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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Um minuto de silêncio, o Kepler está morto

Por Salvador Nogueira
Concepção artística do Kepler-62e, mundo potencialmente habitável descoberto pelo satélite

Kepler está morto. Não o astrônomo, que já bateu com as dez faz alguns séculos. Refiro-me ao satélite da Nasa que estava arrebatando corações ao descobrir uma porção de planetas candidatos iguais à Terra em nossa galáxia. Como este aí do lado.

A agência espacial americana acaba de admitir que todas as tentativas de salvar o bichinho, que estava “manco” de dois giroscópios, falharam. Sem dois dos quatro dispositivos do tipo instalados, ele não consegue apontar com precisão para as estrelas e detectar a diminuta redução de brilho que indica a presença de planetas ao seu redor.

Apesar disso, não devemos nos entristecer demais. Há muitos dados ainda a serem analisados, e até você pode ajudar a descobrir novos planetas com eles, se inscrevendo no projeto Planet Hunters, em que voluntários ajudam a olhar as curvas de luz produzidas pelo telescópio espacial e identificar sinais de estranhos e novos mundos.

O satélite Kepler, da Nasa

O Kepler colocou números superlativos no nosso entendimento dos sistemas planetários, e sempre nos lembraremos dele como o maior responsável por contextualizar o Sol e seus planetas no âmbito da galáxia. Foram até agora 135 exoplanetas descobertos, e impressionantes cerca de 3.500 candidatos a planetas, dos quais 90% devem se confirmar com tais.

É uma revolução, não de todo dissimilar à feita pelo cientista que lhe emprestou o nome. Lá no século 17, Johannes Kepler decifrou as leis de movimento dos planetas, em forma elíptica. Graças a ele, o caminho foi pavimentado para que Newton decifrasse a gravitação universal e abrisse as portas do cosmos para o intelecto humano.

 

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