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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Um passeio de avião por Titã

Por Salvador Nogueira
Simulação de sobrevoo por mares de Titã
Simulação de sobrevoo por mares de Titã

Titã é um dos corpos celestes mais interessantes e misteriosos do Sistema Solar. Trata-se da maior lua de Saturno (e a segunda maior do Sistema Solar), com 5.150 km de largura. É quase metade do diâmetro terrestre. Só que esta lua está sempre a esconder sua superfície de nós, graças a uma densa e enevoada atmosfera que a recobre. Por isso é tão empolgante poder fazer um voo simulado por sua superfície, como o que a Nasa acaba de divulgar.

As informações de Titã foram obtidas graças ao radar que equipa a sonda americana Cassini. Em órbita ao redor de Saturno, ela vem fazendo sobrevoos de Titã desde 2004. A cada passagem, usa o radar para mapear a superfície e “levantar” a névoa em uma faixa estreita. Após múltiplas passagens, boa parte da lua saturnina já revelou pelo menos suas características mais grosseiras.

No vídeo, as marcas na superfície foram exageradas, ou seja, ampliadas, por um fator de 10, para realçar as diferenças de relevo. E o que mais chama atenção são os lagos e mares de Titã. Sim, lá há corpos líquidos na superfície! É o único outro objeto do Sistema Solar, além da Terra, a ter essa característica. A diferença é que aqui os oceanos, rios e lagos são de água, e lá são de hidrocarbonetos — principalmente metano e etano. Isso acontece porque a temperatura lá é extremamente baixa (-179 graus Celsius), o que permite o fluxo de metano e etano entre as fases líquida e gasosa. Lá também há chuva, só que de hidrocarboneto! Água, em compensação, existe, mas só em forma de pedra.

Mapa feito por radar do hemisfério Norte de Titã
Mapa feito por radar do hemisfério Norte de Titã

Com uma atmosfera composta principalmente por nitrogênio (95%) e metano (5%), acredita-se que Titã seja uma versão da Terra “congelada” no tempo, que permitiria o estudo do ambiente em nosso planeta em seus primórdios. É, portanto, um laboratório natural para estudarmos a origem da vida. Alguns cientistas mais arrojados até debatem a possibilidade de haver vida lá, mas ela exigiria química e metabolismo bem diferentes do terrestre, baseado em água líquida como solvente.

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