Relatório do governo americano sobre óvnis será, como se esperava, inconclusivo

Depois de vazamentos de alguns vídeos e muito retorno de mídia, no ano passado, congressistas americanos indicaram em lei que o governo deveria apresentar um relatório aberto do que uma sondagem do Pentágono aprendeu sobre óvnis, os populares objetos voadores não identificados. O resultado está prestes a ser apresentado, no fim deste mês, e deve trazer exatamente o que se esperaria dele: quase nada.

Segundo representantes do governo ouvidos pelo jornal The New York Times, o relatório indicará que os avistamentos e registros não trouxeram evidências de tecnologia extraterrestre, mas que ela também não pode ser descartada. O documento admitirá que muitas das características desses objetos, como velocidade, aceleração, manobras e submersão, não são facilmente explicáveis. E indicará que a vasta maioria dos mais de 120 incidentes de encontros ocorridos nas últimas duas décadas não se originou de atividades militares ou tecnológicas americanas.

Ênfase em “vasta maioria”. Isso indica que algumas dessas aparições, sim, têm origem em equipamento avançado dos EUA. E, da mesma maneira, é possível que algumas outras tenham origem em atividades de outros países com capacidades militares avançadas. Não por acaso, o relatório vai ter um anexo ainda mantido secreto.

O documento reflete o que disse no mês passado o ex-presidente Barack Obama em um talk show na rede americana CBS. Após fazer algumas piadas (interpretadas a sério por aí), ele disse: “O que é verdade, e estou mesmo falando sério agora, é que há vídeos e registros de objetos nos céus que não sabemos exatamente o que são.”

O fato de os EUA admitirem isso de forma oficial faz contraste com o que se disse durante décadas, em que 95% das observações tinham explicações triviais e as autoridades arredondavam o número para 100%. Mas não faz grande coisa para resolver o mistério. Não permite distinguir objetos tecnológicos de fenômenos naturais, nem identificar sinais claros de intenção ou evidências de origem extraterrestre. E isso com equipamentos militares altamente qualificados para observação e registro.

É exatamente por isso que a ufologia nunca será uma ciência. Ela não admite repetibilidade nas observações, tampouco teste de hipóteses, nem oferece muito mais que um conjunto de anedotas que podemos preencher com aquilo que nosso coração mais desejar –de fenômenos atmosféricos estranhos a uma invasão alienígena. Psicólogos vêm há tempos estudando esse “preencher das lacunas”, remontando à obra de Carl Jung sobre discos voadores. Mas não é por aí que vamos encontrar evidências de vida fora da Terra.

Se realmente estamos sendo visitados por alienígenas em naves fantásticas, temos de dar parabéns a eles pela inigualável ambiguidade com que se apresentam e aceitar que essas aparições provavelmente estarão para sempre na categoria dos mistérios sem solução.

Esta coluna é publicada às segundas-feiras, na Folha Corrida.

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