Um minuto de silêncio, o Kepler está morto

Concepção artística do Kepler-62e, mundo potencialmente habitável descoberto pelo satélite

Kepler está morto. Não o astrônomo, que já bateu com as dez faz alguns séculos. Refiro-me ao satélite da Nasa que estava arrebatando corações ao descobrir uma porção de planetas candidatos iguais à Terra em nossa galáxia. Como este aí do lado.

A agência espacial americana acaba de admitir que todas as tentativas de salvar o bichinho, que estava “manco” de dois giroscópios, falharam. Sem dois dos quatro dispositivos do tipo instalados, ele não consegue apontar com precisão para as estrelas e detectar a diminuta redução de brilho que indica a presença de planetas ao seu redor.

Apesar disso, não devemos nos entristecer demais. Há muitos dados ainda a serem analisados, e até você pode ajudar a descobrir novos planetas com eles, se inscrevendo no projeto Planet Hunters, em que voluntários ajudam a olhar as curvas de luz produzidas pelo telescópio espacial e identificar sinais de estranhos e novos mundos.

O satélite Kepler, da Nasa

O Kepler colocou números superlativos no nosso entendimento dos sistemas planetários, e sempre nos lembraremos dele como o maior responsável por contextualizar o Sol e seus planetas no âmbito da galáxia. Foram até agora 135 exoplanetas descobertos, e impressionantes cerca de 3.500 candidatos a planetas, dos quais 90% devem se confirmar com tais.

É uma revolução, não de todo dissimilar à feita pelo cientista que lhe emprestou o nome. Lá no século 17, Johannes Kepler decifrou as leis de movimento dos planetas, em forma elíptica. Graças a ele, o caminho foi pavimentado para que Newton decifrasse a gravitação universal e abrisse as portas do cosmos para o intelecto humano.

 

Comentários

  1. 1) O Kepler não pode ser “consertado” pois está em órbita do Sol, não da Terra. Ele está muuuuuiiito longe.

    2) O Kepler foi projetado com 4 atuadores/motores giroscópicos que são utilizados como “apoio” para apontar o telescópio.
    Ele precisa de no mínimo 3 para fazer isso.
    Dos 4 giroscópios, 2 ficaram inoperantes, daí o “decreto” de morte.
    Ocorre que JÁ ENCONTRARAM UMA VIA ALTERNATIVA.
    Vão utilizar a própria órbira em torno do Sol como se fosse o terceiro “eixo”.
    Portanto, o Kepler não “morreu”.

    1. Marcus, sim, o Kepler continuará a ser usado e essa proposta de usar o Sol como terceiro atuador recentemente recebeu sinal verde para passar por uma revisão sênior, com vista a ser implementada. Em testes preliminares, parece que funciona, ainda que não tão bem quanto originalmente.

      Agora, você está comentando num texto velho, da época em que o Kepler pifou. Não dá para você esperar que ele esteja atualizado, né? Pretendo escrever em breve sobre a K2, a nova missão do Kepler (que, se for por esse caminho mesmo, rastreará uma grande parte do céu, mas vai se limitar a órbitas bem menores que a da Terra).

  2. Quase 1000 planetas descobertos e catalogados, mas a pergunta de sempre: Estamos sós? Ainda permanecerá por muito tempo.

  3. Com toda a tecnologia atual, como explicar que o homem tenha ido a lua e retornado, se nao conseguem consertar um satelite?

  4. Eita que eu não aguento esse povo que fica dizendo que a exploração espacial é desperdício de dinheiro! Acontece que nós, Homo sapiens, somos curiosos por natureza! Se não o fôssemos, ainda estaríamos vivendo em árvores e cavernas por aí. Mas é claro que quem faz esse tipo de comentário nem sequer acredita que nós um dia vivemos em árvores ou cavernas…

  5. folha, we have a problem !!
    esse desprezado jornalista, está em erro !
    quem morreu É TU, besta quadrada !!
    an passant…o tal do Eloi (post acima), me desculpe, mas sua ignorancia te precede em 24h15m33s !!
    boa noite !

    1. Caríssimo, suponho que você se refira ao estudo que estão fazendo para dar outro uso ao satélite. Bacana e tal, mas, para a função de caçar planetas, ele infelizmente já era. Então, quem tem o problema é a Nasa, e não a Folha! 🙂

  6. Muito legal ! Interessantíssimo tema, eu iniciei em astronomia com o POLIOPTICON, em 1970 por aí. O site Planet Hunters eu já sou inscrito e acho uma aventura incrível estar em casa analisando os movimentos de corpos celestes e caçando possíveis planetas!
    Abraço para o Salvador Nogueira !
    Vida longa e próspera!

    1. Ora ora, que grata supresa encontrar um usuário do Poliopticon.
      Comprei um em 1960 na Ótica Boa Vista em Curitiba e através da pequena luneta de 22 X de aumento, vi as crateras da Lua. Comprei logo depois um Celoscópio, ( 50 X ) também da D.F.Vasconecelos e com esse telescópio de espelho, vi os anéis de Saturno, os polos congelados de Vênus, além de 3 satélites de Júpiter, e em seguida parti para um D.F.V de 80 X.
      Hoje possuo outro telescópio, com várias oculares e aumentos de 50 à 400 X.
      Abraços

  7. Desperdício de dinheiro….
    Deveriam se preocupar em cuidar deste planeta e não procurar outros para destruírem….

    1. Quem está procurando outros mundos para destruírem? Você acreditou demais em ficção científica, não é? O objetivo do telescópio era descobrir outros planetas e quem sabe achar algum habitado e com alguma espécie inteligente. Isto provocaria calafrios em certos tipos conservadores e obtusos que não conseguem ver alguma coisa nem estando debaixo dos seus narizes.

    2. Foi algo assim que o próprio inventor do cinema disse quando avaliou sua própria invenção. E este caso não é único.

      Mas concordo com você. É inaceitável o abuso que estamos fazendo com a Natureza deste Planeta.

    3. Ora meu caro, se não fosse a curiosidade de um homem (ou mulher) observar o céu, você não estaria digitando esse texto ignóbil em um computador hoje em dia.

    4. Desperdício de dinheiro é um tal de Eloi ter um computador criado pela curiosidade e tenacidade de homens que se preocuparam em descobrir outros planetas.

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