do experimento. Torna-se possível, portanto, investigar em detalhes o comportamento dessas antipartículas — e, com isso, explicar a própria natureza do Universo.

O MISTÉRIO DO BIG BANG
Já temos uma boa noção de como o Universo evoluiu nos últimos 13,8 bilhões de anos, mas um dos enigmas remanescentes é o porquê de ele ser feito todo de matéria. O processo de expansão e resfriamento cósmicos que sucedeu o chamado Big Bang explica como apareceram as partículas elementares, mas com um detalhe tortuoso: se matéria e antimatéria fossem exatamente iguais, salvo pelo espelhamento, deveriam ter sido fabricadas em quantidades exatamente iguais.

Ora, se esse foi o caso, ambas teriam se aniquilado ali mesmo e acabaríamos com um Universo feito puramente por um mar sem graça de fótons — as partículas de energia resultantes da aniquilação total. Mas não foi esse o caso; acabamos com um Universo rico em partículas, todas elas de matéria, e nada de antimatéria.

Ou seja, em algum lugar lá nas profundezas das últimas casas decimais, matéria e antimatéria devem ter um comportamento diferente. E isso deve explicar o porquê de um excesso na produção de matéria que, por sua vez, esclareça a composição final do Universo.

A dureza é que a teoria (mais especificamente o Modelo Padrão) diz que matéria e antimatéria deveriam ser rigorosamente idênticas, salvo pelo espelhamento de carga. Ou seja, em algum momento deve haver uma violação da predição teórica que explique a nossa existência. Os físicos chamam esse ponto de quebra de “violação de CPT”, uma sigla para (conjugação de) Carga, (reversão de) Paridade e (reversão de) Tempo. Até hoje, já foi observada uma pequena violação de CP, o que já sugeriria um excesso de matéria. Mas insuficiente para explicar o cosmos observado.

Em essência, esse estudo da antimatéria está atrás de evidências experimentais dessa violação mais abrangente, de CPT.

OS RESULTADOS
Graças a uma atualização do experimento Alpha, rebatizado Alpha-2, os cientistas não só conseguiram produzir e capturar de forma estável átomos de anti-hidrogênio, como também conseguiram excitá-los com laser, e assim obter uma assinatura espectral de um estado excitado do anti-hidrogênio.

A teoria predizia que essa assinatura seria exatamente igual à do hidrogênio. E a medição obtida foi… exatamente igual, até a décima casa decimal. Modelo Padrão 1, experimento 0. Até agora, nenhuma pista de diferenças entre matéria e antimatéria. Mas os pesquisadores já têm um plano para virar o jogo e matar essa charada.

“Agora é refinar as medidas a partir deste ano que vem, já em busca de uma possível violação de CPT”, explica Claudio Lenz Cesar, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos co-autores do trabalho.

Claudio Lenz Cesar (à esquerda) recebe a visita de Roberto Moreno no Alpha, no Cern, em outubro (Crédito: Alpha-Brazil)
Claudio Lenz Cesar (à esquerda) recebe a visita de Moreno Veloso no Alpha, no Cern, em outubro (Crédito: Alpha-Brazil)

“Os caminhos são imediatos, pois deparamos com um monte de problemas — alguns inusitados — e aprendemos ao longo dessa rodada de 2016 a lidar com eles — esses resultados foram obtidos no final da rodada de 2016. Obviamente, algumas poucas mudanças virão no equipamento. Mas, só em ter tempo para repetir a medida em diferentes frequências — mesmo que não façamos nada de excepcionalmente novo — será suficiente para termos um espectro e assim conseguir uma precisão de partes em 1012 [décima-segunda casa decimal] — e isso já é terreno totalmente inexplorado. A partir daí, chegar a partes de 1013 é um pequeno passo, enquanto com partes em 1014 e 1015 começa a ficar mais envolvente, pois há que se trocar certas tecnologias.”

O limite de precisão do espectro do nosso hidrogênio, feito de matéria, é de 1015, então, ainda há um vasto terreno a ser coberto.

E se, ao chegarmos lá, ambos continuarem rigorosamente idênticos? E se a teoria ganhar de goleada e realmente não houver violação de CPT? “Não se tem a menor ideia”, admite Cesar. “Tudo até hoje respeita essa simetria. Mas, quando se adentra um nível de precisão ainda inexplorado, as surpresas podem aparecer. Foi assim antes, com o hidrogênio, mas não sabemos se esse ‘padrão’ vai se repetir com o anti-hidrogênio. Mas, se a CPT estiver OK, continuaremos sem explicação para nossa observação de que o Universo é composto só de matéria primordial, e não de antimatéria!”

Há, contudo, possibilidades que contornam a violação de CPT. “Outra opção seria uma violação de CP muito maior do que a já encontrada”, diz o pesquisador brasileiro. “Isso é procurado em outros experimentos do Cern. E, finalmente, uma terceira opção, mais complicada ainda, seria a existência de gravidade modificada para antimatéria, violando o princípio de equivalência de Einstein. O experimento Alpha vai se debruçar sobre a ação da gravidade sobre antimatéria no futuro próximo.”

E a empolgação da ciência é justamente essa. A cada experimento, melhoramos nossa compreensão do cosmos. Triste será o dia em que esgotaremos todos os mistérios. A boa notícia é que temos razões para apostar que esse dia nunca chegará. Cada nova resposta abre toneladas de perguntas. E assim seguimos na desafiadora aventura do conhecimento.

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Comentários

  1. Salvador,
    Se a antimateria é algo como o espelhamento da materia, poderiamos colocar espelhos no Senado Federal e na Camara, assim os nobres senadores e deputados poderiam se aniquilar,
    Seria a utilização perfeita da antimatéria.

    Sorry.

  2. Salvador; vou nem falar da teoria duo(2) base 6 , por causa da censura!!
    ninguém gosta de censura!!

    1. Bertinho, um grande abraço. Não fique bravo com os puxões de orelha.
      Felicidades, muita Paz.
      E cuidado com nibiru na esquina. hercólubus em Peixes, nemêsys dentro do aquário e muitos olhos eclodindo em marte.

  3. Salvador, ninguém consegue assistir uma colisão de galáxia. Só conseguimos presumir. veja um excerto de texto produzido por Anna Adami: http://www.infoescola.com/astronomia/colisao-de-galaxias/

    “Um dos fenômenos mais aclamados e esperado por estudiosos, cientistas e entusiastas do assunto, é a Colisão de Galáxias, que acontece no Universo com uma frequência maior que podemos imaginar. Devido a enorme dimensão do Cosmo o tempo de duração de uma colisão pode durar mais de um milhão a bilhões de anos”…

    1. A gente assiste a uma colisão de galáxia sim. Claro, o evento dura milhões, às vezes bilhões de anos. Mas se eu ligo a TV no meio do jogo e vejo que está passando, não preciso ter assistido do começo até o fim para dizer que testemunhei o jogo. 😉

  4. Pra mim o mais difícil de compreender continua sendo como que matéria e antimatéria são geradas “do nada”. O nada produz? Então o nada não é tão nada assim?

    Não que eu esteja questionando que isso aconteça. Inclusive já li sobre situações em que essa geração espontânea ocorra próxima ao horizonte de eventos de um Buraco Negro, e que eventualmente uma das partículas é presa pelo buraco e a outra (matéria ou antimatéria) acabe escapando, evitando a mútua aniquilação.

    Questiono é como (e quiçá por que) isso aconteça. Como que algo sai do nada. E esse algo gera energia, logo, é uma energia que surge do “nada”, literalmente. Ainda não compreendi bem isso….

  5. Átomo de Anti-Uranio238.
    É uma pena que este anti-átomo é teórico e não se encontra na natureza; só em laboratório. Quero ver eles fabricarem um anti-átomo de Uranio238 ou ainda de Plutônio

  6. 1. E se…..

    E se matéria e antimatéria existirem em quantidades iguais no Universo?

    Quem garante que galáxias distantes, completamente isoladas de outras, não sejam feitas de antimatéria, tornando semelhante a quantidade de matéria e antimatéria no Universo?

    2. No encontro de matéria e antimatéria ambas se anulam, liberando energia. Ok. A pergunta é: Por quê isso acontece? O que gera a aniquilação mútua?

    1. Alguém já descreveu a aniquilação como um abraço mortal. É isso. Próton e antipróton querem se abraçar, e a junção de ambos leva a uma explosão de energia pura.
      Sobre galáxias de antimatéria, veríamos eventos de aniquilação — não existe galáxias “completamente isoladas”. Mesmo a Via Láctea está cheia de vizinhas. A chuva de raios cósmicos seria outra se houvesse aniquilações maciças de antimatéria no Universo…

      1. Salva…
        Por mais que sejamos vizinhos, alguns milhões de anos luz de separação não seriam suficientes para manter intacta duas galaxias, uma de matéria e outra de anti-matéria?

        1. Afrânio, não se esqueça de que galáxias estão colidindo o tempo todo no Universo. Já vimos incontáveis colisões de galáxias, mas nenhuma que indicasse composição anômala entre uma e outra. Sem falar que mesmo colisões de objetos menores deviam produzir sinais de raios gama que pudéssemos detectar — a assinatura da aniquilação de matéria com antimatéria simplesmente não aparece na chuva de raios cósmicos.

      2. Salvador, talvez meus conceitos estejam ultrapassados, mas lembro da existência de “grupos de galáxias”, com dezenas (ou centenas) de galáxias com laços gravitacionais entre si (no nosso “grupo local”, as maiores seriam Via Láctea e Andrômeda), de tal forma que, em princípio, os grupos se afastam entre si, mas, dentro de cada grupo, esperava-se uma tendência de aproximação entre as galáxias que o compõem (como Via Láctea e Andrômeda devem se encontrar em alguns bilhões de anos).
        Se esse conceito ainda for válido (acho que ele é anterior à descoberta da aceleração da expansão do Universo – e da energia escura), me parece claro que todas as galáxias de um mesmo grupo devam ser do mesmo tipo de matéria.
        Mas, e entre grupos distintos? As distâncias envolvidas devem ser enormes, e a densidade de matéria “no meio do caminho”, extremamente baixa. Neste cenário, imagino que, na “fronteira” entre um grupo de galáxias formado por matéria e um hipotético “grupo de antimatéria”, realmente haveria eventos de aniquilação. Mas talvez sejam tão esparsos, envolvendo quantidades tão ínfimas de cada vez, que a gente simplesmente não os consiga detectar (ainda)… Mesmo assim, poderiam contribuir para a energia escura que acelera a expansão do Universo (nesse caso, ajudando a afastar o grupo do “antigrupo”).

        1. Experimentos em física de partículas (inclusive aqueles recriam condições próximas às do Big Bang) não corroboram isso. Há como descartar completamente que existam galáxias de antimatéria? Não. Mas não vimos nenhuma evidência disso e teríamos de rever nosso modelo cosmológico para fazer isso “funcionar”.

          1. Salvador, valeu pela resposta!
            Você foi mais rápido do que as minhas “divagações” abaixo…

      3. Continuando minhas divagações, o cenário acima seria o que eu esperaria de um Big Bang que tenha produzido quantidades iguais de matéria e antimatéria, mas com “ligeiras” flutuações na distribuição. Num período inicial, realmente teria havido aniquilação generalizada. Nas regiões mais “homogêneas” a aniquilação seria (quase) completa, gerando os “grandes vazios” entre os grupos de galáxias (que se afastam uns dos outros). Mas, nas regiões onde havia algum desequilíbrio, a aniquilação parou quando o “tipo minoritário” – na “nossa região”, a antimatéria – se esgotou. Pelo equilíbrio CPT, a cada região onde “sobrou” matéria deve haver uma correspondente de antimatéria (não que os agrupamentos sejam necessariamente espelhados, mas as quantidades remanescentes de matéria e de antimatéria deveriam ser semelhantes). Só que, logo depois na história do Universo, tais regiões “desequilibradas” devem ter ficado afastadas o suficiente para acabar com a “aniquilação massiva” (eventualmente continuando “apenas” a “aniquilação residual” nas fronteiras, insuficiente para detectarmos diretamente), e permitindo a formação das estruturas que conhecemos do Universo.

    1. Pensando aqui… detalhadamente, decerto não. A astronomia é uma ciência mais relativista do que quântica, então, só abordei até hoje a física quântica de forma tangencial. Estou escrevendo um sobre a ciência de Einstein, e aí será inevitável me debruçar um pouco mais sobre quântica.

      1. é muito doido isso, muito difícil de entender
        escreve um pra gente com linguagem bem leve rs ( brincadeira )

  7. Mano, aqui vão meus singelos questionamentos:

    SE para cada átomo que compões a matéria tem que haver um átomo de antimatéria (efeito espelho ou teorema CPT), nesse caso, o evento do Big Bang não demoraria 1” e tudo no mais estaria aniquilado.

    Assim sendo, a teoria do Big Bang em questão não se sustentaria.

    No entanto, quem afirmou que para cada átomo, necessariamente tem que haver seu antiátomo, pode estar enganado, haja vista que, átomos de antimatéria não existem comprovadamente na natureza, no momento esses elementos precisam ser “fabricados” em laboratório e permanecerem isolados 100% no vácuo.

    O lado bom dessa pesquisa é que, se essa “fábrica” prosperar na produção de antimatéria, antevejo uma fonte inesgotável de energia limpa e o consequente fim da dependência dos recursos fósseis, tudo o que o planeta precisa.

    1. A fabricação simultânea de partículas e antipartículas já foi testada em laboratório. E já há uma violação de CP que sustenta uma pequena vantagem da matéria sobre a antimatéria. Mas esperam encontrar uma violação de CPT para explicar o total de matéria observado no Universo. Então, o Big Bang não está ameaçado. O que está ameaçado é o Modelo Padrão, que aponta que partículas e antipartículas são exatamente iguais. Na verdade são aproximadamente iguais, o que faz diferença nesse caso. E sabemos que o Modelo Padrão precisa de ajustes e adições mesmo, então tudo bem levá-lo ao altar do sacrifício… rs

    2. Também sou favorável ao uso de energia limpa, mas não posso deixar de lembrar o fato de que Titã e várias luas e planetas do sistema solar estão cheios de “recursos fósseis”!!!

      1. Pois é… Este é o ponto… Lá não são fósseis… E aqui???

        Se Titã se deslocasse para a órbita da Terra seus hidrocarbonetos “mais simples” volatilizariam e, tem certeza que não sobrariam monstruosidades de hidrocarbonetos mais pesados e complexos, que hoje estão insignificantemente diluídos naqueles oceanos de metano e sabe-se lá mais o quê???

        1. Precisa ver se há hidrocarbonetos megapesados e complexos lá. Não sabemos sintetizar petróleo, então suponho que não haja petróleo diluído no mar de etano e metano de Titã.

        2. Questionei isso porque a origem “fóssil” do petróleo ainda é uma teoria que nunca foi provada… Aí aparece hidrocarboneto para tudo quanto é lado no sistema solar… Basta ligar os pontos…

          1. Note que o ambiente que favorece a chuva de hidrocarbonetos em Titã exige temperaturas baixíssimas, como nunca houve na Terra. Em lugares como o nosso planeta, esses hidrocarbonetos são gases. Mas o petróleo é bem líquido — sinal de que sua natureza química é bem diferente, a despeito de ter os mesmos átomos de carbono e hidrogênio, ainda que arranjados de modo muito mais complexo.

          2. Mas não sabemos como o petróleo surgiu… Certamente em Titã teremos locais no subsolo onde há reservas de hidrocarbonetos… Se houver vulcanismo, em alguns locais eles serão queimados mas em outros podem ser “cozidos”!!! E cozinhar óleo fino evapora a maior parte, mas resulta em um produto final muito mais grosso e complexo… E esta complexidade envolvida para se chegar a compostos mais complexos, uma vez não desvendada, permite uma quantidade enorme de suposições e hipóteses- o que é muito mais interessante do que aceitar pacificamente uma “história” contada e onde sequer se tentou provar se é correta… Virou fé e não ciência…

          3. Se houver vulcanismo em Titã, será criovulcanismo. O lugar é frio pra burro. Saturno, man. Far far away…

          4. Saturno não provoca o “efeito maré” igual Júpiter???
            Tem uma lua de Júpiter virada em vulcões…
            E estou supondo aqui… Talvez o “petróleo” esteja em Io…

          5. Sem contar que estou especulando aqui o que poderia ter acontecido na Terra… O fato de Titã e demais luas estarem em locais gélidos implica, obrigatoriamente, em condições diferentes das nossas… Vênus tem hidrocarbonetos??? Kkkkkkkk…

        3. No mar de Etano e Metano de Titã, podemos fazer muita coisa. Vejam exemplos:
          O etano é utilizado na indústria química para produção de etanol, acetaldeído, acetato de vinila, cloreto de etila, dicloroetano, estireno, polietileno, álcoois superiores, outros etils halogenados, etc.
          O Metano é usado como matéria prima para fabricar: dióxido de carbono, etanol, cloreto de metila, diclorometano, amônia e acetileno. o gás natural, que tem como principal componente o Metano (Cerca de 90%), vem sendo utilizado como combustível em todo mundo.
          Com Metano, podemos produzir H²O: A combustão completa do metano (CH4) produz dióxido de carbono (CO2) e água:CH4 + 2 O2 = CO2 + 2 H2O
          Daí, Faremos o combustível que precisarmos.
          Ou seja, podemos nos divertir á vontade.

          1. Se levarmos alguns catalizadores, aditivos, e que tais!, fazemos tudo que conhece e utiliza no teu dia a dia.
            Alquimia, meu caro Brocador. rs, rs

      2. Curioso haver metano e etano líquidos, já que a faixa de temperaturas em que esses materiais permanecem no estado líquido é muito estreita.

        Ou seria a baixa pressão atmosférica que manteria metano e etano líquido em temperaturas abaixo do que chamamos ”ponto de fusão”?

        1. Há um ciclo hidrológico de metano e etano em Titã. Ele evapora, chove e se liquefaz. A pressão atmosférica em Titã é um pouco mais alta que a da Terra, se bem me lembro 1,6 atm no que seria o “nível do mar”.

          1. Viajando um pouco, no sentido mental e não astrográfico, seria possível ter surgido por lá uma forma de vida que usasse esses materiais em vez de água?

          2. Valeu. Conferi o tópico.

            Em um comentário, falaste que a luz que chega a um astro diminui com o quadrado da distância. Tentei calcular rapidamente a luz que chega em marte, seria cerca de 44,44% da que chega na Terra…. está correto isso? Esperava um número menor…..

            Fiz uma regra de três (quase) simples…. se a Terra, a 1UA, recebe 100%, então Marte, a 1,5 UA, vai receber 100 / 1,5^2.

  8. Salvador:
    Uma aplicação prática do uso da antimatéria seria , talvez no futuro, a desmaterialização de rejeitos como o lixo?

    1. Nossa, nunca pensei nisso. Mas não. Nem como energia limpa, como sugeriu o Nyco. Gasta-se muito mais energia para fabricar antimatéria do que aniquilando-a.
      Tenha em mente que as quantidades de antimatéria fabricadas são pentelhesimalmente baixas…

      1. Mano!
        Não se atenha ao momento presente.
        Tenho certeza que num futuro próximo a produção de antimatéria será em larga escala.
        O start já foi dado com o isolamento de 14 átomos de anti-hidrogênio e isso já é um progresso fantástico.

        1. Mas para quê? Você gasta mais energia do que ganha no processo, a armazenagem é super-ultra-complicada (leia-se, cara), e há meios mais baratos de produzir energia em quantidades praticamente ilimitadas. Para quê lançaríamos mão de antimatéria?

          1. Propulsão auto-suficiente para uma astronave chegar nas estrelas sem precisar reabastecer.
            Sei que você é um guri inteligente e já deve saber que o hidrogênio abunda no cosmo.

          2. Reação matéria-antimatéria seria a mais energética para propulsão, de fato, e se o EmDrive não funcionar, pode ser uma alternativa. Mas ainda é largamente um sonho da ficção. Armazenar antimatéria não é fácil. E seriam necessárias amplas quantidades de antimatéria, mesmo que a matéria pudesse ser recolhida durante a viagem (e em geral não pode; a densidade de matéria no vácuo interestelar é muito, muito baixa).

          3. Segundo informações científicas, o H², por ter apenas 1 próton e 1 elétron, é o elemento mais simples e por consequência, o mais abundante na natureza.
            Segundo relatos idôneos, o espaço sideral é composto por 93% de H², restando apenas 7% para os demais elementos. Essa é a senha.

  9. Salvador, acho interessante esse tema do equilíbrio esperado entre matéria e antimatéria em contraposição ao “universo de matéria” que conhecemos, mas, de fato, ainda não consegui ler muito a respeito e tenho algumas dúvidas – creio que primárias – que, espero, você possa me ajudar a elucidar.
    1. É possível que, logo após o Big Bang, houvesse o equilíbrio previsto em relação à quantidade, mas a distribuição tivesse flutuações, de tal forma que o “excesso de matéria” que vemos hoje seja somente o resultado de uma “bolha” onde havia um desequilíbrio “localizado”? Em caso afirmativo,
    1.1. Esse raciocínio implica na existência de “bolha(s)” de antimatéria;
    1.2 A energia resultante da aniquilação matéria/antimatéria nas regiões mais “equilibradas” – e, em especial, nas “fronteiras” entre bolhas de constituição distinta – teria contribuído para o afastamento entre as “bolhas” (possivelmente para fora do nosso universo observável)?
    2. Se as emissões luminosas da antimatéria são iguais às da matéria, como podemos ter certeza de que todo o nosso universo observável seja de matéria?

    1. Sobre as perguntas sob 1, a teoria diz que não, porque matéria e antimatéria seriam produzidos de maneira mais ou menos isotrópica (igual em toda parte).
      Sobre a pergunta 2, é uma que eu tinha também. Veja a resposta do Claudio Lenz Cesar (e Hbarra é nome chique de anti-hidrogênio): “Quanto à luz que vem do cosmos, não tem como fazer medidas com essa precisão, então, nunca saberemos que luz que vem de hidrogênio é de H ou Hbarra. São as outras observações que indicam que não tem Hbarra por aí (ausência de aniquilação, ou ausência de antipartículas em número suficiente no experimento AMS, por exemplo).”

        1. O Universo todo, atualmente, é feito de matéria. Antimatéria, por aqui, só fabricada (por processos naturais ou artificiais). Não há antimatéria primordial remanescente no Universo.

  10. Desculpe a ignorância, mas anti-materia não é o mesmo que matéria escura, correto?

    Obrigado

  11. Entao:

    1- Atomos de anti-hidrogênio mesmo que não toquem em outros átomos normais de hidro, ao sairem do campo são destruídos pelo contato com qualquer outro tipo de matéria?
    2- Viram energia e não “anti-energia”?

    1. Matéria e antimatéria se aniquilam e viram energia. Antienergia, até onde sabemos, não existe.

  12. O evento explosivo, chamado Big-Bang, não nos diz como a matéria e energia apareceram, e expandiram. Talvez, o nosso universo não tenha originado do Big-Bang.

    1. Diz sim. O Big Bang só não diz o que levou a ele mesmo e se havia algo antes. Dele em diante, entendemos relativamente bem.

      1. Segundo a TEORIA, primeiro houve a explosão e em seguida a expansão.
        É bom se atualizar seu comentarista de comentários, .. hehe!

        1. Não, o EuTM está certo. Não houve explosão. Houve só expansão mesmo. Big Bang nunca foi uma explosão. O nome da teoria é só um apelido, de início depreciativo, dado por Fred Hoyle, físico que propunha uma alternativa a ele, conhecida como teoria do estado estacionário (que já foi refutada, a propósito).

          1. Ok. O Universo se expande desde o seu início. Concordo!
            Uma pergunta: O que conhecemos, comprovadamente, que seja capaz de expandir o espaço?
            Resposta: Apenas corpos com massa.
            Isso estaria certo?

          2. Na verdade, corpos com massa contraem o espaço. O que expande o espaço é a energia escura. 🙂

          3. Essa afirmativa de o universo se “expandir” sem um ponto de ignição é complicado.
            Pra mim, o universo, reservada as devidas proporções, se comporta igual uma estrela. Quando chegar no limite de sua expansão, vai se contrair a extremos, para depois explodir bem ao estilo de uma supernova, se expandindo, se contraindo e segue o ciclo.

        2. Segundo a TEORIA

          http://gizmodo.uol.com.br/conceitos-cientificos/

          2. Teoria
          O astrofísico Dave Goldberg tem uma teoria sobre a palavra teoria:

          Os membros do público geral (junto com as pessoas que brandem machados ideológicos) ouvem a palavra “teoria” e a equalizam com “ideia” ou “suposição”. Teorias científicas são sistemas completos de ideias que podem ser testadas e que são potencialmente refutáveis, seja por evidências ou por um experimento que alguém poderia fazer. As melhores teorias (entre as quais eu incluo a da Relatividade Especial, a da Mecânica Quântica e a da Evolução) resistiram a cem anos — ou mais — de desafios, tanto de pessoas que queriam se provar mais espertas do que Einstein como daqueles que não gostam de desafios metafísicos porque eles não se encaixam em suas visões de mundo. Por fim, teorias são maleáveis, mas não infinitamente. Teorias podem ser incompletas ou terem detalhes errados sem que todo o conceito caia por terra. A Teoria da Evolução foi sendo adaptada ao longo dos anos, mas não a ponto de ficar irreconhecível. O problema com a frase “é só uma teoria” é que ela implica que uma teoria científica real é algo pequeno — e não é.

          Portanto, comentarista, antes de enfatizar a palavra TEORIA na tentativa de depreciar o Big Bang, sugiro que, novamente, atualize suas fontes. 😉

          1. Aêh comentarista de comentários!
            Quando citar textos de terceiros, favor colocar entre aspas,.. hehe!, .. que burro!

          2. Opa, obrigado! Aprendi mais uma!

            Mas o mais importante é que você atualizou suas fontes!

            Saímos daqui um tiquinho mais inteligentes, e isso já é suficiente pra me deixar feliz!

            😉

          3. Na verdade não são necessárias as aspas. Basta que o texto seja de alguma forma destacado – e isso o EuTM fez, botou o texto em itálico. Está correto assim.

    2. Concordo com o Edson. Além do mais, pela teoria do Big Bang, não se sabe nem mesmo o que aconteceu nos primeiros momentos do Universo, que chamam, erroneamente, de inflação
      Essa teoria – a do Big Bang – não é a que satisfaz minha busca. Procuro algo mais crível e evidente, como a idéia de que este Universo atual, caiu dentro de um Buraco Negro existente em outro Universo ainda mais antigo e assim sucessivamente eternamente.
      Por mais “louca” que possa sugerir, essa ideia é muito mais completa que a ideia do Big Bang. Explica o período inflacionário, a não existência do Nada, e a expansão acelerada do tecido Espacial.
      Pena que AINDA não é, devidamente, levada a sério.

  13. Seria correto pensar que Tudo no Universo é apenas Energia? E que ela se condensa em determinados pontos e em outros não? Assim sendo, quais seriam os gatilhos que estariam por trás de tudo isso? E por último, alguma inteligência estaria segurando a “arma”?

    1. Sabemos que energia e matéria são intercambiáveis desde E=mc2, em 1905. Entendemos como processos podem converter matéria em energia (bomba atômica) e como processos podem converter energia em matéria (aceleradores de partículas). Como a natureza tem bombas atômicas melhores que as nossas (vide o Sol) e aceleradores de partículas melhores que os nossos (vide estrelas de nêutrons e buracos negros), podemos dispensar qualquer inteligência para segurar esta “arma”. 😛

  14. O que a gente faz basicamente nos aceleradores de partículas e colidir matéria com matéria e dessa tombada surge a antimatéria!

    A energia resultante decai em matéria e anti matéria.

    Então a matéria e a antimatéria é a forma como a energia se organiza ao decair em partículas.

    Estranho pensar que a energia condensada que forma a matéria pode tem exatamente o potencial de ser antimatéria tb.

  15. Salvador, pelo que sei, os átomos nunca de fato encostam uns nos outros.

    Por mais pressione minha mão contra parede os meus átomos não encostam nos átomos a parede.

    Na verdade, a distância entre átomos, mesmo a distância entre o elétron e o núcleo de um átomo, mostra que o universo é basicamente um grande vazio preenchido por forças, sendo que a matéria, aquilo que de fato nos confere massa, ocupa uma parte infinitesimal do espaço.

    Um átomo de antimatéria, ao se aproximar de um átomo de matéria eles atraem num abraço mortal?

    Porque se não houver alguma força atrativa extremamente forte entre eles, não vejo como eles podem se “encontrar”.

    Poderiam passar um do lado outro sem colidir. A matéria é antimatéria são fortemente atrativas, não?

    1. Sim, elas se atraem, pelas cargas invertidas. E outra, você dispara um átomo de anti-hidrogênio na direção de uma parede de matéria. Pode demorar, mas cedo ou tarde ele vai trombar com alguma coisa. Mas, sim, você tem razão — matéria com matéria, nada nunca se toca de verdade, e até mesmo o interior dos átomos é 99,99% vazio. Ou seja, somos todos feitos majoritariamente de nada. rs

    2. Victor, majoritariamente é a força eletromagnética (em um nível atômico) que impede de os átomos de matéria normal tocarem outros átomos de matéria normal.

      O mesmo acontece entre átomos de antimatéria e outros átomos de antimatéria.

      Mas esse equilíbrio se desfaz quando a conversa é entre átomos de matéria e antimatéria, e nesse caso sim, temos o tal abraço mortal.

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