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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Marte e a saga dos mundos habitáveis

Por Salvador Nogueira

A Terra pode até parecer hoje um planeta top no Universo, mas Marte já foi a cara dela no passado.

Concepção artística dos oceanos de Marte, 4 bilhões de anos atrás (Crédito: ESO)
Concepção artística revela distribuição dos oceanos de Marte, 4 bilhões de anos atrás (Crédito: ESO)

SER OU NÃO SER
Uma olhadinha por aí leva a pensar que estamos no único planeta de fato hospitaleiro a orbitar o Sol. Mas uma volta no tempo nos faria mudar de ideia. A escala da vida humana é pequena demais para que nos apercebamos de que planetas em geral não são habitáveis — eles estão habitáveis.

BOLA DE NEVE
A Terra, por exemplo, já teve seus maus dias. Retroceda 650 milhões de anos. Há evidências de que o planeta praticamente todo se congelou por essa época. Uma imensa bola de neve, mais parecida com as luas geladas de Júpiter do que com nosso mundo atual. E a vida se limitava a microrganismos.

A GRAMA DO VIZINHO
O desértico Marte, por sua vez, parecia um oásis para a vida 4 bilhões de anos atrás. Cientistas da Nasa conseguiram, por meio de observações telescópicas, investigar o ritmo com que o planeta vermelho perde sua água para o espaço. Assim, puderam estimar quanto dela já existiu por lá no passado.

OUTRO PLANETA ÁGUA
Marte provavelmente já teve um oceano respeitável, com profundidade superior a um quilômetro, em seu hemisfério Norte. Ele começou com atmosfera densa e temperaturas amenas, mas, com o passar do tempo, graças ao seu porte menor, foi perdendo tudo isso.

SINAIS DO PASSADO
Hoje, temos apenas as cicatrizes que os fluxos líquidos deixaram sobre sua superfície. É um deserto seco. Água, ainda há de monte — mas só como gelo, no subsolo e nas calotas polares.

E VIDA?
Com um passado tão hospitaleiro, Marte pode ter abrigado vida? Possivelmente. Mas até agora não há evidências conclusivas. De toda forma, o que sabemos pelo exemplo terrestre é que, uma vez que a vida aparece, é difícil exterminá-la. Nem quando nosso planeta congelou ela sumiu. Talvez, portanto, ainda existam umas bactérias marcianas por lá para nos contar sua dramática história evolutiva.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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